Resenhas

Crítica dialética em tempos pós-modernos?

Resenha de Marx, Zola e a prosa realista

Autora: Salete de Almeida Cara

por Edvaldo A. Bergamo | Revista UFG

O próprio título do novo livro de Salete de Almeida Cara chama a atenção de imediato. Por que Marx e Zola aparecem juntos numa obra que pretende analisar a prosa realista? Para a estudiosa, ambos são referências obrigatórias quando se têm em mira os acontecimentos históricos do século XIX que não apenas são a matéria viva da narrativa romanesca do período, como também fatores decisivos para a compreensão crítica do gênero, entendido tal qual a maior expressão artística de um tempo marcado pelo avanço desenfreado do capitalismo industrial e finan-ceiro e pelo aprofundamento dos modos de exploração das classes trabalhadoras.

O ensaio da referida pesquisadora almeja não só a compreensão dos acertos e descompassos da obra de Zola, bem como apresentar uma refinada reflexão crítico-teórica sobre os desafios da prosa realista num momento histórico em que o romance é a forma privilegiada de representação de conflitos econômicos, ainda significativos pelos seus desdobramentos em nossa época, é preciso assinalar. E a obra do precursor do naturalismo é um terreno fértil para especular sobre as potencialidades e os limites do gênero no enfrentamento de problemas sociais que ocupavam cada vez mais espaço nos compêndios científicos, na imprensa e na vida cotidiana.

Resenha completa em PDF

Obra estuda a influência da leitura na construção de uma sociedade

Sociologia da Leitura, de Chantal Horellou-Lafarge e Monique Segrépor @AlexSens

Fonte: OPS!

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“Reconhecer não é ler”, escreveu o educador francês Jean Hébrard. Ou seja, repetir o som e a sequência de letras empregadas em uma palavra, reconhecer seus fonemas e grafemas, não passa disso, uma observação da linguagem em sua ordenada apresentação. Ler é compreender: este se tornou o lema dos pedagogos a partir da segunda metade do século XX, época em que apenas a decifração do escrito se torna insuficiente, sendo necessário compreendê-lo.

Pouco estudada no Brasil, e possivelmente em todos os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, a sociologia da leitura é um campo que analisa esta prática social que envolve também cultura, política, instrução, conhecimento e autoconhecimento. Este estudo feito pelas sociólogas francesas Chantal Horellou-Lafarge e Monique Segré, e transformado no livro Sociologia da Leitura (Ateliê Editorial, 160 páginas, tradução de Mauro Gama), enriquece a bibliografia sobre o assunto e ajuda a compreender melhor uma prática talvez usual, genérica, mas pouco discutida. Esta leitura sobre a leitura, uma conveniente metaleitura, aborda seu papel e sua importância na cultura tanto de uma sociedade leitora, ou não-leitora, quanto do ser individual, de sua influência na economia, do crescimento de um lugar e do próprio crescimento.

Obra apresenta um conjunto de ex-libris pertencentes a José Luis Garaldi

Coleção de ex-libris da Livraria Sereia de José Luis GaraldiFonte: ICnews

por Isabel F. Furini

Se você for bibliotecário ou se ama os livros e tem uma biblioteca na sua casa, se, como já falou Sócrates, prefere livros a comprar outros objetos bonitos, então precisa conhecer a obra Ex-Libris, da Ateliê Editorial, organizado pelo professor Dr. Plínio Martins Filho. A obra, cuidadosamente trabalhada, com fotografias de ex-libris, é uma delícia para bibliotecários, bibliófilos e curiosos.

Mas o que é ex-libris?

Filme discute relação médico-paciente

Filme média-metragem, O Nome do Cuidado, discute relação médico paciente

por Luiz Zanin | Crítico de Cinema do jornal O Estado de São Paulo

O Nome do Cuidado, média-metragem de Paulo Rosenbaum e Leo Lama, tem proposta inteligente para falar de um tema especializado, a relação médico-paciente na prática médica. Transitando entre as linguagens do documentário e da ficção, ressalta a importância do diálogo na medicina atual, tão refém da especialização e de procedimentos tecnológicos. Hoje, o médico não “escuta” mais o paciente em sua queixa. O médico parece se conformar com o papel de mero orientador de exames clínicos a que o paciente deve se submeter. O Nome do Cuidado coloca-se na contracorrente dessa tendência desumanizadora e alienante da prática médica.

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No filme, dois atores, (Walderez de Barros e Oswaldo Mendes) encenam um texto médico, representando uma situação de crise: alguém que se sente mal ao embarcar no metrô e, em desespero, telefona ao seu médico. O filme não se pretende naturalista. Adota esse procedimento teatral de distanciamento com os atores (Walderez de Barros e Oswaldo Mendes) interpretando um texto médico-dramático e recriando, de maneira ficcional, uma situação de urgência. Esse procedimento dramatúrgico é escancarado ao espectador e nunca escondido. Em geral, o recurso antiilusionista costuma ser visto como um convite à reflexão, endereçado a quem vê o filme. Parece ser bem o caso de O Nome do Cuidado e sua proposta de diálogo tanto com médicos como com pacientes.

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O importante é a mensagem veiculada pelo filme, ao ressaltar a importância de algo esquecido em nossa sociedade contemporânea – o poder da palavra. Alguém, numa situação aflitiva ou mesmo terminal, precisa ser escutado em sua queixa. A própria escuta já é terapêutica. Ou é condição indispensável para o êxito de uma cura. Essa disponibilidade do médico para ouvir parece se tornar cada vez mais rara neste tempo de pressa e fé cega na tecnologia. O Nome do Cuidado parece assim ser um criativo convite à reflexão sobre a hoje tão desgastada relação médico-paciente.

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Livro-DVD do filme O Nome do CuidadoO Nome do Cuidado (Livro-DVD)

Paulo Hersch Rosenbaum, Leo Lama

R$29,00 | 56 pp.

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Revista Continente indica Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade

Fonte: Revista Continente #117

Livro Adoniran Barbosa - O Poeta da Cidade, Francisco RochaAdoniran Barbosa – O Poeta da Cidade

Francisco Rocha

Fruto de uma dissertação de mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação em História Social da USP, o livro revela a obra de Adoniran Barbosa contextualizada na rápida e constante urbanização da São Paulo da década de 1950. As suas canções, segundo Rocha, constroem uma “ideia de urbano”, representações que narram o cotidiano dessa metrópole. Os capítulos se dividem numa sequência comum aos trabalhos acadêmicos, mantendo referências bibliográficas e citações. É interessante observar o registro em jornais de sambas famosos do compositor, tais como Trem das onze (1951) e Samba do Arnesto (1953), sendo evocados para destacar as vantagens do progresso então em curso.

Assista ao vídeo

Dicas de livros do Guia da Folha – Livros, Discos, Filmes

Romance Distopia, de Hélio Franchini NetoDistopia

Hélio Franchini Neto

Um dos ramos mais prestigiados da ficção científica, até mesmo por quem não aprecia o gênero, é o das narrativas distópicas. A esse ramo pertencem clássicos da literatura como “1984”, de George Orwell, “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e “Farenheit 451”, de Ray Bradbury.

A palavra “distopia” vem do grego (dys + topos) e significa “lugar do mal”. Antônimo de “utopia”, o termo indica o território em que a liberdade e os direitos civis mais básicos foram suprimidos. O romance de estreia de Hélio Franchini Neto dialoga com o de Orwell, ao apresentar um mundo futuro dividido em três Estados em guerra: o dos democratas, o dos libertaristas e dos teologistas.

O personagem central é um jovem democrata que, ao cair prisioneiro do exército libertarista, dá início a uma jornada que o levará também aos teologistas e a uma descoberta surpreendente. Apesar do excesso de descrições e digressões, que emperra um pouco o ritmo da narração em primeira pessoa, “Distopia” é um livro interessante, de uma nova promessa da ficção científica brasileira. (Nelson de Oliveira)

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Livro de Poesia Extravio Marinho, de Simone Homem de MelloExtravio Marinho

Simone Homem de Mello

Há muitos anos Simone Homem de Mello mora na Alemanha. Sua poesia chega marcada por essa vivência e essa convivência com outra paisagem. Em Extravio Marinho, seu segundo livro, o leitor entra numa paisagem truncada pela própria linguagem, que não permite uma contemplação tranquila. Sua poesia é descritiva, porém suas imagens chegam fragmentadas, criando dificuldade de leitura. Como lembra Horácio Costa, no posfácio (“Extravio marinho para vulcanologistas”), Simone como que tritura o legado da cultura europeia com um lirismo rarefeito, quebradiço. A imagem se forma e se deforma pelos estilhaços – pelo que restou.

A dificuldade de sua poesia é a de entrar nesse mecanismo de desconstrução de desfoques, como se pode ler numa passagem de longo poema “Deep Play”: “perda:/é como ver alguém aparecer à porta/ e mirar, em vez do homem, o trinco:/ da imagem/ extraviada no fundo de uma salina”. (Heitor Ferraz Mello)

Revista Veja sobre O Altar & o Trono: “Referência incontornável na bibliografia machadiana”

O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, é destaque na Revista Veja

(por Jerônimo Teixeira)

O escritor da moda

Uma análise renovadora de Machado de Assis mostra a importância de um jornal feminino para a composição de O Alienista.

Como muitos grandes escritores, Machado de Assis (1839-1908) tornou-se o centro de um culto – um culto laico, mas nem por isso desprovido de sua mitologia. A lenda machadiana, em sua versão mais corrente, fala de um homem dividido. Na face pública, era um discreto e acomodado funcionário público, fundador da Academia Brasileira de Letras, saudado por seus pares como o grande mestre das letras nacionais. Um verdadeiro “medalhão”, para usar o termo de um de seus contos. O escritor, porém, pairava além e acima desse figurino convencional: um demônio da crítica social, foi o flagelo da elite monárquica – que, tão perversa quanto estulta, jamais compreendeu a arte irônica e dissimulada contida em obras como Dom Casmurro.

Em O Altar & o Trono (Ateliê/Unicamp; 432 páginas; 79 reais), Ivan Teixeira, professor de literatura brasileira da Universidade do Texas, em Austin, procede a um minucioso exame de O Alienista, uma das obras mais conhecidas de Machado de Assis, e das circunstâncias de sua publicação em um jornal feminino do Rio de Janeiro (sim, o gênio imortal escrevia para uma folha de modas). Concluiu que Machado de Assis nunca foi o revolucionário escondido no armário que certos críticos criaram. Sua literatura, ao contrário, ecoava ideias de parte considerável da elite do tempo. Machado de Assis, o integrado: eis aí uma afirmação que soará como heresia naqueles meios acadêmicos dominados pela literatura ideológica de Machado, especialmente aquela proposta pelo crítico marxista Roberto Schwarz. Não é a única inovação de O Altar e o Trono, obra que desde já se destina a ser referência incontornável na bibliografia machadiana.

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Livro O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, na Revista VejaO Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, na Revista Veja

Cozinheiro Nacional – Coleção das Melhores Receitas das Cozinhas Brasileira e Europeias

(por Isabel Furini)

Cozinheiro Nacional – Coleção das Melhores Receitas das Cozinhas Brasileira e EuropéiasAlimentação é um assunto que, de alguma maneira, interessa a todos, seja pela procura de um sabor especial, seja pelo interesse em manter ou recuperar a saúde. Hoje continuaremos com o assunto gastronomia. Na semana anterior falamos do livro “Técnicas de Cozinha Internacional”, hoje falaremos de Cozinheiro Nacional – Coleção das Melhores Receitas das Cozinhas Brasileira e Europeias.

“Os animais pastam, os homens se nutrem, mas só o homem inteligente sabe comer.” Esse é um dos aforismos citados no livro “Cozinheiro Nacional”, prefaciado por Carlos Alberto Doria, revisão de Geraldo Gerson de Souza e Maria Cristina Marques.

No prefácio, Carlos Alberto Doria esclarece: “Trata-se de um livro que é, paradoxalmente, mais referido e citado do que lido. É quase um mito sobre a origem de nossa culinária que, inexplicavelmente, não teve qualquer edição integral depois de 1910, razão pela qual todo bibliófilo, estudante da alimentação, gourmet simples curioso deve saudar esta edição que Ateliê Editorial e Editora Senac São Paulo hoje oferecem…”

Cozinheiro Nacional (2009, 2º edição, 496 páginas) é um livro interessante para estudantes, profesores, profissionais da área de gastronomia. Também as pessoas que adoram cozinhar irão “curtir” as receitas e conselhos dessa obra.

“É um verdadeiro trabalho social da alimentação brasileira no século XIX, dando informações sobre o que as pessoas comiam na corte, nas províncias e no interior do país.

O livro dá receitas curiosas – algumas delas ainda bastante apreciadas em certas localidades do Brasil. Cozinheiro Nacional receitas da carne bovina e 104 de vitela. Começa pelo receituário das sopas. São 131 receitas, das quais 64 são de sopas gordas e magras, tendo por base algum caldo derivado de carne ou de fritura de gorduras. Posteriormente, 20 receitas de sopas tendo por base o vinho branco ou tinto, ou a cerveja. Em terceiro lugar, as sopas que derivam da cocção em leite (15 receitas) e, finalmente, as sopas de frutas (22 receitas).

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Historiador discute relações entre Adoniran e sua grande musa, São Paulo

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O centenário de Adoniran Barbosa – que se comemora em 6 de agosto – é uma excelente ocasião para conhecer Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade, estudo inovador do historiador Francisco Rocha sobre as relações entre o compositor e radialista e sua grande musa, a capital paulista.

Nas palavras do crítico Antonio Candido, Adoniran “inventou um certo jeito de ser paulistano”. Afirmou-se como intérprete, expressão e extensão de uma metrópole no momento em que ela passava por radicais transformações que acentuaram a desigualdade social. Com uma visada crítica, Adoniran modelou a sua visão de São Paulo com uma poética da denúncia e da rebeldia, cheia de cômica ironia e peculiar dicção.

A Arte De Argumentar – Gerenciando Razão e Emoção

(Resenha por Isabel F. Furini – Jornal Indústria & Comércio)

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Trabalhar em equipe é complicado? Entender os outros e se fazer entender é uma arte? Ser capaz de argumentar corretamente, de persuadir, é um sonho difícil de concretizar?

Estamos em um mundo onde os relacionamentos não são fáceis e o trabalho em equipe pode revelar e até aumentar alguns problemas interpessoais.

A arte de comunicar as ideias sem ferir os outros, de argumentar de maneira adequada adquire um valor especial quando se fazem trabalhos em equipe. Talvez por isso o livro de Antônio Suárez Abreu A Arte de Argumentar – Gerenciando Razão e Emoção ( Ateliê Editorial, 2009, 136 páginas) já está na 12º edição. O livro é um guia dirigido a todos aqueles que pretendem melhorar os relacionamentos por meio da criatividade e do trabalho em equipe.

Antônio Suárez Abreu tem pós-doutorado pela Unicamp e defendeu livre-docência pela USP. Atualmente, é professor titular da Unesp, campus Araraquara, onde orienta trabalhos de mestrado e doutorado. Seus escritos, frutos de sua experiência como docente e pesquisador, são plenamente acessíveis ao público em geral.