Lançamentos Ateliê Editorial atendem aos mais diversos gostos

Um clássico da literatura russa com nova tradução; um volume que discute uma questão atualíssima da política; poesia francesa da melhor qualidade; ou monólogos inspirados em literatura fantástica e na Bíblia? Desde o início de 2019 até agora, os lançamentos da Ateliê Editorial parecem atender aos mais variados gostos, com títulos para leitores das mais diversas idades. Ainda há muito por vir, como a reedição de Velhos Amigos, de Eclea Bosi, por exemplo. Mas enquanto mais novidades não chegam, você confere quatro novos títulos da editora que já estão nas prateleiras:

O Azul e o Mar – Eduardo de Campos Valadares selecionou poemas de três fases de Paul Valéry – Charmes, Clássicos e o longo poema “A Jovem Parca” – para compor este volume, chamado O Azul e o Mar, uma coedição com a Editora UFMG. Um trabalho de tradução que, segundo o tradutor, foi uma “festa da imaginação”, expressão que cria eco na “festa do intelecto” que, segundo o poeta francês, deve ser o poema.

Leia um trecho:

O SILFO

Nem visto nem quisto

Eu sou o perfume

Breu e vagalume

De vento me visto!

Nem visto nem quisto

Genial ou acaso?

Enfim me conquisto

Encerrado o caso!

Nem ler nem reter?

Mais lúcido ser

Mais promessas falsas!

Nem visto nem quisto

Eis o nu que avisto

Entre duas calças!

Eugênio Onêguin – Romance em versos, escrito por Aleksandr Púchkin ganhou tradução de Elena Vássina e Alípio Correia de Franca Neto, com consultoria de Bóris Schnaiderman. A história do aristocrata entediado, que relaciona ficção e vida real, tornou-se um clássico da literatura russa, influenciando autores como Gógol, Dostoiévski, Tolstói e Tchekhov.

Leia um trecho:

III

Tendo servido com honra e garbo,

O pai só emprestava dinheiro,

Dava três bailes no ano e ao cabo

Torrou seu patrimônio inteiro.

A sorte guarda Eugênio Onêguin:

Para Madame foi entregue,

Então Monsieur a substituiu.

Infante inquieto, mas gentil.

Monsieur lAbbe, pobre francês,

Pra não afadigar a criança,

Em tudo a instruía com folgança,

Sem regras chatas, sisudez;

Birras causavam sua revolta

E a guiava ao Lietni Sad pra volta.

Entreatos – Marcelo Castel Cid, autor de Os Unicórnios e organizador da Antologia Fantástica da Literatura Antiga volta a fazer ficção flertando com a literatura fantástica. Desta vez, o resultado é Entreatos, um livro constituído por monólogos  inventados para personagens bíblicas que marcam presença no Livro dos Atos dos Apóstolos. “Eu escrevi meus relatos com o livros dos Atos sempre à minha frente, mas não só. Li outros livros de história bíblica e cultural, além, é claro, de misturar várias narrativas numa só”, afirma o autor. 

Leia um trecho:

Queres que eu repita minha doutrina? Seria tarefa difícil, pois que eu falava segundo a inspiração do momento, mesclando num único fôlego as proezas do  demiurgo ou dos anjos, as dinastias de emanações do verdadeiro Criador, passagens de Homero e de Heráclito, o obscuro, do Trismegisto, de nossos profetas. Como resultado dessa loucura com método, numa parte da terra honravam-me como o Filho de Deus, noutra como o Espírito Santo, noutra como a própria divindade feita homem. A Helena, porém, chamavam aqui Minerva ou Sofia, ali Eva primeva, acolá a Ovelha Desgarrada, aquela cuja alma por milênios tem vagado entre Potências.

Os Índios na Constituição – Pouco mais de 30 anos depois da promulgação da Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã – a primeira na História da República na qual os povos indígenas passaram a contar com um capítulo específico e tiveram seus direitos também foram reconhecidos –, o volume organizado por Camila Loureiro Dias e Artionka Capiberibe reúne depoimentos de pessoas que exerceram papéis importantes na definição dos direitos indígenas na Constituição e de alguns dos atuais protagonistas na luta pela sua manutenção face às diversas ações contemporâneas que visam a reduzi-los.

Leia um trecho:

Na década de 1970, o Plano de Integração da Amazônia é proclamado pelo governo; um plano de estradas, hidrelétricas, minérios – época em que se começa Carajás. O Programa Grande Carajás só aparece em 1980, mas já se começa a mineração do que será Carajás – e, para isso, constrói-se a Hidrelétrica de Tucuruí para fornecer eletricidade, estradas, enfim, tudo isso é feito depois de 1970 e nesse contexto. Evidente que esses interesses estavam presentes na Constituinte. E tivemos que engolir. Sobre o porquê de a gente ter tido que engolir tanto, vou mencionar em grandes linhas. José Carlos Sabóia vai falar das várias etapas da Constituição e dos arranjos que foram feitos.

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