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Robert Creeley

André Caramuru Aubert | Jornal Rascunho | Maio de 2014

A Um – Poemas, de Robert CreeleyO poeta norte-americano Robert Creeley (1926-2005) é, entre seus conterrâneos e contemporâneos, um dos mais conhecidos (ou menos desconhecidos) no Brasil. Além da qualidade de sua obra, talvez tenha ajudado, para isso, o fato de Creeley ter estado em São Paulo e conhecido alguns de nossos poetas. O fato é que ele deixou por aqui alguns admiradores importantes, como Ruy Vasconcelos e, principalmente, Régis Bonvicino, editor e tradutor de uma excelente coletânea brasileira (A UM, Poemas. Ed. bilíngue, Ateliê Editorial, 1997).

Ainda assim, diante de tudo o que Robert Creeley produziu, o que temos dele em português é muito pouco. Os quarenta e um poemas presentes em A UM, embora bastante representativos (são uma mistura de sugestões do próprio autor com os prediletos do tradutor), não passam de uma gota no oceano diante de alguém que escreveu continuamente por cerca de sessenta anos, e cuja obra completa, em inglês, espalha-se em dois volumes com mais de mil e duzentas páginas no total.

Creeley é uma unanimidade. Discípulo de William Carlos Williams e admirado por este, foi um líder do grupo Black Mountain, embora sua poesia muitas vezes ficasse distante da de outros membros. Elo de ligação entre os Beats e os poetas da San Francisco Renaissance, e entre os grupos de Nova York e da Califórnia, ele conseguia circular com desenvoltura entre poetas como Jack Kerouac e Allen Ginsberg, de um lado, e Charles Olson e Denise Levertov, de outro. Conhecido por sua generosidade, Creeley gostava de dar aulas e não se cansava de orientar novos poetas. Em função da combinação de sua personalidade com uma produção rigorosa e intensa, Creeley foi influente como talvez nenhum outro poeta de sua geração. Segundo alguns, um “poeta de poetas” por excelência.

A temática de Robert Creeley, como bom discípulo de W. C. Williams, gira primordialmente em torno das pequenas coisas, de cenas do cotidiano, de rápidas impressões de viagem. Econômico e preciso, suas quebras de linha são únicas. Embora afirmasse que, em poesia, a forma deveria se subordinar ao conteúdo, poucos poetas contemporâneos são mais formalmente rigorosos do que ele. Creeley possuía, segundo Williams, “o mais sutil sentido da medida desde Ezra Pound”. O que faz com que, estruturados a partir de um íntimo conhecimento dos sons, da respiração e dos ritmos da língua inglesa, os poemas de Creeley sejam muito difíceis de traduzir, especialmente para uma língua tão diferente da dele quanto é o português (Régis Bonvicino já chamava a atenção para isso na introdução a A UM). Mas penso que, apesar dos percalços e das limitações no resultado final, o esforço vale a pena, tanto para quem traduz quanto para quem lê.

Para esta introdução a Robert Creeley, procurei incluir alguns poemas de cada uma das etapas de sua carreira. Evitei apenas os que já haviam aparecido em português, especialmente na seleção de Régis Bonvicino (mesmo sabendo que ali estão algumas das mais belas composições de Creeley) porque, se por um lado eu não poderia pretender fazer uma tradução melhor, por outro, afinal de contas, eles já estão disponíveis em livro, em português. 

RETURN
Quiet as is proper for such places;
The street, subdued, half-snow, half-rain,
Endless, but ending in the darkened doors.
Inside, they who will be there always,
Quiet as is proper for such people —
Enough for now to be here, and
To know my door is one of these.

RETORNO
Silenciosa como é próprio para lugares assim;
A rua, calma, meio neve, meio chuva,
Sem fim, mas terminando nas portas escuras.
Dentro, aqueles que estão sempre lá,
Silenciosos como é próprio para pessoas assim —
Bastando por ora estar ali, e
Saber que a minha porta é uma destas.

MIDNIGHT
When the rain stops
and the cat drops
out of the tree
to walk

away, when the rain stops,
when the others come home, when
the phone stops,
the drip of water, the

potential of a caller
any Sunday afternoon.

MEIA-NOITE
Quando a chuva para
e o gato desce
da árvore
para sair

andando, quando a chuva para,
quando os outros voltam pra casa, quando
o telefone para,
os pingos d’água, a

possibilidade de um telefonema
uma tarde de domingo qualquer.

FOR HELEN
… If I can
remember anything, it
is the way ahead
you made for me, specifically:

wet-
ness, now the grass
as early it
has webs, all the lawn
stretched out from
the door, the back
one with a small crabbed
porch. The trees
are, then so high, a huge encrusted
sense of grooved trunk,
I can
slide my finger along
each edge.

PARA HELEN
… Se eu posso
me lembrar de algo, é
do caminho que
você abriu para mim, especificamente:

umi-
dade, agora a relva
como mais cedo, tem
teias, todo o campo
estendido para além da
porta, a de trás
para um pequeno, insignificante
alpendre. As árvores
estão, então, tão altas, um forte sentimento de
incrustrados e adequados troncos,
eu posso
deslizar meu dedo por
cada ponta.

AS YOU COME
As you come down
the road, it swings
slowly left and the sea
opens below you,
west. It sounds out.

ENQUANTO VOCÊ VEM
Enquanto você vem
pela estrada, ela vira
lentamente à esquerda e o mar
se abre abaixo de você,
a oeste. Isso se mostra.

THEN
Don’t go
to the mountains,

again — not
away, mad. Let’s

talk it out, you
never went anywhere.

I did — and here
in the world, looking back

on so-called life
with its impeccable

talk and legs and breasts,
I loved you

but not as some
gross habit, please.

Your voice
so quiet now,

so vacant, for me,
no sound, on the phone,

no clothes, on the floor,
no face, no hands,

— if I didn’t want
to be here, I wouldn’t

be here, and would
be elsewhere? Then.

ENTÃO
Não vá
para as montanhas,

de novo — não
embora, zangada. Vamos

resolver isso, você
nunca foi a lugar algum.

Eu fui — e aqui
no mundo, olhando para trás

na assim chamada vida
com suas impecáveis

conversas e pernas e seios,
eu amei você

mas não enquanto algum
hábito grosseiro, por favor.

Sua voz
tão quieta agora,

tão vazia, para mim,
nenhum som, no telefone,

nenhuma roupa, no chão
nenhuma face, nem mãos,

— se eu não quisesse
estar aqui, eu não estaria

aqui, e estaria
em outro lugar? E então.

SEA
Ever
to sleep,
returning water.

*

Rock’s upright,
thinking.

*

Boy and dog
following
the edge.

*

Come back, first
wave I saw.

*

Old man at
water’s edge, brown
pants rolled up,
white legs, and hair.

*

Thin faint
clouds begin
to drift over
sun, im-
perceptibly.

*

Stick stuck
in sand, shoes,
sweater, cigarettes.

*

No home more
to go to.

*

But that line,
sky and sea’s,
something else.

*

Adios, water —
for another day.

MAR
Sempre
para dormir,
a água voltando.

*

As rochas à direita,
pensando.

*

Garoto e cachorro
seguindo
pela beira.

*

De volta, a
primeira onda que vi.

*

Um velho na
beira d’água, calças
marrons enroladas nas pernas,
pernas brancas, e cabelos.

*

Leve desmaio
nuvens começam
a vaguear por sobre
o sol, im-
perceptivelmente.

*

Galho preso
na areia, sapatos,
agasalho, cigarros.

*

Sem uma casa mais
para onde ir.

*

Mas aquela linha,
de céu e mar,
alguma coisa a mais.

*

Adiós, água —
até um outro dia.

FIRST RAIN
These retroactive small
instances of feeling

reach out for a common
ground in the wet

first rain of a faded
winter. Along the grey

iced sidewalk revealed
piles of dogshit, papers,

bits of old clothing, are
the human pledges,

call them, “We are here and
have been all the time.” I

walk quickly. The wind
drives the rain, drenching

my coat, pants, blurs
my glasses, as I pass.

PRIMEIRA CHUVA
Estas pequenas e retroativas
instâncias do sentimento

alcançam um terreno
comum na umidade

primeira chuva em um
desbotado inverno. Ao longo do cinzento

e gelado meio-fio revelam-se
pilhas de cocô de cachorro, papéis,

pedaços de roupas velhas, são
os rastros humanos,

chame-os, “nós aqui estamos e
estivemos por todos os tempos.” Eu

caminho ligeiro. O vento
conduz a chuva, encharcando

meu casaco, calças, borra
meus óculos, enquanto eu passo.

HOTEL
It isn’t in the world of
fragile relationships

or memories, nothing
you could have brought with you.

It’s snowing in Toronto.
It’s four-thirty, a winter evening,

and the tv looks like a faded
hailstorm. The people

you know are down the hall,
maybe, but you’re tired,

you’re alone, and that’s happy.
Give up and lie down.

HOTEL
Não está no mundo dos
relacionamentos delicados

ou memórias, nada que
você possa ter trazido com você.

Está nevando em Toronto.
São quatro e meia, uma tarde de inverno,

e a tv parece uma opaca chuva de
granizo. As pessoas que você

conhece estão lá embaixo, no saguão,
provavelmente, mas você está cansado,

você está só, e isso é bom.
Desista, e deite-se.

HERE
Up a hill and down again.
Around and in —

Out was what it was all about
but now it’s done.

At the end was the beginning,
just like it said or someone did.

Keep looking, keep looking,
keep looking.

AQUI
Colina acima, e abaixo novamente.
Em volta dela e para ela —

Fora estava tudo o que contava
mas agora está terminado.

No final estava o começo,
como se costuma dizer ou alguém disse.

Fique olhando, fique olhando,
fique olhando.

Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

João Luiz Marques entrevista o poeta Felipe Lion

Felipe Lion em show do Merlim

Felipe Lion (ao centro) em show do Merlim com participação de Kiko Zambianchi – Na Mata Café (SP) – Foto de Rogério de Lucca

Felipe Lion acabou de lançar pela Ateliê Editorial seu livro de poemas A Arte da Automutilação. Carioca, apaixonado por São Paulo, Lion é poeta, escritor, vocalista, além de autor das letras da banda Merlim, e ex-bailarino clássico. Nesta entrevista, o artista multidisciplinar fala de arte, de seu trabalho, dos livros de poesia e prosa que está preparando, do novo CD da banda e de um disco solo, e explica como consegue fazer tantas coisas ao mesmo tempo: “Tudo isso é um movimento, é um momento. Sou eu me movendo em minha vida, em minha música, em minha arte.”

Ateliê Editorial – Heitor Ferraz Mello na apresentação que faz de A Arte da Automutilação diz que em sua poesia há sempre o “jogo entre a dissolução e a reunião”. Transportando essa característica para as suas diversas atividades criativas, como você lida com essa sua pluralidade artística?

Felipe Lion – Primeiramente, devo dizer que o Heitor foi muito generoso comigo. Generoso ao fazer um prefácio pessoal, mas, ao mesmo tempo, muito analítico. Ele percebeu uma ligação entre os vários poemas do livro que é o tema da desagregação paulatina de tudo, inclusive do poeta. Hoje parece óbvio que isso é algo recorrente nesses poemas, mas eu juro não havia notado…  Sobre o meu trabalho e a maneira como uso diversas técnicas… Bom, eu não colocaria isso como uma “pluralidade”. Para mim, tudo está ligado, tudo está conectado. Desde o Renascimento tudo pode e deve se misturar, pois na essência é uma coisa só: arte.

Ateliê – Em outra parte dessa mesma apresentação, Heitor Ferraz Mello conta lembranças da adolescência que vocês viveram no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, e diz que, elas poderiam fazer parte de outro livro seu. Você já pensou nessa “provocação” do seu amigo?

Lion – Penso sim.  Na verdade já faço isso. Em pequenas doses. Dentro de um poema, de um trecho de romance ou conto. Essas lembranças para mim são coisas muito distantes, meio mágicas. Mas eu tento dialogar com esse moleque de vez em quando. Saber o que ele espera de mim. Ele é citado diretamente em pelo menos um dos poemas do livro, Kung Fu Ballantines.

Ateliê – A Arte da Automutilação reúne poemas finalizados entre 2008 e 2012. Você tem mais trabalhos na gaveta para outro livro de poesia? Pretende publicar?

Lion – Engraçado me perguntar isso. Acabo de ser convidado para uma coletânea de poemas e, a grande questão, é se terei material para colaborar. Explico melhor: tenho muitos poemas antigos que não sinto vontade de publicar – ao menos agora – e tenho outro material, mais recente, que faz parte de um próximo livro de poemas (erótico) e ainda está sendo trabalhado. Trabalho como um pintor de paredes que passa várias mãos de tinta numa parede, até ficar satisfeito com o resultado… Isso demora.

Ateliê – E em prosa, você tem projeto novo? Está preparando algum livro?

Lion – Sim, preparo dois livros. O primeiro é um ensaio filosófico, O Estado e a Morte – reflexões sobre o direito de matar e morrer. E há, ainda, um outro livro que conta os últimos dias do nosso Segundo Império, num misto de romance histórico com realismo mágico. Pretendo lançar o ensaio no começo do próximo ano. O romance, leva algum tempinho mais, pois está em fase de pesquisa. Apesar de já ter escrito alguns trechos e de possuir toda a estrutura ficcional montada preciso de mais tempo para a pesquisa de campo. Os detalhes são muito importantes nesse tipo de obra.

Ateliê – Você tem alguma novidade pra contar da banda Merlim? CD novo, Show? Pode adiantar algum detalhe sobre novos trabalhos?

Lion – O Merlim começa a gravar um novo álbum ainda este mês. Será um processo longo e doloroso… Esperava conseguir viabilizar a assinatura do Luiz Carlos Maluly para esse projeto. Já há algum tempo ele é o melhor produtor de discos do Brasil. Todo mundo na indústria fonográfica sabe disso. Mas não conseguimos fechar com um investidor. Pensei em esperar um pouco mais para tentar acertar isso, mas meus colegas de banda me convenceram que já não podemos mais esperar… É como num parto: talvez dê para esperar pelo 10º mês, mas pedir para esperar mais do que isso pode causar mais danos que benefícios.

O Merlim é uma banda que trabalha exclusivamente porque acredita na qualidade de sua música. Não importa que tenham destruído o mercado do rock no Brasil. Não somos mais crianças. Não fazemos mais música pensando em dinheiro, mulheres e fama. Não me entenda mal… Adoramos tudo isso! Mas fazemos música porque nos divertimos muito compondo, convivendo, fazendo shows.

Já vi critico musical nos colocando no pedestal dos injustiçados! Dizendo que somos melhores do que “99% do que se ouve por ai”. Admito que até concorde com isso, mas não tenho ânimo pra vestir esse manto. Posso dizer que “apertamos o botão f…-se”!

Quanto a shows, creio que agora só no segundo semestre. Só quando acabarmos o disco. De toda a forma, quem tiver vontade pode conhecer um pouco do Merlim em seu site: www.merlim.com. O site permite cadastramento para receber a agenda de shows da banda e outras promoções, como descontos, CDs promocionais, etc.

Temos um álbum, “A Tempestade”, à venda, por download, em diversas lojas virtuais: iTunes, Amazon, etc. É só fazer a busca pelo nome da banda que você achará a página da banda e poderá baixar todo o álbum ou suas músicas preferidas.

Ateliê – Você vai lançar um disco solo, sem o Merlim? Vai partir para carreira solo? Como será esse seu novo trabalho?

Lion – Novamente, não vejo nenhuma distinção nisso… solo… Merlim… outra banda… Tudo isso é um movimento, é um momento. Sou eu me movendo em minha vida, em minha música, em minha arte. No Merlim não temos nenhum problema com isso. Até gostamos de ver os outros no palco sem a gente ao lado, só pra variar um pouco! Outro dia fui ver os dois guitarristas do Merlim – Kike Damaceno e Guto Domingues – tocando num pub. Pois bem, de repente percebi que eles também estavam cantando! E bem! Mas cantando mesmo! Músicas inteiras! No Merlim eles nunca cantam. Nunca querem cantar… no máximo fazer backing vocal. Mas eles estavam mandando ver, cheios de estilo… Foi muito divertido! Já fui ver o batera da banda, Júnior Gaspari, em outros projetos também.

Então vou lançar, sim, um disco solo que, aliás, também começa a ser gravado este mês. A produção está a cargo de um outro grande produtor, o Alexandre Fontanetti. Disco de Ouro com o álbum Bossa’n’Roll da Rita Lee. Ele é um cara que trabalha muito bem com cantores e foi atrás disso que eu fui quando bati em sua porta.

Esse vai ser um trabalho mais intimista, meio jazz, meio bossa. Não esperem, porém, uma emulação de João Gilberto. Quero levar a minha forma de falar as coisas para esse estilo. O álbum deve ficar pronto só no segundo semestre, mas em breve devo lançar o primeiro single, uma música chamada Bossa dos Jardins que é uma declaração de amor por São Paulo, feita por um carioca que, realmente, adora essa cidade.

Acesse o livro A Arte da Automutilação na loja virtual da Ateliê

Veja as fotos de Bruna Goldberger do lançamento de A Arte da Automutilação, em São Paulo:

A advogada Tais Salome com o pintor Tom Gomide

A advogada Tais Salome com o pintor Tom Gomide. Ao fundo uma de suas telas.

A atriz Giovanna Assumpção, declamando um poema

A atriz Giovanna Assumpção, declamando um poema

A jornalista Giovanna Scrimini, com Felipe Lion, o empresário Gabriel Scrimini e a RP Alessandra Vilhena

A jornalista Giovanna Scrimini, com Felipe Lion, o empresário Gabriel Scrimini e a RP Alessandra Vilhena

Casal de empresários Moscofian, donos da marca de  Parresh, com a apresentadora de TV  Laura Wie e os  fotógrafos Rogério de Lucca e Morgade

Casal de empresários Moscofian, donos da marca de Parresh, com a apresentadora de TV Laura Wie e os fotógrafos Rogério de Lucca e Morgade

Felipe Lion com o produtor musical Luiz Carlos Maluly

Felipe Lion com o produtor musical Luiz Carlos Maluly

 

Lançamento de A Arte da Automutilação

O artista plástico Thiago Cóstackz – autor da body art que se vê na capa do livro – com a apresentadora de TV Laura Wie e o autor Felipe Lion

O editor Plinio Martins declama um dos poemas do Livro

O editor Plinio Martins declama um dos poemas do Livro

Lançamento de A Arte da Automutilação

O publicitário baiano Joca Guanaes, entre a apresentadora de TV Laura Wie e a atriz e locutora Jackie Dalabona