Leia um trecho de ‘Os Sertões’, de Euclides da Cunha

Um rasgão enxurros se escancelava longo, longitudinalmente, afundando o sulco da garganta. E dentro dele mais de oitocentos baleados punham no tumulto a nota lancinante de sofrimento irreparáveis. Aquela prega do solo, onde se improvisara um hospital de sangue, era a imagem material do golpe que sulcara a expedição abrindo-a de meio a meio. Considerando-a entibiavam-se os mais fortes. Porque, afinal, nada compensava tais perdas ou explicava semelhante desfecho a planos de campanha tão maduramente arquitetados. Triunfantes e unidas, as duas colunas imobilizaram-se impotentes ante a realidade. Apagavam-se as linhas de ordens do dia retumbantes. Estavam no centro das operações – e não podiam dar um passo à frente ou, o que era pior, não podiam da um passo à retaguarda.

(Os Sertões, de Euclides da Cunha, p. 519)

Adoniran Barbosa na Ateliê Editorial

Nasceu, no dia 6 de julho de 1910, o ator, compositor e um dos maiores nomes da cultura brasileira, Adoniran Barbosa. Para a celebrar a data, a Ateliê Editorial apresenta a obra Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade, de Francisco Rocha, que faz parte de seu catálogo. O livro está em promoção (de R$53,00 – por R$47,70) no site da editora.

SOBRE O LIVRO

As populações excluídas foram constantemente retratadas nas canções de Adoniran Barbosa. Neste estudo, Francisco Rocha toma a vida e a obra do artista como pontos de partida para analisar a São Paulo dos anos 1950. Merece destaque o cotidiano urbano, com suas personagens anônimas e os sinais do “”progréssio””. As fotos de Alice Brill e as relíquias do extinto museu Adoniran Barbosa ilustram a época em que viveu o criador de Saudosa MalocaIracemaTrem das Onze e História Paulista.

Francisco Rocha é professor e historiador pós-graduado pela Universidade de São Paulo, onde surgiram os primeiros esboços deste trabalho.

ADONIRAN BARBOSA (1910-1982)

João Rubinato nasceu na cidade de Valinhos, interior de São Paulo, no dia 6 de agosto de 1910, e na infância muda-se para Jundiaí. Em 1924 radica-se em Santo André, na Grande São Paulo, e começa a trabalhar para ajudar a família. Aos 22 anos vai para São Paulo, onde trabalha como vendedor de tecidos e participa de programas de calouros no rádio. Nessa época adota o pseudônimo de Adoniran Barbosa – Adoniran, nome de seu melhor amigo, e Barbosa em homenagem ao cantor Luís Barbosa, seu ídolo.

Em 1934, com a marcha Dona Boa, feita em parceria com J. Aimberê, conquista o primeiro lugar no concurso carnavalesco promovido pela prefeitura de São Paulo. Em 1941 é convidado para atuar na Rádio Record, em que trabalha como ator cômico, discotecário e locutor. Em 1955 compõe o primeiro sucesso, Saudosa Maloca, gravado pelo conjunto Demônios da Garoa. Em seguida lança outras músicas, como Samba do Arnesto, Abrigo de Vagabundo e a famosa Trem das Onze.

Em suas músicas, retrata o cotidiano das camadas pobres da população urbana e as mudanças causadas pelo progresso. Para isso, faz uso da maneira de falar dos moradores de origem italiana de alguns bairros paulistanos, como Barra Funda e Brás. Uma de suas últimas composições é Tiro ao Álvaro, gravada por Elis Regina em 1980.

Morre em São Paulo no dia 23 de novembro de 1982.

Morre Jô Soares, aos 84 anos

Jô Soares (TV Tupi)

Na madrugada de sexta-feira, 5 de agosto, o Brasil ficou mais triste com a notícia do falecimento de Jô Soares. A Ateliê Editorial presta esta homenagem a uma das maiores figuras da história cultural do país. Artista múltiplo, Jô foi humorista, entrevistador, escritor, dramaturgo, diretor teatral e artista plástico. A área de entrevistador teve início em 1988, no programa Jô Soares Onze e Meia, no SBT, onde permaneceu até 1999. Entre 2000 e 2016 apresentou o Programa do Jô na TV Globo.

Nascido em 1938, no Rio de Janeiro, Jô Soares tinha uma vasta carreira na cultura brasileira, tornando-se um importante nome a dialogar com as diversas gerações. Em 1958, Jô trabalhou na TV Rio atuando em shows de comédia e escrevendo roteiros. Em 1959 estreou no filme O Homem do Sputnik, dirigido por Carlos Manga, no gênero comédia. Tornou-se roteirista do programa Câmera Um, da TV Tupi. Nesse mesmo ano estreou no teatro, como o bispo, na peça O Auto da Compadecida. Passou a escrever para os programas humorísticos da TV Continental e atuava no Grande Teatro da TV Tupi.

Durante a década de 1960, fez parte da equipe da TV Record, onde atuou nos programas humorísticos, A Família Trapo (1962), Jô Show (1965), Praça da Alegria (1967), Quadra de Azes (1969), entre outros.

Em 1970, Jô Soares foi contratado pela Rede Globo, onde participou de diversos programas, entre eles, Faça Humor Não Faça Guerra (1970), Satiricon (1973), O Planeta dos Homens (1976) e Viva o Gordo (1981).

Jô Soares (TV Globo)

Ele se divertira silenciosamente com a reação indignada das pessoas diante das poucas linhas de um poema. Como é pequena a alma humana. Então não percebem que Maldoror, como ele, nasceu perverso? Chocam-se com a maldade circunscrita à imaginação de um poeta obscuro, no entanto não se comovem com a crueldade que vêem estampada na cidade quando passeiam, alegres, pelas ruelas imundas. O que dirão se souberem que estão na mesma sala com um ser muito mais cruel do que qualquer criação dos livros? Provavelmente, se recusarão a acreditar, desviando os olhos, como fazem ao tropeçar nos negros e mendigos sujos que encontram no caminho. Se a paisagem é terrível, feche-se a janela. Para ele, é diferente. Ele se alimenta dessa miséria cotidiana. A desgraça alheia é sempre um bálsamo espesso para a sua solidão. O inferno alheio é o seu paraíso. Ele acha graça nos sermões dos padres que sempre sobrepõem o Bem ao Mal, como se ambos não fossem as duas faces da mesma pataca. Para Ele, o Bem é o Mal. A crueldade, afinal, não passa de um ponto de vista.

(O Xangô de Baker Street, capítulo 13, página 96)

Na trajetória literária, Jô Soares estreou com O Astronauta Sem Regime (1985), mas foi com O Xangô de Baker Street (1995) que o autor conquistou uma legião de leitores. Logo vieram O Homem Que Matou Getúlio Vargas (1998), Twelve Fingers (2001), Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (2005) e As Esganadas (2011). Em 2017, publicou, em parceria com Matinas Suzuki, os dois volumes de O Livro de Jô: Uma Biografia Desautorizada. Em 2016, foi eleito para a Academia Paulista de Letras para a cadeira número 33.

Jô Soares (Foto: Marcio Scavone)

Cinco livros com 50% de desconto no site da Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial realiza a promoção de Dia dos Pais em seu site (clique aqui), uma seleção de livros com 50% de desconto. Confira abaixo cinco obras indicadas pelo Blog da Ateliê. Presenteie com livros!

ANGU DE SANGUE (3ª EDIÇÃO): de R$52,00 – por R$26,00

Em seu primeiro livro de contos, Marcelino Freire faz um retrato realista e inusitado do submundo das grandes cidades. Os protagonistas são violentados pelas dores e frustrações de uma sociedade injusta, que os estigmatiza. O autor aborda a realidade dos conflitos urbanos sem demagogias, escapando de uma armadilha comum da ficção social: a sentimentalização da miséria. Seus contos “irradiam uma terceira dimensão que ainda nem tivemos tempo de decifrar”, segundo o escritor João Gilberto Noll.

ALDO MANUZIO, EDITOR, TIPÓGRAFO, LIVREIRO: de R$75,00 – por R$37,50

De 1500 a 1515, Manuzio editou cerca de cento e cinquenta títulos, formou um catálogo invejável e inovou o modo de fazer livros. Entre suas invenções, destacam-se a letra cursiva, o formato de bolso, as coleções temáticas e os conselhos editoriais. Tudo isso rendeu a ele respeitabilidade como editor, tipógrafo e livreiro, e um lugar de destaque na história do livro. A obra de Satué recupera essas contribuições, que ainda hoje são fundamentais para quem se dedica à arte da edição.

O LIVRO DAS ORIGENS: de R$85,00 – por R$42,50

O Livro das Origens: Uma Leitura Descomprometida do Gênesis, como diz o título, busca ser uma leitura imparcial do Gênesis da Bíblia cristã. O texto bíblico é analisado, na medida do possível, como narrativa autorreferente, livre da carga exegética de natureza semântica, sectária, erudita ou confessional. O leitor terá a atenção chamada a todo instante para a literalidade da narração, com suas incoerências e contradições.

VELHOS AMIGOS: de R$46,00 – por R$23,00

A publicação de Velhos Amigos é um acontecimento: depois de lançar Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos, um dos mais originais e importantes ensaios sobre a memória individual e coletiva no Brasil, Ecléa Bosi volta ao tema, desta vez em abordagem literária.

PALMEIRIM DE INGLATERRA: de R$199,00 por R$99,50

A novela portuguesa de cavalaria Palmeirim de Inglaterra foi escrita por Francisco de Moraes em 1544. O enredo está dividido em duas partes:  a primeira trata do nascimento e as primeiras aventuras dos irmãos gêmeos, Palmeirim e Floriano, filhos de D. Duardos e Flérida. A segunda, mostra os dois irmãos que saem pelo mundo, realizando façanhas  ao lado de companheiros e damas, até culminar na grande batalha final entre “turcos” e “cristãos”, na qual sucumbem muitos dos heróis cuja trajetória acompanhamos nas páginas iniciais. Feitos de guerra e feitos de amor dão um colorido especial ao objetivo maior: a defesa da cristandade.

Ateliê Editorial participa de ação de doação de livros para a 3ª Campanha de Incentivo à Leitura e à Solidariedade de Itapevi-SP

No dia 22 de julho, em Itapevi, interior de São Paulo, aconteceu a primeira etapa da 3ª Campanha de Incentivo à Leitura e à Solidariedade promovida pela Polícia Militar de Itapevi (3ª Cia do 20 BPM/M), a Ateliê Editorial, junto com mais de 12 editoras do estado, participou da ação realizando a doação de livros infantis de seu catálogo.

A Campanha de Incentivo à Leitura e à Solidariedade, promovida pela Polícia Militar de Itapevi, está em sua terceira edição, com início em 2020. A segunda etapa da campanha acontece neste mês de agosto.

ATELIÊ EDITORIAL

A história da Ateliê Editorial começa em 1995, com o objetivo de discutir a importância do livro como objeto que, para além de bonito, seja um projeto estético que possa servir da melhor maneira às palavras do autor. Por isso, todos os detalhes são levados em conta: o melhor papel, projeto gráfico, belas ilustrações, imagens tratadas com delicadeza, textos preparados e revisados com atenção.

O nome escolhido, Ateliê Editorial, reflete o cuidado e o capricho com que a casa realiza suas edições. O trabalho é artesanal, feito como em um ateliê de arte, priorizando o conceito do livro como um suporte material digno da boa literatura. Por isso, as publicações da Ateliê primam pela atenção ao conteúdo, à forma e à expressão, com o objetivo de celebrar o livro como um objeto de desejo e admiração.