Ateliê Editorial publica ‘Recordações do Escrivão Isaías Caminha’, de Lima Barreto

A Ateliê Editorial oferece mais uma obra-prima em sua coleção Clássicos Ateliê: Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, com apresentação, estabelecimento de texto e notas pelo professor e pesquisador José de Paula Ramos Jr.

Segundo Ramos Jr.: “Em vida, Lima Barreto publicou duas edições do romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha. A primeira, em 1909, pela editora portuguesa A. M. Teixeira; a segunda, corrigida e aumentada, em 1917, pela Tipografa da Revista dos Tribunais, com nova tiragem, no mesmo ano, por A. de Azevedo & Costa Editores. Essa publicação de 1917 serviu de texto de base para a edição que agora se apresenta ao leitor, na Coleção Clássicos Ateliê, pois vem a ser o testemunho da última vontade explícita do autor, portanto dotada de autenticidade, legitimidade e genuinidade”.

A edição Ateliê contém o texto fidedigno do romance, apurado segundo o método rigoroso da Ecdótica, com atualização ortográfica e notas, em favor, sobretudo, do leitor em formação. O protagonista da narrativa, Isaías Caminha, relata suas memórias da infância e adolescência numa cidade provinciana e da juventude no Rio de Janeiro, onde padece fome e humilhações por sua condição de mulato, até que se emprega num jornal de grande circulação, como humilde contínuo que ascende ao posto de jornalista, onde testemunha de modo crítico as relações privadas e públicas de uma elite hipócrita e oportunista. Seus sonhos se desfazem e, desgostoso, após ser nomeado para um emprego público, como escrivão numa província, decide escrever sobre suas experiências como forma de combater os preconceitos de que fora vítima.

LIMA BARRETO

Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), mais conhecido como Lima Barreto, foi jornalista, escrevendo também para alguns periódicos anarquistas do início do século XX, e um dos mais importantes escritores brasileiros. O seu pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o periódico A Semana Ilustrada. A sua mãe foi professora e faleceu quando ele tinha apenas 6 anos. O viúvo João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal. João Henriques era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como as remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância tenham vindo a exercer influência sobre a visão de mundo do autor. Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e expondo as mazelas da República. Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados. Foi severamente criticado por escritores contemporâneos por seu estilo despojado e coloquial, que acabou influenciando os escritores modernistas. Fiel ao modelo do romance realista, resgatando as tradições cômicas, carnavalescas e picarescas da cultura popular, queria que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha finalidade de criticar o mundo circundante para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos.

COLEÇÃO CLÁSSICOS ATELIÊ

A Ateliê Editorial realiza a publicação de obras importantes da literatura brasileira e portuguesa por meio da coleção Clássicos Ateliê, com textos e notas de especialistas da área. Já foram lançadas, entre outras, Dom Casmurro, de Machado de Assis, Os Lusíadas, de Camões, O Guarani, de José de Alencar, e O Ateneu, de Raul Pompeia. Clique aqui e confira a coleção completa.

Ateliê Editorial reedita ‘Finnegans wake’, de James Joyce, na premiada tradução de Donaldo Schüler

Ateliê Editorial publica a famosa edição de seu catálogo – agora em volume único e não bilíngue – de Finnegans Wake, último romance de James Joyce, lançado em 1939. A obra virá com a premiada tradução e notas explicativas do professor Donaldo Schüler e prefácio de Henrique P. Xavier. O livro está em pré-venda, com desconto, no site da Ateliê Editorial até o dia 20 de maio (clique aqui)

Donaldo Schüler é doutor em letras e professor livre-docente pela UFRGS. Traduziu Heráclito, Sófocles e Joyce. Como ficcionista publicou Império Caboclo, O Homem que Não Sabia Jogar, Martim Fera, entre outros. Pela Ateliê, traduziu Finnegans Wake, trabalho ganhador do Jabuti de 2004, Prêmio APCA de 2003, entre outros. Publicou também pela Ateliê Na Conquista do Brasil, Joyce Era Louco? e Literatura Grega: Irradiações.

Leia um trecho do texto introdutório por Donaldo Schüler

Por flores e por floras, por faunas, por vidas e por vias, flui Finnegans Wake, o romance e o rio, o romance-rio. E fluem recordações, estilhaçadas, entrelaçadas. Como os átomos epicúreos, os fragmentos joycianos caem em efêmera e progressivas combinações…

O romance alude, incorpora, modifica e parodia número imenso de obras, núcleos, seminais de nova floração. Não há página sem evocações literárias – as bíblicas superam todas – como se Joyce quisesse abarcar tudo o que se escreveu, fazendo todos os textos um livro só…

Quem vem do Ulisses ao Finnegans Wake passa da narrativa em vigília à narrativa ao despertar, relato de um sonho que envolve o universo. O romance não registra a experiência onírica de uma das personagens. Finnegans Wake desdobra o mapa de uma mente ampla como o universo. O sonhador não sonha para alguém sobre algo num código conhecido. Acontecido fora da interlocução, o sonho quebra as cadeias da subordinação. Joyce proclama na formação de palavras, de frases, de cenas processos que avizinham do método imperativo de Freud…

O sonho navega por águas que a vigilância comprometida com o socialmente aceito deliberadamente ignora. Desejos culposos emergem envolvidos em papel vistoso, fitas e cartão de felicitações. A beleza sonora, rítmica e verbal de Finnegans Wake esconde violência, sentimentos proibidos, indecências. Parte da obscuridade dirigida a leitores atilados tem esta origem. Para se fazer entendido, o texto oferece muitas versões do mesmo código cifrado. Os nomes e caracteres emergem lentamente, às apalpadelas, aos pedaços.

Neste sábado, Ateliê e Mnēma realizam o lançamento da obra ‘Plínio, O Jovem – Epístolas Completas’ na Livraria da Vila

Ateliê Editorial, Editora Mnēma e Livraria da Vila realizam o lançamento da obra Plínio, O Jovem – Epístolas Completas, no sábado, 14 de maio, a partir das 17h, na unidade da rua Fradique Coutinho, 915, em Pinheiros, São Paulo. Este livro, Volume Um, contendo as obras I, II e III, em edição bilíngue – Latim/Português -, tem tradução, introdução e notas de João Ângelo Oliva Neto, assim como leitura crítica por Paulo Sérgio de Vasconcellos.

Serão editados mais três volumes, completando a obra: Volume Dois (Livros IV, V e VI), Volume Três (Livros VII, VIII e IX) e Volume Quatro (Livro X). Confira mais no site da Ateliê Editorial (clique aqui).

Os dez livros de epístolas de Plínio, o Jovem (62-c. 114 d.C.) –, que ao lado de Cícero (106-43 a.C.) e Sêneca, o Filósofo (c. 4 a.C.-65 d.C.) foi um dos três grandes epistológrafos da antiga Roma – são como que a crônica diária da vida romana por volta de 100 d.C. no esplendoroso tempo do imperador Trajano.

Nada escapa ao olhar testemunhal de Plínio, o Jovem, nada é estranho ou alheio a suas epístolas: a erupção do Vesúvio, que destruiu cidades e matou Plínio, o Velho, seu tio; as decisões importantes no Senado; o interrogatório de cristãos presos por causa de sua fé; o assassinato de um senhor pelos escravos, mas também a doença de um parente, a educação de um jovem, a opinião de Plínio sobre a qualidade da poesia e da oratória do tempo e principalmente o modo extraordinário como descreve (como quem pinta) a beleza de uma região, de um lago, de uma propriedade, de uma estátua.

Live de lançamento dos livros ‘Ájax’ e ‘As Traquínias’, de Sófocles

Ateliê Editorial e Editora Mnēma realizaram o lançamento virtual dos livros Ájax e As Traquínias, de Sófocles, na última quarta-feira, 11 de maio, no canal do Youtube da Ateliê Editorial. Participaram do bate-papo Jaa Torrano, Beatriz de Paoli, André Malta, Marcelo Tápia, José de Paula Ramos Jr., Plinio Martins Filho e Marcelo Azevedo. Ateliê Editorial e a Editora Mnēma dão início ao projeto de publicação primorosa das tragédias completas de Sófocles, em sete volumes. Assista na íntegra abaixo:

A Coleção Clássicos Comentados, da Ateliê Editorial, associada com a editora Mnēma, oferece ao leitor, em edição bilíngue, a inspirada tradução de Jaa Torrano, acompanhada de primorosos estudos de Beatriz de Paoli, bem como de um útil e oportuno Glossário Mitológico de Antropônimos, Teônimos e Topônimos.

Conheça a capa do segundo tomo de ‘Orlando Furioso’, obra-prima de Ludovico Ariosto

A Ateliê Editorial anuncia para este ano a publicação do segundo tomo do épico de Ludovico Ariosto (1474-1533), Orlando Furioso. Lançamento em breve.

Em 2011 foi lançado o primeiro tomo, com 23 cantos, da tradução do professor Pedro Garcez Ghirardi para o poema publicado em 1516. O leitor brasileiro desde então aguarda pela conclusão deste trabalho que traz em si todas as características de um épico. Orlando Furioso, com seu segundo volume, junta-se aos monumentos do Palmeirim de Inglaterra, dos cinco volumes do Bom Pantagruel, de François Rabelais, do Tirant lo Blanc e da Divina Comédia já editados pela Ateliê em sua coleção Clássicos Comentados. O segundo volume, como no primeiro, trará as ilustrações de Gustave Doré em edição bilíngue e prefácio de João Angelo Oliva Neto.

A tradução de poesia é um dos mais desafiantes trabalhos literários. Ghirardi procura ser fiel à obra e às suas características métricas. Uma tradução desse porte é trabalho de uma vida: são 46 cantos, 4 822 oitavas e 38 576  versos. Para efeitos de comparação, a Divina Comédia, com seus 100 cantos e 14 233 versos já se apresenta como uma tarefa hercúlea para qualquer tradutor. Apesar disso, é uma obra que justifica todo o tempo a ela dedicado e não pode estar condicionada a prazos comerciais. O resultado final é um livro que se diferencia no catálogo de qualquer editor.

Nesta quarta-feira, acontece o lançamento dos livros ‘Ájax’ e ‘As Traquínias’, de Sófocles, no YouTube da Ateliê Editorial

Ateliê Editorial e Editora Mnēma realizam o lançamento virtual dos livros Ájax e As Traquínias, de Sófocles, na quarta-feira, 11 de maio, às 19h, no canal do Youtube da Ateliê Editorial. Participam do bate-papo Jaa Torrano, Beatriz de Paoli, André Malta, Marcelo Tápia, Plinio Martins Filho e Marcelo Azevedo. (Clique aqui para assistir)

Ateliê Editorial e a Editora Mnēma dão início ao projeto de publicação primorosa das tragédias completas de Sófocles, em sete volumes. A Coleção Clássicos Comentados, da Ateliê Editorial, associada com a editora Mnēma, oferece ao leitor, em edição bilíngue, a inspirada tradução de Jaa Torrano, acompanhada de primorosos estudos de Beatriz de Paoli, bem como de um útil e oportuno Glossário Mitológico de Antropônimos, Teônimos e Topônimos. Saiba mais sobre as obras no site (clique aqui).

O TRADUTOR

José Antonio Alves Torrano (Jaa Torrano) fez a graduação (1971-74) em Letras Clássicas (Português Latim e Grego) na Universidade de São Paulo, onde começou a lecionar Língua e Literatura Grega como auxiliar de ensino na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas em 1975. No Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade São Paulo defendeu o mestrado em 1980 com a dissertação “O Mundo como Função de Musas”, o doutorado em 1987 com a tese “O Sentido de Zeus: o Mito do Mundo e o Modo Mítico de Ser no Mundo”, a livre-docência em 2001 com a tese “A Dialética Trágica na Oresteia de Ésquilo” e desde 2006 é professor titular de língua e  literatura grega.