Daniel De Luccas

Confira as fotos do lançamento da “Revista Livro nº 4” e da “1ª Jornada de Editores Brasileiros – PUBLISHER? EDITOR?”

l4 - convite eletronicoNa última terça-feira (03/03), a Livraria João Alexandre Barbosa recebeu dois grandes eventos. O primeiro intitulado 1ª Jornada de Editores Brasileiros – PUBLISHER? EDITOR?, organizado pelo corpo docente do curso de editoração da USP, Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (NELE) e da Edusp, contou com os principais editores do país onde abordaram questões como os desafios do atual modelo editorial e da profissão de editor. Posteriormente, a livraria recebeu o lançamento da Revista Livro N.4, onde contou com a presença de seus autores e colaboradores.

 

Confira abaixo as fotos dos eventos!

 

Lançamento da revista Livro N. 04 com  Ana Luiza Martins (esq.) e Marisa Midori.

Lançamento da “revista Livro N. 04” com Ana Luiza Martins e Marisa Midori.

Jornada Publisher? Editor? (03/03): mesa com (a partir da esq.): Fernando Paixão, Alexandre Martins Fontes, Claudio Giordano e José De Paula Ramos Jr. (mediador).

Fernando Paixão, Alexandre Martins Fontes, Claudio Giordano e prof José De Paula Ramos Jr debatem durante a 1ª Jornada de Editores Brasileiros – PUBLISHER? EDITOR? que antecedeu o lançamento da revista Livro nº 4.

Jornada Publisher? Editor? (03/03): Mesa com (a partir da esq.): Jean Pierre Chauvin (mediador), Iuri Pereira (ed. Hedra), Joana Figueiredo (ed. Mackenzie) e Lilia Zambon (Cia. das Letras).

Jean Pierre Chauvin foi o mediador de uma das mesas, que ainda contou com Iuri Pereira (Ed. Hedra), Joana Figueiredo (ed Mackenzie) e Lilia Zambon (Cia das Letras).

A fotógrafa Patrícia Osses, que ilustrou a edição, e a diagramadora da “revista Livro n.04”, Tainá Nunes Costa, também marcaram presença no evento.

Lançamento da revista Livro 04: (à esq.) Lincoln Secco, José De Paula Ramos Jr. e Jaa Torrano.

Lincoln Secco, José De Paula Ramos Jr, Jaa Torrano celebrando o lançamento.

Público prestigia a Jornada Publisher? Editor?. Lançamento foi após o evento.

O público presente assistiu a palestras e debates variados durante a Jornada.

As bases irracionais do poder

Welington Andrade | Tribuna do Norte – Natal | Seção: Opinião | Novembro de 2014

526_01O Alienista é uma obra-prima, construída na fase de maturidade da ficção de Machado de Assis. Precisamente: é a peça de abertura do livro Papéis Avulsos, publicado em 1882, pouco depois de surgirem para a literatura nacional as surpreendentes e monumentais Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881-82). Sobre a natureza de obra-prima, não conheço divergências. Elas existem, contudo, quando se pretende interpretar a fabulação e seus personagens. Uma dessas possíveis interpretações se concentra no foco demonstrativo de que o O Alienista é uma paródia e uma alegoria dos discursos sobre fatos da história de nosso país contemporâneos do escritor (mas paródia e alegoria, atente-se bem, dos discursos historiográficos e não dos fatos especificamente). E também uma aguda reflexão sobre os (questionáveis) nexos entre racionalidade e poder, sob a ótica da própria narrativa histórica.

À primeira vista, o nobre e médico Simão Bacamarte – “um dos maiores médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas” – pretende se dedicar ao estudo da loucura. Na verdade o médico “investiga a natureza dos costumes”, pois “a sátira da novela não incide sobre a tirania da ciência, mas sobre a ilusão da vitória da razão no jogo do poder”, como revela Ivan Teixeira no ensaio “Irônica invenção do mundo – uma leitura de ‘O Alienista’” (em Machado de Assis – ensaios da crítica contemporânea, Unesp, 2008) e também na abordagem inovadora e profunda da ficção machadiana  em O Altar & o Trono (Ateliê Editorial, 2010). O médico, a partir da construção da Casa Verde, a casa de Orates, um sanatório onde deveriam ser internados os loucos da vila de Itaguaí, passou a representar o poder – acima do legislativo (a Câmara de Vereadores), do clero (o padre Lopes) e do povo, que depois se sublevaria liderado pelo barbeiro Porfírio, durante a revolta dos Canjicas. Simão Bacamarte era um sábio com muita sagacidade: grande arabista, “achou no Corão que Maomé declara veneráveis os doidos”, uma vez que “Alá lhes tira o juízo para que não pequem”. Gravou esse pensamento no frontispício da Casa Verde mas o atribuiu ao papa Benedito VIII, para evitar problemas com a igreja.

Primeiro, foram recolhidos os que estavam privados da “razão”: “A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia, e só insânia.” O dr. Simão supunha que a loucura era “uma ilha perdida no oceano da razão”. Mas começou “a suspeitar que (era) um continente”. Instalou-se pouco a pouco o terror. Sobretudo porque, depois, a loucura passou a ser vista como “desrespeito aos princípios éticos consensuais” (honestidade, lealdade, coerência etc.). A Casa Verde encheu-se de loucos. Nessa leva, numa prova de isenção, foi internada a mulher do médico, D. Evarista, jovem viúva, não muito bonita, mas com olhos “lavados de uma luz úmida”. A seguir, foram considerados mentecaptos exatamente “os que se achassem no gozo do perfeito equilíbrio das faculdades mentais”. O movimento dos Canjicas, sangrento e sem objetivo, parodia a narrativa historiográfica das revoltas do Período Regencial (Cabanagem, Sabinada, Balaiada, Farroupilha, Praieira). O poder do médico não sucumbe aos Canjicas. É autodestruído pela racionalidade, que se mostra incompatível com o poder.

Confira esta e mais obras do autor no site da Ateliê.

Morre o pesquisador e autor Edson Nery da Fonseca

Falece em Olinda Edson Nery da Fonseca, autor, pesquisador e bibliotecário.

Edson Nery da Fonseca , Escritor , Bibliotecário e Professor Universitário em frente a sua casa em Olinda , Pernambuco

Faleceu na manhã deste domingo (22), em sua casa em Olinda, o pesquisador, escritor e bibliotecário Edson Nery da Fonseca.  Aos 92 anos de idade, o autor sofria de infecção urinária e pulmonar.  O falecimento ocorreu por volta das 7h30. O velório foi realizado na casa do próprio autor no sítio histórico de Olinda, onde parentes, amigos e admiradores compareceram para prestar as últimas homenagens.

Considerado o maior especialista na obra do sociólogo Gilberto Freyre, Edson Nery da Fonseca organizou e publicou diversas obras sobre ele, como “O Grande Sedutor – Escritos sobre Gilberto Freyre de 1945 até hoje”, lançada durante a edição 2011 da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), o qual foi homenageado. Nery publicou ainda a obra “Vão-se os Dias e Eu Fico” (Ateliê),  onde as vésperas de completar oitenta e cinco anos, decidiu reviver em prosa sua trajetória. Na primeira parte, “Memórias”, Fonseca esclarece os porquês da própria vida. A época do exército, a ida à Brasília, a pesquisa sobre Gilberto Freyre, o período em Guiné-Bissau e o retorno a Olinda são alguns deles. Na segunda parte, “Evocações”, o autor rememora pessoas queridas. Pelas páginas do livro, caminham com o autor figuras essenciais de nossa história.

Conheça mais sobre a obra Vão-se os Dias e Eu Fico

Produção literária forma um conjunto coeso e expressivo

Luís Augusto Fischer | Folha de S. Paulo | 19 de Junho de 2014

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Romances são incursões densas por temas nacionais e estrangeiros, mas foram eclipsados por carreira musical

Contra o reconhecimento da excelência do Chico Buarque romancista pesam fatores vastos.

Um deles terá a ver com o simples ciúmes: como pode ser um gênio da canção, com capacidade de expressar os sentimentos de todo e qualquer brasileiro, seja também bamba no gênero de maior prestígio letrado?

Mas é. Seus quatro romances, um conjunto coeso, dos mais expressivos na atualidade em qualquer língua ocidental, são incursões substantivas tanto em temas de raiz estritamente brasileira quanto internacionais.

Benjamim (1995) revisita a ditadura militar brasileira, e Leite Derramado (2009) dá voz a um moribundo herdeiro da velha história patriarcal escravagista nacional.

Já a violência terceiro-mundista aparece em Estorvo (1991), enquanto Budapeste (2003) trata do desenraizamento e a morte das identidades modernas.

Outro fator contra o reconhecimento do Chico romancista tem a ver com suas canções. Nelas, ao menos duas gerações aprenderam a ver, a sentir, a entender o país.

Nessa educação, Chico foi talvez o mais importante artista brasileiro, a marcar para sempre nosso ser-no-mundo como uma visada gentil, delicada, lírica e precisa na exposição dos sentimentos vividos por quase todos.

Ocorre que esse professor de delicadeza concebeu seus romances sempre na pauta do mal-estar, em que nada é nítido e pacífico, nunca se experimenta descanso.

Os romances dão vida a protagonistas não apenas losers, mas também anômalos, a quem não resta saída alguma – e essa sensação de rato encurralado está na superfície do enredo, mas, mais importante, na arquitetura narrativa, no ponto de vista nublado que informa o relato.

Terceiro fator: filho do ensaísta que expressou o tema da cordialidade, além de tudo Chico é um exímio, um requintado estilista do português, numa tradição literária bastante pedestre nesse quesito.

Assim como nas leras das canções, em seu romance ele é capaz de imprimir marcas retóricas em entranhada ligação com o temperamento e a história dos personagens.

O QUE HÁ PARA LER – Trabalhos sobre a obra do Artista

FIGURAS DO FEMININO NA CANÇÃO DE CHICO BUARQUE

Adélia B. de Meneses

Ateliê Editorial, R$ 57,00 (168 págs.)

– Estudo sobre a representação das mulheres na obra.

DESENHO MÁGICO – POESIA E POLÍTICA EM CHICO BUARQUE

Adélia B. de Meneses

Ateliê Editorial, R$ 52,00 (248 págs.)

– A autora faz um original paralelo entre a obra do compositor e o período do regime militar.

Ateliê Recomenda

Confira quatro exposições recomendadas especialmente para você ver esta semana.

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IBERÊ CAMARGO: UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS.

Em parceria com a Fundação Iberê Camargo,  o CCBB (Centro Cultura Banco do Brasil), exibe até o dia 7 de julho a mostra, Iberê Camargo: Um trágico nos trópicos.

A mostra dedicada ao pintor, gravador, desenhista, escritor e professor gaúcho, aborda a questão do Homem, seu corpo e sua existência, marca que percorre sua produção artística desde os anos 1940 até sua morte, em 1994.  A exposição possui curadoria de Luiz Camillo Osório, professor da PUC-RJ e curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Saiba mais sobre a exposição IBERÊ CAMARGO: UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS.

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CAOS

A Galeria Paralelo apresenta até o dia 26 de julho, a exposição Caos  de  Alex Flemming.  O artista nesta exposição apresenta trabalhos inéditos no contexto de sua produção artística ou mesmo no contexto da arte contemporânea. O artista surpreende nesta série com obras inovadoras e inusitadas. Devido à diversidade e intensidade das pinceladas aplicadas, a mesma obra tem várias leituras de luz conforme o espectador se move diante da tela, resultante dos brilhos metálicos da cor prata adicionada à cor preta. O ser humano compõe a parte central desta obra, interesse primordial do artista, sem ser plenamente figurativo. O gesto, alguns objetos, as minúcias e as atuações dos seres aqui representados são marcantes o suficiente para abstrair o próprio corpo em si através de uma invasão do fundo na figura humana aí representada.

Responsável pelas famosas fotografias da estação Sumaré, parte integral do projeto arquitetônico da estação, Alex Flemming é um artista que se consolidou nas duas últimas décadas produzindo trabalhos de alto nível pictórico e conceitual, trabalhando quase sempre de maneira serial sobre as mais diversas superfícies.

Saiba mais sobre a exposição CAOS

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ESSE TRECO

Até o dia 19 de julho, a Galeria Virgílio exibe a exposição individual, Esse Treco, do artista paulistano Deco Farkas, pintor muralista e grafiteiro que vem usando a cidade de São Paulo como suporte para seus trabalhos, onde assina TRECO.

A mostra reúne trabalhos inéditos realizados no período de 2013 e 2014. Deco mostra pinturas sobre madeira, parede e vídeos. Segundo Vicente Góes, Deco é um artista simples e vibrante. Sua arte não se esconde em conceitos, não agride com críticas óbvias, não complica a percepção daquele momento único de espanto quando respiramos a primeira impressão. Ela traz o olhar genuíno do espanto, seja pelas cores fortes, traços seguros ou volumes maciços. Uma arte expressiva que não só deixa de investir nas tensões intelectuais, mas as alivia, quebrando o ritmo cognitivo do olhar e da imaginação. Seu processo criativo passa entre a sensação visual do inusitado e a intuição simbólica própria e peculiar e pelo povoamento onírico de criaturas fantásticas.

Deco Farkas é um artista de rua (grafiteiro) que vive e trabalha em São Paulo, formado pela FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado.

Saiba mais sobre a exposição ESSE TRECO

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MEMÓRIAS GRAVADAS: A HISTÓRIA DE RUTH

Até o dia 21 de junho, o Museu Belas Artes de São Paulo (MUBA), na Unidade 3 apresenta a exposição itinerante Memórias Gravadas: a história de Ruth. A mostra celebra os 80 anos de vida da Profa. Dra. Ruth Sprung Tarasantchi, que inclusive estudou na Belas Artes, e apresenta uma parte de seus 45 anos dedicados à gravura em metal.

A curadora Gisele Ottoboni reuniu no núcleo central da exposição 60 gravuras assinadas por Ruth Sprung Tarasantchi, membro da Associação dos Críticos de Arte de São Paulo, diretora do Acervo do Museu Judaico de São Paulo e da SOCIARTE. É a chance de conferir trabalhos da artista plástica e historiadora que nasceu em Bugojno, na antiga Iugoslávia, e esteve com a família em um campo de concentração em Torino, na Itália, antes de chegar no Brasil.

Saiba mais sobre a exposição MEMÓRIAS GRAVADAS: A HISTÓRIA DE RUTH

Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão

Resultado de muitos anos de pesquisa da autora, livro traz estudos sobre o conto tradicional, culturas populares mitopoéticas, histórias para crianças, culturas comparadas, comunicação oral e performance

15'5x22'5 - 15mm lombada

Em seu novo livro Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão, Jerusa Pires Ferreira cruza observações teóricas acerca de oralidade, escrita, memória impressa e do conto popular ancestral, que se recria, atualiza e reinventa no nordeste brasileiro, em textos e imagens. A autora apresenta experiências vivas, e propõe a partir daí um modo de lidar com esses materiais mitopoéticos, em várias de suas possibilidades.

Nesta obra agregam-se observações diversas, em que a própria teoria se oferece como um trajeto e o material se mostra em suas mediações e circulação sem fim. A presença do lendário “Pássaro de Fogo” em nossa cultura também é destacada, e em outro capítulo, o intrigante conto do Czar Saltan de Puchkin, que encontra no folheto de cordel a sua extensão. O filme O Trovador Kerib, de Sergei Paradjánov, é apresentado numa perspectiva de comparações e achados críticos e “A Princesa que Não Ria” nos situa diante da ritualidade do riso e suas condições, em muitas partes, na Rússia como na Bahia. O livro traz ainda traduções de Boris Schnaiderman, como em Puchkin e Lérmontov.

“Jerusa Pires Ferreira demonstra neste seu livro, que é o mais corajoso e maduro, não só que a linguagem dos contos maravilhosos é universal (isso é algo que já nos tinham dito muitas vezes), além disso nos desvela, com minúcia e erudição, os mecanismos literários e culturais dessa universalidade, coisa rara de fazer. Consegue assim aproximar a magia dos contos a uma geografia da razão, na medida em que alcança o prodígio de comunicar esses polos. Sem que se quebre o encan- tamento, aumentando o espanto.” (José Manuel Pedrosa, Universidade Alcalá de Henares / Madri)

Jerusa Pires Ferreira é doutora e livre-docente pela Universidade de São Paulo, autora de inúmeros livros e artigos sobre comunicação e linguagem, além de profes- sora de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC-SP. Criou e dirige o CEO (Centro de Estudos da Oralidade) da COSPUC – SP. Além do livro Matrizes Impres- sas do Oral – Conto Russo no Sertão, já publicou pela Ateliê Editorial, Armadilhas da Memória e Outros Ensaios; Livros, Editoras & Projetos e Cultura das Bordas – Edição, Comunicação, Leitura.

Acesse o livro na loja virtual da AteliêMatrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão

 

A arte do granito

Alex Sens Fuziy

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Há mais de dez anos, as quatro paredes dos dois banheiros da casa foram cobertas de granito. São fragmentos de cores leitosas e escuras, espelhadas, placas pontudas, formas geométricas, cacos que alisam a luz do ambiente e refletem qualquer coisa de arte, de sonho gráfico, de selvageria icástica, de linguagem de um tempo duro, preso em si mesmo. Fascinam-me as pedras, seus reflexos, pigmentos, contornos, seus veios e ilhotas de cores cuja essência também se derrama em ímpeto no talento de um fauvista mais observador.

Composto essencialmente de mica, quartzo e feldspato, o granito é uma obra de arte da natureza. Em cada centímetro da rocha encontramos uma pintura. Portanto, a fascinação exercida pelas cores e pelas formas é a mesma que se rompe diante de um Monet, um Klimt, um Turner, um Ianelli. Se Elvis Presley tinha livros em seus banheiros (e ainda questiono a umidade, a evaporação da água quente dos banhos; os livros ficavam em armários fechados, atrás de portas de vidro?), em casa temos o granito para admirar enquanto o tempo passa e a luz que entra pela janelinha se acende em sol ou se eclipsa em nuvem.

Com um pouco de imaginação, faço de conta que cada granito nas paredes é um teste individual e artístico de Rorschach. Ali em cima vejo um sapato de salto baixo e quadrado; abaixo, uma arraia pálida com olhos de cereja escura; ao lado, um rosto de um olho só, azul e redondo, voyeur dos banhos; em seguida uma caveira cinza, escurecida nas órbitas pelo humor misterioso dos anfibólios; e então um quadro que lembra qualquer coisa sinistra e dolorida de Munch, como um rasgo no âmago, de onde sangra uma ampulheta negra, e depois uma reprodução quase fiel de “O beijo”, de Gustav Klimt, mas sem os amantes. Indo para a porta, há um mapa sem nomes, um lago coberto de confetes, lâminas de prata, caranguejos, uma cachalote em pleno nado de alegria, um leão castanho, um chapéu de névoa sobre um cume, um tubarão-martelo, uma encruzilhada antes de um bosque, uma menina segurando um balão, uma boneca de olhos escuros com uma fenda no nariz.

Como arte é percepção, acolhimento a partir daquilo que também nos acolhe, então o granito pode ser percebido de diferentes formas, lido como runas deixadas por um solo engenhoso, sentido como a poesia cuja estrutura e desenho são alinhados pela granulometria do tempo, da rítmica de abalos, de emoções cristalizadas. No granito encontramos universos paralelos, estáticos, e uma beleza primeva que quando não se pode reproduzir em palavras, deixamos que sedimente no coração.

 

As palavras todas - Alex

Alex Sens Fuziy nasceu em 1988 em Florianópolis (SC), vive em Minas Gerais e é escritor. Publicou Esdrúxulas, livro de contos de humor negro e realismo mágico, seguido pelo livro artesanal Trincada. Teve contos e poemas publicados em sete coletâneas e em revistas literárias virtuais, assim como resenhas de livros e críticas em sites de jornalismo cultural. Seu romance de estreia O Frágil Toque dos Mutilados venceu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2012.

Lançamento do livro Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão

Ateliê Editorial | Assessoria de Imprensa

15'5x22'5 - 15mm lombada

 

No último dia 31 de maio, a professora e escritora Jerusa Pires Ferreira lançou seu novo livro Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão. Nesta obra a autora cruza observações teóricas acerca de oralidade, escrita, memória impressa e do conto popular ancestral, que se recria, atualiza e reinventa no nordeste brasileiro, em textos e imagens. A autora ainda apresenta experiências vivas, e propõe a partir daí um modo de lidar com esses materiais mitopoéticos, em várias de suas possibilidades.

 

 

 

Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Leia o release

Confira abaixo algumas fotos do lançamento

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Achik-Kerib: História turca

Folha de S. Paulo | 9 de Fevereiro de 2014

O “Achik Kerib” é uma das narrativas estudadas por Jerusa Pires Ferreira em Matrizes Impressas do Oral – Conto Russo no Sertão, livro que trata da “tradição oral, das mitopoéticas e do conto popular universal, passando à recriação desses textos por grandes escritores”, conforme descreve sua autora. 

Matrizes Impressas do Oral: Conto Russo no Sertão

 

MUITOS ANOS ATRÁS, na cidade de Tíflis¹, vivia um turco rico; Alá lhe deu muito ouro, porém mais valioso que o ouro era sua filha única Magul-Meguéri. São belos os astros do céu, mas atrás dos astros vivem anjos que são ainda mais belos e assim Magul-Meguéri era a mais bela das jovens de Tíflis. Vivia também em Tíflis o pobre Achik Kerib; o profeta não lhe dera nada além de um grande coração e o dom das canções. Tocando saaz e celebrando os antigos cavaleiros do Turquestão ele ia de um casamento a outro, para alegrar os ricos e felizes; num desses casamentos ele viu Magul-Meguéri e eles se apaixonaram. O pobre Achik tinha pouca esperança de obter a sua mão, e se tomou tão triste como um céu de inverno.

Um dia ele estava deitado num vinhedo e finalmente adormeceu; nessa hora passaram por ele Magul-Meguéri e suas amigas; uma delas, ao ver Achik adormecido, ficou para trás e aproximou-se dele. “Por que ficas dormindo embaixo de uma videira” – cantou ela – “levanta-te, insano, a tua gazela está passando”; ele acordou e a moça fugiu como um passarinho; Magul-Meguéri tinha ouvido a sua canção e começou a censurá-la: “Se tu soubesses” – respondeu a outra – “a quem cantei esta canção, me agradecerias: é o teu Achik-Kerib”; “Leva-me até ele” – disse Magul-Meguéri: e elas foram.

Vendo seu rosto tristonho, Magul-Meguéri começou a interrogá-lo e a consolar: “Como não vou me entristecer” – respondeu Achik-Kerib – “eu te amo e tu nunca serás minha.” “Pede a minha mão a meu pai e meu pai vai celebrar nosso casamento com o dinheiro dele e me dará tanto que será o suficiente para nós dois”. “Está bem” – respondeu ele” – admitamos que Aian-Agá não poupe nada para sua filha; mas quem sabe se depois tu não vais me censurar porque eu não tinha nada e fiquei te devendo tudo. Não, minha doce Magul-Meguéri; eu coloquei um penhor sobre a minha alma; comprometo-me a peregrinar sete anos pelo mundo, conseguir riquezas ou morrer nos desertos distantes; se concordas com isso, decorrido esse prazo serás minha”. Ela concordou, mas acrescentou que, se no dia marcado ele não voltasse, ela se tomaria esposa de Kurchud-Bek, que há muito pedia sua mão.

Achik-Kerib foi ter com sua mãe; tomou a bênção, beijou a irmãzinha, pendurou no ombro a bolsa, apoiou-se num cajado e peregrinou, saiu da cidade de Tíflis. E eis que um cavaleiro o alcança e ele vê que é Kurchud-Bek. “Boa viagem” – grita-lhe Bek – “aonde quer que vás, peregrino, sou teu amigo”; Achik não ficou contente de ver o amigo, mas não havia nada a fazer, caminharam juntos por muito tempo até que encontraram um rio. Nem ponte nem vau; “Nada na frente” – disse Kurchud – “eu vou te seguir”. Achik tirou a roupa e nadou; chegando à outra margem, olhou para trás e – Oh, desgraça! Oh, Alá onipotente! – Kurchud-Bek tinha apanhado a sua roupa, galopando de volta a Tíflis, e somente a poeira turbilhonava atrás dele, feito cobra em campo liso.

Kurchud-Bek leva a roupa de Achik a sua velha mãe: “Teu filho se afogou no rio profundo, aqui está a sua roupa”; numa angústia indescritível, a mãe caiu sobre a roupa do filho amado e passou a molhá-la com lágrimas ardentes; depois apanhou-a e levou à sua noiva prometida Magul-Meguéri. “Meu filho se afogou,” – disse ela – “Kurchud-Bek trouxe a roupa dele, estás livre”. Magul-Meguéri sorriu e repondeu: “Não acredites; tudo são invenções de Kurchud-Bek; antes que passem sete anos ninguém será meu esposo”. Ela tirou da parede o saaz e começou a cantar tranquilamente a canção predileta de Achik-Kerib.

Neste ínterim, o peregrino chegou descalço e nu a uma aldeia; gente boa vestiu-o e alimentou-o; ele, para recompensá-los, cantou umas canções maravilhosas; assim foi passando de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, e sua fama se espalhou por toda parte.

Chegou finalmente a Khalaf; como de costume, entrou num café, pediu um saaz e pôs-se a cantar. Nessa época vivia em Khalaf um paxá, grande apreciador de cantores; muitos foram levados a sua presença, mas ele não gostou de nenhum; os seus servos se esfalfaram, correndo pela cidade: de repente, passando por um café, ouviram uma voz surpreendente; eles então: “Vem conosco à presença do grande paxá” – gritaram – “ou vais responder com a tua cabeça”. “Eu sou um homem livre, peregrino da cidade de Tíflis – se quiser irei, se não quiser, não. Canto quando me dá na veneta e o vosso paxá não é meu chefe.”

Apesar disso, eles o agarraram e o levaram à presença do paxá. “Cante” – disse o paxá, e ele cantou e nessa canção ele celebrava a sua querida Magul-Meguéri; e essa canção agradou tanto ao orgulhoso paxá que ele deixou em seu palácio o pobre Achik-Kerib. Ouro e prata choveram sobre ele, brilharam nele ricos trajes; Achik-Kerib passou a viver em felicidade e alegria e tornou-se muito rico.

Se ele esqueceu ou não a sua Magul-Meguéri, não sei, mas o tempo ia correndo, o último ano estava próximo do fim, e ele nem se preparava para a partida. A formosa Magul-Meguéri começou a desesperar: nesse tempo, um mercador estava saindo com uma caravana de Tíflís, com quarenta camelos e oitenta escravos: ela chama o mercador à sua casa, e lhe dá uma bandeja de ouro: “Toma esta bandeja” – diz ela – “e em qualquer cidade que chegues expõe a bandeja em tua venda e declara em toda parte que aquele que se declarar dono da bandeja há de recebê-la, e de sobra o seu peso em ouro”.

Partiu o mercador e em toda parte cumpria o encargo de Magul-Meguéri, mas ninguém se declarava dono da bandeja de ouro. Ele já tinha vendido quase toda a mercadoria e chegou com as restantes a Khalaf e proclamou em toda a parte a incumbência de Magul-Meguéri. Ouvindo isso Achik-Kerib chega correndo ao caravançará e vê a bandeja de ouro na venda do mercador de Tíflis. “É minha” – disse ele, agarrando-a com a mão. “Está certo, é tua” – disse o mercador. “Eu te reconheci, Achik-Kerib: vai quanto antes a Tíflis, a tua Magul-Meguéri mandou te dizer que o prazo está terminando e que, se não chegares no dia marcado, ela se casará com outro”. Desesperado, Achik-Kerib agarrou a cabeça: faltavam apenas três dias para a hora fatal.

Acesse o livro Matrizes Impressas do Oral no site da Ateliê

O Nheengatu que dá barato

José Ribamar Bessa Freire | Diário do Amazonas | 25 de maio de 2014

Capa do novo cd da banda Titãs

Capa do novo cd da banda Titãs

Tinha cara de bebê chorão. Morava na Ilha do Governador, no Rio. Não lembro mais o nome dele. Agnaldo ou Agnando, uma coisa assim, mas era conhecido como Pindá. Como qualquer vendedor de drogas em porta de escola, percorria diariamente universidades para abastecer a clientela, cujos vícios e gostos conhecia muito bem. Na UERJ, se esgueirava pelos corredores, qual felino de mansa pisada. Ia de sala em sala, levando a mercadoria. Silencioso e discreto, só abordava os consumidores potenciais sem presença de testemunhas. Um belo dia, sumiu. Dizem que foi preso.
Conheci-o há mais de vinte anos. Quem nos apresentou, se não me engano, foi Gilberto, um professor de engenharia, que era chegado na coisa e da qual era também dependente:
– Esse é Pindá, meu fornecedor. Mercadoria garantida. Pode confiar.
– Pindá é anzol em Nheengatu – eu disse, explicando que Nheengatu era uma língua de base tupi falada em todo o Rio Negro, tão viva que se tornaria depois, em 2002, língua cooficial no município de São Gabriel da Cachoeira (AM).
Bastou isso para que o tráfico se fizesse carne e habitasse entre nós. Pindá, um profissional sério, jogou o anzol e eu mordi a isca. Ele percebeu que eu, recém transferido do Amazonas para o Rio, passava por crise aguda de abstinência causada por suspensão brusca do uso do objeto do desejo. No dia seguinte, voltou, abriu sua maletinha e deu o bote pingando três pontos de exclamação:
– Olha aqui! Pra você! Coisa fina!
Ficou observando minha reação. Vi a mercadoria armazenada dentro de uma caixa de papel confeccionada sob medida, coberta por camada de pó branco e cristalino. Dava uma overdose.

A dopamina

 – Quanto custa? – perguntei, tentando esconder a ansiedade.
Mas ele percebeu o aumento na frequência dos meus batimentos cardíacos. Era experiente no trato com dependentes. Baseado – baseado mesmo – na vontade do consumidor de experimentar sensações mais fortes, costumava oferecer doses cavalares do produto, cada vez maiores. Deu o preço. Custava os olhos da cara somados ao olho do pescoço em francês. Uma fortuna!
– Muito caro. Quase um mês de salário. Tenho que pedir financiamento no banco – ironizei.
– É coisa rara. Tá todo mundo querendo. A doutora Ruth Monserrat, lá do Fundão, já fez uma encomenda. Aquele alemão, o Wolf Dietrich – conhece? – paga em euro ou em dólar. Não é caro não.
Tentei desvalorizar a mercadoria para baixar o preço:
– Tem até traça… – eu disse, apontando o pó.
– Não é traça. A caixa é de papel alcalino com cola anti-traça – ele disse. Parecia adivinhar que naquele momento meus neurônios já liberavam noradrenalina e dopamina. Ele nos entendia. Durante anos, nos consolou, fornecendo o que cada um de nós precisava.
Soprei o pó, tirei a mercadoria da caixa e comecei a folhear com cuidado. Era o Vocabulário da Língua Geral Portuguez-Nheengatú e Nheengatú-Portuguez, 768 páginas, escrito por Ermano Stradelli e editado em 1929, depois de sua morte, pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A edição foi feita com material vagabundo, em papel jornal, mas se trata de raridade bibliográfica, que contém um tesouro, dificilmente encontrado nos sebos.
Disfarcei a emoção desdenhando:
– É. Ainda bem que tenho todo ele fotocopiado.
Mentira. Ele sabia que não era possível fotocopiar sem esfarinhar o livro. Ele sabia que eu ia comprar, eu sabia que ele sabia que eu sabia. O que se seguiu foi jogo de dissimulação, fingimento, embromação, rasteiras, camuflagem. No final, aconteceu o previsível: apesar de muito choro, mordi a isca do Pindá, comprei pelo preço que ele pediu, afinal o dicionário era inacessível, pois nunca havia sido reeditado.

Destino do Pindá

"Vocabulario-Portugues-Nheengatu", de Ermano StradelliAgora foi. A Editora Ateliê, de Cotia (SP), acaba de reeditar, em 2014, o dicionário de Stradelli, com revisão de Geraldo Gerson de Souza, orelha escrita por José de Souza Martins (USP) e apresentação de Gordon Brotherston e Lúcia Sá (Universidade de Manchester) que chamam atenção para os usos que pode ter:
– É possível utilizar o Vocabulário de Stradelli como um dicionário qualquer, procurando termos específicos, concordando ou discordando das definições do autor, estudando a morfologia e a fonética da língua. Isso não impede, todavia, que leitores interessados na Amazônia e sua história percorram as páginas desse impressionante trabalho na tentativa de ampliar seus conhecimentos sobre fauna, flora, medicina, pesca, caça, agricultura, astronomia, história, política, rituais e costumes, além de literatura e folclore indígena caboclo – tudo isso a partir do nheengatu.
Relembrar a história do Pindá foi a forma que encontrei para anunciar aqui o lançamento de obra tão importante para a Amazônia e para o Brasil. Concluo com três notas: uma pequena crítica sem qualquer demérito para a obra, uma informação sobre o destino de Pindá e uma notícia sobre o nheengatu, que está sendo cada vez mais falado, escrito e até cantado.
A crítica: a bibliografia citada nesta reedição foi atualizada com outros trabalhos, mas não há qualquer menção a muitos autores que pesquisaram o tema, entre os quais Aryon Rodrigues, referência obrigatória quando se trata de línguas tupi, nem qualquer indicação sobre a única história que se tem até hoje do nheengatu – Rio Babel, a história da línguas da Amazônia (Eduerj 2004 1ª edição e 2011 2ª edição) de autoria de um cliente chorão e meio cabotino do Pindá, o fornecedor de livros do professor Gilberto e de toda a Uerj.
O destino de Pindá: foi preso não por vender obras raras por preços exorbitantes, com estratégia de comercialização dos vendedores de droga, que atraem a presa, seduzem e manipulam a dependência. Foi preso por não pagar pensão alimentícia. Sumiu do mapa, levando com ele as fichas dos professores da UERJ que mantinha mais atualizadas do que aquelas que figuram na Plataforma Lattes.
A notícia: no facebook tem um grupo Nheengatu on line, com quase cem membros, onde diariamente se escreve e se troca informações nesta língua. Foi lá que os usuários tomaram conhecimento do dicionário de Stradelli, lançado no momento em que a banda dos Titãs apresenta Nheengatu, seu novo álbum com capa reproduzindo pintura do século XVI – Torre de Babel – de Pieter Bruegel.
No entanto, é uma pena que na divulgação do novo CD se reproduza um erro histórico com a afirmação de que o nheengatu é uma “língua artificial criada pelos jesuítas no Brasil”. Nem é artificial, nem foi criada pelos jesuítas, cuja contribuição consistiu em dotar com  ortografia uma língua que já existia – e que foi se modificando com o uso como qualquer língua – possibilitando sua divulgação escrita na catequese e sua expansão pelos rios da Amazônia. De qualquer forma, o esforço dos Titãs por recuperar as raízes históricas do Brasil confirma que o Nheengatu falado, escrito ou cantado até na França ainda pode dar o maior barato, como queria o saudoso Pindá.