Morre o poeta Thiago de Mello, aos 95 anos

Thiago de Mello

Faleceu, nesta sexta-feira, 14 de janeiro, o poeta Thiago de Mello, aos 95 anos.

Amadeu Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, Amazonas, em 30 de março de 1926. Além de tradutor e ensaísta, foi um dos poetas mais influentes e respeitados do país, sendo reconhecido como um ícone da literatura regional. A luta política, o lirismo, as relações de família e os amores são facetas marcantes em sua obra.

Preso durante a ditadura militar (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Da amizade veio a decisão de traduzirem os poemas um do outro. Mello morou na Argentina, no Chile, em Portugal, na França e na Alemanha. Voltou à sua cidade natal, onde vive até hoje, apenas após o final do regime militar no Brasil. Publicou, entre outros livros, Acerto de ContasComo SouMelhores Poemas Amazonas – Pátria da Água. Suas obras foram traduzidas para mais de trinta idiomas.

ARTE DE AMAR

Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha 
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.

Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
 o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito,  se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.

Leia um trecho de ‘William Morris e a Busca Pelo Livro Ideal’, de Gustavo Piqueira, presente na revista LIVRO 9/10

No Blog da Ateliê, vamos apresentar trechos dos textos dos autores e autoras que fazem parte do novo número duplo da Livro – Revista do NELE (Núcleo de Estudos do Livro e da Edição/USP). , que foi lançada em dezembro pela Ateliê Editorial.

Livro – a Revista é uma publicação do NELE (Núcleo de Estudos do Livro e da Edição), da USP, juntamente com a Ateliê Editorial. É um fórum aberto à reflexão, ao debate e à difusão de pesquisas que tem na palavra impressa seu objeto principal.

Leia um trecho de William Morris e a Busca Pelo Livro Ideal, de Gustavo Piqueira:

Nada poderia ter sido melhor do que a conferência do Sr. Emery Walker sobre Letterpress, Gráfica e Ilustração, proferida ontem. Uma série dos mais interessantes exemplares de livros antigos, impressos e manuscritos, foi mostrada pela lanterna mágica, e as explicações do Sr. Walker foram tão claras e simples quanto suas ideias se mostraram admiráveis. Ele começou por explicar os diferentes tipos de desenho de fontes e seu modo de produção. Também mostrou exemplares de antigos blocos de impressão que precederam os tipos móveis e que ainda são usados na China. Apontou para a conexão íntima entre impressão e escrita manual – enquanto esta última exibia qualidade, os impressores possuíam um modelo vivo para seguir; porém, com seu declínio, a impressão também decaiu.

Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara participam de live sobre a obra ‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’

Nesta quinta-feira, 13 de janeiro, às 20h, no canal do Youtube do Três Vias – Estudos Clássicos, acontece um bate-papo com Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, autores e tradutores da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, publicada pela Ateliê Editorial em coedição com a Editora Mnêma.

‘Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia’ apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

Das elegias da Grécia Arcaica (sécs. VIII – V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

AUTORES

Giuliana Ragusa é Professora Associada (Livre-Docente) de Língua e Literatura Grega na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (DLCV) da Universidade de São Paulo, onde ingressou como docente em 2004, e foi aluna de graduação e de pós (1995-2008). Fez estágio de doutorado (Capes, 2006-2007) e pós-doutorado (Fapesp, 2012-2013) nos EUA (University of Wisconsin, Madison). Tem publicado trabalhos científicos e de divulgação científica continuamente. Dos livros, destacam-se Fragmentos de uma deusa (Editora da Unicamp, 2005, apoio Fapesp, Prêmio Jabuti 2006, Teoria/Crítica Literária), Lira, mito e erotismo (Editora da Unicamp, 2010, apoio Fapesp, Prêmio Capes – Menção Honrosa, 2009), Lira grega: antologia de poesia arcaica (Hedra, 2013), e a 2ª edição revista, atualizada e ampliada, bilíngue, Safo de Lesbos. Hino a Afrodite e outros poemas (Hedra, 2021). Integrante do PPG-Letras Clássicas, tem orientado trabalhos de iniciação científica, mestrado e doutorado, centrados na poesia grega arcaica e clássica. E tem se interessado pela recepção dos clássicos, mais recentemente.

Rafael Brunhara é Professor Adjunto de Língua e Literatura Grega na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde atua desde 2013. É Bacharel (2010), mestre (2012) e doutor (2017) em Letras Clássicas pela Universidade de São Paulo. É autor de As Elegias de Tirteu (2014) e de diversos artigos científicos e trabalhos de divulgação em poesia grega antiga.

Dica Literária: ‘Roteiro para um Narrador – Uma Leitura dos Contos de Rubem Fonseca’, de Ariovaldo José Vidal

Toda quarta-feira do ano, no Blog da Ateliê, será publicada a Dica Literária, que consiste em divulgar as obras já publicadas pela editora. Confira abaixo a nossa seleção:

Roteiro para um Narrador – Uma Leitura dos Contos de Rubem Fonseca

A posição do narrador na prosa de Rubem Fonseca é o tema central deste ensaio de Ariovaldo José Vidal, professor de Teoria Literária da USP. A partir da análise dos cinco primeiros livros de contos do escritor, ele descreve os traços estilísticos que caracterizam sua obra. O estudo dá destaque à mudança ocorrida com os procedimentos narrativos no decorrer dos anos. Vidal também aborda as questões de gênero, os temas mais recorrentes e as influências de outros autores nessa ficção.

Ariovaldo José Vidal é professor de Teoria Literária na FFLCH/USP. Pela Ateliê, publicou Roteiro para um Narrador – Uma Leitura dos Contos de Rubem Fonseca (2000) e Leniza & Elis (2002), este último em parceria com Joaquim A. Aguiar.

Prêmio Sesc de Literatura 2022 abre inscrições

O Prêmio Sesc de Literatura, um dos mais importantes e consagrados do país na distinção de escritores inéditos, está com inscrições abertas. Podem concorrer autores não publicados nas categorias Romance e Conto. O Prêmio avalia trabalhos com qualidade literária para edição e circulação nacional. Os interessados têm até 11 de fevereiro para concluir o processo de inscrição, que é gratuito e online. O regulamento completo pode ser acessado em www.sesc.com.br/premiosesc.

Ao oferecer oportunidades aos novos escritores, o Prêmio Sesc de Literatura impulsiona a renovação no panorama literário brasileiro e enriquece a cultura nacional. Os vencedores têm suas obras publicadas e distribuídas pela editora Record, parceira do Sesc no projeto, com tiragem inicial de 2.500 exemplares. O anúncio dos vencedores será divulgado no mês de maio. Desde a sua criação em 2003, mais de 17 mil livros foram inscritos e 33 novos autores revelados.

A parceria com a editora Record contribui para a credibilidade e a visibilidade do projeto, pois insere os livros na cadeia produtiva do mercado editorial. “Chegamos à 19ª edição com o propósito de revelar novos escritores, que é nossa maior meta. A premiação foi criada em 2003 e se consolidou como a principal do país para autores iniciantes. No ano passado, tivemos a inscrição de 1.688 livros, sendo 850 em Romance e 838 em Conto. O cronograma não foi afetado pela pandemia, porque foi todo executado por trabalho remoto. Dessa forma, o resultado pôde ser divulgado no prazo previsto” explica o analista de Literatura do Departamento Nacional do Sesc, Henrique Rodrigues.

O processo de curadoria e seleção das obras é criterioso e democrático. Os livros são inscritos pela internet, gratuitamente, de forma anônima. Isso impede que os avaliadores reconheçam os reais autores, garantindo a imparcialidade no processo de avaliação. Os romances e contos são avaliados por escritores profissionais renomados, que selecionam as obras pelo critério da qualidade literária.

A relevância do Prêmio Sesc de Literatura também pode ser medida por meio do sucesso dos seus vencedores, que vêm sendo convidados para outros importantes eventos internacionais, como a Primavera Literária Brasileira, realizada em Paris, o Festival Literário Internacional de Óbidos, em Portugal, e a Feira do Livro de Guadalajara, no México.

‘O Otelo Brasileiro de Machado de Assis’, de Helen Caldwell, ganha reedição neste ano

Publicada em 2002, a obra O Otelo Brasileiro de Machado de Assis, de Helen Caldwell, ganhará reedição em 2022.

Por muito tempo, prevaleceu nas leituras críticas de Dom Casmurro o tom malicioso sobre a personalidade de Capitu. Helena Caldwell analisa a obra-prima de Machado de Assis afastando-se dessas interpretações machistas e revelando o nexo que o escritor estabelece com Otelo, de Shakespeare. Publicado em 1960, este clássico dos estudos machadianos só foi traduzido para o português mais de quarenta anos depois, chegando agora ao leitor interessado num dos maiores artistas que o Brasil já teve.

Helen Caldwell

Helen Caldwell (1904-1987) foi pesquisadora e professora da Universidade da Califórnia, ensinando em diversas áreas, como literatura grega e latina. Especializou-se na obra do brasileiro Machado de Assis, traduzindo para o inglês alguns de seus livros como HelenaDom CasmurroEsaú e JacóMemorial de Aires, além de um volume de contos machadianos. Também estudou dança japonesa com o coreógrafo japonês Michio Ito, sobre quem escreveu um estudo, depois publicado em livro.