Daily Archives: 12/01/2022

Dica Literária: ‘Roteiro para um Narrador – Uma Leitura dos Contos de Rubem Fonseca’, de Ariovaldo José Vidal

Toda quarta-feira do ano, no Blog da Ateliê, será publicada a Dica Literária, que consiste em divulgar as obras já publicadas pela editora. Confira abaixo a nossa seleção:

Roteiro para um Narrador – Uma Leitura dos Contos de Rubem Fonseca

A posição do narrador na prosa de Rubem Fonseca é o tema central deste ensaio de Ariovaldo José Vidal, professor de Teoria Literária da USP. A partir da análise dos cinco primeiros livros de contos do escritor, ele descreve os traços estilísticos que caracterizam sua obra. O estudo dá destaque à mudança ocorrida com os procedimentos narrativos no decorrer dos anos. Vidal também aborda as questões de gênero, os temas mais recorrentes e as influências de outros autores nessa ficção.

Ariovaldo José Vidal é professor de Teoria Literária na FFLCH/USP. Pela Ateliê, publicou Roteiro para um Narrador – Uma Leitura dos Contos de Rubem Fonseca (2000) e Leniza & Elis (2002), este último em parceria com Joaquim A. Aguiar.

Prêmio Sesc de Literatura 2022 abre inscrições

O Prêmio Sesc de Literatura, um dos mais importantes e consagrados do país na distinção de escritores inéditos, está com inscrições abertas. Podem concorrer autores não publicados nas categorias Romance e Conto. O Prêmio avalia trabalhos com qualidade literária para edição e circulação nacional. Os interessados têm até 11 de fevereiro para concluir o processo de inscrição, que é gratuito e online. O regulamento completo pode ser acessado em www.sesc.com.br/premiosesc.

Ao oferecer oportunidades aos novos escritores, o Prêmio Sesc de Literatura impulsiona a renovação no panorama literário brasileiro e enriquece a cultura nacional. Os vencedores têm suas obras publicadas e distribuídas pela editora Record, parceira do Sesc no projeto, com tiragem inicial de 2.500 exemplares. O anúncio dos vencedores será divulgado no mês de maio. Desde a sua criação em 2003, mais de 17 mil livros foram inscritos e 33 novos autores revelados.

A parceria com a editora Record contribui para a credibilidade e a visibilidade do projeto, pois insere os livros na cadeia produtiva do mercado editorial. “Chegamos à 19ª edição com o propósito de revelar novos escritores, que é nossa maior meta. A premiação foi criada em 2003 e se consolidou como a principal do país para autores iniciantes. No ano passado, tivemos a inscrição de 1.688 livros, sendo 850 em Romance e 838 em Conto. O cronograma não foi afetado pela pandemia, porque foi todo executado por trabalho remoto. Dessa forma, o resultado pôde ser divulgado no prazo previsto” explica o analista de Literatura do Departamento Nacional do Sesc, Henrique Rodrigues.

O processo de curadoria e seleção das obras é criterioso e democrático. Os livros são inscritos pela internet, gratuitamente, de forma anônima. Isso impede que os avaliadores reconheçam os reais autores, garantindo a imparcialidade no processo de avaliação. Os romances e contos são avaliados por escritores profissionais renomados, que selecionam as obras pelo critério da qualidade literária.

A relevância do Prêmio Sesc de Literatura também pode ser medida por meio do sucesso dos seus vencedores, que vêm sendo convidados para outros importantes eventos internacionais, como a Primavera Literária Brasileira, realizada em Paris, o Festival Literário Internacional de Óbidos, em Portugal, e a Feira do Livro de Guadalajara, no México.

‘O Otelo Brasileiro de Machado de Assis’, de Helen Caldwell, ganha reedição neste ano

Publicada em 2002, a obra O Otelo Brasileiro de Machado de Assis, de Helen Caldwell, ganhará reedição em 2022.

Por muito tempo, prevaleceu nas leituras críticas de Dom Casmurro o tom malicioso sobre a personalidade de Capitu. Helena Caldwell analisa a obra-prima de Machado de Assis afastando-se dessas interpretações machistas e revelando o nexo que o escritor estabelece com Otelo, de Shakespeare. Publicado em 1960, este clássico dos estudos machadianos só foi traduzido para o português mais de quarenta anos depois, chegando agora ao leitor interessado num dos maiores artistas que o Brasil já teve.

Helen Caldwell

Helen Caldwell (1904-1987) foi pesquisadora e professora da Universidade da Califórnia, ensinando em diversas áreas, como literatura grega e latina. Especializou-se na obra do brasileiro Machado de Assis, traduzindo para o inglês alguns de seus livros como HelenaDom CasmurroEsaú e JacóMemorial de Aires, além de um volume de contos machadianos. Também estudou dança japonesa com o coreógrafo japonês Michio Ito, sobre quem escreveu um estudo, depois publicado em livro.

Ateliê Editorial anuncia para este ano a reedição da obra ‘O Século da Canção’, de Luiz Tatit

Esgotado há um bom tempo, a Ateliê Editorial anunciou a reedição neste ano, seguindo a nova ortografia, da obra O Século da Canção, de Luiz Tatit.

Publicado originalmente em 2004, o livro apresenta uma leitura do nascimento, consolidação e progresso da canção popular brasileira ao longo do século XX, elegendo os períodos, os movimentos, as obras e os artistas que, de acordo com os critérios adotados, foram decisivos para configurar nossa singularidade sonora.

Luiz Tatit descreve o empenho dos cancionistas das primeiras décadas para chegar a uma canção cujo entrosamento entre melodia e letra fosse o mais convincente possível, não só como peça artística, mas também como produto de consumo. Explica que a formação do samba decorre desse esforço de composição, de busca dos acentos rítmicos ideais para uma ampla flexibilização do andamento musical (mais rápido ou mais lento), tanto para veicular conteúdos de prazer como de dor.

Os fenômenos bossa nova e tropicalismo também são minuciosamente abordados em sua dupla dimensão: como intervenções históricas na música brasileira, mas sobretudo como forças extensas que se tornaram parâmetros estéticos de constante atuação cultural em todos os períodos a partir dos anos 1960.

Ao examinar, por fim, o vasto leque das dicções que caracterizou a sonoridade brasileira nos decênios derradeiros do século, o autor sugere que, em princípio, todo e qualquer estilo de canção, independente da procedência e do grau de prestígio que lhe sejam atribuídos, pode ser decisivo para a compreensão de uma época musical. Daí a necessidade de frequentes releituras que identifiquem novos matizes no interior do mesmo processo evolutivo.

LUIZ TATIT

Luiz Tatit

Luiz Tatit é músico e professor Titular do Departamento de Linguística da FFLCH-USP. Pela Ateliê Editorial publicou os livros Análise Semiótica Através das LetrasElos de Melodia & LetraO Século da Canção, Todos Entoam – Ensaios, Conversas e Lembranças e Semiótica à Luz de Guimarães Rosa. Já lançou os CDs Felicidade (1998), O Meio (2000), Ouvidos Uni-vos (2005) e Rodopio (2007), todos pelo selo Dabliú. Tem 7 álbuns autorais e 3 DVDs lançados, e suas composições foram gravadas importantes intérpretes da música brasileira, entre os quais, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Ney Matogrosso, Leila Pinheiro, Vânia Bastos, Daúde e Jussara Silveira.