Fotos do lançamento de Distopia no Bar Balcão

O evento de lançamento do livro Distopia, de Hélio Franchini Neto (à direita na primeira foto), aconteceu no Bar Balcão, em São Paulo-SP, no dia 19 de julho de 2010. Estavam presentes no evento o editor Plínio Martins (à direita na segunda foto) e os convidados do autor.

Fotos por Aline Sato

Jornal A Tarde entrevista tradutor da obra do poeta Shelley

Tradutor, junto com Alberto Marsicano, de Sementes aladas – Antologia poética de Percy Bysshe Shelley, John Milton nasceu em Birmingham, Inglaterra, e é professor associado de Língua Inglesa e Literaturas de Língua Inglesa da Universidade de São Paulo. É autor dos livros O poder da tradução (reeditado como Tradução: teoria e prática), O clube do livro e a tradução e Imagens de um mundo trêmulo, livro de viagens sobre o Japão. Milton também verteu para o inglês várias obras da literatura brasileira. Com Alberto Marsicano, traduziu também os livros Keats – Nas invisíveis asas da poesia e Wordsworth – O olho imóvel pela força da harmonia, pela Ateliê Editorial. Ele e Marsicano já trabalham na tradução de obras de Lord Byron.

Qual a importância da poesia de Percy Shelley no contexto do romantismo inglês?

Shelley é um dos poetas líricos mais importantes da literatura inglesa; ele cristalizou vários dos temas de Wordsworth, Coleridge e Keats: a importância da natureza; a liberdade do espírito; e a força da Imaginação. E a isso acrescentou radicalismo e militância políticos.

Qual o impacto de seus poemas na época em que ele viveu?

Relativamente pouco. Shelley teve muito mais influência nas gerações subsequentes, a partir da metade do século 19. Foi admirado por poetas vitorianos, como Robert Browning, Alfred Lord Tennyson, Dante Gabriel Rossetti, Algernon Charles Swinburne, e poetas posteriores, como Henry David Thoreau, William Butler Yeats e Edna St. Vincent Millay. Mais recentemente, sua poesia tem sido elogiada pelo crítico norte-americano Harold Bloom.

Carlos Nejar escreve sobre o poeta francês Apollinaire

Apollinaire, O Poeta dos Caligramas

(por Carlos Nejar)

Guillaume Apollinaire (1880-1918), poeta francês, dos inventivos e desconcertantes da criação contemporânea. Há uma infância nele que as palavras absorvem, uma primitividade que nos leva à lembrança dos povos ancestrais, uma vontade de imaginar, desmontando a linguagem, criando pontes entre palavras, desenhando-as nas páginas brancas com nova flora e fauna, como se um pintor fosse, de versos.

Recomendo aos leitores a tradução excepcional feita por Álvaro Faleiros dos Caligramas, publicadas por este poeta maravilhoso do livro, da Ateliê Editorial, que é Plinio Martins Filho.

O que o Concretismo brasileiro não conseguiu, por colocar letras soltas, ou vocábulos soltos no espaço-tempo como bibelôs, Apollinaire alcança magicamente, ao manter o nexo, a junção corporal e espiritual das palavras no texto, de onde vem a vida, a tensão, “as palavras que se amam” (André Bréton). E ali “a topografia constitui um nível autônomo de representação, criando tipos de relação particulares entre os elementos” do poema, na opinião de Ruwet (1979).

A pontuação é substituída pela disposição dos vocábulos na página e há um trabalho vertiginoso no campo semântico, com resultados de fascinante beleza.

Vejam exemplos: “ESTE/ARBUSTO/QUE SE PREPARA/PARA FRUTIFICAR/A TI SE/AS/SE/ME/LHA”.

Este outro, escrito em ondulação: “Meus tapetes do sabor monções dos sons obscuros/ e tua boca de hálito/ azul”. Ou “Viagem (fragmento)”: “(em linha reta) Onde vai este trem que morre ao longe de um terno verão sem cor?” Há descobertas em cada poema, pois nele, como diz o poeta “um pouco/mais abaixo/é seu coração/que bate”.

(Publicado no Diário da Manhã, de Goiânia. Escrito pelo poeta, ficcionista e crítico Carlos Nejar)