‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’: Mimnermo

Nesta semana, no Blog da Ateliê, iremos apresentar os poetas que fazem parte da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, organizada e traduzida por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara. O livro foi publicado em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Conheça mais sobre o título no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

MIMNERMO

Poeta elegíaco ativo em c. 630 a.C., Mimnermo seria mais provavelmente originário de Esmirna, colônia grega na fronteira entre as regiões da Eólida e da Jônia, mas testemunhos antigos também indicam Cólofon, na segunda região, como cidade de sua procedência. O fato de que compôs um poema elegíaco narrativo histórico chamado Esmirneida – do qual temos os Fragmentos 13a, que refere esse poema-livro, e 14, aqui traduzidos –, e o Fragmento 9, relatando o modo violento e excessivo com que líderes colofônios invadiram a cidade esmirnense – ambos reforçam a primeira opção1.

O pequeno corpus de 32 fragmentos elegíacos de Mimnermo, a maioria preservada em citações (fontes de transmissão indireta), relaciona-se ainda a um segundo título – e dois teriam sido seus livros de elegias. Trata-se de Nanó, de temática variada e performance simposiástica prevalente, ao contrário do que se dá na Esmirneida, elegia centrada na fundação da cidade, com caráter mítico, e provavelmente destinada à performance em competição num festival público cívico-religioso. Nas fontes, os Fragmentos 4, 5 e 12 são atribuídos ao livro Nanó, nome que o anedotário antigo – suas biografias ficionalizantes – dão à tocadora de aulo, que seria sua amante, acompanhando seus versos nos simpósios.

Mimnermo

O LIVRO

Das elegias da Grécia Arcaica (séculos VIII-V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’, edição bilíngue, apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

LANÇAMENTO

Assista a live de lançamento da obra Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia, de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, publicada em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Além dos autores, o bate-papo contou com a participação de João Ângelo Oliva, Alexandre Hasegawa e Plinio Martins Filho. A mediação foi do escritor e jornalista Jorge Ialanji Filholini. Assista no YouTube da Ateliê Editorial.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’: Arquíloco

Nesta semana, no Blog da Ateliê, iremos apresentar os poetas que fazem parte da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, organizada e traduzida por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara. O livro foi publicado em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Conheça mais sobre o título no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

ARQUÍLOCO

Arquíloco teria vivido entre 680-640 a.C. na região das ilhas cicládicas, ao norte do Egeu; nascido em Paros, teria posteriormente migrado para Tasos e morrido em Naxos, ilha rival de sua terra natal. Essa datação se consolidou por evidências dadas nos próprios poemas – como a referência a um eclipse do sol e a menção de figuras históricas como Giges, governante do reino da Lídia, na Ásia Menor, entre 652-644 a.C., presente também em Heródoto (século v a.C.), no livro i (7-25) das Histórias. Há ainda dados que a história e a arqueologia sustentam, notadamente o envolvimento do poeta e de sua família aristocrática com a colonização da ilha de Tasos (final do século viii a.C.), liderada por Telesicles, seu pai, e da qual ele próprio, Arquíloco, não participou, embora depois tenha ido para lá, quando adulto. Seu avô Télis, se é de fato este o nome, também já havia estado em Tasos, e parece ter sido responsável pelo culto a Deméter lá e em Paros, assim como Arquíloco parece ter sido responsável pelo culto de Dioniso, em sua ilha natal.

O pouco que sabemos desse poeta – como é praxe a todos os poetas arcaicos – advém de seus próprios versos, criando o perigo de uma circularidade em que poemas são usados para explicar a biografia e vice-versa. No entanto, é inegável que a tradição biográfica moldou a sua recepção, e a de Arquíloco se confunde com as origens do jambo, gênero marcado pela invectiva e vulgaridade, no qual foi celebrizado e mais reconhecido na Grécia. A sua vida é construída em torno de sua persona como poeta jâmbico: era filho de uma escrava de nome Enipo (do grego eníptō, “insultar”) e um mercenário de vida desregrada e de palavras tão mordazes que teriam constrangido seus inimigos ao suicídio.

Arquíloco

O LIVRO

Das elegias da Grécia Arcaica (séculos VIII-V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’, edição bilíngue, apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

LANÇAMENTO

Assista a live de lançamento da obra Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia, de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, publicada em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Além dos autores, o bate-papo contou com a participação de João Ângelo Oliva, Alexandre Hasegawa e Plinio Martins Filho. A mediação foi do escritor e jornalista Jorge Ialanji Filholini. Assista no YouTube da Ateliê Editorial.

Leia o Editorial, escrito por Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho, do novo número duplo da revista LIVRO

O novo número duplo da revista LIVRO já está à venda no site da Ateliê Editorial e terá seu lançamento presencial no dia 18 de dezembro, na Martins Fontes Paulista (Av. Paulista, 509 – Bela Vista, São Paulo – SP), a partir das 11h. Leia a seguir o Editorial desta edição da revista:

EDITORIAL

Livros, livros, livros, revestem o plano horizontal, multiplicam-se no espaço e tomam o hexaedro, não como revestimento, mas como estrutura, carnes e ossos.
Antonio Hélio Cabral

Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come.
Victor Hugo

E por falar em leitura…, seção inaugural de livro n. 9|10, reúne narrativas múltiplas, livres – porque, como observa Marcelino Freire, livro bom não prende, liberta – sobre o ato de ler. Resposta à banalização da cultura e ao desmonte das políticas públicas em prol do livro e da leitura a que temos assistido nestes últimos anos? Certamente. No entanto, os autores reunidos nesta seção elevaram o debate a um outro patamar, demonstrando, por meio do gesto das palavras, que é preciso combater a brutalidade com a doçura, a ignorância com a poesia e a vileza com a temperança. Afinal, os tempos são tenebrosos e demandam muita sabedoria.

É preciso, portanto, celebrar a sabedoria dos livros que se materializam nos desvãos da memória, cujos sons produzem ecos na imaginação, como sugere Hélio Cabral; os livros difíceis, que se concretizam a duras penas, em ambientes de cultura rarefeita, segundo as lembranças pungentes de Luiz Ruffato e de Miguel Sanches Neto; os livros que desbravam o sertão – ou seria bem o contrário? – na narrativa épica de Walnice Nogueira Galvão. Enfim, relatos sobre as leituras de formação que se completam e se enriquecem com as palavras generosas de Carlos Nejar, para quem a leitura “é uma enorme bondade”. Ou com o gesto aguerrido, mas nem por isso amoroso de Ligia Chiappini, ao recompor o ato da leitura na arena política e social. Essas questões se completam com os artigos/depoimentos de Ana Mae Barbosa, Edmir Perrotti e Ottaviano De Fiore di Cropani (1931-2016), leitores do mundo e da arte, que reuniram nas páginas de livro, além de suas visões sobre a leitura, suas experiências em projetos públicos. E se o livro pode também ser uma arma – que faz tremer os governos autoritários –, a leitura é alimento para o corpo que se fortalece e para o espírito que se sacia. “Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?”, perguntavam os Titãs na arena pública, nos já distantes anos 1990.

LIVRO celebra seus dez anos de existência com um novo número duplo. A seção Leituras reúne contribuições acadêmicas sobre temas diversos, embora reveladores de uma tendência muito forte, a saber, a percepção do livro, de suas instituições e de seus principais agentes como partícipes de uma ampla rede de relações, de trocas e de transferências. Jamais as abordagens monográficas foram tão favorecidas pelas imagens captadas por grandes angulares, o que nos permite observar eventos e fenômenos particulares, sem perder a percepção da totalidade, dos grandes quadros, das chamadas visões de conjunto.

É o que vemos no artigo de Maria Antonietta Orlandi sobre os primeiros livros impressos na Itália, no Mosteiro de Santa Escolástica, em Subiaco, nos arredores de Roma, para onde rumaram dois tipógrafos alemães, com a finalidade de anunciar a boa nova – a invenção da tipografia – e de angariar novos clientes, nos anos de 1464-1465. Ainda no âmbito europeu, a emergência das bibliotecas científicas no reino da Hungria se revela como um fenômeno típico das transferências culturais, o que se verifica na constituição do acervo, mas, sobretudo, nos contatos dos republicanos das letras, segundo István Monok. O mesmo se dá no comércio de raridades, entre bibliotecas de particulares e as coleções nobres ou reais, na Época Moderna, para a qual se constitui um circuito próprio, que regulamenta as práticas e o valor dos livros, de acordo com Le Guillou. A pesquisa de Hernán Pas sobre a produção, difusão e recepção do livro Os Mistérios de Paris, de Eugène Sue, permite-nos conhecer os processos de transferências e apropriações de um romance em geografias, línguas e suportes diversos. Poder-se-ia dizer que o único estudo voltado eminentemente a um espaço nacional é o proposto por Marie-Claire Boscq, mas quem contestaria o fato de a censura implantada no sistema de organização dos trabalhadores do livro, na França, ter influenciado outras nações ou, pelo menos, sustentado o debate sobre a regulamentação do mercado um pouco por todas as partes, tocadas pelas francesias? Provam-no os artigos de Fernando Paixão e Ubiratan Machado, cuja ideia de uma formação literária, ou mesmo a presença de sociabilidades literárias, não pode ser pensada sem a presença europeia, senão, francesa no mercado de bens culturais carioca.

Dossiê – Editores e Edições se volta para uma temática tradicional, na perspectiva de captar novos problemas e novas abordagens que a história editorial tem levantado na última década. Para tanto, privilegiamos pesquisas de natureza histórica e sociológica centradas nas sociedades ibero-americanas. Tal seleção resultou em um panorama muito oportuno sobre o papel do editor como mediador político, como vemos nos estudos desenvolvidos por Adriana Petra e Ezequiel Saferstein, sobre a Argentina; quadro que se completa com o levantamento da fortuna editorial brasileira do clássico de John Reed, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, por Dainis Karepovs. A editora Hachette será objeto de duas reflexões muito distintas, o que testemunha a riqueza de seu catálogo: Federico Ferretti se volta para as edições de Reclus, no limiar do século xx, interrogando sobre a relação entre política (e militância) e o capitalismo editorial, lembrando que o editor em tela se apresenta como um dos grandes de seu tempo; Gustavo Sorá, por sua vez, dedica-se à presença da editora Hachette na Argentina, entre as décadas de 1930 e 1950, pesquisa que certamente permitirá um diálogo estreito e profícuo entre os investigadores latino-americanos dedicados aos estudos sobre as relações culturais e econômicas com a França, sobretudo porque, nesse momento, a questão das nacionalidades e da formação de um mercado editorial nacional é muito forte, diferente do que observamos no século XIX, quando de uma primeira expansão das editoras francesas em nosso continente. Lembremos que o aparecimento da Livraria Francesa de São Paulo e da editora Difel, fundadas por Paul-Jean Monteil, na década de 1950, como demonstra Fabiana Marchetti em seu artigo, ocorre no contexto de maior ebulição cultural e editorial do país, com a presença maciça de intelectuais e de instituições brasileiras. O último bloco do Dossiê se destina aos editores e aos contatos editoriais entre Portugal e Brasil, por meio dos estudos desenvolvidos por Nuno Medeiros, Bruno Henrique Coelho e Emanuel Cameira.

A seção Memória recupera os eventos europeus, organizados em 2017 e 2018, destinados a celebrar os quinhentos anos da Reforma Protestante; e, em 2019, os quinhentos anos de nascimento do impressor e editor Christophe Plantin. O caricaturista Alvarus é o grande personagem da vez, cujas memórias são evocadas por Ubiratan Machado e documentadas por João Antônio Buhrer. Gustavo Piqueira revisita a garçonnière mais famosa e frequentada pelos modernistas de São Paulo. E o faz em homenagem dupla: a Oswald de Andrade, que deu vida ao Perfeito Cozinheiro das Almas e a Frederico Nasser, este bibliófilo que o imortalizou.

As seções Bibliomania e Estante expõem apenas uma parte dos livros sobre livros publicados nestes últimos anos, em edições nacionais e estrangeiras. É importante assinalar este aspecto, pois, desde o lançamento do primeiro número de livro, em 2011, temos salientado o aumento de publicações sobre livros, tanto obras de ficção quanto de não ficção.

Letra e Arte propõe literatura fina e humor refinado, sob a curadoria de José De Paula Ramos Jr. É ler para crer!

Enquanto correm os intimoratos em carreatas insanas, “sem razão ou compreensão do momento grave”, como denuncia o autor do poema “O Poder e a Paz”, a LIVRO encerra com este volume alentado dez anos de muito trabalho, dedicação, agitação e propaganda em prol do livro. Celebrar dez números não é tarefa simples, sobretudo nos tempos em que as revistas acadêmicas agitam suas palavras nas telas dos computadores, dos celulares ou dos leitores eletrônicos, sustentadas por tabelas de números e cifras que guardam pouca relação com seus autores e leitores de carne e osso. Sustentar por uma década uma revista impressa, movida pela paixão do ofício do editor e pela crença no livro como alimento da alma, é tarefa para os sonhadores.

E como para os sonhadores nem o céu é o limite, livro rende homenagem, desde o primeiro número, às artes visuais. Hélio Cabral, Kaio Romero, Ciro Yoshiyasse, Marcelo Cipis, Patrícia Osses, Luiz Fernando Machado, Maria Bonomi, Gustavo Piqueira, compõem esta plêiade de artistas que iluminou nossas publicações, demonstrando que um códice impresso se destina a ativar todos os sentidos. LIVRO n. 9|10 tem a honra de expor a arte de Flávia Ribeiro. Ao extrair da matéria bruta do códice os elementos que o enobrecem e o iluminam, a artista nos faz reviver o milagre da dobra e da arte inscrita nos volumes pretéritos, o que nos conduz a refletir sobre o futuro do livro, desse códice tão perfeito que teima em se dobrar e se desdobrar diante de nossos olhos.

Os Editores agradecem, comovidos, às centenas de autores e aos milhares de leitores que sonharam esse sonho e que viveram, em suas páginas, esse sonho. Evoé novas leituras. Evoé jovens artistas. Com estas palavras, a revista LIVRO guarda o compromisso de existir como uma galeria aberta e acessível, devotada a todas as formas de expressão que cabem em um livro.

Marisa Midori Deaecto & Plinio Martins Filho

EDITORES

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’: Tirteu

Nesta semana, no Blog da Ateliê, iremos apresentar os poetas que fazem parte da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, organizada e traduzida por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara. O livro foi publicado em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Conheça mais sobre o título no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

TIRTEU

As informações biográficas acerca de Tirteu (c. 640 a.C.), ativo em Esparta, são contraditórias e envoltas em lenda. Sua atuação, contudo, parece estar atrelada aos eventos da Segunda Guerra da Messênia e aos conflitos subsequentes a ela. Região localizada no Peloponeso, a Messênia teria sido ocupada duas gerações antes do poeta, e seus habitantes teriam sido escravizados pelos antepassados de Tirteu, ele que se insere num período em que os descendentes daqueles primeiros messênios se rebelaram e tentaram reconquistar seu território. O poeta teria sido um general nessa guerra, fato que ele mesmo parece ter atestado em um de seus poemas.


Com a segunda vitória sobre os messênios, Esparta teria passado por um período de carestia, provocando uma demanda por distribuição de terras e a ameaça de um levante civil, conforme assinala Aristóteles (século iv a.C.) em sua Política (1306b). Isso teria levado Tirteu a compor um poema denominado Eunomia, relembrando à população as origens ancestrais dos reis de Esparta e a validade divina de suas leis.

O LIVRO

Das elegias da Grécia Arcaica (séculos VIII-V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’, edição bilíngue, apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

LANÇAMENTO

Assista a live de lançamento da obra Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia, de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, publicada em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Além dos autores, o bate-papo contou com a participação de João Ângelo Oliva, Alexandre Hasegawa e Plinio Martins Filho. A mediação foi do escritor e jornalista Jorge Ialanji Filholini. Assista no YouTube da Ateliê Editorial.

Leia um trecho do livro ‘Modos de Morar nos Apartamentos Duplex – Rastros de Modernidade’, de Sabrina Studart Fontenele Costa, nova publicação da Ateliê Editorial

A Ateliê Editorial realiza o lançamento da obra Modos de Morar nos Apartamentos Duplex, de Sabrina Studart Fontenele Costa, na quarta-feira, 16 de dezembro, às 18h, na Livraria Martins Fontes Paulista (Espaço Vitrine Paulista, Avenida Paulista, 509). Projeto Gráfico e Editoração por Gustavo Piqueira – Casa Rex. O livro está com preço especial de lançamento no site da Ateliê Editorial (de R$ 95,00 por R$ 80,00). Leia abaixo um trecho do livro:

O PRIMEIRO ARRANHA-CÉU MODERNO DE SÃO PAULO (p.185)

Símbolo da modernidade paulistana, o multifuncional Esther, de 1937, foi o primeiro edifício moderno com a tipologia duplex em São Paulo. Localizado na Avenida Ipiranga, abrigava originalmente lojas comerciais no pavimento térreo; salas de escritório e consultórios médicos e odontológicos do primeiro ao terceiro pavimento; apartamentos simples e os inovadores duplex espalhados do quarto ao décimo primeiro andar.

A iniciativa foi realizada pela família Nogueira, dona da Usina Esther, no interior de São Paulo. Buscava-se diversificar seus investimentos e empreender em uma região que se transformava intensamente com a substituição das antigas chácaras e casarões pelos edifícios com mais de quatro andares.

[…]

Com relação aos espaços de morada, a diversidade de opções de plantas permite que moradores com perfis diversos habitem o edifício: desde quitinetes aos amplos apartamentos duplex, denominado por VItal Brazil como apartamentos duplos de luxo. O prédio foi ricamente registrado para a exposição que se tornaria o livro Brazil Builds na década de 1940, quando foi descrito como o melhor exemplar de vida moderna.

Plantas do Edifício Esther

A OBRA

O livro surgiu por meio de uma pesquisa de pós-doutorado desenvolvida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, contando com o apoio da Fapesp. A casa, objeto de atenção especial para os arquitetos modernos, foi uma preocupação teórica e concreta nas tentativas de mudar os modos de vida das populações urbanas. Contudo, uma pergunta nos ronda com frequência ao observar as propostas pela habitação da primeira metade do século XX: poderiam casas modernas tornarem-se lares modernos? Se esta pergunta parte da análise dos projetos e dos espaços construídos, uma outra trata da apropriação, usos e práticas domésticas ao longo dos ano: que transformações foram realizadas para adaptá-las às novas vivências do século XXI?

A proposta do livro, em quase 300 páginas e com uma leitura fluida e instigante, é sobre a discussão que tem ganhado força nos últimos anos na área, como a arquitetura, gênero e domesticidade. Um tema também bastante importante é sobre a preservação dos apartamentos e seus cômodos. Um último destaque da obra é a apresentação das plantas e fotografias dos conjuntos e habitações estudadas pela autora. Modos de Morar nos Apartamentos Duplex – Rastros de Modernidade é um livro indispensável para examinar, conhecer e compreender uma parte fundamental da Arquitetura.

A AUTORA

Sabrina Studart Fontenele Costa  é arquiteta e urbanista, com mestrado e doutorado pela FAU-USP. Finalizou em 2019 a pesquisa de pós-doc no IFCH-Unicamp com apoio da Fapesp. Autora dos livros Edifícios Modernos e o Traçado Urbano no Centro de São Paulo (2015) e Restauro da Faculdade de Medicina da USP: Estudos, Projetos e Resultados (2013). Professora na Escola da Cidade, Diretora de Cultura do IAB-SP (2020-2022), onde também é curadora residente da 13a. Bienal de Arquitetura de São Paulo.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’: Calino de Éfeso

Nesta semana, no Blog da Ateliê, iremos apresentar os poetas que fazem parte da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, organizada e traduzida por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara. O livro foi publicado em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Conheça mais sobre o título no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

CALINO DE ÉFESO

Calino (ativo em c. 650 a.C.), Tirteu e Arquíloco são os primeiros poetas elegíacos de que temos notícia. Virtualmente contemporâneos, é provável que o primeiro seja o mais antigo. Sua datação é inferida por referência na Geografia (xiii, 4, 8) de Estrabão (séculos i a.C.–i d.C.), que cita o Fragmento 5a e mostra que Calino tinha conhecimento dos cimérios e dos treres, tribo proveniente da Trácia e responsável pela queda de Sárdis, capital da Lídia (Ásia Menor), em 652 a.C.; com tal vitória, esse povo teria em seguida assolado outras cidades da Ásia
Menor, dentre elas, na região da Jônia, Éfeso, a pátria do poeta.

A anterioridade de Calino em relação a Arquíloco é defendida pelo próprio Estrabão (xiv, 1, 40), ao mencionar uma guerra entre magnésios e cimérios. Embora não haja um consenso sobre qual seria esta guerra, Estrabão sugere a antiguidade do poeta, porque Calino, em seus poemas, teria reconhecido os magnésios como povo ainda próspero, previamente à sua destruição completa já indicada em Arquíloco, que fala em um poema dos “males dos magnésios” (τὰΜαγνήτων κακά).

Calino de Éfeso

O LIVRO

Das elegias da Grécia Arcaica (séculos VIII-V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’, edição bilíngue, apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

LANÇAMENTO

Assista a live de lançamento da obra Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia, de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, publicada em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Além dos autores, o bate-papo contou com a participação de João Ângelo Oliva, Alexandre Hasegawa e Plinio Martins Filho. A mediação foi do escritor e jornalista Jorge Ialanji Filholini. Assista no YouTube da Ateliê Editorial.