Monthly Archives: novembro 2017

Ateliê na 19ª Festa do Livro da USP

A Ateliê marca presença, mais uma vez, na Festa do Livro da USP. Esta já é a 19ª edição da festa, que oferece livros com descontos de, no mínimo, 50%.

A Ateliê Editorial está na Tenda Azul, com uma grande lista de livros em promoção. Veja no mapa:

Veja a seguir alguns dos livros que estarão à venda no evento:

Almanaque Tipográfico Brasileiro

O Almanaque Tipográfico Brasileiro apresenta, de maneira divertida, a arte de transformar letras em objetos visuais. Conta com a colaboração de diversos especialistas, como o escritor Fernando Morais, o tipógrafo Cláudio Rocha e a bibliotecária Ana Virgínia Pinheiro. Juntos, eles compuseram este mix de artigos, brincadeiras, curiosidades e ilustrações, no típico estilo almanaque. O resultado é um registro irreverente da história da tipografia, dos primeiros tipos aos grafites urbanos.

De R$ 61,00 por R$10,00

 

Sobrecapa do livro “Capas de Santa Rosa”

Livro vencedor do Prêmio Jabuti 2016 (categoria Projeto Gráfico),  Capas de Santa Rosa mostra o trabalho de Tomás Santa Rosa, que se  dedicou a vários ofícios no campo das artes plásticas: executou pinturas e gravuras, criou capas, ilustrações e projetos gráficos para livros, revistas e jornais, elaborou cenários e figurinos para o teatro. Foi responsável pela cenografia da peça Vestido de Noiva, dirigida por Ziembinski em 1943, considerada um divisor de águas no processo de modernização do teatro brasileiro. A convivência com Portinari, com quem trabalhou e de quem se tornou amigo, permitiu que aperfeiçoasse o seu apurado senso estético. Com esse conhecimento, Santa Rosa passou a assinar a coluna de crítica de arte no Diário de Notícias em 1945, herdando o posto do aclamado Di Cavalcante. Luís Bueno destaca neste livro o que considera fundamental para o conhecimento da história da editoração e do design gráfico no Brasil: as capas criadas por Santa Rosa. De R$ 118,00 por R$ 50,00.

Ensaiando a Canção – Paulinho da Viola e Outros EscritosEnsaiando a Canção – Paulinho da Viola e Outros Escritos é um recorte da obra de Paulinho da Viola e reflexão sobre a canção brasileira. Eliete Negreiros analisa poesia e canção e encontra as temáticas, os procedimentos artísticos e a poética no trabalho do sambista. A primeira parte do livro mostra alguns sambas e mergulha na obra do compositor. Há também breve história do samba carioca e entrevista inédita com o artista. Já a segunda se detém em questões gerais do universo da canção e destaca mais o aspecto literário, considerando letra de música como poesia. De R$ 36,00 por R$ 5,50.

 

 

Em A Moeda da Arte – A Dinâmica dos Campos Artístico e Econômico no PatrocínioEduardo Fragoaz examina as complexas relações entre o campo financeiro-econômico e o campo artístico. Sua tese geral é que mesmo que, em última instância, o marketing que obedece ao primeiro campo tenda a prevalecer, a lógica do campo artístico não é passiva e reativa, negociando possibilidades de ações e espaços com resultados significativos para vida cultural e para a experiência do público. De R$ 63,00 por R$ 15,00.

 

 

Por Minha Letra e Sinal é o fruto de sete anos de pesquisas do Projeto Filologia Bandeirante. A partir do exame de manuscritos, os estudiosos obtiveram informações sobre a época das bandeiras e sobre a língua portuguesa do período. Além disso, identificaram, por meio de entrevistas, traços linguísticos que permanecem até hoje nas cidades erguidas sobre os antigos caminhos do ouro. Ao revelar parte fundamental do passado brasileiro, a obra torna-se referência para historiadores e linguistas. De R$ 77,00 por R$ 16,00.

 

 

Hypnerotomachia Poliphili  é uma reprodução fac-similar do exemplar que pertenceu à Biblioteca Guita e José Mindlin. Em iniciativa conjunta da Imprensa Oficial, Oficina do Livro Rubens Borba de Moraes e Biblioteca Paulo M. Levy (com apoio da Engep e Biblioteca Vinária Reppucci) edita-se o notável incunábulo que saiu das prensas de Aldo Manuzio em 1499. Intitulado Hypnerotomachia Poliphili (Batalha de Amor em Sonho de Polifilo), é considerado obra-prima de composição tipográfica, em especial pela incrível harmonia alcançada no casamento do texto com as mais de 170 xilografias. Por R$ 120,00

Carlos Cardoso volta à poesia com “Na Pureza do Sacrilégio”

Leia, a seguir, um trecho do prefácio do livro, escrito pelo escritor e crítico literário Silviano Santiago:

Carlos Cardoso fotografado por Bel Pedrosa

A criação revela o ser pelo desnudamento ao mesmo tempo em que o poema o revela ao leitor. O ser se dá a se conhecer, sendo re/conhecido pelo outro.

Em Carlos Cardoso, o termo positivo, a pureza se subordina ao termo negativo, o sacrilégio. Isso formalmente. Do ponto de vista semântico, a pureza na verdade se sobrepõe ao sacrilégio. A estética é superior à ética, embora, no frigir dos ovos, com ela se confunda. Apenas parecem se excluir. Ganha a expressão. Mas não é apenas a expressão que se reforça, como lembra Houaiss; reforça-se também e principalmente o deslizamento contínuo entre polos extremos e opostos de valoração. Lembre-se que na notável interpretação do México que é O labirinto da solidão (1950), Paz não elege como herói uma das várias figuras em destaque na História nacional mexicana. De modo quase impiedoso, descarta a todas, a fim de mostrar as fronteiras fluidas do nacionalismo geográfico. Paz elege como herói mexicano, isto é, como encarnação absoluta da mexicanidad, a figura nacional mais contraditória e polêmica, ou seja, alguém que representa o extremo oposto das figuras públicas destacadas e louvadas pela História − o pária mexicano que se exilou na Califórnia pela miséria ambiente na terra natal. Elege como herói o estrangeirado pachuco, um dos extremos a que pode chegar o mexicano, como ele aclara.

O deslizamento do formal ao semântico e do semântico ao formal não é apenas uma das graças do notável poema de Fernando Pessoa, como Jakobson demonstrou genialmente; é também o movimento que articula, em várias cadeias estruturantes, os sucessivos poemas de Carlos Cardoso. Como Pessoa nos poemas do livro Mensagem, Carlos é um “poeta da estruturação”, que abole todos os golpes da “incerteza”. Ao se dispor a “limitar” sua voz poética pelos termos extremos, Carlos tampouco se proporá como um “poeta da variedade”, para citar uma vez mais o linguista e crítico russo. O poeta limitado é aquele que não se exprime pela incerteza; ele constrói, arquitetura e estrutura, para nos valer dos três verbos escolhidos pelo próprio Pessoa e citados por Jakobson.

A força do oximoro é tão potente no universo de Carlos Cardoso que o leitor pode se valer da figura de retórica como chave para uma compreensão global de todos os poemas de Na pureza do sacrilégio. É simples, acompanhem-me. De um dos extremos do livro − o título e a epígrafe já comentados – dê um grande salto até o outro extremo − o poema final da coleção. Neste, os dias – isto é, as ocupações do poeta com a palavra – se acumulam entre a queda dos amanheceres e o raiar dos entardeceres, mas não se acumulam na incerteza do vaivém entre termos opostos. Acumulam-se no reforço da viagem cotidiana entre os amanheceres em queda e os entardeceres em brilho, que vêm previstos na capa pelo oximoro e são ratificados por Octavio Paz em termos de criação poética. Leiamos, em contraste, o último poema do livro:

 

Que caia o amanhecer,

O raiar do entardecer,

que os dias acumulem-se

não na incerteza,

mas na pureza do sacrilégio.

Prepare-se para a Black Week da Ateliê Editorial

Seguindo o sucesso dos dois últimos anos, a Ateliê mantém a Black Week, que esse ano vai de 20 a 27 de Novembro.

Serão mais de 390 livros com descontos de 50% a 75%, inclusive em alguns lançamentos.

Veja alguns títulos que estarão em promoção:

Um Lance de Dados
Tradução Álvaro Faleiros
De: R$ 44,00
Por: R$ 22,00
Um Lance de Dados
História da Língua Portuguesa
Segismundo Spina
De: R$ 93,00
Por: R$ 46,50
História da Língua Portuguesa
Cancioneiro
Francesco Petrarca
De: R$ 160,00
Por: R$ 80,00
Cancioneiro de Petraca
Viva Vaia
Augusto de Campos
De: R$ 145,00
Por: R$ 65,25
Livro Viva Vaia
Olga Savary – Erotismo e Paixão
Marleine Paula Marcondes e Ferreira de Toledo
De: R$ 41,00
Por: R$ 12,30
Olga Savary - Erotismo e Paixão
Lugar, Tempo, Olhar – Arte Brasileira na França Românica
Tradução: Rita Faleiros
De: R$ 75,00
Por: R$ 18,75

 

Lugar, tempo, olhar

Cadernos 1 e 2
Pedro Nava
De: R$ 30,00
Por: R$ 9,00
Cadernos 1 e 2 Pedro Nava
Bucólicas
Virgílio
De: R$ 69,80
Por: R$ 31,41
Bucólicas
Palmeirim de Inglaterra
Francisco de Moraes e
Lênia Márcia Mongelli
De: R$ 182,00
Por: R$ 91,00
Poema, O: Leitores e Leituras
Andrea Saad Hossne, Cláudia Arruda Campos, Ivone Daré Rabello, Viviana Bosi
De: R$ 34,00
Por: R$ 8,50

Traduzir para aproximar o leitor do texto

Álvaro Faleiros explica as motivações que o levaram a traduzir Mallarmé

Renata de Albuquerque

“Un coup de dés jamais n’abolira le hasard”. Os hoje muito conhecidos versos de Stéphane Mallarmé (1842 – 1898) certamente foram um desafio no século XIX, não apenas para leitores, mas também para intelectuais. Tido como o primeiro poema tipográfico de que se tem notícia, o texto pode ser considerado revolucionário. No Brasil, a tradução do poeta concretista Haroldo de Campos tornou-se icônica. Icônica, mas não única.

Álvaro Faleiros, poeta, compositor, tradutor e professor livre-docente de Literatura Francesa da USP contribuiu grandemente para essa fortuna crítica com sua tradução de “Um Lance de Dados“, que agora chega à segunda edição. Para falar sobre o trabalho, o Blog da Ateliê entrevistou-o:

Traduzir Mallarmé é, por si, um desafio, que deve ter sido ainda maior porque a tradução do poeta Haroldo de Campos é um marco da literatura brasileira. Poderia nos falar sobre como foi essa experiência? Que desafios enfrentou?

Álvaro Faleiros: Como digo na orelha, a retradução nasceu de uma necessidade de sala de aula. Apesar de deslumbrante, a tradução de Haroldo de Campos torna o texto de Mallarmé ainda mais opaco. O grande desafio foi aderir mais ao texto mallarmeano, sem tanta liberdade de invenção.

O senhor escreve, no texto “Refrações sobre Um Lance de Dados de Mallarmé” que “uma boa tradução acaba por provocar uma outra ainda”. De que maneira seu trabalho foi provocado pelo trabalho de Campos?

AF: Haroldo de Campos fez uma tradução de invenção, o contraponto que me pareceu necessário foi o de uma tradução na busca de maiores correspondências semiótico-textuais.

Que inquietações estão postas em sua tradução?

AF: A necessidade de cada tempo de produzir sua própria historicidade.

O poeta Stéphane Mallarmé

Houve alguma preocupação, de sua parte, em deixar a tradução menos erudita do que aquela proposta por Campos? Por quê?

AF: Não creio que  palavra seja “menos erudita”, mas sim, “mais aderente” ao texto de Mallarmé, pois assim poderia ajudar o leitor brasileiro a aproximar-se um pouco mais do texto.

Que influência a tradução feita por Haroldo de Campos  exerceu sobre seu trabalho? Como avalia essa relação entre ambos os resultados, já que o senhor sugere, no texto de abertura do volume, em uma nota de rodapé, que se coteje sua tradução com o original e com outras traduções, citando, neste caso, a de Campos?

AF: Haroldo de Campos é o primeiro grande teórico da tradução poética no Brasil. Qualquer estudioso que queira se debruçar sobre a poética do traduzir entre nós deve conhecer sua obra. No meu caso, creio prestar-lhe homenagem ao produzir deslocamentos teóricos e práticos a partir do que ele fez. Assim, retraduzir Mallarmé significa, nesse caso, preencher uma lacuna deixada, isto é, permitir ao leitor lidar com nuanças macro e micro-textuais sobretudo de ordem mais imagética.

No texto que abre o volume, Marcos Siscar afirma que “A dificuldade e a estranheza de Mallarmé nos interessariam, hoje, por motivos diferentes daqueles que a destacaram no século passado”. Quais seriam estes motivos, em sua opinião? 

AF: Mallarmé não precisa ser compreendido apenas como um poeta de vanguarda, ele pode ser lido como alguém que se move em diálogo mais delicado com a tradição, vide o que fez com o soneto e o verso octossilábico; este é o caminho da leitura proposta por Siscar.

E ainda: pessoalmente, por que esta obra de Mallarmé despertou seu interesse como tradutor?

AF: Nesse caso específico foi a dificuldade de meus alunos de ler a tradução do Haroldo de Campos em sala; quis dar a eles uma tradução que os ajudasse de algum modo a lidar com as opacidades do texto sem acrescentar-lhe outras.

Sua tradução leva em conta o que o senhor chamou de “redes semânticas que permeiam o universo do poema”. Como foi construído esse aspecto do trabalho?

AF: Não se trata de “criar enredamento”, mas de explicitar os que se encontram no texto, por exemplo, lidar com nuanças imagéticas e semânticas como a sutil distinção que existe em francês entre “abîme” e “gouffre” e que não foi trabalhada na versão haroldiana.

Em seu texto “Refrações sobre Um Lance de Dados de Mallarmé”, o senhor escreve: “Neste poema, o itálico marca graficamente a hipótese do número, da linguagem – o Ser – ante a eterna tese do acaso – o Nada”, trecho que nos remete ao texto de Sartre, de título “O Ser e o Nada”. É possível fazer alguma relação entre sua tradução e a obra de Sartre – ou, por outra: a obra de Sartre exerceu algum tipo de influência no seu trabalho de traduzir Mallarmé?

AF: Não, Sartre não me influenciou diretamente, apesar de eu reconhecer que a visada mais ontológica da obra de Mallarmé por ele tratada também permeia de algum modo a leitura por nós proposta.

O que Será?

Renato Tardivo*

Adélia Bezerra de Meneses

Desenho Mágico – Poesia e Política em Chico Buarque, premiado ensaio de Adélia Bezerra de Meneses originalmente publicado em 1981, reflete com profundidade os primeiros quinze anos da obra do artista. Sua leitura hoje, quando Chico acaba de lançar o 38º álbum de estúdio, torna-se ainda mais interessante. Os desdobramentos de sua obra – ampliando-se também à prosa de ficção – parecem ter comprovado a precisão do exame empreendido por Adélia: “Nostalgia, utopia e crítica delineiam uma trajetória em espiral em que, num progressivo expandir-se, há a retomada, sempre, dos inícios, e a volta dos temas fulcrais” (p. 143).

As composições de Chico Buarque (canções e peças de teatro) são agrupadas nas seguintes categorias (que correspondem a capítulos do livro): Lirismo Nostálgico, As Canções de Repressão, Variante Utópica e Vertente Crítica. Assim, suas primeiras canções não abordam, ao menos não diretamente, temas políticos; apresentam, em vez disso, uma temporalidade mítica, na qual a realidade é posta entre parênteses. “Carolina”, em cujos “olhos fundos/guarda tanta dor”, talvez seja um dos principais emblemas do lirismo nostálgico. A canção, que rendeu uma série de interpretações nem sempre favoráveis (como a dos tropicalistas), “é extremamente significativa de um determinado momento histórico: aquele em que uma parcela da intelectualidade brasileira, alijada da práxis política, tende a se refugiar em situações de melancolia e inação: da janela, vê (ou não vê) o tempo passar” (p. 61).

Ocorre que, após os três primeiros álbuns, as composições de Chico privilegiam a “tensão para um futuro aberto […] A proposta dessas canções será a de mudança do presente” (p. 67). Em vez de “canções de protesto”, a autora propõe que nomeemos as produções desta fase de “canções de repressão”, pois trazem em sua estrutura a atmosfera que pairava sobre o Brasil – e, por conseguinte, sobre sua classe artística – do início dos anos 1970. “Apesar de você”, “Cálice”, “Angélica”, entre tantas outras, dão mostras de um autor sensível, vigoroso e maduro. Mobilizada por um presente repressor, a obra de Chico passa a desenhar (e desejar) novas (e não menos difíceis) formas de ser.

Um dos desdobramentos das canções de repressão é a potencialização da utopia – que resulta em “uma crítica não direta, mas que brota do confronto entre uma realidade ‘real’ e uma realidade possível” (p. 103). Uma das canções mais fortes nessa direção é “O que Será”: “projeção para um futuro absoluto, para aquilo que só pode existir por enquanto na fantasia, mas de que os homens se nutrem para o seu enfrentamento com a realidade” (p. 118). O futuro, já em aberto a partir das canções de protesto, se radicaliza enquanto absoluta incerteza. É como se, em sua vertente utópica, o compositor construísse um estatuto político para o impossível.

 

E a vertente crítica, conquanto já estivesse presente em canções anteriores, como “Pedro Pedreiro” (do primeiro disco), marca, segundo a autora, a produção mais recente (quando da escrita do ensaio) do compositor. A clássica “Construção”, os textos para teatro, “Bye-bye Brasil”, “Até o Fim”, a novela Fazenda Modelo e, em uma das leituras mais originais do livro, “Sabiá” – belíssima canção que, no entanto, se notabilizou pela rixa com “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré – são composições pródigas “em crítica social, numa trajetória que parece corresponder a um percurso pessoal e político” (p. 143). A crítica de Chico se volta inclusive à própria capacidade de criar, como em “Essa Moça Tá Diferente” e “Agora Falando Sério” – crítica que, décadas mais tarde, se expressaria na angústia contida em seus romances. “Crise da sociedade. Crise da linguagem” (p. 154). Crise do Eu, podemos acrescentar – e, além da obra literária, composições posteriores como “Todo Sentimento” e “Futuros Amantes” tomariam essa direção.

Nostalgia (volta ao passado), utopia (construção do futuro) e crítica (leitura lúcida do presente) – a obra de Chico Buarque é, com efeito, atravessada por essas três vertentes. À flor da terra, à flor da pele, sua palavra é corpo por excelência e, como emblema da espiral vertiginosa que confere historicidade à sua obra, o corpo cantado por ele é “palavra/que se produz/muda”.

*Renato Tardivo é psicanalista e escritor. Doutor em Psicologia Social da Arte (USP). Autor, entre outros, do ensaio Porvir que vem antes de tudo – literatura e cinema em Lavoura Arcaica  (Ateliê/Fapesp) e do livro de poemas Girassol Voltado Para a Terra (Ateliê). 

 

Conheça outras obras de Adélia Bezerra de Meneses  

Clássicos para o vestibular em promoção e com desconto

Já é novembro! Durante os últimos meses, todos os estudantes que planejam fazer vestibular se dedicaram muito a estudar, fazer simulados e aprender mais. As provas de primeira fase da Fuvest e da Unicamp acontecem ainda neste mês. E ainda há muito por estudar. Uma das partes mais importantes é a lista de obras obrigatórias.

Para dar uma forcinha para os estudantes nesta reta final, a Ateliê preparou uma promoção com títulos clássicos, que fazem parte da lista de diversos vestibulares. As obras, que trazem estudos introdutórios e notas explicativas especialmente escritas para quem quer conhecer melhor os textos, estão com descontos de até 50%.

Além de títulos clássicos, como Dom Casmurro (Machado de Assis), Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto) e Mensagem (Fernando Pessoa), entre outros, também há livros que explicam melhor autores, obras e panoramas históricos.

É o caso de Introdução ao Estudo de Fernando Pessoa, um excelente roteiro para o entendimento de um dos poetas mais importantes da língua portuguesa. A vida e a obra do autor de Mensagem são apresentadas de maneira integrada, em torno aos temas centrais de sua trajetória, tais como: a linguagem modernista, a criação dos heterônimos, as ideias políticas e estéticas e os diferentes projetos literários. Capítulo após capítulo, forma-se uma figura complexa e genial – verdadeira esfinge literária.

 

 

Eça de Queiroz. Uma Biografia, é a mais completa e rica biografia do escritor português. Neste volume o leitor encontrará não apenas a informação mais fidedigna sobre a vida do escritor, acompanhada de vasta e preciosa iconografia, mas também reflexões críticas de primeira ordem. Neste livro generoso, encontrará ainda o leitor uma sucinta apresentação editorial das mais notáveis obras queirozianas, acompanhada de resumo do enredo e seleta coletânea de excertos de opiniões críticas. A esse rigor de informação e cuidado documental se alia uma prosa limpa e sedutora, o que torna este volume tão agradável ao leitor comum quanto indispensável ao especialista e ao estudante interessado na cultura luso-brasileira do século XIX.

O Altar & o Trono, de Ivan TeixeiraO Altar & o Trono – Dinâmica do Poder em “O Alienista”  traz minucioso levantamento dos discursos artísticos e culturais de que Machado de Assis se apropriou para escrever O Alienista. Ao mesmo tempo, analisa os processos retóricos em que se articulam as matérias. O leitor encontrará neste livro hipóteses estimulantes para uma revisão conceitual de Machado de Assis. Pela primeira vez, o artista é examinado em intrínseca relação com os signos de sua época e em sua condição de homem de imprensa: associado a grupos de poder, afeito à dinâmica dos periódicos, atento à reciprocidade dos compromissos e integrado com projetos editoriais.

 

A lista completa das obras está aqui!