Trechos de Livros

Seleta de poemas para março

Março é o mês da poesia. Dia 14 comemora-se o Dia Nacional da Poesia, o que motiva quem ama livros a se debruçar sobre esse gênero – que é quase uma unanimidade, afinal.

Para comemorar, o Blog da Ateliê faz a seguir uma seleção de poemas de alguns dos livros lançados recentemente pela editora, e de outros que já são verdadeiros clássicos:

 

 

I

Você já leu, pediu, aqui está ele:

Marcial, famoso em todo o mundo

por seus argutos livrinhos de epigramas:

Leitor fã, você lhe deu em vida

a glória que a uns poetas é concedida

apenas quando viram cinzas.

Hic est quem legis ille, quem requiris,

toto notus in orbe Martialis

argutis epigrammaton libellis:

cui, lector studiose, quod dedisti

viventi decus atque sentienti,

rari post cineres habent poetae.

(Epigramas, Tradução Rodrigo Garcia Lopes)

 

 

Eu escrevi minha história

Eu escrevi minha história num lastro de signos,

Destituídos de enganos,

mas carregados de cadáveres disformes.

Com a pena na mão direita e o punhal na esquerda,

Fui deixando sequelas na folha em branco,

Emoldurada com quadramentos sem véu.

Eu escrevi minha história,

(com o perdão da palavra),

No intervale dos hieróglifos

Entre sombras do esquecimento.

(Nove degraus para o esquecimento, Aguinaldo José Gonçalves)

 

CONTORCIONISMO

Já caibo numa

Caixa de sapato

 

Mas o que eu queria mesmo

Era ser trapezista

(Viagem a um Deserto Interior, Leila Guenther)

 

Inverso
Escrever em verso

é criar ritmo até então

inexistente neste (pelo menos)

universo.

 

Criar consórcio

entre palavras entre

outras, divórcio.

 

Usar a roupa do avesso

e descobrir

ser inverso o lado certo.

 

Ter compromisso com o partido

do conciso e com a total falta

de juízo.

(Rumo à Vertigem ou A Arte de Naufragar-se, Wassily Chuck)

 

Livro Viva Vaia

 

 

Canto do homem entre paredes

As paredes suportam meus pulsos de carne.

As paredes se encaram.

As paredes indagam seus rostos à cal

E me riem perdido além do labirinto.

A luz sobre a cabeça, os olhos entre os dedos,

 

O caminho dos pés no caminho nos pés:

Entre o jarro de flores e a mesa perdido.

E as paredes são uivos mais fortes que os meus.

Fui eu quem as fechou? Se fecharam sozinhas?

Sabem que eu sei abri-las. Ignoro que sei.

Ao me sonhar caminho vi que elas e não eu,

Que tenho pés, caminham.

As estantes e os quadros se erguem já como a hera

Mais espessos que a hera.

Algo que a luz chamou poeira e eu ouro, e teias

Chamou e eu chamei rios

Acorda o compromisso entre as portas e a vida.

As paredes não param. Caminham sobre mim.

Sonham que eu hei de abri-las. Ignoro mas sei.

(Viva Vaia, Augusto de Campos)

 

Passo à palavra

Passo

À palavra

Peço

Me refugio

Na palavra

Me alivio

 

Me liberto

 

 

Na palavra

Me desperto

 

Falo

Pela palavra

Espero

Apelo

Para a palavra

Paro

(Porta-retratos, Marise Hansen)

 

Poesia É Criação: Uma Antologia

ACONTECEU-ME

Eu vinha de comprar fósforos

e uns olhos de mulher feita

olhos de menos idade que a sua

não deixavam acender-me o cigarro.

Eu era eureka para aqueles olhos.

Entre mim e ela passava gente como se não passasse

e ela não podia ficar parada

nem eu vê-la sumir-se.

Retive a sua silhueta

para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado.

E eu tenho visto olhos!

Mas nenhuns que me vissem

nenhuns para quem eu fosse um achado existir

para quem eu lhes acertasse la na sua ideia

olhos como agulhas de despertar

como ima de atrair-me vivo

olhos para mim!

Quando havia mais luz

a luz tornava-me quase real o seu corpo

e apagavam-se-me os seus olhos

o mistério suspenso por um cabelo

pelo habito deste real injusto

tinha de por mais distancia entre ela e mim

para acender outra vez aqueles olhos

que talvez não fossem como eu os vi

e ainda que o não fossem, que importa?

Vi o mistério!

Obrigado a ti mulher que não conheço.

(Poesia É Criação, José de Almada Negreiros)

                                     

Antologia da Poesia Erótica Brasileira

“Noturnos VIII”

Gilka Machado (1893-1980)

E noite. Paira no ar uma etérea magia;

nem uma asa transpõe o espaço ermo e calado;

e, no tear da amplidão, a Lua, do alto, fia

véus luminosos para o universal noivado.

 

Suponho ser a treva uma alcova sombria,

onde tudo repousa unido, acasalado.

A Lua tece, borda e para a terra envia,

finos, fluidos filos, que a envolvem lado a lado.

 

Uma brisa sutil, úmida, fria, lassa,

erra de vez em quando. E uma noite de bodas

esta noite… há por tudo um sensual arrepio.

 

Sinto pelos no vento… e a Volúpia que passa,

Flexuosa, a se roçar por sobre as casas todas,

como uma gata errando em seu eterno cio.

(Antologia da Poesia Erótica Brasileira, Eliane Robert Moraes)

Seleta de poemas “Na Pureza do Sacrilégio”

Confira a seguir alguns poemas do livro “Na Pureza do Sacrilégio”, de Carlos Cardoso, com desenhos de Lena Bergstein. A seleção foi feita pelo próprio autor, cujas fotos são de Bel Pedrosa:

 

Camaleão

Como um camaleão rastejo pelo
silêncio do meu quarto.

É poesia o encontro das paredes?

São ópio as estrelas aplumadas em
cada esquina do meu ego?

Ou será benevolente a lágrima que escorre por
minh’alma quando brado louco por felicidade?

Os arredores repletos de melancolia
ainda se refazem do gelo.

A ausência de um ombro, de um
corpo catatônico que seja,
faz-me lembrar o quanto era bom
o diálogo com os meus olhos.

Tocar a escuridão quando a voz do
desespero insistia no apego.

Mozart me enlaça com um fio de
náilon na garganta.
São as trevas rodeadas de luzes
intangíveis,

metáfora do abominável descaso
público a um quase morto.

Ninguém, nem mesmo a solidão, tem
mãos assim tão pequenas.

 

 

 

Eu serei noite e serei dia

 

Tenho uma outra face
que não é a rebeldia do exílio,
conto com a morte
e uma palavra de alívio

para quando o sermão de Maria
ocultar o sublime sonho

do unicórnio perdido,

saberei que o tempo
é apenas uma gota d’água
a beber o saber etéreo
da fugaz sabedoria,

sempre que as coisas
forem tristes
e o rio guardar em si,
o ser

por onde o ser não navega,

eu serei noite e serei dia,
e serei dia e serei noite.

 O poema, o começo

 

Indago, por onde iniciar essa resenha.
De dentro para fora, de um lado para o outro,
sem foco, com rima, com ou sem sentimento.

Lamento, tormento, piedade, felicidade.

Simples feito a natureza, complexo como a humanidade,

  Agudo, fraco, obtuso, disforme,

angelical ou demoníaco,
soberbo, decente, incoerente, desejoso,
voluptuoso e indiferente.

Com as mãos sujas de argila, o copo cheio de tequila,
e aquela menina que tanto desejo, seu beijo.

Ou abordando a tristeza, a sutileza, as formas de beleza,
as luzes, a ribalta.

Por onde começar essa bossa, esse texto,
essa nossa vossa discordância,
pela juventude, tema de infância,
pela infância, pureza e relevância.

Afinal, iniciarei pela instância, ininterrupta discrepância.

 

 

 

 

 

 

 

Frase primeira

E como falar
de outra forma?
de cortar
e reformatar o futuro,
e assim querer
e ser sem par.
Por que ser assim
pura forma?
tanta cor
entre ares dúbios,
ferrugens,
e sorrateiros costumes
de manter
sombras assimétricas,
como a de pensar
antes de ser,
e andar
por entre cadeiras

que margeiam limites
intangíveis,

formas sem abdômen,

sem retina.
Ainda quero uma frase primeira,
nua,
ligeiramente inteira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ventania

Para Antonio Cicero

Iluminar a sombra
e torcer pelo sol
até que venha a chuva,

sapatear pela escuridão
com trovões e ventania,

molhar os dedos
sentir o frio e o arrepio
que é estar.

Carlos Cardoso volta à poesia com “Na Pureza do Sacrilégio”

Leia, a seguir, um trecho do prefácio do livro, escrito pelo escritor e crítico literário Silviano Santiago:

Carlos Cardoso fotografado por Bel Pedrosa

A criação revela o ser pelo desnudamento ao mesmo tempo em que o poema o revela ao leitor. O ser se dá a se conhecer, sendo re/conhecido pelo outro.

Em Carlos Cardoso, o termo positivo, a pureza se subordina ao termo negativo, o sacrilégio. Isso formalmente. Do ponto de vista semântico, a pureza na verdade se sobrepõe ao sacrilégio. A estética é superior à ética, embora, no frigir dos ovos, com ela se confunda. Apenas parecem se excluir. Ganha a expressão. Mas não é apenas a expressão que se reforça, como lembra Houaiss; reforça-se também e principalmente o deslizamento contínuo entre polos extremos e opostos de valoração. Lembre-se que na notável interpretação do México que é O labirinto da solidão (1950), Paz não elege como herói uma das várias figuras em destaque na História nacional mexicana. De modo quase impiedoso, descarta a todas, a fim de mostrar as fronteiras fluidas do nacionalismo geográfico. Paz elege como herói mexicano, isto é, como encarnação absoluta da mexicanidad, a figura nacional mais contraditória e polêmica, ou seja, alguém que representa o extremo oposto das figuras públicas destacadas e louvadas pela História − o pária mexicano que se exilou na Califórnia pela miséria ambiente na terra natal. Elege como herói o estrangeirado pachuco, um dos extremos a que pode chegar o mexicano, como ele aclara.

O deslizamento do formal ao semântico e do semântico ao formal não é apenas uma das graças do notável poema de Fernando Pessoa, como Jakobson demonstrou genialmente; é também o movimento que articula, em várias cadeias estruturantes, os sucessivos poemas de Carlos Cardoso. Como Pessoa nos poemas do livro Mensagem, Carlos é um “poeta da estruturação”, que abole todos os golpes da “incerteza”. Ao se dispor a “limitar” sua voz poética pelos termos extremos, Carlos tampouco se proporá como um “poeta da variedade”, para citar uma vez mais o linguista e crítico russo. O poeta limitado é aquele que não se exprime pela incerteza; ele constrói, arquitetura e estrutura, para nos valer dos três verbos escolhidos pelo próprio Pessoa e citados por Jakobson.

A força do oximoro é tão potente no universo de Carlos Cardoso que o leitor pode se valer da figura de retórica como chave para uma compreensão global de todos os poemas de Na pureza do sacrilégio. É simples, acompanhem-me. De um dos extremos do livro − o título e a epígrafe já comentados – dê um grande salto até o outro extremo − o poema final da coleção. Neste, os dias – isto é, as ocupações do poeta com a palavra – se acumulam entre a queda dos amanheceres e o raiar dos entardeceres, mas não se acumulam na incerteza do vaivém entre termos opostos. Acumulam-se no reforço da viagem cotidiana entre os amanheceres em queda e os entardeceres em brilho, que vêm previstos na capa pelo oximoro e são ratificados por Octavio Paz em termos de criação poética. Leiamos, em contraste, o último poema do livro:

 

Que caia o amanhecer,

O raiar do entardecer,

que os dias acumulem-se

não na incerteza,

mas na pureza do sacrilégio.

Por que leio histórias de amor?

A cliente Eliane Fernandes resolveu participar da Campanha #tempodeler. A seguir, ela compartilha com os leitores do Blog o que a motiva a ler e sua história – recente – de amor pelos livros.

Eliane Fernandes*

Posso dizer que eu leio histórias de amor porque não é difícil admirar e me apaixonar por descrições, situações, personagens e enredos escritos em obras como Iracemade José de Alencar, por exemplo:

“A alegria morava em sua alma. A filha dos sertões era feliz, como a andorinha que abandona o ninho de seus pais e emigra para fabricar novo ninho no país onde começa a estação das flores. Também Iracema achara nas praias do mar um ninho do amor, nova pátria para o coração”.

Neste trecho, o autor usa um simples comparativo para demonstrar algo complexo. O resultado é poético, lindo, romântico.

Eu amo livros desde muito pequena, sempre fui apaixonada por bibliotecas, na escola eu ficava encantada com a quantidade de livros. Mas infelizmente até 2012 os livros não passavam de objetos de decoração, o máximo que eu fazia era ler a contra capa e deixar o livro na estante. Por mais que eu tentasse ler, me dava sono, fome, vontade de ir ao toalete, enfim, nunca conseguia ler.

Uma pequena situação mudou a minha vida. Em dezembro de 2012 eu estava em uma padaria e vi um livro, pedi a meu esposo que me desse de presente e, como resposta, ele disse: “eu duvido que você vá ler este livro. Se eu o levar e você não ler, nunca mais lhe dou outro livro”. Então eu fiz uma contraproposta: “Eu irei ler este livro e a partir de agora vou emendar um livro em outro”. Não sei de onde eu tirei isso, afinal eu não lia nem história em quadrinhos, mas a sorte estava lançada. Lembro que terminei o livro em duas semanas e desde então eu sempre tenho um livro para ler. Cheguei a contabilizar minha leitura do ano de 2014: 35 obras no total, realmente uma superação. Meu esposo? Não tem mais motivos para não me dar livros e nos dias de hoje ele evita passar perto de uma livraria quando estamos juntos, pois, sempre que entramos, saímos com uma coleção nova de livros para eu ler.

O que mais me motivou a ler este tipo de literatura é observar os personagens, as suas descrições, como se comportam, o que querem sem saber que querem.Chega a ser meio investigativo, nunca se sabe o que se passa na cabeça do personagem, ele pode gostar da loira, mas acabar com a morena, é sempre uma incerteza, todos são diferentes e únicos, mas todos querem a mesma coisa, serem felizes. E só se sabe se alcançarão o objetivo quando se lê a última palavra.

Eliane Fernandes

Posso dizer que minha relação com o mundo mudou depois que comecei a ler, hoje consigo perceber a beleza em pequenos gestos como uma flor dada a uma dama sem motivo ou um simples bilhete escrito “Eu te amo” no meio da tarde. Acho simplesmente encantador a conquista antes do primeiro beijo e as trocas de olhares, dos presentes sem motivo, da amizade antes de um grande amor. Aprendi também que depois de um problema ou de uma dificuldade é possível levantar mais forte e principalmente aprender com os erros e ser uma pessoa melhor.

Lendo diversas histórias de amor percebi que a paixão nascida de uma amizade, é mais bonita, mais vivida, mais sincera, verdadeira e duradoura, que de uma amizade sempre pode brotar um verdadeiro amor, que a amizade e o romantismo vão além de tudo, até mesmo além dos livros, onde para a mulher é possível ter um esposo, amigo, amante e companheiro em uma mesma pessoa, assim como para os homens é possível ter várias mulheres em uma só.

Não posso dizer que já li todos os livros do mundo, nem estou perto disso, mas posso dizer que a pequena quantidade de histórias lidas, não só de amor,  fizeram com que eu visse a vida de uma forma diferente.Meu modo de pensar sobre o amor mudou, assim como minha forma de falar, meu vocabulário está mais amplo. Meu senso crítico melhorou consideravelmente, minhas argumentações estão cada vez mais ricas e coerentes. Ler me proporcionou uma nova visão de vida e espaço, me proporcionou uma conquista externa e principalmente uma conquista interna: eu consigo me expressar melhor, escrever melhor e viver melhor. É muito gratificante terminar uma coleção de 3, 4, 5 ou 10 livros e começar outros.

É emocionante imaginar os personagens, sofrer junto com eles e perceber que as histórias são simples histórias, mas se forem lidas com paixão e de coração aberto, percebemos que são na realidade histórias como a nossa. Histórias que inspiram, ensinam, emocionam.

 

* Filha mais velha de uma família simples da capital da cidade de São Paulo, terminou o ensino médio em 2005. Formada em Ciências Econômicas, especializada em Finanças e prestes a tornar-se especialista em Perícia Criminal e Ciências Forenses.

Março, mês da poesia (seleta)

Março é o mês da poesia. No dia 14 é comemorado o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao nascimento de Castro Alves. No dia 21, celebra-se o Dia Mundial da Poesia, instituído pela UNESCO, em 1999, para promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo. A data lembra da importância da diversidade do diálogo, da livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação e tem como propósito estabelecer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa. Por isso, hoje, no Blog, alguns autores da Ateliê indicam a leitura de poemas de seus mais recentes livros:

Renato Tardivo (Girassol Voltado para a Terra)

grassol

Canção

                                        caminhava pernas fracas pisando

teclas riscando notas na terra a embalar a vida que a espe-

rava uma oitava acima, qualquer

 

Ponteiro

Às vezes o passado. Às vezes, o passado. Às vezes o, passado.

 

Ida

O medo de que o outro se apaixone como lembrança
encobridora de] se apaixonar como lembrança encobridora
de amar a si mesmo sobre todas as coisas como lembrança encobridora do desejo de
morrer.

Ricardo Lima (Desconhecer)

desconhecer

p.17

admito não saber
onde anda o futuro

dedico dias inteiros
às asas cruas do filho que aprende a nadar
planto
rego
retiro ervas daninhas

a manhã traz pássaro
que se esborracha no vidro
a acácia
refletida em estilhaços
retumbante amarelo.

 

p.21

quando um amigo se vai
o silêncio que amplia a sala
a sirene que traga os doentes
a dor que interrompe a crença
tudo seca num vaso

olhos desertam
em contos incompletos
sobre o passo que vacila
uma árvore frondosa
na plenitude da primavera
amanhece
flor
mas o amigo se foi.

 

p.47

não tenho mais olhos para dicionário

as letras ficaram pequenas

o sentido frágil
agora outros compromissos

com amigos ausentes

em jantares e missa

 

vivo

entre livros

e árvores

em nenhum

respostas ou raposas
quase sempre um cão em silêncio
e a alma colhe

lugares

que nunca

olhei.

 

Marise Hansen (Porta-retratos)

portaretrato

Passo à palavra
Passo
À palavra
Peço

        Me refugio
Na palavra
Me alivio

Me liberto
Na palavra
Me desperto

            Falo
Pela palavra
Espero
Apelo
Para a palavra
Paro

Koan
Entre a poesia do dia a dia e a da filosofia

Fico com o sonho

Da padaria.

Inverso
Escrever em verso
é criar ritmo até então
inexistente neste (pelo menos)
universo.

Criar consórcio
entre palavras entre
outras, divórcio.

Usar a roupa do avesso
e descobrir
ser inverso o lado certo.

Ter compromisso com o partido
do conciso e com a total falta
de juízo.

Wassily Chuck (Rumo à Vertigem ou A Arte de Naufragar-se)

 Capa

A Celan

Nessa viagem, nenhuma bagagem, além

do vazio na concha das mãos.

 

Deixa tua fala

para trás, tua última

máscara,

e sente

a carência de ser,

o vazio

que germina

e há de ser tua voz. Sete

sonos mais dentro, vem

um verso junto

ao mar.

 

 

Quase Elegia

Toda voz que morre escorre para o mar.

 

 

Tudo se foi, até o que virá, levado

pelo sopro que vem do mar. Mas,

só é belo o dia porque finda.

Também o vento. Também

a vida. Vê:

não há poemas no eterno. Só

nasce a beleza no instante,

que, leve, se equilibra

entre o erguer e o quebrar

da onda. Nasce

com as cores do adeus. Nasce

para morrer. Como o dia

e o homem. Como a vida. Vê:

toda beleza é triste. E um resto

de verso, ao lado da voz,

insiste em ficar, feito

um consolo, talvez,

da vida pouca que há na vida,

da morte muita que há também,

um resto de verso

consolando

da tristeza de todo verso, da vida

que nunca basta, sempre o sonho

a completá-la, o sonho

que é sempre a vida.

 

Tübingen 

Do convés da alma, avistas vazios

que não podes nomear.

 

Repouso algum, sob um céu

que não mais dá frutos –

o ponto em torno ao qual

gravita o verso

agora está

no vento. Sobre

o Neckar,

a voz ainda vagueia

atrás do vento, distraindo,

sem ver, a solidão

dos campos.

Os Manuais de Desenho da Escrita, título da coleção Artes do Livro, estuda a evolução do percurso tipográfico

"Os Manuais de Desenho da Escrita", de Maria Helena Werneck Bomeny

Depois da invenção da escrita, a invenção da tipografia é considerada como o avanço mais importante da civilização, pois permitiu a expansão da palavra escrita em escala global. A letra é a unidade básica da escrita alfabética, parte fundamental do sistema de comunicação universal. Ela passou e continua passando por constantes adaptações às novas tecnologias, que implicam em alterações formais de seu desenho. Ao longo de séculos, sua configuração visual sempre foi determinada pela criatividade do designer e pela busca permanente de formas de letra mais simples e rápidas, no intuito de acelerar sua execução e leitura.

Os Manuais de Desenho da Escrita, oitavo título da Coleção Artes do Livro, da Ateliê Editorial, oferece uma análise das letras no aspecto particular de seu desenho, principalmente em suas relações com os suportes em que elas eram impressas ou gravadas.

O ponto de partida de Maria Helena Werneck Bomeny é a releitura dos principais manuais de desenho da escrita de quatro épocas consideradas renovadoras: o Renascimento, da chancelesca de Ludovico degli Arrighi (1522); o Neoclássico e a tipografia de Giambattista Bodoni (1818); as vanguardas do século XX e os traba- lhos/manifestos de Jan Tschichold (1928) e, finalmente, o Estilo Internacional ou Suíço e a obra de Emil Ruder (1967).

Estes manuais representam verdadeiras compilações das essências conceituais mais significativas de cada período. São testemunhos fundamentais do desenvolvimento da escrita e da maneira de se apresentar uma mensagem a um leitor. Estudando-os, torna-se possível entender e interpretar a evolução conceitual, formal e tecnológica que aconteceu no percurso tipográfico e quais os vínculos formais criados entre os processos caligráficos, tipográficos e digitais.

Maria Helena Werneck Bomeny é graduada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, mestre e doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. É professora de design gráfico da Escola Panamericana de Artes e do Centro Universitário Senac. 

Acesse o livro no site da Ateliê

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Importante obra do concretismo brasileiro foi recentemente reeditada: “Viva Vaia – Poesia 1949-1979”, de Augusto de Campos

"Viva Vaia", de Augusto de Campos

Clique na imagem para ver o encarte ampliado

"Viva Vaia" – Augusto de CamposLançada em 2001, a Ateliê Editorial publica nova edição do livro Viva Vaia, de Augusto de Campos, revisada e com a ortografia atualizada, considerada pelo poeta a edição mais completa dessa sua obra.

“Esta coletânea da minha poesia, abrangendo três décadas, teve sua primeira publicação em 1979 com a chancela da Editora Duas Cidades. Até então, meus poemas só haviam aparecido em livro em publicações de autor. Houve uma segunda edição em 1986, pela Editora Brasiliense. E mais quinze anos se passaram. A edição que agora oferece ao público a Ateliê Editorial é, de todas, a mais completa”. (Augusto de Campos, 2001)

Com projeto gráfico original, de Julio Plaza, essa edição devolveu a impressão cromática a alguns poemas como os “popcretos” Olho por OlhossO Anti- Ruído, e Goldweater, que foram expostos na Galeria Atrium, em 1964, juntamente com os quadros-objetos de Waldemar Cordeiro. Originalmente construídos com colagens de recortes de jornais e revistas, em dimensões de cartaz, e montados em chassis de madeira para a mostra, esses poemas não são fáceis de reproduzir.

As marcas do tempo e a grande redução a que têm de ser submetidos para se amoldarem às dimensões do volume tornam difícil a impressão. Mas com recursos digitais e fotográficos foi possível melhorar a sua reprodução e incluir o quarto poema da exposição dos “popcretos”, Goldweater, que faltou nas edições anteriores e, mesmo em preto e branco, também o Olho por Olho.

Por sua capacidade de sintetizar alguns princípios fundamentais da poesia concreta e de atingir o impacto almejado pelo movimento concretista, Viva Vaia se tornou a principal obra na carreira do autor. Este volume contém um encarte com o poema-objeto “Linguaviagem”, e traz ainda o cd Poesia é Risco, que contém quinze poemas musicados por Cid Campos, filho do autor.

Acesse o livro “Viva Vaia” no site da Ateliê

 

Robert Creeley

André Caramuru Aubert | Jornal Rascunho | Maio de 2014

A Um – Poemas, de Robert CreeleyO poeta norte-americano Robert Creeley (1926-2005) é, entre seus conterrâneos e contemporâneos, um dos mais conhecidos (ou menos desconhecidos) no Brasil. Além da qualidade de sua obra, talvez tenha ajudado, para isso, o fato de Creeley ter estado em São Paulo e conhecido alguns de nossos poetas. O fato é que ele deixou por aqui alguns admiradores importantes, como Ruy Vasconcelos e, principalmente, Régis Bonvicino, editor e tradutor de uma excelente coletânea brasileira (A UM, Poemas. Ed. bilíngue, Ateliê Editorial, 1997).

Ainda assim, diante de tudo o que Robert Creeley produziu, o que temos dele em português é muito pouco. Os quarenta e um poemas presentes em A UM, embora bastante representativos (são uma mistura de sugestões do próprio autor com os prediletos do tradutor), não passam de uma gota no oceano diante de alguém que escreveu continuamente por cerca de sessenta anos, e cuja obra completa, em inglês, espalha-se em dois volumes com mais de mil e duzentas páginas no total.

Creeley é uma unanimidade. Discípulo de William Carlos Williams e admirado por este, foi um líder do grupo Black Mountain, embora sua poesia muitas vezes ficasse distante da de outros membros. Elo de ligação entre os Beats e os poetas da San Francisco Renaissance, e entre os grupos de Nova York e da Califórnia, ele conseguia circular com desenvoltura entre poetas como Jack Kerouac e Allen Ginsberg, de um lado, e Charles Olson e Denise Levertov, de outro. Conhecido por sua generosidade, Creeley gostava de dar aulas e não se cansava de orientar novos poetas. Em função da combinação de sua personalidade com uma produção rigorosa e intensa, Creeley foi influente como talvez nenhum outro poeta de sua geração. Segundo alguns, um “poeta de poetas” por excelência.

A temática de Robert Creeley, como bom discípulo de W. C. Williams, gira primordialmente em torno das pequenas coisas, de cenas do cotidiano, de rápidas impressões de viagem. Econômico e preciso, suas quebras de linha são únicas. Embora afirmasse que, em poesia, a forma deveria se subordinar ao conteúdo, poucos poetas contemporâneos são mais formalmente rigorosos do que ele. Creeley possuía, segundo Williams, “o mais sutil sentido da medida desde Ezra Pound”. O que faz com que, estruturados a partir de um íntimo conhecimento dos sons, da respiração e dos ritmos da língua inglesa, os poemas de Creeley sejam muito difíceis de traduzir, especialmente para uma língua tão diferente da dele quanto é o português (Régis Bonvicino já chamava a atenção para isso na introdução a A UM). Mas penso que, apesar dos percalços e das limitações no resultado final, o esforço vale a pena, tanto para quem traduz quanto para quem lê.

Para esta introdução a Robert Creeley, procurei incluir alguns poemas de cada uma das etapas de sua carreira. Evitei apenas os que já haviam aparecido em português, especialmente na seleção de Régis Bonvicino (mesmo sabendo que ali estão algumas das mais belas composições de Creeley) porque, se por um lado eu não poderia pretender fazer uma tradução melhor, por outro, afinal de contas, eles já estão disponíveis em livro, em português. 

RETURN
Quiet as is proper for such places;
The street, subdued, half-snow, half-rain,
Endless, but ending in the darkened doors.
Inside, they who will be there always,
Quiet as is proper for such people —
Enough for now to be here, and
To know my door is one of these.

RETORNO
Silenciosa como é próprio para lugares assim;
A rua, calma, meio neve, meio chuva,
Sem fim, mas terminando nas portas escuras.
Dentro, aqueles que estão sempre lá,
Silenciosos como é próprio para pessoas assim —
Bastando por ora estar ali, e
Saber que a minha porta é uma destas.

MIDNIGHT
When the rain stops
and the cat drops
out of the tree
to walk

away, when the rain stops,
when the others come home, when
the phone stops,
the drip of water, the

potential of a caller
any Sunday afternoon.

MEIA-NOITE
Quando a chuva para
e o gato desce
da árvore
para sair

andando, quando a chuva para,
quando os outros voltam pra casa, quando
o telefone para,
os pingos d’água, a

possibilidade de um telefonema
uma tarde de domingo qualquer.

FOR HELEN
… If I can
remember anything, it
is the way ahead
you made for me, specifically:

wet-
ness, now the grass
as early it
has webs, all the lawn
stretched out from
the door, the back
one with a small crabbed
porch. The trees
are, then so high, a huge encrusted
sense of grooved trunk,
I can
slide my finger along
each edge.

PARA HELEN
… Se eu posso
me lembrar de algo, é
do caminho que
você abriu para mim, especificamente:

umi-
dade, agora a relva
como mais cedo, tem
teias, todo o campo
estendido para além da
porta, a de trás
para um pequeno, insignificante
alpendre. As árvores
estão, então, tão altas, um forte sentimento de
incrustrados e adequados troncos,
eu posso
deslizar meu dedo por
cada ponta.

AS YOU COME
As you come down
the road, it swings
slowly left and the sea
opens below you,
west. It sounds out.

ENQUANTO VOCÊ VEM
Enquanto você vem
pela estrada, ela vira
lentamente à esquerda e o mar
se abre abaixo de você,
a oeste. Isso se mostra.

THEN
Don’t go
to the mountains,

again — not
away, mad. Let’s

talk it out, you
never went anywhere.

I did — and here
in the world, looking back

on so-called life
with its impeccable

talk and legs and breasts,
I loved you

but not as some
gross habit, please.

Your voice
so quiet now,

so vacant, for me,
no sound, on the phone,

no clothes, on the floor,
no face, no hands,

— if I didn’t want
to be here, I wouldn’t

be here, and would
be elsewhere? Then.

ENTÃO
Não vá
para as montanhas,

de novo — não
embora, zangada. Vamos

resolver isso, você
nunca foi a lugar algum.

Eu fui — e aqui
no mundo, olhando para trás

na assim chamada vida
com suas impecáveis

conversas e pernas e seios,
eu amei você

mas não enquanto algum
hábito grosseiro, por favor.

Sua voz
tão quieta agora,

tão vazia, para mim,
nenhum som, no telefone,

nenhuma roupa, no chão
nenhuma face, nem mãos,

— se eu não quisesse
estar aqui, eu não estaria

aqui, e estaria
em outro lugar? E então.

SEA
Ever
to sleep,
returning water.

*

Rock’s upright,
thinking.

*

Boy and dog
following
the edge.

*

Come back, first
wave I saw.

*

Old man at
water’s edge, brown
pants rolled up,
white legs, and hair.

*

Thin faint
clouds begin
to drift over
sun, im-
perceptibly.

*

Stick stuck
in sand, shoes,
sweater, cigarettes.

*

No home more
to go to.

*

But that line,
sky and sea’s,
something else.

*

Adios, water —
for another day.

MAR
Sempre
para dormir,
a água voltando.

*

As rochas à direita,
pensando.

*

Garoto e cachorro
seguindo
pela beira.

*

De volta, a
primeira onda que vi.

*

Um velho na
beira d’água, calças
marrons enroladas nas pernas,
pernas brancas, e cabelos.

*

Leve desmaio
nuvens começam
a vaguear por sobre
o sol, im-
perceptivelmente.

*

Galho preso
na areia, sapatos,
agasalho, cigarros.

*

Sem uma casa mais
para onde ir.

*

Mas aquela linha,
de céu e mar,
alguma coisa a mais.

*

Adiós, água —
até um outro dia.

FIRST RAIN
These retroactive small
instances of feeling

reach out for a common
ground in the wet

first rain of a faded
winter. Along the grey

iced sidewalk revealed
piles of dogshit, papers,

bits of old clothing, are
the human pledges,

call them, “We are here and
have been all the time.” I

walk quickly. The wind
drives the rain, drenching

my coat, pants, blurs
my glasses, as I pass.

PRIMEIRA CHUVA
Estas pequenas e retroativas
instâncias do sentimento

alcançam um terreno
comum na umidade

primeira chuva em um
desbotado inverno. Ao longo do cinzento

e gelado meio-fio revelam-se
pilhas de cocô de cachorro, papéis,

pedaços de roupas velhas, são
os rastros humanos,

chame-os, “nós aqui estamos e
estivemos por todos os tempos.” Eu

caminho ligeiro. O vento
conduz a chuva, encharcando

meu casaco, calças, borra
meus óculos, enquanto eu passo.

HOTEL
It isn’t in the world of
fragile relationships

or memories, nothing
you could have brought with you.

It’s snowing in Toronto.
It’s four-thirty, a winter evening,

and the tv looks like a faded
hailstorm. The people

you know are down the hall,
maybe, but you’re tired,

you’re alone, and that’s happy.
Give up and lie down.

HOTEL
Não está no mundo dos
relacionamentos delicados

ou memórias, nada que
você possa ter trazido com você.

Está nevando em Toronto.
São quatro e meia, uma tarde de inverno,

e a tv parece uma opaca chuva de
granizo. As pessoas que você

conhece estão lá embaixo, no saguão,
provavelmente, mas você está cansado,

você está só, e isso é bom.
Desista, e deite-se.

HERE
Up a hill and down again.
Around and in —

Out was what it was all about
but now it’s done.

At the end was the beginning,
just like it said or someone did.

Keep looking, keep looking,
keep looking.

AQUI
Colina acima, e abaixo novamente.
Em volta dela e para ela —

Fora estava tudo o que contava
mas agora está terminado.

No final estava o começo,
como se costuma dizer ou alguém disse.

Fique olhando, fique olhando,
fique olhando.

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Chuva de dúvidas

Bruno Molinero | Folha de São Paulo | 29 de março de 2014

"Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura", de Liev TolstóiUm rato vivia embaixo de um celeiro e se alimentava de restos de comida que caíam por um buraquinho no chão. Certo dia, ele decidiu aumentar o tamanho do furo. Um camponês, porém, percebeu o grande buraco e decidiu tapá-lo.

Essa é uma das histórias que o escritor russo Liev Tolstói (1828-1910) contava para crianças que estudavam na escola que ele mantinha em sua propriedade. Os textos agora estão reunidos em Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura, que tem também um outro volume a ser lançado.

Mas o que a história do rato quer dizer? Que é ruim ter o olho maior que a barriga? Ou que é melhor não chamar a atenção? As histórias não trazem uma conclusão. Ao contrário: inundam a cabeça de dúvidas. É da troca de ideias que o escritor acreditava nascer a educação.

E tudo isso sem ser cansativo. Tolstói para crianças é bem diferente do que adultos estão acostumados: suas fábulas são curtinhas, ao contrário de seus romances famosos, que podem ter mais de mil páginas.

Os alunos de uma escola da Rússia que o digam. Após lerem os contos, mais de cem anos depois de escritos, eles os ilustraram. São esses desenhos que dão cor às páginas do novo livro.

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Leia a resenha de Renato Tardivo sobre o livro

Veja mais ilustrações do livro

Ilustração de Mikhail Morósov, 14 anos

Ilustração de Ksiucha Melnitchenko, 14 anos

 

 

 

Ilustrações do livro Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1

Neste Dia Internacional do Livro Infantil selecionamos do livro algumas das belas ilustrações feitas por crianças russas a partir das narrativas escritas por Liev Tolstói

Escrito por Liev Tolstói e ilustrado pelas crianças da Escola Infantil de Artes n. 9, da cidade de Ijevsk, na Rússia, este livro traz 38 narrativas baseadas em fábulas, histórias reais, contos folclóricos e outros textos que eram usados em sala de aula na escola rural criada pelo escritor russo. Preocupado com a educação das crianças e dos pequenos camponeses, Tolstói produziu muitos livros de histórias para crianças e cartilhas. Leia o release

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Leia a resenha sobre o livro escrita por Renato Tardivo

Ilustração do livro "Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1" Ilustração do livro "Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1" Ilustração do livro "Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1" Ilustração do livro "Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1" Ilustração do livro "Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1"