Fonte: Hoje em Dia (MG)
Clarissa Carvalhaes
José Antônio Bicalho
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“As coisas se transformaram, mas o homem continua vendo o mundo pela fresta de uma caverna”
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Quando publicou o livro “Poeta Poente”, em 2010, Affonso Ávila estava triste. A morte recente da esposa com quem fora casado por décadas fez o poeta recolher-se em pranto e pessimismo, carregar-se de arrependimento e nostalgia. Dois anos se passaram e, ainda que a saudade permaneça, o escritor confessa: “Cansei de ser triste”. Desde então, passou a dedicar-se a “Égloga da maçã”, obra que acaba de lançar pela Ateliê editorial (80 páginas, R$35). E como quando se trata de Affonso Ávila o que se espera é sempre o novo, desta vez não poderia ser diferente. “Égloga” e uma poema, único.

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Entrevista Affonso Avila

Camila Pitanga

Renato Tardivo

A literatura brasileira já nos apresentou muitas mulheres fortes e misteriosas. Os “olhos de ressaca” de Capitu que o digam. Mais recentemente, Ana, de Lavoura Arcaica (1975), romance de Raduan Nassar, é outro exemplo. Mas não parou aí.

Na última década, para citar apenas algumas, surgiram Matilde (de Leite Derramado, de Chico Buarque), Beatriz (de Um Erro Emocional, de Cristovão Tezza), Dinaura (de Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum).

Lavínia, do livro Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, romance de Marçal Aquino, também faz parte desse time. E, no corpo de Camila Pitanga, é um dos pontos altos do filme de Beto Brant e Renato Ciasca, a partir do livro de Aquino.

A história, que tem o mesmo título do livro, se passa na região Norte do país, em uma pequena cidade. As três personagens principais, além de Lavínia, o fotógrafo aventureiro Cauby (Gustavo Machado), narrador-personagem do romance, e o pastor Ernani (Zécarlos Machado) foram parar ali fortuitamente.

Lavínia, esposa de Ernani, prostituía-se na cidade grande quando este a “salvou”. O pastor, funcionário público aposentado (e viúvo), é transferido para a igreja do vilarejo. Cauby lá estava, fazendo “bicos” com fotografia.

Nessa cidade sem nome, o destino dos três se atrai e se repele. A geometria espacial nos diz que três pontos formam um – e apenas um – plano. Não por acaso a imagem de três pontos é comumente associada a equilíbrio. Ocorre que, pelo mesmo motivo, quando os três pontos se desencontram, o estrago é irremediável. Triângulos amorosos – a referência a Édipo é inevitável – são evidências disso.

É uma triangulação desse tipo que movimenta a trama. Se é forte o que mantém Lavínia e Ernani (re)ligados (culpa, castigo, proteção, lealdade), é também intenso o que a mantém ligada a Cauby – se tivéssemos de condensar em uma só palavra: olhar.

A busca pelo novo, o interesse pelos contornos (ambos gostam de fotografia), a hesitação entre realidade e alucinação, enfim, são elementos trabalhados no olhar dessas duas personagens: aquele que fotografa e a fotografada. É linda, diga-se, a atuação de Camila Pitanga, que doa o corpo à Lavínia.

A câmera é ora muito próxima ora mais aberta. A proximidade, como nas cenas de relações sexuais, é emblema do mergulho – a partir do olhar – nos corpos. Os planos abertos nos lembram de que se trata de seres-em-situação, isto é, tais mergulhos ocorrem numa dimensão de espaço-e-tempo. Não são raros os planos inclinados, tortos, lembrando-nos de que olhamos a partir de um lugar. Mas qual?

No caso do filme, não sabemos objetivamente de que dimensão se trata, mas há uma série de elementos (a corrupção e exploração em torno do desmatamento, por exemplo) em nome dessa dimensão. Do ponto de vista das personagens principais, talvez possamos chamar essa dimensão de exílio. Esse “exílio encarnado” – o cenário é mais uma personagem –, presente no texto de Marçal Aquino e, por extensão, nos olhares de Cauby e Lavínia, é muito bem construído pela excelente fotografia de Lula Araújo – junto com Camila Pitanga, o outro ponto alto do filme.

O enredo conta ainda com o jornalista Viktor, que encarna de forma limite o que temos de melhor e de pior e que, justamente por isso, tanto tem a dizer e tantas vezes fala demais. O próprio sucumbe às mensagens que deixa.

O futuro do pretérito, tempo verbal da frase-título, é assim: quem fica, persiste nas marcas – como o exílio de “lindos lábios”, os contornos de um corpo frágil, ou como se um raio tivesse nos abatido. Aquilo que Cauby, na última frase do livro, chama de “amor”; e que os olhos de Lavínia, no último plano do filme, também.

Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Escritor, mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte, psicanalista. Autor do livro de contos Do Avesso (Com-Arte) e de Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê Editorial/Fapesp).

Fonte: Agenda Samba & Choro

Julia Engler

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Noel Rosa – O Humor na Canção, de Mayra PintoNoel Rosa compôs quase trezentas canções entre seus 20 e 26 anos. Apenas seis anos de produção foram suficientes para que o jovem sambista estabelecesse um novo paradigma na história da canção popular brasileira. Por isso, setenta e cinco anos depois de sua prematura morte, Noel continua sendo um fecundo objeto de estudo para pesquisadores interessados em compreender a música popular brasileira.

A pesquisadora e professora Mayra Pinto, lança Noel Rosa: O Humor na Canção (Ateliê Editorial/FAPESP) terça-feira, dia 8 de maio, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915, em São Paulo.

No livro, Mayra Pinto investiga o uso do humor na construção de um olhar crítico sobre uma sociedade desigual que passava por um período de profundas transformações, principalmente no que se refere à identidade nacional.

Em entrevista dada à Agenda Samba & Choro, a autora conta um pouco de suas descobertas pelo universo do Poeta da Vila.

Em seu livro, você fala do estabelecimento de um novo paradigma na música popular brasileira a partir da obra de Noel Rosa. Que novo paradigma é esse?

Junto com compositores contemporâneos, Noel criou um formato de canção que permanece até hoje – um estribilho, várias estrofes, determinado tempo de duração, a estrutura musical do samba etc. Quanto à singularidade de sua obra, o paradigma propriamente dito foi criado pela voz que Noel imprimiu em suas composições. É basicamente a voz de um sujeito desprovido de força social, em todos os sentidos, porque é o sujeito do samba, o artista popular não valorizado que, com sua conduta boêmia, festiva, e, sobretudo, crítica no caso de Noel, confronta os valores dominantes ora de um modo debochado, satírico, ora de uma forma irônica, mais agressiva, com um tom menor de amargura. Essa voz não existia na canção antes de Noel.

Você observa que o humor funciona como disfarce nos sambas de Noel. Disfarce do quê?

A ironia está em muitas canções, e não só na poesia da letra. Há ironia na interpretação, nos arranjos, no próprio fato de Noel ter gravado muitos de seus sambas com sua voz “pequena”, que favorecia certos timbres mais sinuosos e ambíguos. Pra mim, na obra dele, a ironia tem a função de marcar essa ambiguidade, de possibilitá-la. O efeito é que em Noel o sujeito que se coloca em confronto – não só com os valores dominantes do trabalho, da moral, mas também do próprio universo do samba em várias canções – pode não ser alvo de sanções em consequência de sua atitude crítica, dado que seu tom é de “brincadeira”, é o humor aí “disfarçando” a agressividade da crítica – entramos aqui na sua próxima pergunta. O humor funciona como disfarce porque historicamente é visto como um discurso “desvalorizado” – o exemplo dos bobos da corte, que podiam criticar inclusive o rei, é ótimo para ilustrar esse lugar secundário do discurso de humor na história; ao bobo era permitido dizer qualquer coisa, até mesmo a verdade mais dura, porque afinal ele era só um “bobo”, isto é, “ninguém” com voz de poder real na sociedade. O humor só passa a ser valorizado na arte, e só na arte até agora, no século XX. Valorizado como? Como um discurso que também dá conta de arquitetar reflexões profundas – lembre-se das vanguardas europeias que foram em boa medida inspiradoras do nosso modernismo, atravessado pelas categorias do humor. Nesse sentido, Noel estava em sintonia com o que de mais moderno estava sendo produzido no sofisticado mundo da cultura erudita nacional e internacional.

De que forma se constrói nessa época a poética própria do samba? Como Noel participa desse processo?

A poética do samba é construída por todos os grandes contemporâneos de Noel: os sambistas do Estácio – com Ismael Silva à frente -, com os compositores e cantores brancos como Francisco Alves, Braguinha, Mário Reis, Lamartine Babo, dentre tantos outros. Há uma confluência incrível de influências vindas das mais diversas fontes para consagrar essa poética tal como existe até hoje. Por exemplo, segundo depoimento de Ismael Silva, o ritmo do samba criado pelo grupo do Estácio, menos sincopado que o anterior – feito por Sinhô, João da Baiana e outros – foi consequência da necessidade de permitir dançar e ao mesmo tempo andar nas ruas durante o carnaval. Noel participa intensamente contribuindo para construir essa poética, bem como para cristalizá-la, sobretudo, no que concerne à articulação das linguagens: o tom coloquial das letras/interpretação, marca da época, é manejado por Noel com tremenda segurança na articulação com a melodia.

Você diz que o olhar crítico do poeta só se desarma diante do universo do samba. O que esse universo representa na obra do Noel?

O universo do samba representa o lugar em que o artista popular pode ser, pode se expressar, pode refletir sobre o mundo e, sobretudo, pode ser reconhecido em sua originalidade. Veja o refrão do lindo samba “O X do problema”, gravado por Araci de Almeida: “Eu sou diretora da escola do Estácio de Sá/E felicidade maior neste mundo não há./Já fui convidada/Para ser estrela de nosso cinema/Ser estrela é bem fácil/Sair do Estácio é que é/O X do problema”. É o reconhecimento de sua trajetória como sambista que importa; e o bacana é que Noel, contrariamente à maioria de suas canções, cria um eu lírico feminino pra falar dessa adesão incondicional ao samba. Por que ele enaltece isso? Um dos motivos, dentre tantos, é porque, à época, o universo da cultura popular era desvalorizado socialmente, era visto pelas elites como um lugar desprestigiado; mais ainda o universo do samba, “coisa de gentinha”, como está registrado no excelente Noel Rosa: uma biografia, de Máximo e Didier. Então, coerente com sua voz de confronto, marca discursiva de sua obra, Noel elege o universo do samba como um lugar só de positividade.

Na sua opinião, qual o principal legado deixado pela obra de Noel Rosa?

A obra do Noel é uma matriz de onde parte uma linhagem na nossa canção popular urbana. E uma matriz genial porque imprimiu, desde o começo da produção da canção, uma sofisticação discursiva que só podia se manter depois dele em um tom maior – vide todos os brilhantes compositores brasileiros que vieram depois de Noel e, certamente, foram inspirados e influenciados por sua obra.

Noite de autógrafos com a aultora
Dia 08 de maio, terça-feira, das 18h30 às 21h30
Livraria da Vila (piso superior)
Rua Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros – São Paulo/SP

Lançamento: Noel Rosa - O Humor na Canção

Clique para ampliar o convite

Livro faz uma análise da obra de Noel Rosa e mostra como o compositor articulava a coloquialidade da língua falada, a oralidade e a musicalidade, e ainda destaca o humor nas suas canções

Noel Rosa é um dos nomes mais importantes da famosa Época de Ouro da canção brasileira, que vai de 1930 a 1945, e autor de uma obra considerada como para- digma da canção popular urbana no Brasil tal como é conhecida até hoje. Produziu mais de trezentas canções em apenas sete anos mostrando uma voz que fala sobre o universo social da pobreza, pouco retratado até então na canção popular urbana, muito menos sob um viés crítico. Seus traços inovadores são a sofisticação poética – arquitetando uma sintonia perfeita entre o discurso verbal e o musical – e a criação de uma voz discursiva cuja marca mais evidente é a confrontação com os valores dominantes, que não admitia os valores do mundo do artista popular e do samba.

Para a autora, “Noel Rosa mostrou, junto com Drummond, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, e outros, que o discurso coloquial não está fora da grande poesia. Ao contrário, juntamente com os escritores modernistas, que inauguraram um novo tempo na literatura brasileira, Noel mostrou que o dis- curso coloquial, próprio do português falado no Brasil, poderia ser substância poética de primeira grandeza”.

O modo como Noel Rosa criou uma obra de alta voltagem poética, articulando a coloquialidade da língua falada à musicalidade, é tratado com acuidade por Mayra Pinto. Na análise de suas canções, Mayra mostra como o tom coloquial, próprio de samba, se apoia em estrofes construídas com base em paralelismos poéticos, entoativos e rítmico-musicais – a única alteração nessa “fórmula” está na letra, que a cada estrofe descreve com mais detalhes a situação do locutor. Este livro é uma contribuição original ao estudo da obra de Noel Rosa e, ao mesmo tempo, à canção brasileira e sua dignidade cultural.

Mayra Pinto é Doutora pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Participou da edição de diversos livros didáticos.

Acesse o livro na Loja Virtual

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Refluxos - Edson Valente
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Que espécie de monstrengo seria aquele?
Sim, o fogo de seus olhos nas noites de ódio intenso. E a maquinação cinzenta do revolver de minhas memórias impublicáveis. O ranger dos últimos copos de cristal de um dia de festa já
sepultado.
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E o choro, a bocarra? Minhas súplicas de volta para um ponto obscuro? Como quando se pega a estrada errada, inúmeras vezes, numa encruzilhada, retorna-se ao princípio e, embora sabendo qual dos caminhos deveria ser evitado, escolhe-se novamente o
mesmo.
Ou seus gritos de pavor ante meus braços retesados sem consolo? O bebê sou eu? Estou num balde ou numa privada, em vez de acolhido em sua manjedoura? Tenho membros destroçados em vez de acalanto?
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A cabeça está deformada. Guarda traumatismos, as linhas de raciocínio abriram fendas e fugiram como rios caudalosos.
De quem são essas mãozinhas?
As garras insidiosas da mãe, uma carícia como preâmbulo para o sufocamento.
E o narizinho?
Ah, claro, as grutas escamosas do papai, que farejam a solidão como um cachorro de boas intenções para, aos poucos, erguer seu templo da salvação e, então, sugar até a última gota.
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Um câncer que se formou no exato momento da concepção. Quando as duas primeiras células se uniram em equívoco, um daqueles brinquedos em que a peça verde quadrada se encaixou no buraco redondo vermelho. O resultado era previsível, não?
O casamento da violência e de um vazio abominável. Os girinos de bom-senso não correram, ao contrário, fizeram como no exército, quando se recruta para uma tarefa inglória e os espertos dão um passo para trás. Abriram caminho para um débil em propósitos. E as reentrâncias do óvulo encontravam-se fragilizadas demais para recusá-lo.
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No ultrassom, o prenúncio. Havia vísceras de dragão e o coração não batia.
Gravamos em DVD assim mesmo, uma justificativa para as famílias.
E a avidez delas as cegou para a aberração. Enxergaram sorrisos – que fingimos tão bem. Prepararam pratos sofisticados que esvaziamos sob a mesa sem deixar vestígio.
Escondido pelas toalhas, um engalfinhar sangrento.
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O que virá não será menos catastrófico.
Na lembrancinha pendurada na porta da maternidade, a marca do cordeiro. Uma data simbólica e os olhos de boneca quebrada prontos para o abismo, resta saber quem empurrará o corpo, qual de nós dois.
E, considerando-se um cordão umbilical de três pontas nesse sistema, há de se temer o efeito do alpinista que desaba e leva consigo os outros, encosta abaixo.
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Edson Valente
Conto do livro Refluxos
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Pesquisa Público - Blog
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Participe da nossa pesquisa e ganhe um cupom de 30% de desconto para comprar seu livro preferido da Ateliê na Loja Virtual. Também sortearemos um exemplar da Divina Comédia entre os participantes da pesquisa, que leva menos de 5 minutos para ser respondida.
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Estamos há 15 anos lançando títulos no mercado editorial e aprendendo com as mudanças e avanços tecnológicos. No mundo virtual temos apenas 5 anos de idade. Nesses anos pudemos conviver mais de perto com nossos leitores, uma relação rica para ambas as partes, mas que exige constante interação para continuar viva.
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Nós utilizamos as redes também para discutirmos assuntos relevantes e aproximarmos os leitores dos livros, autores e editores. É notável a característica dos nossos leitores em discutir de maneira crítica os assuntos importantes que nos cercam, e em buscar na leitura saciar o desejo pelo conhecimento, sem falar do gosto apurado para livros com projeto gráfico, impressão e acabamento de qualidade. Muitos também apreciam a literatura em suas diferentes expressões – contos, mini-contos, poesia, romance, novela, ficção, suspense, comédia – seja ela feita por autores veteranos ou novatos. Continuaremos cumprindo nosso papel de difundir conteúdo, em seus diferentes formatos e suportes, e contamos com sua ajuda para fazê-lo da melhor maneira possível.
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Foi por isso que decidimos elaborar um questionário simples, que pode ser respondido em poucos minutos, mas de extrema importância para entedermos melhor você, leitor que nos acompanha. Como agradecimento pelo tempo investido, cada participante receberá um cupom de 30% desconto e concorrerá a um exemplar da nossa edição bilíngue da Divina Comédia, escrita por Dante Alighieri, traduzida por João Trentino Ziller e com ilustrações de Sandro Botticelli. O sorteio acontecerá no dia 25 de maio de 2012 e o cupom terá validade de 6 meses.
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Agradecemos a todos pela atenção!
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Divina Comédia

Após sucesso com a crítica e o público a primeira edição da Divina Comédia, de Dante Alighieri, está novamente em estoque e disponível para compras na Loja Virtual. A co-edição  bilíngue da Divina Comédia (Ateliê/Unicamp) traz ao leitor brasileiro a tradução de João Trentino Ziller, ilustrações inéditas de Sandro Botticelli, perdidas durante séculos e identificadas na década de 1980, e notas de leitura do professor e crítico João Adolfo Hansen.

Divina ComédiaDivina Comédia, de Dante Alighieri (1265-1321), é uma das obras-primas mais importantes da literatura mundial, conhecida e estudada há séculos. Composto por 14.233 versos, o poema está dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. O poeta narra sua visita aos três reinos supraterrestres, que o conduzirá à visão da Trindade. Dante realiza um inventário de crimes e méritos dos homens, um painel moral que oferece uma visão teológica e dramática da condição humana.

Durante o périplo, Dante encontra personagens célebres de seu tempo e do passado, cujo castigo, penitência ou beatitude dependem dos atos que cometeram na Terra. O poeta romano Virgílio, alegoria da razão humana, é o guia de Dante no Inferno e no Purgatório. Beatriz, a mulher amada por Dante desde a infância, é alegoria da teologia. É ela que o acompanha à contemplação última de Deus. Escrita entre 1307 e 1321, Divina Comédia tem características da literatura e do estilo medieval, mas também é profundamente inovadora, pois oferece uma representação ampla e dramática da realidade.

Escrito em versos hendecassílabos com terça-rima, o poema é um desafio para tradutores. A tradução do erudito João Trentino Ziller – italiano radicado no Brasil – é considerada por especialistas como a melhor já realizada para o português. O trabalho de Ziller, que consumiu 25 anos, respeita a estrutura rítmica e poética do original, preservando os hendecassílados e as terças-rimas. O volume traz notas de leitura do professor e crítico literário João Adolfo Hansen e um texto de João Ziller sobre Dante.

Ilustrações de Sandro Botticelli e projeto gráfico: Considerado como um dos expoentes da Arte Renascentista, o florentino Sandro Botticelli (1445-1510) começou a ilustrar a Divina Comédia em 1490. Os 102 desenhos que realizou emulam com perfeição a poesia de Dante, assim como o próprio projeto gráfico da edição renascentista, que serviu de base a esta edição. Única em seu gênero, a edição renascentista era aberta horizontalmente, contendo um canto completo por página, seguido de uma página com uma imagem que lhe corresponde. Esta edição conserva a orientação dos desenhos e dos textos nas páginas, fazendo com que o livro seja lido verticalmente, de cima para baixo. Assim, a cada virar de página, o leitor faz uma jornada descendente ao interior do livro, acompanhando literalmente a progressão de Dante em sua descida ao Inferno. Entretanto, na travessia do Inferno para o Purgatório, surge um impasse. Se ao longo do Inferno a leitura se dá em uma linha descendente, ao pas- sar para o Purgatório o leitor inicia um movimento de ascensão em direção ao Paraíso. Completa o volume o ensaio Ver a Comédia de Botticelli, de Henrique Piccinato Xavier, designer do livro.

Renato Tardivo

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Tempos da Fotografia - Boris KossoyOs Tempos da Fotografia – O Efêmero e o Perpétuo é o terceiro livro da série de Boris Kossoy (fotógrafo, professor e pesquisador) sobre a teoria da fotografia. Fotografia & História e Realidades e Ficções na Trama Fotográfica são os outros títulos. O livro, que recebe um belo prefácio de Cremilda Medina, divide-se em “Introdução” e três seções: “Teoria e Metodologia: Conceitos, Proposições, Abordagens”; “Imprensa e História”; “Imaginário e Memória”. Cada uma das seções contém mais de um capítulo. Os textos, à exceção do último – “Castelos de Cartas, Castelos de Areia” –, foram reformulados e ampliados a partir de conferências, aulas magnas, artigos etc.

O capítulo inicial apresenta um vasto apanhado de conceitos e reflexões metodológicas que nortearam a “produção teórica e histórica em torno da imagem fotográfica” por parte do autor. Entre outras importantes questões, Kossoy nos alerta para a necessidade de que se “compreenda o papel cultural da fotografia: o seu poderio de informação e desinformação, sua capacidade de emocionar e transformar, de denunciar e manipular”. A fotografia é, portanto, um objeto cultural, que “desvenda fatos” os quais “não se mostram” e desperta um “passado desaparecido”.

Na segunda seção, “Imprensa e História”, o autor traz a importante reflexão acerca do potencial ideológico que envolve as imagens, seja ao consagrar determinados fotógrafos (habilidosos ou não), seja ao “constituírem instrumento de manipulação política e ideológica”. Afinal, mesmo “pensada enquanto testemunho ‘documental’”, a imagem é “inevitavelmente fruto de um processo de criação”, que parte, por sua vez, de um ponto de vista.

A seção 3, “Imaginário e Memória”, talvez seja a mais interessante do livro, uma vez que reúne os aspectos teórico-conceituais da primeira seção e os elementos da crítica ideológica contidos na segunda. “Fotografia é memória [...] É o assunto ilusoriamente re-tirado de seu contexto espacial e temporal, codificado em forma de imagem”. E, conquanto não seja o foco principal da reflexão do autor, Kossoy inclui, como não poderia deixar de ser, uma discussão acerca da tendência à “saturação” que os meios eletrônicos, nos últimos anos, implicam na apreciação das imagens.

Finalmente, é inspiradora a analogia entre a câmara fotográfica e a máquina do tempo: “Com a fotografia, descobriu-se que, embora ausente, o objeto poderia ser (re)apresentado, eternamente”. Esse embate entre “o efêmero e o perpétuo”, já presente no subtítulo da obra, faz lembrar as concepções acerca da temporalidade do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, em sua Fenomenologia da Percepção, para quem o presente, esse instante sempre fugidio, é o embate entre passado e futuro. E, nessa direção, podemos nos remeter também às proposições de Roland Barthes em A Câmara Clara, livro-depoimento no qual o autor afirma que a fotografia provoca um sentimento doloroso e enigmático por ser “imagem viva de uma coisa morta”, um “isso foi”.

Os Tempos da Fotografia é leitura indispensável àqueles que se dedicam à pesquisa fotográfica, mas servirá também a quem vislumbra nessa linguagem uma forma de expressão que, como escreveu Barthes, tem a potência de revelar “o que já não é”.

Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Coleção Azul

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Sociologia da Leitura

Monique Segré, Chantal Horellou-Lafarge
A sociologia da leitura é um importante campo de reflexão sobre esta prática social e experimentou grande desenvolvimento nos últimos quarenta anos, especialmente na França. Entretanto, ela ainda é pouco estudada no Brasil. A publicação deste trabalho procura lançar bases para que a discussão sobre a prática da leitura ganhe cada vez mais corpo também em nosso país. A presente obra oferece uma perspectiva panorâmica do tema, mais descritiva do que teórica, insistindo no fato de que a palavra escrita continua ocupando lugar central na sociedade contemporânea – que, por sua vez, se caracteriza, entretanto, pela onipresença da imagem e pelo mundo virtual.
R$ 35 | 14 x 21 cm | 160 páginas

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Comunicação e IdentificaçãoComunicação e Identificação – Ressonâncias no Jornalismo

Mayra Rodrigues Gomes

Este livro toma o jornalismo como referência para investigar a constituição imaginária, discursiva, das relações humanas. A autora faz essa reflexão sob um duplo ponto de vista: o individual, ou seja, das representações sociais, e o grupal, das associações entre essas representações. Retomando a contribuição de teóricos como Derrida, Deleuze e Foucault, Comunicação e Identificação questiona de que modo as identificações se consolidam e as subjetividades se constroem..

R$ 37 | 14 x 21 cm | 200 páginas

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Fetichismos VisuaisFetichismos Visuais – Corpos Erópticos e Metrópole Comunicacional

Massimo Canevacci

O antropólogo italiano Massimo Canevacci rediscute o conceito marxiano de Fetisch para compreender as contradições da cidade contemporânea. A alteração das relações entre seres humanos e mercadorias envolve fetichismos visuais disseminados, sobretudo, pela tecnologia digital. Esse novo estilo de vida mistura publicidade, moda, música, arte e design – não mais mercadorias clássicas. Isso exige, então, uma “metodologia estupefata”, polifônica, que dê conta das mutações na metrópole comunicacional.

R$ 45 | 14 x 21 cm | 336 páginas

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+ livros da Coleção azul

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Ronaldo Bressane | Revista Vida Simples

O que faz de um clássico um clássico? Por que ler clássicos em vez de contemporâneos? Existem “novos clássicos” por serem descobertos?

Clássico é clássico

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