Filme discute relação médico-paciente

Filme média-metragem, O Nome do Cuidado, discute relação médico paciente

por Luiz Zanin | Crítico de Cinema do jornal O Estado de São Paulo

O Nome do Cuidado, média-metragem de Paulo Rosenbaum e Leo Lama, tem proposta inteligente para falar de um tema especializado, a relação médico-paciente na prática médica. Transitando entre as linguagens do documentário e da ficção, ressalta a importância do diálogo na medicina atual, tão refém da especialização e de procedimentos tecnológicos. Hoje, o médico não “escuta” mais o paciente em sua queixa. O médico parece se conformar com o papel de mero orientador de exames clínicos a que o paciente deve se submeter. O Nome do Cuidado coloca-se na contracorrente dessa tendência desumanizadora e alienante da prática médica.

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No filme, dois atores, (Walderez de Barros e Oswaldo Mendes) encenam um texto médico, representando uma situação de crise: alguém que se sente mal ao embarcar no metrô e, em desespero, telefona ao seu médico. O filme não se pretende naturalista. Adota esse procedimento teatral de distanciamento com os atores (Walderez de Barros e Oswaldo Mendes) interpretando um texto médico-dramático e recriando, de maneira ficcional, uma situação de urgência. Esse procedimento dramatúrgico é escancarado ao espectador e nunca escondido. Em geral, o recurso antiilusionista costuma ser visto como um convite à reflexão, endereçado a quem vê o filme. Parece ser bem o caso de O Nome do Cuidado e sua proposta de diálogo tanto com médicos como com pacientes.

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O importante é a mensagem veiculada pelo filme, ao ressaltar a importância de algo esquecido em nossa sociedade contemporânea – o poder da palavra. Alguém, numa situação aflitiva ou mesmo terminal, precisa ser escutado em sua queixa. A própria escuta já é terapêutica. Ou é condição indispensável para o êxito de uma cura. Essa disponibilidade do médico para ouvir parece se tornar cada vez mais rara neste tempo de pressa e fé cega na tecnologia. O Nome do Cuidado parece assim ser um criativo convite à reflexão sobre a hoje tão desgastada relação médico-paciente.

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Livro-DVD do filme O Nome do CuidadoO Nome do Cuidado (Livro-DVD)

Paulo Hersch Rosenbaum, Leo Lama

R$29,00 | 56 pp.

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APSP organiza Varal Fotográfico em São Paulo

Varal Fotográfico da APSP

Os Fotógrafos Amadores e Profissionais de São Paulo (APSP) organizaram o Varal Fotográfico, que acontecerá no dia 16 de outubro. Nesta edição, mais de 140 imagens irão compor o mosaico de olhares sobre a fauna, flora e ações do homem no meio-ambiente, principal tema do evento.

Neste mesmo dia, o fotógrafo e professor Helio Hilarião fará, às 14hs, um workshop gratuito sobre a utilização dos recursos das câmeras digitais compactas.

Insecreva-se no workshop

Blog do APSP

Varal Fotográfico da APSP

Biografia de Euclides da Cunha ganha Prêmio Jabuti

Biografia de Euclides da Cunha ganha Prêmio Jabuti

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Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos, de Frederic Amory, venceu o Prêmio Jabuti de 2010, na categoria Biografia, anunciado pela CBL na última sexta-feira. A obra também ganhou em 2009 o Prêmio Euclides da Cunha, da Academia Brasileira de Letras (ABL). Segundo a ABL, o prêmio destinou-se a distinguir o melhor livro, inédito ou publicado depois de 1º de janeiro de 1999, sobre a vida ou a obra de Euclides.

Este livro abandona os mitos de alguns biógrafos e dá destaque ao gênio de Euclides da Cunha sem separá-lo de suas misérias. Frederic Amory dedicou-se como poucos a entender a personalidade e as ideias do autor de Os Sertões. Para isso ele confrontou, de modo rigoroso e objetivo, as problemáticas fontes de informação sobre o escritor. Esta biografia aprofunda e esclarece aspectos da vida e da obra de Euclides da Cunha até então pouco estudados.

Bienal de Arte de São Paulo abre renovada, polêmica e com enfoque político

Bienal de Arte de São Paulo

por Alex Sens

A Bienal dedicada às artes plásticas retorna em sua 29ª edição, mais focada, polêmica e com entrada gratuita. Esta nova edição explora a arte como maneira de pensar o mundo e a política, sendo arte e política inseparáveis atividades criadoras do pensamento e de ações sociais e culturais. Os 160 artistas participantes trazem 800 obras que expressam, representam e analisam o mundo e seus valores morais e conflituosos.

Gil Vicente se autoretratou ameaçando personalidades do poder políticoAlgumas obras se destacam por seu forte apelo visual e variabilidade de significados. Entre as mais discutidas estão a série “Inimigos” com desenhos do Gil Vicente (que ilustrou uma capa da Revista Entretanto), artista recifense que se autorretratou ameaçando personalidades do poder político, e a imponente “Bandeira Branca”, de Nuno Ramos, que ocupa o vão central do pavilhão com estruturas verticais pretas encimadas por três urubus. As duas obras sofreram repúdio: a primeira por parte da Ordem dos Advogados do Brasil que a considerou um estímulo à violência, e a segunda de ambientalistas que pediram a libertação das aves, tendo até uma de suas estruturas pichadas com o pedido.

Revista Continente indica Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade

Fonte: Revista Continente #117

Livro Adoniran Barbosa - O Poeta da Cidade, Francisco RochaAdoniran Barbosa – O Poeta da Cidade

Francisco Rocha

Fruto de uma dissertação de mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação em História Social da USP, o livro revela a obra de Adoniran Barbosa contextualizada na rápida e constante urbanização da São Paulo da década de 1950. As suas canções, segundo Rocha, constroem uma “ideia de urbano”, representações que narram o cotidiano dessa metrópole. Os capítulos se dividem numa sequência comum aos trabalhos acadêmicos, mantendo referências bibliográficas e citações. É interessante observar o registro em jornais de sambas famosos do compositor, tais como Trem das onze (1951) e Samba do Arnesto (1953), sendo evocados para destacar as vantagens do progresso então em curso.

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