Poesia

Michel Sleiman está confirmado na Flip 2012

Michel Sleiman, professor de Literatura Árabe na USP, participará da Mesa 8 da Flip, sexta-feira, às 17h15, na Tenda dos Autores. O tema da mesa é “Literatura e liberdade” e tem participação do sírio Adonis e do libanês Amin Maalouf, com mediação de Alexandra Lucas Coelho.
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Michel SleimanMichel Sleiman fez sua carreira estudando a literatura árabe-islâmica de Alandalus (a Península Ibérica medieval quando governada pelos muçulmanos), especialmente a poesia em dialeto árabe-andalusino utilizado no século XII, em meio a outras questões da poética medieval. Concernente a esse período, realizou ensaios e traduções de poemas do poeta cordovês Ibn-Quzman Alqurtubi, que publicou em revistas acadêmicas e magazines, bem como em livros: A Poesia Árabe-Andaluza; As Cidades no Tempo; e A Arte do Zajal. Atualmente leciona e orienta na pós-graduação na Universidade de São Paulo, na Área de Língua e Literatura Árabe. Estuda e traduz poesia árabe medieval e contemporânea e suras do Alcorão. Tem experiência na área de Letras em geral, atuando principalmente em estudos literários e poética. Recentemente publicou o livro de poemas Ínula Niúla. Concebeu a revista Tiraz de estudos árabes e das culturas do Oriente Médio, da qual é diretor desde 2004.

Poesia, Fruto Proibido

Affonso Ávila lança Égloga da maçã e mostra por que é considerado um dos maiores poetas brasileiros

Fonte: Estado de Minas/Pensar

O mineiro Affonso Ávila é um dos nossos maiores escritores. Vencedor de vários prêmios literários do país, como o Jabuti de Poesia, em 2007, especialista no barroco mineiro, dono de uma erudição ativa, além de ser também ensaísta e crítico literário, o poeta dispensa apresentações. Pela Ateliê Editorial, Affonso acaba de lançar Égloga da maçã. Nesta nova coletânea, à moda dos poetas renascentistas, Affonso mostra que o seu modo de lidar com a palavra poética continua, no mínimo, frutífero, e rendendo boas surpresas.

A tal maçã, para Affonso, não é mera coisa, desprovida de senso e sentido. Vários riscos que um só nome sugere, o objeto-fruta que vejo não é o mesmo que o poeta bebe. A maçã de Affonso reordena-se em termos de novidade, ela agrega sentido e a suculência de algo que só pode ser dito através da pura poesia. A fruta, assim, pode ser e é também sinônimo de verso, é quadro vivo, é, ao mesmo tempo, fúria e sensatez.

O estilo de Affonso Ávila transforma a poesia, transforma tudo que é palavra em pasto para os bichos, em manjar para os marmanjos, mantilha para homens e mulheres. As palavras tornam-se delicadas e apetitosas. A força dessa poesia não tem nada de frugal. Capitaneadas por uma mera maçã, Affonso põe na roda um rodízio de coisas. Ele não deixa margens para o simples, sua poesia é, sim, difícil, mas é, acima de tudo, necessária. Como ainda são necessários rios e peixes. Como ainda são necessárias as fomes de comer e sobretudo as frutas.

O poeta escreve como quem retira um lacre, um invólucro, ele descortina palavras como quem descobre ventos, para achar e oferecer sabor e nutrição. Affonso respeita sua língua, o bom português e escreve como um esgrimista. Ele produz a partir do barro. Esse tipo de poesia surge como se águas surtassem, como se o poeta acendesse e mantivesse bem acesso algo forte, luminoso, no corpo e no espírito.

“Uma trasmontante demanda”, o ar da graça, a fruta, a maçã de Affonso nasce pelas artes do mistério, ela chega e toma sua forma – emprestada sabe-se lá de que deuses – ao sabor de fluxos e refluxos de um inconsciente expectante e, ouso dizer, bem mais que sábio, ainda que tardio, mas túrgido de cores vivas e fortes. Affonso respeita o sumo, as forças leves/pesadas desse caldo. Por isso, às vezes, sua poesia torna-se quase incompreensível. É preciso preparo, é preciso olhos para ver, e bocas para bem comer.

Resta ao leitor apaziguar-se com o que sobre de ritmo e música que desce destes versos poderosos, que sobram desse doce mistério. O inconsciente não aceita versões e revisões. É preciso atenção e calma. É bom saber que existe um topo de signos e significados. Não há como saber de onde.

Poeta, o poema

Fonte: Hoje em Dia (MG)
Clarissa Carvalhaes
José Antônio Bicalho
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“As coisas se transformaram, mas o homem continua vendo o mundo pela fresta de uma caverna”
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Quando publicou o livro “Poeta Poente”, em 2010, Affonso Ávila estava triste. A morte recente da esposa com quem fora casado por décadas fez o poeta recolher-se em pranto e pessimismo, carregar-se de arrependimento e nostalgia. Dois anos se passaram e, ainda que a saudade permaneça, o escritor confessa: “Cansei de ser triste”. Desde então, passou a dedicar-se a “Égloga da maçã”, obra que acaba de lançar pela Ateliê editorial (80 páginas, R$35). E como quando se trata de Affonso Ávila o que se espera é sempre o novo, desta vez não poderia ser diferente. “Égloga” e uma poema, único.

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Entrevista Affonso Avila

o silêncio tange o sino, de Mariana Botelho

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Estudos sobre o silêncio
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I
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ficamos imóveis
diante do imenso
pássaro de pedra:
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silêncio
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sólido impassível belo
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falamos
e ele assume-se leve
ave emplumada
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num vôo de morte
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II
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n’algumas coisas o silêncio
canta
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n’outras arde
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em mim
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III
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no fundo da noite
o silêncio
canta
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tarde
o escuro morre
ele agita a carne
morna e
voa –
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essa ave
nua
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Mariana Botelho
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