Morte e silêncio conduzem personagens em “Silêncios no Escuro”

Por: Renata de Albuquerque

O primeiro livro que Maria Viana escreveu para adultos quase chegou à maioridade antes de seu publicado. Passaram-se 17 anos desde que a autora mineira – que escreve livros infantis e didáticos e organizou diversas antologias – escreveu o conto que dá título ao volume. A autora relata que só se deu conta de que a morte e o silêncio são os fios condutores de todos os contos do livro Silêncios no Escuro depois de tê-los reunidos. Personagens que não falam habitam histórias que os levam de um extremo a outro (morte e vida; tristeza e alegria), costuradas por uma narrativa escrita por alguém que se define como uma leitora voraz que gosta de “contar histórias”. A seguir, Maria Viana fala sobre seu mais recente lançamento:

 

Maria Viana fotografada por Laura Campanér

Maria Viana fotografada por Laura Campanér

Este é seu primeiro livro de ficção adulta. O que a levou a escrevê-lo?

Maria Viana: Acho que o que me levou a escrevê-lo foi o desejo de contar algumas histórias que de alguma maneira estavam esperando o momento certo para tomar forma de palavra escrita, já que povoavam meu imaginário e minha memória há muito tempo. Nessas narrativas quis dar vazão para os meus silêncios e os silêncios das personagens, que queriam sussurrar algo por meio da minha escrita.

Como o livro foi escrito?

MV: Sou uma colecionadora de cadernos e cadernetas. Sempre que tenho uma ideia ou uma lembrança me vem à mente, anoto. Como trabalhava, e ainda trabalho, muitas horas como editora ou escrevendo livros teóricos e didáticos, quando me sobra tempo para a ficção desenvolvo essas ideias salpicadas nas anotações. Por isso, essa coletânea foi escrita assim, nas horas que sobravam e ao longo dos anos. Mas há fios conduzindo tudo, como disse, a morte e o silêncio. A presença do pai também é recorrente em toda a obra. Na verdade, o primeiro e o último conto foram estrategicamente posicionados. No primeiro, moveu-me o desejo de retratar a dor de um pai que perdeu muitos filhos antes de ver um deles realmente sobreviver. O último fala também da morte, mas do ponto de vista da criança que presenciou a morte do pai. Deixei de fora alguns contos que tratavam de temas que acontecem no espaço urbano, acho que esse espaço rural, em um tempo indefinido, também dá certa unidade à antologia.

Alguns contos foram reescritos muitas vezes, é o caso de “Silêncios no escuro”, por exemplo. Outros surgiram de histórias que ouvi na infância. Caso da narrativa “A santa que fugiu do altar”. Na verdade, minha avó falou-me desse retrato da menina-santa que circulava pela cidade. Esse foi o mote para a criação da história, mas só esse aspecto da narrativa oral está lá. O resto é invencionice. Esse conto escrevi em uma noite e não mexi em nada, só mudei o título, que foi publicado em uma revista eletrônica como “Santa Manuelinha”.

Capa Silencios no escuro

 

Em termos do processo de criação, qual a diferença entre escrever um livro para crianças e um livro para adultos?

MV: Para mim, escrever para crianças é ainda mais difícil do que para adultos, pois é preciso escrever tendo em vista um destinatário que tem um poder de imaginação enorme, não se pode subestimar isso ao escrever uma história para crianças, no entanto, também é preciso estar atento ao vocabulário, à linguagem. Então, não vejo muita diferença. O trabalho com a linguagem e a depuração do estilo é um desafio sempre, quando se escreve tanto para a criança como para o adulto.

Quais são suas maiores influências literárias?

MV: O fato de ter sido leitora de biblioteca pública desde menina fez com que eu lesse tudo o que me caía nas mãos com muita voracidade e sem critério de escolha muito apurado. Os clássicos da literatura brasileira comecei a ler na adolescência; na juventude tive a sorte de ter uma biblioteca de clássicos de dramaturgia à minha disposição, na escola de teatro onde estudei. Isso foi uma descoberta! Foi quando li pela primeira vez Racine, Molière, Shakespeare e as tragédias gregas. Depois, veio a formação em Letras e o mergulho na literatura francesa. Ainda sou uma leitora e (re) leitora de clássicos e tento, na medida do possível, acompanhar a produção contemporânea, sobretudo dos escritores de expressão portuguesa dos países africanos, mas não saberia dizer se um ou outro escritor influenciou ou influenciará minha produção literária. Claro que ser uma leitora de literatura desde a juventude faz de minha uma boa produtora textual, mas nem eu sei se o que escrevi realmente é literatura ou não, acho que os leitores darão mais conta disso do que eu…

Quais são os temas recorrentes do livro e por que desta escolha?

MV: Depois que fechei o volume me dei conta de que há um fio que percorre toda a obra, a morte e o silêncio, mas isso não foi intencional. Uma amiga que leu alguns contos antes da publicação, chegou a observar que achava estranho uma pessoa que teve uma formação em teatro, como foi o caso da minha, escrever histórias em que as personagens não falam. Essa observação me fez pensar que esse é mesmo um livro de silêncios. Então, este talvez seja o tema central.

Na apresentação da obra, Edy Lima escreve que você faz uma “reinvenção do Realismo”. De que maneira você entende e interpreta essa afirmação?

MV: Estes contos só foram publicados porque a Edy Lima leu os originais e me estimulou a enviá-los para uma editora. Sempre que eu ia visitá-la, ela me perguntava se já tinha enviado para alguém. Não podia mentir, dizendo que já havia enviado sem fazê-lo, é claro. Então, um dia criei coragem, coloquei em um envelope e mandei pelo correio para o Plínio Martins. Portanto, seria natural que a Edy Lima, de quem fui leitora na infância, escrevesse a apresentação desse livro, que realmente não teria saído da gaveta se não fosse por insistência dela. E não veja nisso nenhuma falsa modéstia. Creio que ao escrever isso ela quis aproximar os contos da minha linha de pesquisa à época, já que ela leu também minha dissertação de mestrado, que é sobre a obra O Coruja, do Aluísio Azevedo. Não acho que estou reinventando nada. Só estou contando histórias, que é o que gosto de fazer quando escrevo, faço leituras dramáticas como atriz ou interpreto um samba, pois todo bom samba tem que contar uma história. Mas a Edy Lima tem licença poética para escrever o que quiser.

É sua estreia como escritora de contos. Era um desejo antigo ou a vida lhe levou para esse caminho, naturalmente? O que você destaca dessa nova experiência?

MV: Sou uma estudiosa de romances do século XIX, mas uma apreciadora das narrativas curtas. Sempre admirei a capacidade de alguns escritores que dão conta de uma existência em poucas linhas. Organizei vários livros de contos para diferentes editoras e cheguei a traduzir um livro de contos do Guy de Maupassant. Essas experiências fizeram-me perceber que escrever contos é muito desafiador, por que é preciso cortar os excessos, não há espaço para descrições e digressões, próprias do romance. Creio que quis cometer essa ousadia também, se consegui, não sei.

 

O livro será lançado em 29 de agosto de 2016

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Aventuras distantes de Palmeirim de Inglaterra

Por Renata de Albuquerque

Capa Palmeirim 1

Palmeirim de Inglaterra não é apenas uma novela de cavalaria. O texto, escrito por Francisco de Moraes, faz parte de um ciclo, o que por si só explica a importância da obra. Nesta edição que a Ateliê acaba de lançar, os pesquisadores Lênia Márcia Mongelli, Raúl Cesar Gouveia Fernandes e Fernando Maués realizaram um minucioso e primoroso trabalho, transcrevendo a partir de várias fontes para poder chegar a um resultado fidedigno, que interferisse minimamente no estilo original – um dos pontos altos da obra.

A seguir, a crítica literária, especializada em Literatura Portuguesa e professora da USP, Lênia Márcia Mongelli, fala a respeito do lançamento:

 

Das novelas portuguesas de cavalaria mais difundidas, por que a escolha por editar Palmeirim de Inglaterra?

Na formulação da pergunta já está uma parte da resposta: a novelística de cavalaria é de extração francesa e teve seu momento mais significativo nos séculos XII, XIII e XIV. É no século XVI, no entanto, que o modelo se “nacionaliza” em Portugal, através principalmente de três títulos, entre os vários ainda por editar: Crônica do Imperador Clarimundo, de João de Barros (1520);  Palmeirim de Inglaterra, de Francisco de Moraes (c. 1544) e O Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda, de Jorge Ferreira de Vasconcelos (1567). São três belas obras, solidamente incrustadas no perfil histórico-cultural do Quinhentismo português; dentre elas, porém, só o Palmeirim gerou um “ciclo”, com numerosas “continuações”, na mesma linha da Vulgata e da Pós-Vulgata medievais ou, para falarmos de um exemplar muito mais próximo, do Amadís de Gaula, de Garci Rodríguez de Montalvo (1508), com o qual o Palmeirim tem inegáveis parentescos. A natureza cíclica da obra diz de sua enorme popularidade na Península Ibérica e fora dela, o que, acrescido de suas altas qualidades estéticas, justifica nossa escolha.

Lênia Marcia Mongelli

Lênia Marcia Mongelli

Quais são as características que fazem de Palmeirim de Inglaterra um dos melhores exemplares do gênero?

Sem dúvida, no topo da lista está o estilo clássico de Francisco de Moraes, ao qual o público terá acesso graças ao trabalho impecável dos professores Raúl, Fernando e Nanci, responsáveis pela difícil e trabalhosa transcrição dos vários originais que compulsaram – modernizados apenas o mínimo suficiente para não comprometer a bela sintaxe quinhentista, que pode ser lida, por isto mesmo, no frescor de sua extraordinária natureza mais íntima.

Como seria de esperar, decorre dessa excelência linguística o domínio que Moraes tem de técnicas como a descrição ou a caracterização de personagens – sendo este outro de seus destaques: mesmo em gênero estereotipado como são as novelas de cavalaria, o autor consegue muitas vezes “humanizar” as suas personagens, fazendo-as expressar-se não raras vezes de acordo com seu estado de espírito ou sua condição social – o que a dramaturgia de Gil Vicente já vinha consolidando. Às paisagens ou aos cerimoniais cortesãos Moraes dedica soberbas páginas descritivas, num apelo visual que torna a leitura extremamente prazerosa.

Podemos encerrar o rol com a coesão do enredo, o que não é pouco em se tratando de romances de cavalarias, tantas vezes ridicularizados justamente por sua interminável extensão, desdobrada em “continuações” episódicas envolvendo filhos e até netos dos protagonistas. Moraes segue a norma, sem dúvida (ou não teríamos o gênero cavaleiresco), mas não perde de vista os cavaleiros centrais, compondo com verossimilhança a história de vida deles e daqueles que lhes são de alguma maneira filiados.

 

Na página 26, temos uma perspectiva de Mario  Vargas Llosa sobre ler livros de cavalaria no século XX. O que dizer a jovens super conectados com a internet, que buscam informações rápidas, sobre a importância desse gênero? Qual a importância de Palmeirim de Inglaterra no contexto do século XXI?

Para começo de conversa, são dois mundos distintos, o dos livros e o das “informações rápidas internéticas”, quer você leia uma obra da antiguidade clássica ou medieval divulgada online, quer do século XXI, impressa: em ambos os casos, é preciso REFLETIR sobre o que se lê e isto, é claro, demanda tempo. Aliás, os que têm o hábito da leitura crítica ou com reflexão sabem que está justamente aí o enorme prazer que tal leitura causa.

Se o leitor de hoje estiver disposto a enfrentar essa barreira da “rapidez”, reconhecerá de pronto, na armadura do passado, alguns ingredientes que fazem a delícia do cinema moderno e dos romances de aventuras de sempre: Palmeirim de Inglaterra ou seu irmão Floriano do Deserto estão na mesma linha combativa de heróis mitológicos como Hércules, Aquiles, Ulisses; românticos, como Robinson Crusoé, Robin Hood; ou de gibis/quadrinhos, como Homem Aranha, Batman, Fantasma. Todos eles lutam por grandes causas humanitárias, pelo bem coletivo, enfrentam inimigos reais ou imaginários, além de estar sempre enredados com a amada “difícil”, cuja conquista demanda um bocado de esforço.  Talvez por todo este empenho é que eles sejam tão fortes, tão íntegros, tão superiores de espírito e, consequentemente, modelares, alimentando os sonhos de perfeição de muitos de nós.  Ou seja, como toda grande obra, esta novela é inclusive útil.

 

Este romance é parte de um ciclo de “Palmeirins”. Que lugar ele ocupa neste panorama?

Num capítulo da Introdução intitulado “O Ciclo dos Palmeirins”, o leitor encontrará o quadro completo da árvore genealógica da família palmeiriniana, com comentários que situam cada obra no conjunto cíclico. Neste estema, vê-se que dois importantes títulos antecederam o Palmeirim de Inglaterra, compondo a ascendência de suas principais personagens e a linhagem delas – aspecto tão importante no universo geralmente patrilinear da ficção cavaleiresca: Palmerín de Oliva (1511) e Primaleón (1512), ambos ainda hoje de autoria incerta e com várias edições ao longo do século XVI. Um terceiro título deve ser lembrado, embora sem a mesma repercussão dos outros dois: Platir (1533), cujo protagonista é um dos filhos de Primaleão.

Assim, o Palmeirim de Inglaterra seria o quarto livro da série cíclica, embora com existência independente, como os demais. Durante muito tempo sua notoriedade deveu-se a uma acirrada polêmica em torno da autoria espanhola ou portuguesa do livro; resolvida definitivamente a questão em favor dos portugueses, ele passou a merecer atenção por ter “aportuguesado” a matéria deste ciclo, até ali de propriedade espanhola.

Palmeirim 1

Há uma descrição de costumes e indumentárias muito detalhada em Palmeirim de Inglaterra. Em que medida podemos dizer que esta é uma descrição fiel da época ou que ela teria sido influenciada por uma “fantasia” criada por outros romances cavaleirescos?

A questão coloca em causa os famosos e velhos limites entre realidade e ficção, que já desde Aristóteles ocuparam os interesses dos letrados: qual é a margem de “realismo” da ficção  ou, em outras palavras, é preciso pedir à ficção que seja “realista”? A questão – pra lá de intrincada –  continua atualíssima: basta dar uma espiada nos critérios que geralmente movem as escolas ao definir o rol das leituras indicadas aos seus alunos  ou, em outro patamar, nas querelas que alimentam tantas das discussões entre historiadores e literatos sobre conceitos de “verdade textual”.

Para não extrapolarmos da pergunta, conforme o assunto prevê, assentemos: as novelas/romances  de cavalarias parecem, à primeira vista, pura e desvairada “fantasia”, com seu vasto elenco de gigantes, de magos, feiticeiras e demônios, de animais monstruosos, de castelos assombrados e ilhas misteriosas, de poções milagrosas e juramentos impossíveis – tudo aparentemente destinado  ao lazer de cortesãos ociosos, ávidos leitores dessa espécie de livros.

Mas, como se sabe e é bom sempre recordar, o universo ficcional é simbólico, é representação, realizada com maior ou menor ênfase, com maior ou menor qualidade pelo autor, estratégia que cumpre a nós, leitores, desvendar ou decifrar. Neste caso, o pano de fundo do mundo representado – e para o qual a ficção aponta diretamente – é o Quinhentismo, principalmente ibérico, quando estão na ordem do dia vários “renascimentos” científicos/econômicos/políticos/religiosos e várias mudanças geográficas, trazidas inclusive pelo período das Navegações.  Se alguém já leu algum diário de bordo de algum navegante que esteve realmente nos mares a partir do século XV, a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, ou o Tratado das Coisas da China, de Frei Gaspar da Cruz, verá ali descrições e relatos de cenas que poderiam perfeitamente ter sido escritos pela pena “fantasiosa” de Francisco de Moraes.

E ainda: sendo o nosso novelista pessoa de estreita convivência com a nobreza, tendo a ela servido e com ela viajado, era de esperar que impregnasse seu texto, como o fez, da “realidade” que era, de fato, a sua. Se não se pode jamais falar em “descrição fiel da época”(conforme a pergunta formula), por conta dos “limites” antes referidos e que abarcam uma gama variada de implicações, deve-se, contudo, reconhecer que comportamentos humanos e relações sociais estão, sim, “realisticamente” reinventados no Palmeirim de Inglaterra. Esta é, aliás, uma das chaves do sucesso da obra.

 

A questão dos gêmeos e do duplo está presente de maneira muito profunda em Palmeirim de Inglaterra. Nos textos introdutórios que este volume apresenta, alguns outros gêmeos são aludidos, como Caim e Abel, Castor e Pólux. É possível fazer algum paralelo com Rômulo e Remo, fundadores de Roma – e, por extensão, de todo um Império que de certa maneira tem pontos de contato com as conquistas retratadas nos romances de cavalaria?

Não, porque não há qualquer espécie de rivalidade entre Palmeirim e Floriano – política, familiar ou amorosa, conforme são caracterizados os gêmeos mais notáveis da História: se Castor e Pólux são exemplos de uma fraternidade indissolúvel, não assim Caim e Abel, Rômulo e Remo ou Esaú e Jacó, para sempre cindidos por ódios, ciúmes e disputas várias, tema tão certeiramente aproveitado pelo Machado de Assis de Esaú e Jacó (1904) na retratação dos conflitos que cercaram o nascimento da República no Brasil.

Palmeirim e Floriano distinguem-se pela personalidade oposta – sóbrio, discreto, comedido e fidelíssimo amante, o primeiro; estouvado, impulsivo, irreverente e amador inconstante, o segundo, polaridade que o autor, singularmente, examina à exaustão. A dupla está muito próxima da concepção de Amadis e seu irmão Galaor, protagonistas do Amadis de Gaula, novela que, já o dissemos, é uma das importantes fontes de inspiração de Francisco de Moraes. As diferenças entre os irmãos vêm à tona ao longo das peripécias aventurosas em que ambos se metem: após complicado nascimento, são roubados por um selvagem e por ele criados até a idade de 12 anos; perdem-se um do outro e vão dar na corte dos avós, com identidade oculta; sob ela combatem duramente, sem saber que são irmãos; a cena do “reconhecimento” coroa a amizade entre os dois, bem como os felizes casamentos do epílogo. O leitor habituado ao gênero já terá depreendido aqui ecos do Persival de Chrétien de Troyes ou o comportamento dos heróis da tradição oral, folclórica, cujos parâmetros foram tão bem estudados por Mircea Eliade.

Ateliê em clima de Olimpíadas

É tempo de Jogos Olímpicos. Em todos os lugares, as vitórias, as medalhas e as conquistas fazem parte das conversas. Mas, o que isso tem a ver com livros? Tudo!

A Ateliê tem diversos títulos premiados pelas mais importantes instituições do mundo e, por causa das Olimpíadas, resolvemos reuni-los e celebrar a data com descontos campeões.

Rodrigo LacerdaO Mistério do Leão Rampante 

Para livrar-se de um feitiço que a impede de amar, uma jovem inglesa do século XVII recorre aos mais diversos tratamentos – até conhecer o poder curativo do teatro. Narrada com humor refinado, a história tem Shakespeare como um dos personagens. O Mistério do Leão Rampante foi a estreia de Rodrigo Lacerda na ficção e o primeiro livro editado pela Ateliê Editorial.

Prêmio Jabuti 1996
Prêmio Caixa Econômica/CBN de Autor Revelação 1995

 

Orlando Furioso (Jabuti Tradução 2003)orlando

““Eu não sou quem pareço””, diz Orlando, enfurecido de paixão amorosa. Sua figura tresloucada era o que sobrara do paladino cristão, exemplo de sensatez. Narrada, ou melhor, cantada pela insuperável poesia de Ludovico Ariosto, criador de um universo que fascinou Cervantes e Voltaire, Bandeira e Borges. Publicado há quase cinco séculos (1516, com edição definitiva em 1532), Orlando Furioso é contemporâneo de nosso mundo, sempre a ponto de enlouquecer por “armas e amores”. Este primeiro volume em edição bilíngue e ilustrada por Gustave Doré traz 23 dos 46 cantos desta obra-prima da literatura mundial.

Vencedor do Prêmio Jabuti de Tradução de 2003

 

Sem título-2O Filho do Crucificado 

O Filho do Crucificado contém uma novela, que dá nome ao livro, e cinco contos, reunidos sob o título ““Flores e Pele à Flor da Pele””. Em todas essas narrativas, o jornalista e escritor Nelson de Oliveira trata de um tema que assombra a humanidade desde sempre: o fim do mundo. De um intercurso sexual com Deus a um bizarro suicídio coletivo, as situações envolvem o leitor da primeira à última linha. Em 2000, este foi considerado o melhor livro de contos pela Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Prêmio APCA Melhor Livro de Contos de 2000.

 

O Altar e o Trono – Dinâmica do Poder em O Alienistaaltar e trono

O Altar & o Trono traz minucioso levantamento dos discursos artísticos e culturais de que Machado de Assis se apropriou para escrever O Alienista. Ao mesmo tempo, analisa os processos retóricos em que se articulam as matérias. Lidando com questões polêmicas no Segundo Reinado, Ivan Teixeira preserva o máximo de imparcialidade no resgate do ambiente de produção e de circulação de O Alienista. O leitor encontrará neste livro hipóteses estimulantes para uma revisão conceitual de Machado de Assis. Pela primeira vez, o artista é examinado em intrínseca relação com os signos de sua época e em sua condição de homem de imprensa: associado a grupos de poder, afeito à dinâmica dos periódicos, atento à reciprocidade dos compromissos e integrado com projetos editoriais. Consciente do princípio de mobilidade cultural, O Altar & o Trono descobre e investiga, ainda, o empenho de Machado de Assis no projeto de incorporação da elite feminina aos núcleos letrados do Segundo Reinado.

Prêmio José Ermírio de Morais da Academia Brasileira de Letras 2011
Coedição: Editora Unicamp

 

de olhonamorteDe Olho na Morte e Antes 

Conheço Fernando Fortes, que a gente chamava de Carlos Fernando, quando éramos ambos jovens, ele mais novo que eu, impetuoso e comunicativo. Já então revelava um modo próprio de fazer seus poemas, que, mais apurados, publicaria depois em vários livros.
Estes poemas de agora têm outro tom e outra feitura. Fala-nos de alguém que já viveu uma longa vida, que experimentou as alegrias e sofrimentos por que todos passamos, de uma maneira ou de outra. É esse outro Fernando que estes poemas nos mostram, alguém que sofreu um duro golpe: a perda de um filho. Alguns deles nos falam dolorosamente dessa perda, enquanto outros, ainda que versando temas diversos, trazem a marca dessa dor presente. Isso não impede, porém, que ele consiga nos comover também com os achados poéticos, nascidos do domínio do verso e da palavra, que foi sempre uma qualidade sua. Como poeta que é, realiza a alquimia que transforma a dor em alegria. –[Ferreira Gullar]
Prêmio Literário Nacional Pen Clube do Brasil 2013.

Clichês Brasileiros

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Utilizando-se apenas de imagens de um antigo catálogo brasileiro de clichês tipográficos (Catálogo de Clichês D. Salles Monteiro, publicado em edição fac-similar pela Ateliê Editorial, em 2003), Gustavo Piqueira compõe uma inusitada narrativa visual contemporânea em seu novo livro, Clichês Brasileiros.
Os clichês tipográficos eram matrizes, gravadas em madeira ou metal, utilizadas como complemento figurativo ao conteúdo textual no processo tipográfico de impressão, método dominante na produção de impressos durante quase cinco séculos.
Mas o título do livro não se deve exclusivamente às matrizes usadas para a confecção das ilustrações. A cada virada de página, topamos com outro tipo de clichês brasileiros: dos históricos, como a chegada dos portugueses, a catequização dos índios ou os ciclos do café e do ouro, até clichês do Brasil de hoje, cheio de engarrafamentos, dívidas, condomínios fechados e alienação. Todos retratados com sutil irreverência e grande riqueza gráfica.

O livro possui capa em lâmina de madeira impressa em serigrafia, fixada com fita adesiva, e tem tiragem única de mil exemplares numerados.

Prêmio Good Design Awards 2013

Prêmio If Design Awards 2013

Prêmio Lusófono da Criatividade 2014

 

 

barrocoO Esplendor do Barroco Luso-Brasileiro

O que é o Barroco? Um universo onde todos componentes se interagem atingindo variedade e unidade indivisível. Nele as diferentes disciplinas artísticas atuam de forma integrada capazes de suscitar profundas emoções no observador, mobilizando recursos cenográficos, com vistas a atingir clima triunfante ou dramático.
Na arquitetura, onde indiscriminadamente são acolhidas as demais artes, as formas adquirem linguagem própria, movimentando-se e assimilando variadas formas de expressão: colunas torsas, ornatos, formas tomadas à natureza ou a pintura ilusionística capaz de romper a limitação da cobertura e induzir o observador a ingressar nas alturas celestes.
Objetiva o presente livro, produto de circunstanciado trabalho de pesquisa, oferecer ao leitor a oportunidade de ingressar e usufruir da riqueza desse universo com suas emoções e sua capacidade de surpreender e despertar inquietações. Estudo do ambiente humano construído e seus equipamentos enquanto produção histórico-social em que se conjugam trabalho, arte e técnica.
Sem o passado, não haveria o presente e sem este, não haveria o futuro. Nós vivemos o presente em permanente mutação.  Somos testemunhas da história. Ter sido é uma condição para ser.

Prêmio Jabuti – 1º lugar na categoria Arquitetura e Urbanismo em 2013

 

Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicoscapa odisseia nos tropicos

Alguns biógrafos sugerem um Euclides herói, embora maltratado pela vida. Este livro abandona os mitos e dá destaque ao gênio sem separá-lo de suas misérias. Frederic Amory dedicou-se como poucos a entender a personalidade e as ideias do autor de Os Sertões. Para isso ele confrontou, de modo rigoroso e objetivo, as problemáticas fontes de informação sobre o escritor. Esta biografia aprofunda e esclarece aspectos da vida e da obra de Euclides da Cunha até então pouco estudados.

Prêmio Jabuti de Biografia 2010
Prêmio Euclides da Cunha da Academia Brasileira de Letras 2009

 

Aproveitamos e incluímos na lista outros títulos que também são “campeões de audiência”, que estão com descontos que valem ouro!  

“Há muita gente que ainda pensa que letra de canção é poema”

Renata de Albuquerque

 

luiz tatit 2

Luiz Tatit empunha o violão. Seja como artista solo, seja como integrante do grupo Rumo, seu sorriso leve alegra o público. Luiz Tatit empunha o giz. É professor titular do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e um dos mais importantes pesquisadores brasileiros quando o assunto é semiótica. Não por acaso, entre seus parceiros musicais estão Arrigo Barnabé e José Miguel Wisnik. Por trás da aparente simplicidade, há uma sofisticação intelectual admirável, fruto de muitos e profundos estudos.

O mais recente exemplo disso é  Estimar Canções – Estimativas Íntimas na Formação do Sentido, em que ele se propõe a “calcular” canções. A seguir, Tatit fala de seu mais novo livro em uma entrevista na qual refuta a ideia de que letras de canções são poemas:

 

De onde surgiu a ideia desse projeto?

Luiz Tatit: O projeto que resultou nesse livro é apenas a etapa mais recente dos meus estudos semióticos e de sua aplicação na linguagem da canção. Como se sabe, a semiótica é a ciência que descreve a construção do sentido nas diversas linguagens (cinema, teatro, música, artes visuais etc.) e eu sempre a apliquei na canção brasileira, mostrando que essa linguagem tem pouco a ver com as linguagens musical e literária, conforme habitualmente se pensa.

 

Luiz Tatit fotografado por Gal Oppido

Luiz Tatit fotografado por Gal Oppido

Qual a importância de estimar canções, do ponto de vista do afeto e do ponto de vista de “mensuração”, como o livro sugere?

LT: Esse título, Estimar Canções, comporta um jogo de palavras que me parece sedutor. Sem desprezar o significado mais óbvio desse verbo (gostar de algo), já que em geral a gente analisa aquilo que gosta, “estimar”, na acepção utilizada no livro, corresponde a “calcular” o tanto de musicalização, oralização, tematização e passionalização que o compositor investe em cada canção produzida. Normalmente, ele começa pela melodia, estabelecendo padrões harmônicos e rítmicos que dão a “levada” da futura canção.  Logo em seguida, começa a pensar na letra e, a cada verso criado, a linha melódica musical se transforma em linha entoativa ou prosódica, na medida em que gera um modo de dizer a letra (como em nossa fala cotidiana). Ou seja, acrescenta um tanto de oralização ao que era apenas musical, como se fosse uma receita culinária. Se acrescentar oralização, a canção pode virar um gênero mais falado, como o rap por exemplo. Se insistir na pureza musical, a canção pode adquirir traços do jazz ou mesmo da nossa bossa nova dos anos 60. A linguagem cancional prevê esses extremos. Esses “temperos” podem também levar a composição para os gêneros em que prevalece a recorrência de motivos melódicos ou mesmo de refrão, como acontece com as antigas marchinhas, com os sambas carnavalescos, os baiões e xotes festivos, a música axé etc. Essas melodias se compatibilizam com letras de exaltação de algum conteúdo (a própria música, o amor, a atitude pessoal, a terra natal etc.) e se alimentam do que eu chamo de tematização. Podemos ter melodias desaceleradas que estendem a duração das notas sem formação clara de motivos e que servem para veicular conteúdos passionais, de busca do objeto desejado (caso dos boleros, sertanejos, sambas-canções e música romântica de toda sorte). São as canções passionais. Em geral, no decorrer das composições, os autores musicalizam, oralizam, tematizam e passionalizam, dosando suas proporções de acordo com o objetivo adotado. Nesse sentido, estimam, calculam o tanto de recursos que devem ser empregados em cada obra.

 

Quais os parâmetros você usou para estimar as canções?

LT: Os parâmetros são os mesmos que utilizamos para apreciar qualquer conteúdo que entra em nossa vida: o mais e o menos. Esses elementos produzem combinações interessantes. Por exemplo, estamos vivendo uma crise imensa no Brasil, na qual a diminuição (ou seja, o menos) tomou conta de quase todas as áreas (menos riqueza, menos projetos, menos honestidade e por aí vai). Um novo governo sabe que dificilmente poria o país num nível de mais. Ele terá que se contentar com menos menos, valor que a semiótica chama de restabelecimento (e o povo chama de menos pior). Caso o processo engrene, poderemos entrar numa zona positiva de mais mais (um recrudescimento), como já tivemos na década passada. Às vezes, o excesso de desenvolvimento, por ser exorbitante, pede atenuações (como vem ocorrendo com a China, por ex.). Nesse caso, temos menos mais. Por fim, um país em franca decadência (talvez a Venezuela ou a Síria estejam passando por isso) vive a condição de mais menos, uma minimização. Esses cálculos são subjetivos (não matemáticos), mas definem nossas apreciações sobre todos os acontecimentos da vida. Por isso disse anteriormente que, na composição de canções, os autores dosam mais ou menos música, mais ou menos fala, mais ou menos tematização e mais ou menos passionalização. Dessas estimativas saem as canções.

Estimar

Capa de “Estimar Canções”

De que maneira a semiótica pode nos ajudar a entender as canções populares?

LT: Como a semiótica estuda a construção do sentido nas diversas linguagens, seus conceitos podem ser aplicados também à canção, conforme exemplifiquei nas respostas anteriores. Esse trabalho com as quantificações subjetivas é uma conquista da semiótica atual.

Como explicar para um leigo os pressupostos teóricos que você usou no livro?

LT: Os livros de pesquisa (como este) servem justamente para explicar aos estudantes e aos leigos interessados como o sentido se forma. Enquanto somos leigos, vivemos o sentido, mas não sabemos como ele se configura. Aliás, ninguém precisa de semiótica para viver o sentido. Todos nós sabemos decodificá-lo. A semiótica é para quem quer compreender a sua construção por meio das linguagens. É como a gramática da nossa língua. Todos nós a utilizamos, mas cabe aos gramáticos explicar como ela funciona.

Que tipo de conteúdo uma leitura como essa pode trazer ao leitor leigo?

LT: Esse livro traz um enfoque sobre a canção que em geral não é considerado. Por exemplo, é comum que se avalie canção do ponto de vista musical, o que pouco ajuda a nossa compreensão sobre essa linguagem. Os quatro “ingredientes” que destacamos (musicalização, oralização, tematização e passionalização) atuam simultaneamente, muitas vezes, dentro da mesma obra. Essa perspectiva pode relativizar a visão musical e mesmo a visão literária. Há muita gente que ainda pensa que letra de canção é poema e que Chico Buarque é um grande poeta. Só que o próprio Chico reitera que jamais escreveu um único verso que não partisse da melodia. Fazer letra é criar compatibilidade com o componente melódico. Isso pode gerar efeitos poéticos, como num filme, numa peça de teatro, mas decididamente não interessa ao cancionista fazer poesia. Coisas assim podem ser esclarecidas nessa leitura.

Conheça outras obras de Luiz Tatit

 

Dia dos pais: leitura também é exemplo

O slogan é antigo, mas é verdadeiro: “não basta ser pai, tem que participar”. E a participação dos pais é fundamental para o desenvolvimento dos filhos em diversos aspectos: físico, mental, emocional e até intelectual, como mostra a recém-divulgada pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil – 4ª edição”.

Segundo o levantamento, realizado pelo Instituto Pró-Livro, com apoio da ABRELIVROS, CBL e SNEL, a figura do pai ou responsável foi quem mais influenciou 4% dos entrevistados ao hábito de leitura, atrás apenas dos professores e da figura materna.

4% pode parecer pouco, mas se pensarmos que o país tem mais de 200 milhões de habitantes, os números absolutos são consideráveis. E tudo torna-se mais considerável ainda se você pensar no seu filho ou na sua filha. para além da estatística, pais e mães querem o melhor para suas crianças.

E fazer o bem, dar um exemplo edificante ao mesmo tempo em que se pode desfrutar de um momento de prazer é ainda melhor. Foi  pensando nisso que a Ateliê criou uma lista de livros especial para cada tipo de pai. E, para comemorar o Dia dos Pais, os títulos recomendados estão com desconto. Então, não perca tempo. Identifique o seu tipo de pai e confira nossas sugestões de presente:

 

PAI INTELECTUAL

 

Poesia É Criação: Uma AntologiaPoesia É Criação: Uma Antologia

Poeta, ficcionista, dramaturgo, desenhista. Assim era um dos mais importantes artistas portugueses do século XX: múltiplo. José de Almada Negreiros (1893-1970) tem muito a mostrar aos leitores e, com esta antologia, a Ateliê Editorial traz ao público brasileiro uma importante amostra desse trabalho, recolhida pelos organizadores  Fernando Cabral Martins e Sílvia Laureano Costa.

 

 

 

E Fizerom Taes Maravilhas… – Histórias de Cavaleiros e Cavalariasfizerom maravilhas

De onde vem o gosto pelos romances ou novelas ou livros de cavalarias? Antes de tudo, de sua natureza fantasiosa – permeada de monstros, gigantes, fadas, castelos, animais estranhos, acontecimentos miraculosos, e de sua apologia do heroísmo guerreiro – com um exército de cavaleiros que, além de vassalos fiéis e imbatíveis, são em geral belos e perfeitos amantes. Mas esses ingredientes aliciantes, pura ficção, estão intrinsecamente plantados na História de seu tempo e são, por isso mesmo e como qualquer boa literatura, uma poderosa fonte de conhecimentos do Homem e da sociedade que o rodeia. Basta conferir a diversidade temática dos artigos reunidos neste livro.

 

PRIMEIRA CAPA REV LIVRO 5Livro n.5 – Revista do NELE

Uma revista para quem ama os livros e, ainda mais, ama ler sobre eles. A Revista do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (NELE) une textos de vários professores e pesquisadores que, em várias seções, apresentam o livro como objeto de estudo. Acervo e Arquivo, por exemplo, trazem ao conhecimento o que antes estava guardado.

 

 

 

PAI DESIGNER

Sobrecapa do livro "Capas de Santa Rosa"

Capas de Santa Rosa

Múltiplo, Tomás Santa Rosa dedicou-se a várias tarefas no campo das artes plásticas: executou pinturas e gravuras, criou capas, ilustrações e projetos gráficos para livros, revistas e jornais, elaborou cenários e figurinos para o teatro, projetou decoração para festejos de carnaval. Neste livro, porém, Luís Bueno destaca o que considera fundamental para o conhecimento da história da editoração e do design gráfico no Brasil: as capas criadas por Santa Rosa.

 

 

O Design do Livrodesign do livro

O maior desafio do designer de livros não é criar um objeto bonito, mas descobrir a melhor maneira de servir às palavras do autor. O premiado artista gráfico americano Richard Hendel e outros oito designers apresentam, neste volume, alguns de seus mais importantes projetos visuais. Hendel analisa a escolha do formato, a seleção dos tipos, a disposição da mancha, entre outros aspectos. Traduzida pela primeira vez para o português, esta obra é de grande valia aos profissionais do meio editorial.

 

 

capa produção gráficaProdução Gráfica para Designers

O que um designer gráfico precisa saber sobre os processos de impressão para poder realizar melhor seu trabalho, diminuindo as chances de erros? Foi para responder a essa pergunta que o designer gráfico Mark Gatter compilou seu vasto conhecimento na indústria gráfica, tanto nos EUA quanto na Inglaterra, no livro Production for Print, considerado uma referência quando o assunto é produção e design e traduzido pela Ateliê Editorial.

 

 

PAI FOTÓGRAFO

Fotografia & HistóriaCapa Fotografia 5ed.indd

A fotografia é um resíduo do passado, fonte histórica aberta a interpretações. Esse é o mote da análise interdisciplinar que Kossoy faz do processo de representação nos documentos visuais. Fotografia & História traz princípios de investigação e uma metodologia de análise crítica das fontes fotográficas, a partir de uma abordagem sociocultural. A obra, em edição revista e ampliada, é pioneira no país. Tornou-se referência importante para historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicação.

 

 

idade media no cinemaA Idade Média no Cinema

Quais são os limites entre realidade e ficção nos filmes que retratam a cultura medieval? Os artigos deste livro trazem à tona essa questão e problematizam a verdade histórica do cinema. Os autores analisam diversos filmes sobre a Idade Média e concluem: toda obra trabalha com impressões do real, mas a avaliação do espectador determina a coerência do conjunto. Assim, tanto as intenções do diretor quanto as impressões do público contribuem para dar aquela dose de realismo necessária à fantasia.

 

A Imagem FriaUntitled-4

São da década de 1980 os oito filmes analisados pelo psicanalista Tales Ab’Sáber em seu livro de estreia. A proposta é discutir as relações entre o cinema feito em São Paulo e as questões culturais da Nova República. O autor leva em conta as noções de pós-modernismo, mercado e técnica, bem como os novos caminhos estéticos buscados pelos diretores da época. Pelo alcance da análise, a obra enriquece não só a reflexão sobre o cinema, mas o debate sobre os tropeços da produção cultural brasileira.

 

PAI BIBLIÓFILO

bibliomania_caixa_Page_1Bibliomania

“Escrever sobre livros é tarefa sem fim”, diz Marisa Midori Deacto na abertura de Bibliomania. No entanto, o material que ela e o autor Lincoln Secco produziram sobre o tema nos dois anos que escrevem para a Revista Brasileiros permitiu a criação de uma bela edição, com capa dura e projeto gráfico de Gustavo Piqueira. Os textos, de curto formato, falam sobre todo tipo de assunto, sendo o livro sempre o protagonista: das mudanças no mercado editorial, até sonhos, fé e razão.

 

 

Philobiblon ou O Amigo do LivroSem título-1

Publicada pela primeira vez em 1473, esta é considerada a primeira obra impressa sobre bibliofilia. Contém um minucioso tratado sobre técnicas de manuseio, guarda e respeito ao livro. Traz, além disso, uma autobiografia e um testamento. Traduzido diretamente do latim, em edição bilíngue, o texto expressa o amor que o autor dedicou a esses objetos do saber. Além de ser um documento histórico importante, a obra ensina o leitor a se tornar um amigo do livro.

 

casa da invençãoA Casa da Invenção

As novidades tecnológicas que surgiram no fim do século XX trouxeram novos desafios para a gestão da informação. Os acervos físicos perdem sua tradicional importância, uma vez que a internet facilita o acesso à produção simbólica. Então, o que o futuro reserva para o armazenamento de livros, a preservação de documentos e a difusão das ideias? Para Luís Milanesi, há uma resposta: mais do que guardar e emprestar livros, as bibliotecas devem se tornar espaços para discutir e criar conhecimento.

 

 

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Falta de tempo é a principal razão pela qual brasileiros não leem mais

Por Renata de Albuquerque

livros na estante

 

 

Brasileiros alegam falta de tempo para ler, segundo a quarta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada recentemente – 43% das pessoas entrevistadas não lê mais por falta de tempo. Não há dados anteriores para comparação do número, já que a pergunta “Por que não leu mais?” foi incluída na pesquisa pela primeira vez nesta edição.

Mas, mesmo assim, o dado é interessante, porque aponta que, para além de fatores como altos preços (apenas 7% declararam achar livros caros e apenas 5% disseram não ter dinheiro para comprar livros), o maior impedimento para a atividade da leitura está em um bem que não pode ser comprado, mas sim organizado: o tempo.

Entre os estudantes, o índice cai mais de dez pontos. 32% declararam não ler mais por falta de tempo, apontando para o fato de que priorizar a leitura é um elemento fundamental para que ela se realize. Estudantes encontram mais tempo para ler porque essa atividade já é habitual no seu cotidiano, não necessariamente porque são “obrigados” a ler.

Quanto ao interesse na atividade, a pesquisa – realizada pelo Instituto Pró-Livro e com apoio da ABRELIVROS, CBL, Snel e IBOPE Inteligência – aponta que apenas 5% das pessoas que leram algum livro nos últimos três meses “não gostam de ler”. Esse número sobe para 28% no grupo de pessoas que não leu nenhum livro nos três meses anteriores à pesquisa. Esses números indicam que quem lê livros o faz porque gosta. Sob esse aspecto, então, despertar o interesse pela leitura ainda na infância é fundamental.

 

Influência dos pais no hábito de leitura dos filhos

O percentual total de entrevistados que disse “gostar muito de ler” é de 30%. O número sobe para 45% quando se leva em conta apenas o público leitor (que leu ao menos um livro, total ou parcialmente, no trimestre em que a pesquisa foi realizada). Segundo o levantamento, a mãe tem um papel central na formação do leitor. “A figura da mãe é bastante importante na influência da leitura, especialmente quando se comparada à influência do pai ou de algum parente”, informa a pesquisa.

Como quem lê o faz porque gosta (e não por obrigação), fica claro que incentivar a leitura como um hábito, desde a infância, faz a diferença. “Os resultados da pesquisa reforçam a análise de que o hábito de leitura é uma construção que vem da infância, bastante influenciada por terceiros, especialmente por mães e pais, uma vez que os leitores, ao mesmo tempo em que tiveram mais experiências com a leitura na infância pela mediação de outras pessoas, também promovem essa experiência às crianças com as quais se relacionam em maior medida que os não leitores”, avaliam os pesquisadores.

 

Analfabetismo literário

Entretanto, o grande entrave para a leitura, infelizmente, ainda é o analfabetismo. 20% dos não leitores (que não leram nenhum livro nos três meses anteriores à pesquisa) declararam não saber ler. “De acordo com o INAF, apesar do percentual da população alfabetizada funcionalmente ter passado de 61% em 2001 para 73% em 2011, apenas um em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática. Ou seja, o aumento da escolaridade média da população brasileira teve um caráter mais quantitativo (mais pessoas alfabetizadas) que qualitativo (do ponto de vista do incremento na compreensão leitora) ”, apontam os pesquisadores.

 

Motivações para a leitura

A boa notícia que “Retratos da Leitura no Brasil” traz é que aumentou a importância dos livros lidos por iniciativa própria em relação aos indicados pela escola, mesmo entre os estudantes. Gosto e atualização cultural, além de conhecimento geral são os principais fatores que motivam os brasileiros a ler. Ou seja: a “leitura por obrigação” ocupa um espaço hoje menor do que antes.

 

E você, gosta de ler? Como encontra tempo para ler mais livros? Deixe um comentário, compartilhe sua experiência com a gente!