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1ª FliPUC – PUC faz Festa Literária para São Paulo

Com o tema “Literatura Transversal” e homenagem ao educador e escritor Paulo Freire, a 1ª. FliPUC acontecerá de 23 a 25 de outubro. Durante três dias, os estudantes da universidade e a população apaixonada por livros poderão desfrutar de instigantes mesas e de uma excelente seleção de livros a preços convidativos, com descontos que chegam a 50%.  As mesas debatem as seguintes questões: “Caminhos da Crítica”; “Literatura e Cultura Indígena”; “Repensar a Arte e a Literatura – Redes e Literatura”; “Ciência e Tecnologia na África – Racismo e Ciência”; “Literatura e Memória”; “Literatura e Política”; “Literatura e Arte do Passado ao Presente”; “Tudo na Literatura” e “Repensar a Cultura”.

Entre os debatedores, nomes como Renato Mezan, Raphael Montes, Marcelino Freire, Kaká Werá, Lira Neto, Laerte, Alexandra Loras e Bernardo Kucisnky. Os curadores do evento são José Luiz Goldfarb e Lucia Santaella. Todos os debates, assim como o show de encerramento, têm entrada franca. Veja aqui a programação completa: http://www.pucsp.br/flipuc

 

A cidade de São Paulo terá uma nova Festa Literária. De 23 a 25 de outubro acontece no campus Monte Alegre (rua Monte Alegre, 984, no bairro de Perdizes), a “1ª. FliPUC – Festa Literária Internacional da PUC-SP”. Durante três dias, no Tucarena os estudantes da universidade e a população apaixonada por livros poderão desfrutar de instigantes mesas e de uma excelente seleção de livros a preços convidativos, com descontos que chegam a 50%.  As mesas de debate ocorrem no Tucarena, enquanto a Feira de Livros estará montada no saguão em frente ao auditório. O evento terá como grande homenageado o educador, pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire (19 de setembro de 1921, no Recife; a 2 de maio de 1997, em São Paulo), uma das personalidades mais importantes da história da PUC-SP.

A Festa Literária, que busca promover o debate em todas as áreas do conhecimento, incentivando a leitura e divulgando sua produção, é uma realização conjunta da Educ – a editora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e da PUC-SP. Todos os debates, assim como o show de encerramento, com a banda internacional The Painted Bird, têm entrada franca. Veja aqui a programação completa:  http://www.pucsp.br/flipuc

Para sua 1a edição, a FliPUC propõe um debate sobre as múltiplas expressões e interfaces da literatura no mundo contemporâneo. Daí seu tema:  Literatura Transversal, com mesas que debatem as seguintes questões: “Caminhos da Crítica”; “Literatura e Cultura Indígena”; “Repensar a Arte e a Literatura – Redes e Literatura”; “Ciência e Tecnologia na África – Racismo e Ciência”; “Literatura e Memória”; “Literatura e Política”; “Literatura e Arte do Passado ao Presente”; “Tudo na Literatura” e “Repensar a Cultura”.

Participarão dos debates os seguintes convidados:  Marcelino Freire, Frederico Barbosa, Nita Freire, Kaká Werá, Ubiratan D’Ambrosio, Giselle Beiguelman, Carlos Machado, Alexandra Loras, Jacques Fux, Lira Neto, Laerte, Bernardo Kucisnky, Ana Pato, Fabio Cypriano, Raphael Montes e Jessé Andarilho,  Renato Mezan e Eliane Rorbert Moraes. As mesas serão conduzidas por José Luiz Goldfarb, Sérgio Basbaum, Diana Navas, Fernanda Alcântra, Vera Lúcia Bastazin, Ana Salles Mariano, Carlos Eduardo Siqueira e Annita Costa Malufe.

Participam da Feira de Livros, com descontos que chegam a 50%, os seguintes expositores: Educ – Editora da PUC-SP, Annablume Editora, Autêntica Editora, Editora Biblioteca Azul, Companhia das Letras,  Edgard Blucher Companhia Editorial, Editora Olho d’Água, Editora Peirópolis, Estação das Letras e Cores Editora, Editora Estação Liberdade, Globo Livros, Editora Unesp, Editora Iluminuras, Intermeios, Editora 34, Ateliê Editorial, Editora Brejeira Malagueta, Parábola Editorial, Paulus Editora, Percurso Revista de Psicanálise, Polar Editora, Grupo Editorial Record, Ubu Editora, Editora Todavia, Edufpa – Editora da Universidade Federal do Pará,  Edufba – Editora da Universidade Federal da Bahia e Edições Sesc.

“Hoje, as Festas Literárias são uma realidade por todo o Brasil, surgidas a partir de uma iniciativa pioneira de editores e autores que gostavam de curtir as férias em Paraty. A Flip iniciou há mais de uma década uma tradição que se expande por cidades espalhadas pelo país”, diz José Luiz Goldfarb, curador do evento, ao lado de Lucia Santaella.  “Esses eventos ganham espaço na mídia, tradicional e digital, atraem um público diverso, de amantes da literatura a novos leitores. Conhecer escritores ao vivo em deliciosas mesas de debate (que em geral são transmitidas pela internet), visitar uma grande Feira de Livros e, ainda, poder adquirir obras selecionadas a preços especiais, são momentos de incentivo à leitura em nosso país. É neste sentido que a editora da PUC extrapola sua função de apenas lançar livros para também realizar esse grande evento, dentro de sua missão de produzir material de alta qualidade, promovendo a leitura”, acrescenta Goldfarb.

 

                             1a FliPUC

                 Festa Literária da PUC-SP

Tema: Literatura Transversal

Quando: De 23 a 25 de outubro

Onde*: Campus Monte Alegre da PUC-SP, à rua Monte Alegre, 984, no bairro de Perdizes. (Debates e Show de Encerramento no Tucarena e Feira de Livros no saguão em frente ao auditório do Tucarena.)

Entrada para os debates e show de encerramento: franca.

Link com programação completa: http://www.pucsp.br/flipuc

Curadoria: José Luiz Goldfarb e Lucia Santaella.

Realização: PUC-SP e Educ – Editora da PUC-SP.

Patrocínio: FSM – Faculdade Santa Maria

Apoio: Editoras convidadas

Telefone para informações sobre o evento: 11-3670-8085

Contatos para imprensa: Gontof Comunicação, telefones 11-4508-4554 e 99109-0688 e e-mail redacao@gontof.com.br;

Tucarena: lugares: 210 (configuração para os debates); acesso para portadores de deficiência: sim. Lugares para portadores de deficiência: sim. Banheiros adaptados para portadores de deficiência: sim.

(*O Tucarena fica à rua Monte Alegre 1.024).

 

Programação

 

Dia 23 de outubro, segunda-feira – ABERTURA DA FliPUC

Marcelino Freire

 

10h30 – Caminhos da Crítica

Debatedores: Marcelino Freire e Frederico Barbosa

Mediação: Diana Navas

 

14h –  Autor Homenageado: Paulo Freire

Lançamento da biografia de Paulo FreirePaulo Freire: uma história de vida, de Nita Freire (Paz e Terra, 2017), viúva de Paulo Freire.

O evento contará com rápidas intervenções em áudio ou vídeo com textos e depoimentos de Paulo Freire

 

16h – Literatura e Cultura Indígena

Debatedores: Kaká Werá e Ubiratan D’Ambrosio

Mediação: José Luiz Goldfarb

 

19h30 – Repensar a Arte e a Literatura – Redes e Literatura

Debatedores: Lucia Santaella e Giselle Beiguelman

Mediação: Sérgio Basbaum

 

Dia 24 de outubro, terça-feira

 

10h30 – Ciência e Tecnologia na África – Racismo e Ciência

Debatedores: Carlos Machado e Alexandra Loras

Mediação: Fernanda Alcântara (revista Raça Brasil)

 

16h – Literatura e Memória

Debatedores: Jacques Fux e Lira Neto

Mediação: Vera Lúcia Bastazin

 

Laerte

19h30 – Literatura e Política

Debatedores: Laerte e Bernardo Kucisnky

Mediação: José Luiz Goldfarb

 

 

 

Dia 25 de outubro, quarta-feira

 

10h30 – Literatura e Arte do Passado ao Presente

Debatedores: Ana Pato e Fabio Cypriano

Mediação: Ana Salles Mariano

 

16h – Tudo na Literatura

Debatedores: Raphael Montes e Jessé Andarilho

Mediação: Carlos Eduardo Siqueira

 

Eliane Robert Moraes

19h30 – Repensar a Cultura

Debatedores: Renato Mezan e Eliane Rorbert Moraes

Mediação: Annita Costa Malufe

 

20h30 – Show de encerramento com a banda The Painted Bird, de música Klezmer, formada por sete integrantes dos seguintes países: Estados Unidos Letônia, Suécia, Brasil e França, além de dois alemães.

 

*Durante os três dias haverá no saguão em frente ao auditório (Tucarena), uma Feira de Livros, com obras selecionadas, com descontos que chegam a 50%.

 

 

 

 

Poesia em vídeo

Literatura a gente encontra dentro dos livros, certo?

Sim, mas não apenas. Hoje em dia, é cada vez mais comum que a literatura ocupe outros espaços. E o vídeo é um deles. Por isso, alguns autores também marcam presença em plataformas como o Youtube. Carlos Cardoso, por exemplo, usa seu canal para mostrar ao público algumas de suas poesias – que serão em breve lançadas no volume “Na Pureza do Sacrilégio”. Confira “Camaleão

 

50 anos do Museu Lasar Segall

O Museu Lasar Segall está comemorando meio século com uma exposição que tem, como destaque, uma tela pintada por Segall aos 26 anos, Praça do Mercado de Meissen (c.1915), óleo (71,5 x 69 cm) doado por Celso Lafer, presidente do conselho do museu.

Lafer e Maria Luiza Tucci Carneiro são autores do livro “Judeus e Judaísmo na Obra de Lasar Segall“, que fala sobre a relação do artista com o tema retratado na tela, que é central na exposição.

Veja mais detalhes:  http://istoe.com.br/museu-lasar-segall-comemora-50-anos-de-arte-e-luta/

Augusto de Campos vence o Grande Prêmio de Poesia Janus Pannonius

O PEN Clube Húngaro, que reúne poetas, novelistas e ensaístas anunciou que Augusto de Campos – autor de Viva Vaia – foi eleito por um júri internacional como o vencedor do Grande Prêmio de Poesia Janus Pannonius de 2017.

Capa da antologia

O prêmio – que existe desde 2012 e é chamado pelo New York Times de “Nobel da Poesia”, já que o Nobel de literatura é mais amplo, e concedido a escritores de prosa também – já foi concedido a poetas aclamados, como Simin Behbahani, Yves Bonnefoy, Charles Bernstein e Adam Zagajewski. A premiação inclui publicações, leituras e um prêmio em dinheiro.

A cerimônia de premiação aconteceu em Pécs, cidade húngara onde Janus Pannonius (1434-1472), um dos mais reverenciados poetas do Renascimento Europeu, foi bispo. Houve também lançamento de livro de Augusto de Campos, em húngaro, publicado especialmente para a ocasião, além de leituras e performances de Augusto de Campos e Cid Campos.

Caravanas comentado

A pesquisadora Adélia Bezerra de Meneses, autora de Desenho Mágico – Poesia e Política em Chico Buarque e Figuras do Feminino na Canção de Chico Buarque, comenta faixas do novo álbum de Chico Buarque, Caravanas:

Adelia Bezerra de Meneses

Dueto fornece o pretexto para uma  parceria de intérprete com  Clara  Buarque, um belo e afinadíssimo  dueto avô/neta. E é essa mesma parceria de gerações  que aparece, desta vez no processo da  composição, com  Chico Brown, que compôs a melodia de Massarandupió e a enviou ao avô. Chico  Buarque fez a letra e a ofereceu ao neto no dia do seu aniversário de 20 anos.  Entre  os jogos verbais   costumeiros  — … pió, piá, psiu  —  Chico Buarque  desvela experiências da meninice do neto, toda a convocação de uma infância de praia e areia e música, de mar e seu xuá. Uma infância que, no desejo,  deveria ser infindável,  que  na ampulheta do “relógio de areia”  seria  interminável:  “Devia o tempo de criança ir se  / arrastando até escoar, pó a pó / Num relógio de areia o areal de / Massarandupió.”  Mas a canção chega ao fim, a infância também teve que acabar: “Ó mãe, pergunte ao pai / quando  ele vai soltar a minha mão / Onde é que o chão acaba / E principia toda a arrebentação”.  Efetivamente o pai já deve ter soltado a mão do piá, que cresceu. E é como músico que o bacuri crescido  reencontra o avô, parceiro forte  pra aguentar “toda arrebentação” da vida.

Em Blues pra Bia o eu lírico propõe-se a  virar  menina pra poder namorar  a Bia, em cujo coração “meninos não têm lugar:   “Compus doce melodia / pra ela se enternecer / Rimei com melancolia / Meu dia a dia sem Bia / mas Bia não quer saber”.

Em  Desaforos,  abordando com humor ,  leveza  e ironia o ódio  das polarizações ideológicas, e que das redes sociais extravasou pra rua,  estabelece-se  um jogo  entre ferir/ proferir/ desaforo: “E que até proferes desaforos pro meu lado”, levando-se em conta a ambiguidade do termo “lado”, que significa não somente “direção”. Porque Chico tem lado, contrário ao de quem o desacata,  a dama  “florescida num viveiro /E em salões que nunca vi(u)”,  e a quem ele confessa  que nunca beberam do mesmo regato.

Na mesma linha , em  Casualmente,   o eu poético, com  sutileza e fina ironia,  responde aos “Vai pra Cuba!” que sempre lhe atiram,  contando  ter ouvido  uma canção … em Havana :  “No volverá nunca más / la canción sentimental /Que casualmente em La Habana / escuché cantar a uma mujer /Como ya no veré / Otra vez nada igual”.

Mas é na canção Caravanas – que não por acaso dá título ao CD inteiro  (assim como a canção  “Construção” , de 1971, foi usada para nomear o disco saído nesse ano) – que Chico ascende ao nível épico.  Caravanas  já nasceu  um clássico, uma obra prima, abordando  com contundência uma questão que é modulação  de antigo problema.  Não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro assiste-se a uma maré crescente de xenofobia (de xenos = estrangeiro, e fobia = medo ), agudizada com a questão das migrações, dos deslocamentos humanos,  dos êxodos de motivação  política ou econômica, em todo o globo;  e da exclusão social.  Medo:  medo do Outro diferente, seja ele mulato nordestino, preto pobre ou muçulmano  — alguém que  não tem nada a perder e que pode por em risco o espaço  e os bens dos mais ou menos abonados.  E que, demonizado, facilmente será  confundido com um terrorista, apavorando a gente “ordeira e virtuosa”. Efetivamente,   essa canção  trata  em primeira linha das descidas em grupo dos habitantes de morros  e favelas do  Rio de  Janeiro  para as praias da Zona Sul  —  sendo  interpretadas na  maioria das vezes como “arrastões”, provocando medo insano .  E, carreada pelo título – Caravana vem da palavra árabe  “qairauân” —  virão  as ambiguidades e os sentidos condensados do mar turquesa à la Istambul (trata-se do azul turquesa do mar do Rio de Janeiro, claro, mas não se pode esconder a raiz “turco”    que a palavra embute ),  ou  de  Arará  que é mais do que uma favela carioca  ( sabemos que o monte Ararat  é, na Bíblia,  o maciço localizado na Armênia,  onde parou a Arca de Noé, após o Dilúvio), ou do Jardim de Alá  —  a presença árabe é dominante na canção.

É inevitável estabelecer-se um parentesco com  Subúrbio, de 2006,  em que Chico convoca a periferia do Rio de Janeiro para que tome a palavra, dizendo que lá  “Não tem moças douradas /  expostas” (alusão à “Garota de Ipanema”,  de Vinicius e Jobim),  “Não tem turistas/Não sai foto nas revistas”. E sobretudo,  paroxismo da negatividade, verifica-se  uma coisa que no início é apresentada  no  positivo  (“lá tem”), mas violentamente negada na segunda metade da frase:  “Lá tem Jesus, e está de costas”. É essa uma expressão  de um potencial crítico extraordinário: apesar de  a imagem do Cristo do Corcovado ser vista também do subúrbio, ele  “está de costas” – com toda a simbologia do gesto e da expressão “dar as costas”. Mas  é muito interessante que, em “Subúrbio” , Chico Buarque se proponha a dar voz  a essa periferia – que fala pelo “rap”: “Fala, Penha/ Fala, Irajá/ Fala, Olaria/Fala, Acari, Vigário Geral/Fala Piedade / Fala Paciência… “ etc.

Volto a Caravanas: a alusão ao mundo potencialmente terrorista é inequívoca: “  Não há barreira que contenha esses estranhos /suburbanos tipo muçulmanos”.  A estranheza do Outro que ameaça a minha zona de privacidade (e propriedade privada)  tem que forjar bons motivos de exclusão: “diz que malocam seus facões e adagas  / Em sungas estufadas e calções disformes”. E assim como acontece   na literatura  racista relativamente aos negros, em que se superdimensionam seus atributos sexuais para mostrá-los mais perigosos, aqui também, o diz-que-diz religa sexualidade e violência: “Diz que eles têm picas enormes / e seus sacos são granadas”. Além disso, alude~se aos “negros torsos nus”  que deixam em polvorosa/  a gente ordeira e virtuosa que apela / pra polícia despachar de volta / o populacho pra favela / ou pra Benguela, ou pra Guiné.’ Chegamos aqui, inevitavelmente, ao núcleo  histórico da exclusão social deste país marcado pela mola social da escravatura: com a  alusão a Benguela e a Guiné, chegamos ao ponto inicial,  que  os versos finais da penúltima estrofe só fazem pontuar: “E essa zoeira dentro da prisão  / Crioulos empilhados no porão / De caravelas no alto mar”. Voltamos ao tempo do tráfico de escravos, ao navio negreiro.  No entanto,  é do tempo atual, do tempo de agora , a  invectiva “Tem que bater, tem que matar / engrossa a gritaria”., não?  E aqui, numa fórmula condensada, é oferecida uma genealogia à raiva, uma ligação entre medo-raiva-covardia: “filha do medo, a raiva é mãe da covardia”.   A violência seria total, mas a canção finaliza com uma dúvida . em suspenso: “Ou doido sou que escuto vozes/ Não há gente tão insana / Nem caravana do Arará.”    Será?

 

 

As canções preferidas

Conheça quais foram as canções de Chico Buarque que a pesquisadora Adelia Bezerra de Meneses na enquete da Folha de São Paulo, que elegeu “Construção” a canção mais icônica do compositor. Ela é autora de Desenho Mágico – Poesia e Política em Chico Buarque e Figuras do Feminino na Canção de Chico Buarque,

CALA A BOCA BARBARA

Uma das mais intensas canções eróticas, que no entanto pode ser lida também no registro político. Há aí uma sobreposição das imagens da mulher e da terra (teluricamente considerada, com seus rios e  braços, relva e vazantes);  da mulher e da pátria pela qual se luta (nas trincheiras, nas entranhas). O refrão, à força de repetição,  recompõe o nome amado, o nome interdito: “CALA a boca BÁRbara”  —  CALABAR.

 

TODO SENTIMENTO      

Inapelavelmente lírica,  consagrando entre nós  a expressão “tempo da delicadeza”, essa canção redimensiona a categoria “tempo” (em violenta contraposição a “Roda Viva”, por exemplo). Só a maturidade poderia desvendar essa dimensão, a da reparação:  “preciso descobrir / no último momento / um tempo que refaz o que desfez / que recolhe todo o sentimento / e bota no corpo uma outra vez”.

 

O QUE SERÁ

Alçando os marginais e desvalidos a protagonistas da História  nessa sociedade de tão fundas sobrevivências oligárquicas, essa é uma grande canção  utópica, visionária e épica: um canto libertário e político, em que lateja o Eros do povo.

 

CONSTRUÇÃO 

Construção é realmente um texto emblemático da poesia “social” de Chico Buarque, um testemunho doloroso das relações aviltantes entre o capital e o trabalho. Nessa canção, tanto o protagonista (um elemento do proletariado, operário não qualificado da construção civil ) , quanto o enredo (a morte subsequente à queda dos “andaimes pingentes” , atrapalhando o sábado e o tráfego) e o tema dessa canção (a reificação do ser humano, e seu posterior aniquilamento, devido a condições de trabalho desumanizante) fazem dela uma canção paradigmática da “vertente crítica”. Mas o que é extraordinário é que essa canção que passa com tamanha força um recado social, seja uma das de mais rigoroso travejamento formal, e na qual a crítica à sociedade se faz através da linguagem. Com efeito, se formos analisá-la, além da intercambiabilidade das proparoxítonas, que apontam para o caráter eminentemente “substituível” daquele ser humano,  vemos que se deflagra, depois da queda e  morte do pedreiro,  uma desarticulação da linguagem, que se torna um ícone do corpo despedaçado do pedreiro, e do corpo social fragmentado. ”. O pedreiro sobe para cair: é essa a única ascensão que a vida lhe permite. E o resultado da queda é o despedaçamento. “Este é um tempo de homens partidos”, diz o Drummond de “Nosso Tempo” (referindo-se, por sinal, a uma outra Ditadura, a da época getulista). Construção é de um disco de 1971. Realmente, o mundo dos exílios, prisões, torturas e morte é um mundo dilacerado, desintegrado. Mundo da fragmentação, mundo de “homens partidos”. Em “Construção” pode-se decodificar não apenas o “problema social” do operário não qualificado, que se expõe à morte pela precariedade das condições de trabalho, mas, alargando-se o campo, pode-se ver aí a alegoria do corpo social fragmentado, de uma sociedade desintegrada e mutiladora, que isola os indivíduos.  Como nas grandes obras primas, detecta-se em sua estrutura as linhas de força da sociedade na qual ela foi engendrada.

Guilherme de Almeida, tradutor de Wilhelm Busch

Por Renata de Albuquerque

 

A pesquisadora Simone Homem de Mello, que está lançando Histórias em Imagens e Versos – Wilhelm Busch Traduzido por Guilherme de Almeida, conta, nesta entrevista, como a obra de Wilhelm Busch começou a fazer parte de sua vida e como um jantar deu origem a um projeto audacioso de traduzir e reposicionar a obra do autor alemão considerado um dos precursores das histórias em quadrinho.

Quando tomou contato com a obra de Busch, foi na esfera infanto-juvenil?

Simone Homem de Mello No final do primeiro ano do ensino fundamental, a professora me deu de presente Juca e Chico, de Wilhelm Busch em tradução de Olavo Bilac. Ela escreveu o meu nome na página de rosto com uma caligrafia ornamental, altamente atraente.  Curiosamente, foi um dos únicos livros infantis que guardei ao longo da vida. Essa época coincide com a reedição que a Melhoramentos fez da série “Busch”, então ampliada e denominada “Juca e Chico”.

Quais são suas lembranças dessa época e que impressões essa obra lhe causou?

SHM: Depois de tanto tempo, recordo-me apenas do prazer de folhear o livro. Esse prazer retorna quando folheio a presente edição da Ateliê, editora conhecida pelo cuidado editorial e gráfico de seus livros. Mas também lembro que aquele livro da Melhoramentos – talvez a brevidade daqueles dísticos rimados, em contraponto com a imagem – me transmitia uma vivacidade euforizante. Talvez também tenha sido uma das primeiras experiências de se estar lendo “um livro inteiro”.

Simone Homem de Mello, em foto de Gabriela Pelosi

Quando percebeu que Busch ultrapassava a barreira do rótulo de infanto-juvenil? O que lhe causou essa percepção?

SHM: Foi quando eu estava estudando Letras Anglo-Germânicas na USP e me deparei com esse clássico da literatura alemã. Lembro-me quando atinei que era o mesmo autor daquele livro da infância. E, ao comentar o fato com amigos, descobri dois que também tinham Busch bem vivo como lembrança de infância. Uma surpresa semelhante à de uma geração que assistia à série de TV Sítio do Pica-Pau Amarelo na infância e só depois (re)descobriu que a música de abertura era de Gilberto Gil. De qualquer forma, o livro por meio do qual eu tinha conhecido a obra de Busch – Juca e Chico – era originariamente destinado a crianças. Sendo Busch, até mesmo na Alemanha, primordialmente identificado com a literatura infantil, esse ficou sendo durante muito tempo o lugar dele no meu repertório literário. Só quando descobri as traduções que Guilherme de Almeida havia feito de textos de Busch publicados em semanários humorísticos, notei que os textos veiculados pela Melhoramentos na década de 1940 como livros infantis tinham como alvo, em sua origem, o leitor adulto.

Por favor, fale brevemente sobre seu percurso como germanista.

SHM: Embora eu também tenha estudado Inglês e Português da Faculdade de Letras da USP, era o Alemão a minha primeira opção. Naquela época, grande parte da literatura alemã era traduzida por intermédio de outras línguas, como o inglês ou o francês. Daí a minha curiosidade por uma língua “rara”, com a qual não se tinha contato nem por meio de traduções. Prossegui formalmente os meus estudos como germanista durante o mestrado, na Universidade de Colônia, no qual abordei a relação entre texto e imagem na obra de Jochen Gerz, um artista que se iniciou na Poesia Concreta e depois aderiu à Arte Conceitual. No meu doutorado em Estudos da Tradução, na Universidade Federal de Santa Catarina, estudei e traduzi um autor alemão moderno, Arno Holz, que foi introduzido no repertório literário brasileiro por Augusto e Haroldo de Campos. Nos quase 20 anos que passei na Alemanha, sempre me dediquei muito à língua, à literatura e à cultura alemãs, associando essas investigações às minhas atividades de autora e tradutora.

Em que momento debruçou-se no estudo de Guilherme de Almeida? Seu interesse pela poesia alemã de alguma forma teve influência nisso?

SHM: Apenas quando retornei ao Brasil e passei a coordenar o Centro de Estudos de Tradução Literária na Casa Guilherme de Almeida me debrucei sobre a obra do poeta-tradutor paulista e o descobri como tradutor de Wilhelm Busch. A combinação de rigor e vivacidade em suas traduções, sobretudo da poesia francesa, me impressionou muito.

Wilhelm Busch em foto da década de 1860

Como nasceu a ideia do projeto deste livro? Por que acha importante ressignificar a obra de Busch, para além da esfera infanto-juvenil? O que acha que o grande público leigo pode ganhar com essa “nova visada” do autor alemão?

SHM: A ideia de editar Busch pela Ateliê veio do próprio Plínio Martins. Quando ele me visitou em Berlim, acompanhado de seu filho, na sequência da Feira de Frankfurt de 2008, fomos jantar no restaurante Max und Moritz (no bairro de Kreuzberg), um local que traz o nome dos heróis da história traduzida por Bilac como Juca e Chico. É um restaurante de comida tradicional alemã cujos pratos recebem os nomes de personagens da obra mais famosa de Busch. Na ocasião, o Plínio comentou comigo que pretendia reeditar Juca e Chico. Essa conversa ganhou significado posteriormente, quando “descobri” as traduções de Guilherme de Almeida. Quando propus este outro recorte da obra do Busch, ele concordou imediatamente em editar; afinal, esse autor alemão já fazia parte dos seus planos. O mais importante da presente edição da Ateliê, além de ela resgatar um autor satírico alemão para o público geral, fora da esfera infanto-juvenil, é o fato de ela destacar a arte da tradução como objeto central. A tradução geralmente é vista como um mero instrumento para a compreensão da obra original e até mesmo como um mal necessário, quando não dominamos uma língua da qual gostaríamos de ler. Esse livro mostra o grau de elaboração que a tradução pode atingir como obra de arte, como resultado estético autônomo. Sinceramente, não me recordo de ter visto nenhum livro no mercado editorial brasileiro que abordasse a literatura traduzida com tanta ênfase ao processo de escrita e de tradução.

 

I Prêmio Nacional de Poesia SPA

Em homenagem ao aniversário dos 400 anos da cidade de São Pedro da Aldeia (SPA), na região dos Lagos/RJ, acontecem até dia 18 de agosto as inscrições para o I PRÊMIO NACIONAL DE POESIA SPA.

Podem participar poetas de todo o Brasil. Os detalhes estão no link http://www.crisdakinis.com/2017/05/i-premio-nacional-de-poesia-spa.html

Dez Mitos Sobre os Judeus faz sucesso na Espanha

Lançado em 2015 no Brasil, Dez Mitos Sobre os Judeus ganhou o mundo em edições traduzidas para outras línguas. Agora chegou a vez da Espanha, onde “Diez Mitos Sobre Los Judíos” tem sido aclamado.

Dez Mitos sobre os Judeus

O livro de Maria Luiza Tucci Carneiro, originalmente publicado pela Ateliê Editorial com o apoio do Conip, tem como objetivo desvendar não só a imagem do povo judeu, como também entender como acontece o processo de manipulação da mentira e a compreensão da verdade nos mundos atuais. Nesse sentido, a autora busca as raízes do antissemitismo, questiona sua proliferação, seu discurso e aplicação no mundo contemporâneo. O livro reúne os dez mitos mais populares sobre esse povo e é composto por textos breves que, apesar de numerados, são independentes, sem ordem obrigatória de leitura.

O assunto desperta interesse de leitores de todas as partes, pois os judeus marcam presença ao redor do mundo todo. Veja a seguir alguns destaques da imprensa espanhola.

 

Mas, se quiser ler em português, ele está disponível no site!