Resenha de Sérgio Medeiros do livro Escrito sobre Jade no Sibila

LI PO E MAO TSÉ-TUNG EM PORTUGUÊS
Sérgio Medeiros

O poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003) “reimaginou”, em língua portuguesa, a poesia clássica da China. Publicada originalmente em 1996, a antologia Escrito sobre Jade, acrescida de novas traduções de sua autoria, saiu em segunda edição apenas em 2010. A novidade, que comentarei, é a inclusão de poemas “clássicos” do líder revolucionário Mao Tsé-tung. Mas, a meu ver, os poemas de Li Po, que já constavam da primeira edição, ainda são o ponto culminante desse pequeno volume.

O lúcido e irrequieto Haroldo indaga, em um texto inserido quase no final desse volume (pena que, em edição tão cuidadosa, as letras das partes em prosa sejam incompreensivelmente miúdas): “Como fazer para que essa poesia, procedente de uma linguagem isolante, monossilábica, de sintaxe posicional, resulte eficaz em idiomas analítico-discursivos, mais lógicos do que analógicos, mais hipotáticos do que paratáticos?” (Campos, 2010, pp. 97-98).

Para obter, em português, versos poeticamente eficazes, que correspondessem ao seu exigente padrão de poesia, o tradutor recorreu, nessas versões, a um procedimento hiperpoundiano, que comentarei a seguir. Mas talvez seja necessário, antes de tudo, apresentar, em poucas linhas, o poema chinês clássico, ou, pelo menos, alguns nomes exponenciais do período literário em questão, destacando, a partir daí, certos temas e procedimentos recorrentes. [Resenha completa]

Suplemento Literário destaca poesia de Mariana Botelho

Mariana Botelho terá seu primeiro livro de poesia lançado pela Ateliê Editorial em breve, mas mesmo antes de chegar ao grande público sua obra já é destaque no Suplemento Literário de Minas Gerais. Leia alguns dos poemas selecionados pelo periódico para sua edição de abril.

amanhecer

ter o silêncio incrustado de
pássaros

vê-lo desfazer-se logo em
crianças

sentir-se pleno de
chuva nos
olhos

.

dor

cada dor
que passa
arranca lascas
desses ombros frágeis

fico cada
vez
menor
quando essa dor
me escreve

.

gruta

um corpo feito de aberturas
onde
silêncios entram
saem
como águas de longe

fonte

foz de um rio

vozes

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Ateliê lança newsletter mensal com sorteio

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No intuito de manter informados todos aqueles que acompanham a editora, a Ateliê Editorial passará a publicar uma newsletter mensal, contendo o resumo de notícias, lançamentos, e eventos de cada mês. Além disso, a newsletter terá matérias sobre assuntos diversos como arte, literatura, design, fotografia, arquitetura e poesia. Estarão em pauta também os temas que interessarem ao público da Ateliê. [Sugira temas aqui]

A assinatura da newsletter pode ser feita pelo site da Ateliê ou clicando diretamente neste link. Basta preencher o formulário com seu nome, região, email e outras áreas de interesse.

Todos que assinarem a newsletter nessa semana concorrerão ao livro Semiótica da Arte e da Arquitetura, de Décio Pignatari, que será sorteado na próxima sexta, dia 25. Na sexta-feira, antes das 18hs, a Ateliê enviará um email para o ganhador parabenizando-o e divulgará o resultado do sorteio pelo twitter.

Em caso de dúvida, você pode mandar um email para contato@atelie.com.br ou uma mensagem direta para o twitter da Ateliê Editorial.

Coletivo Angú – Teatro que se diferencia pela urgência do assunto

Após sete anos de estrada, três peças no repertório, o grupo consolida linguagem e linha estética próprias, ganhando reconhecimento nacional

“É lindo!”, entre todas as críticas e elogios que o ator Fábio Caio esperava ouvir depois da estreia da peça Angu de sangue (2004), esse era o único comentário inesperado. “A gente se perguntava se as pessoas iam sair de casa para assistir a um espetáculo com esse nome indigesto”, confessa Fábio. A encenação, baseada no livro homônimo do autor pernambucano Marcelino Freire, trata de violência urbana, miséria e outros temas estampados nas manchetes dos jornais. Durante os dois meses da primeira temporada, as arquibancadas do teatro Hermilo Borba Filho, no Recife, ficaram cheias. Para Marcondes Lima, diretor da montagem, um novo filão foi descoberto. “O diferencial do nosso teatro é a urgência dos assuntos”, afirma.

Hoje, os integrantes do grupo – que agora se chama Coletivo Angu de Teatro – comemoram. São três peças no repertório em apenas sete anos, o reconhecimento nacional e a consolidação de linguagem e linha estética próprias. [Clarissa Falbo – Continente Online]

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Angu de Sangue – Marcelino Freire

Em seu primeiro livro de contos, Marcelino Freire faz um retrato realista e inusitado do submundo das grandes cidades. Os protagonistas são violentados pelas dores e frustrações de uma sociedade injusta, que os estigmatiza. O autor aborda a realidade dos conflitos urbanos sem demagogias, escapando de uma armadilha comum da ficção social: a sentimentalização da miséria. Seus contos “irradiam uma terceira dimensão que ainda nem tivemos tempo de decifrar”, segundo o escritor João Gilberto Noll.

Marcelino Freire e Lirinha batem papo sobre música e poesia

José Paes de Lira (Lirinha) e Marcelino Freire se encontrarão no próximo sábado para um bate-papo sobre poesia e música. No evento Parcerias: a Voz da Poesia, poetas e compositores conversam e tocam poemas musicados. O evento acontece na Biblioteca Alceu Amoroso Lima e a entrada é franca. [mais informações]

Marcelino Freire é um dos mais criativos autores da nova geração e começou a publicar pela Ateliê Editorial. Publicou Angu de Sangue, EraOdito, BaléRalé e organizou Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século.

José Paes de Lira (ou Lirinha) é mais conhecido como membro do grupo Cordel do Fogo Encantado, onde atua como vocalista, percussionista e compositor. Compôs trilhas para teatro e cinema, e ganhou em 2007 o prêmio de melhor compositor pela APCA. Sua estreia no teatro aconteceu com o espetáculo solo, baseado no livro Mercadorias e Futuro. Trata-se da história do vendedor de livros Lirovsky, cuja tarefa é “vender poesia, vender o sublime, pregoar o invisível, botar preço no que não tem preço”.