Daily Archives: 16/03/2015

Importante obra do concretismo brasileiro foi recentemente reeditada: “Viva Vaia – Poesia 1949-1979”, de Augusto de Campos

"Viva Vaia", de Augusto de Campos

Clique na imagem para ver o encarte ampliado

"Viva Vaia" – Augusto de CamposLançada em 2001, a Ateliê Editorial publica nova edição do livro Viva Vaia, de Augusto de Campos, revisada e com a ortografia atualizada, considerada pelo poeta a edição mais completa dessa sua obra.

“Esta coletânea da minha poesia, abrangendo três décadas, teve sua primeira publicação em 1979 com a chancela da Editora Duas Cidades. Até então, meus poemas só haviam aparecido em livro em publicações de autor. Houve uma segunda edição em 1986, pela Editora Brasiliense. E mais quinze anos se passaram. A edição que agora oferece ao público a Ateliê Editorial é, de todas, a mais completa”. (Augusto de Campos, 2001)

Com projeto gráfico original, de Julio Plaza, essa edição devolveu a impressão cromática a alguns poemas como os “popcretos” Olho por OlhossO Anti- Ruído, e Goldweater, que foram expostos na Galeria Atrium, em 1964, juntamente com os quadros-objetos de Waldemar Cordeiro. Originalmente construídos com colagens de recortes de jornais e revistas, em dimensões de cartaz, e montados em chassis de madeira para a mostra, esses poemas não são fáceis de reproduzir.

As marcas do tempo e a grande redução a que têm de ser submetidos para se amoldarem às dimensões do volume tornam difícil a impressão. Mas com recursos digitais e fotográficos foi possível melhorar a sua reprodução e incluir o quarto poema da exposição dos “popcretos”, Goldweater, que faltou nas edições anteriores e, mesmo em preto e branco, também o Olho por Olho.

Por sua capacidade de sintetizar alguns princípios fundamentais da poesia concreta e de atingir o impacto almejado pelo movimento concretista, Viva Vaia se tornou a principal obra na carreira do autor. Este volume contém um encarte com o poema-objeto “Linguaviagem”, e traz ainda o cd Poesia é Risco, que contém quinze poemas musicados por Cid Campos, filho do autor.

Acesse o livro “Viva Vaia” no site da Ateliê

 

Poema recém-descoberto de Machado mostra evidente influência romântica

Wilton Marques Folha de S. Paulo | Ilustrada | 16 de março de 2015

No dia 9 de setembro de 1856, Machado de Assis, então com 17 anos, publicou no jornal Correio Mercantil (1848-1868) o poema O Grito do Ipiranga.

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Machado de Assis

De antemão, a grande novidade desse texto, datado de 7 de setembro de 1856, reside no fato de que ele nunca foi coligido pelos estudiosos da obra poética do escritor carioca. Em outras palavras, é um poema esquecido e inédito.

Para além da mera curiosidade do achado, O Grito do Ipiranga é antes de mais nada um texto de juventude, o que obviamente explica sua qualidade estética ainda algo hesitante.

No entanto, o seu (re)aparecimento no universo literário machadiano é um acontecimento importante, sobretudo por não apenas lembrar que, ainda hoje, o principal escritor brasileiro não tem sequer sua obra literária completamente mapeada e/ou publicada, como também por trazer em si algumas informações novas sobre Machado Assis, seja em relação a aspectos biográficos desconhecidos, seja em relação à evidente influência romântica na fatura do texto.

Desse modo, e ao contrário do que afirma o crítico Jean Michel Massa em A Juventude de Machado de Assis – 1839-1870 (Unesp) de que foi em outubro de 1858 que Machado publicou seu primeiro texto no Correio Mercantil, O Grito do Ipiranga é, na verdade, a sua primeira contribuição ao jornal.

Tal fato traz naturalmente novas indagações aos estudos machadianos, notadamente no que diz respeito ao seu processo de inserção na grande imprensa do Rio de Janeiro, num período da vida do autor sabidamente carente de maiores detalhes.

Quanto ao poema, além da presença temática de referenciais histórico-literários clássicos (expediente, digamos, altamente machadiano), a louvação a D. Pedro 1º se dá não apenas no exagero da comparação com Napoleão Bonaparte, mas sobretudo na explícita referência romântica ao Brasil através de elementos da natureza local, como marcas de nacionalidade (floresta tropical, sol ardente, oceano, etc.).

SURPRESA

Essa, aliás, é uma novidade em Machado. Tanto que, pouco tempo depois, o escritor não apenas abandonará tal postura nacionalista como, inclusive, tecerá varias críticas a ela, notadamente no ensaio Passado, Presente e Futuro da Literatura Brasileira (1858) e, posteriormente, no famoso Instinto de Nacionalidade (1873).

Enfim, O Grito do Ipiranga é mais uma agradável surpresa do velho Bruxo e, com certeza, renderá algum pano para manga nos estudos machadianos. Isso, no entanto, já é outra história…

Conheça as obras de Machado de Assis publicadas pela Ateliê.