“A Nebulosa”: um belo poema

Por: Roberta Araújo*

Publicado em 1857, “A Nebulosa” foi considerada à época como “um dos mais belos poemas dos tempos modernos”. 

Escrito por Joaquim Manoel de Macedo, autor dos clássicos “A Moreninha” e “Vítimas Algozes”, a obra é um poema-romance que, há um século e meio não era reeditada. Caída no esquecimento até mesmo por especialistas. 

Eu, que sequer sabia da existência desta obra, tive uma ótima surpresa ao ler esta caprichada edição da Ateliê Editorial, que conta com um texto de apresentação de Angela Maria Gonçalves da Costa e notas de rodapé, que facilitam demais a compreensão dos leitores. As ilustrações do artista plástico Kaio Romero dão um toque especial à edição. 

“A Nebulosa” conta a história de um amor impossível a partir da lenda de uma mulher linda, que surgia à noite em um penhasco e encantava os homens com o seu canto. O Trovador, encantado com ela, uma feiticeira, decide se matar. Ao pedir para sua Mãe socorro, ela vai até a Peregrina, que cede aos apelos. No entanto, já era tarde: ele se encontra com a Doida, descendente da Nebulosa e, juntos, se atiram do penhasco. A Mãe, de tanto sofrimento, morre e a Peregrina, amaldiçoada por ela, também. 

Gosto muito de obras que partem de lendas e mitos para desenvolver a história e esta realmente me cativou do início ao fim. 

Destaco aqui dois trechos: 

“Ó, natureza! Minha dor insultas!

Na tua placidez leio um sarcasmo;

Abomino-te, assim, amo-te horrível”.

“Dói-te a vida que arrasta alma cativa?

Pesa-te amar debalde?… – não a vejas:

Pede ao céu que desfira um raio ardente, 

Que de uma vez te cegue, melhor fora, 

 Do que vê-la e morrer de amor por ela”. 

Precisamos cada vez mais de poesia e este poema-romance de Macedo foi escrito com maestria, para encantar os leitores. 

Quer saber mais sobre A Nebulosa?

*Advogada, pós-graduada em direito e processo penal. Mestranda em direito pela UFRJ, mantém o perfil @justa.causa

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