Historiador discute relações entre Adoniran e sua grande musa, São Paulo

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O centenário de Adoniran Barbosa – que se comemora em 6 de agosto – é uma excelente ocasião para conhecer Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade, estudo inovador do historiador Francisco Rocha sobre as relações entre o compositor e radialista e sua grande musa, a capital paulista.

Nas palavras do crítico Antonio Candido, Adoniran “inventou um certo jeito de ser paulistano”. Afirmou-se como intérprete, expressão e extensão de uma metrópole no momento em que ela passava por radicais transformações que acentuaram a desigualdade social. Com uma visada crítica, Adoniran modelou a sua visão de São Paulo com uma poética da denúncia e da rebeldia, cheia de cômica ironia e peculiar dicção.

“A poética do compositor de Saudosa Maloca é analisada como construção de uma memória que nos remete à narrativa das práticas do homem comum, cujo sentido se reveste como resistência, isto é, a criação de outras representações da cidade e da experiência do moderno, frente ao discurso oficial que representa São Paulo como a cidade do progresso e do trabalho”, anota o autor.

Rocha constrói sua narrativa a partir dos conceitos de cultura popular e de cotidiano como apropriação ou reapropriação de uma determinada realidade sociocultural, formulados pelo historiador francês Michel de Certeau. O autor analisa a representação da cidade a partir da perspectiva dos excluídos sociais, presente nas canções de Adoniran e nos personagens radiofônicos que interpretou.

Fotografias da série Flagrantes de São Paulo, realizada nos anos 1950 por Alice Brill, oferecem um precioso contraponto visual à análise.

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