Daily Archives: 15/09/2014

O renascimento de Sofia

Diogo Guedes | Jornal do Commercio Seção: Caderno C | Pág. 01 | 13 de setembro de 2014

Sidney reescreve o primeiro romance, lançado há 20 anos, e cai na estrada para divulgá-lo. É a terceira versão para a obra

Um romance nunca termina para a maioria dos escritores, enquanto o texto continuar na suas mãos, haverá mudanças, aperfeiçoamentos, testes, transformações. O cearense radicado em Pernambuco Sidney Rocha é um grande exemplo disso: publicou há 20 anos o livro Sofia, uma ventania para dentro (Fundape), que ganhou o Prêmio Osman Lins, mas a história não parou de se mover. Saiu em outra versão, bilíngue e modificada, pela Ateliê Editorial, em 2005. Agora, o autor publica uma terceira versão da narrativa, chamada só de Sofia, completamente alterada, com edição pela Iluminuras.

Sidney começa a viajar hoje pelo Paraná para divulgar a obra, com lançamentos em cidades como Ivaporã, Campo Mourão, Paranavaí, Umuarama e Maringá. “Sempre me senti um escritor inconeluso, mesmo quando termino algo. Nesses anos vim alterando o texto, e isso já é bem visível já na segunda edição. Agora o romance se transformou em um novo romance. Quem leu antes se “reconhecerá nele tanto quanto o novo leitor, de novíssima geração”, conta o autor. “E, ora, o que realmente significa escrever? Escrever é criar um sistema que se valida a cada vez que se escreve. Por isso me sinto à vontade para alterar o que escrevo o tempo todo, se possível.”

Sofia, em todas as suas versões, apesar das grandes singularidades de cada, conta a história de uma paixão por uma personagem misteriosa, que prefere não entender as coisas e nem se prender a elas. O nome dela é repetido, como um pequeno prazer do narrador do volume. Ela provoca uma fascinação equivalente à Lolita de Nabokov – Sidney vê semelhanças entre os narradores das duas histórias, ambos pouco confiáveis apesar da diferença no enredo e na abordagem. “Um romance sobre nada”, esse foi o ponto na minha linguagem que já antecipava Carrero, há 20 anos, na quarta capa da primeira edição de Sofia, lembrando do mesmo desejo: escrever sobre o nada que tinha Flaubert”, lembra.

Segundo ele, as alterações não foram só em palavras, frases ou parágrafos “Capítulos desapareceram e reaparecem noutro formato. Ou se transformam numa única oração. Uma frase ganha peso e compactação de capítulo. Quem ler essa Sofia notará que a proposta é radical e que as alterações durante esse tempo legitimam a personagem: ela quer mudanças, exige. E para mudar, segundo ela, é necessário perder-(se) um pouco. Mas ganhar noutras partes. O livro ganhou arejamento, limpeza, novos pontos de vista”, explica “Mudar de verdade é ser um outro.”

Se Sofia mudou tanto, é um sinal de que Sidney também é outro? “Sim, sou outro paradoxalmente, sendo o mesmo. Esse romance é uma anamnese completa”. Brinca. “Algum dia deverão ler os três livros profundamente para tentar não puramente uma crítica genética, mas para notar como um autor procura uma linguagem própria, que é o que deve buscar sempre um escritor de verdade.”

O próximo livro de Sidney, Geronimo, é também a sua primeira narrativa completa inédita no gênero desde Sofia – nesse intervalo, publicou dois volumes de contos, Matriuska e O destino das metáforas, vencedor do Jabuti. Geronimo, como é de se esperar de um autor 20 anos mais experiente, é uma obra muito distinta da primeira. “Há pontos que sempre estarão lá, nos dois, mas como eu disse ao Vacatussa: No caminho, a vida tratou de agir com toda a força que podia. Minha literatura sempre refletirá o que sou, por isso será sempre transgressora. Fugi de casa pela janela. Boas maneiras não combinam com literatura”, afirma. “Agora, quero que meus leitores se comportem, e leiam esse livro novo”.

Leia trechos de duas versões de Sofia no canal www.jconline.com.br/cultura 

Cinco capistas que irão fazer você julgar o livro pela capa!

Capistas são os profissionais responsáveis por elaborar as capas dos livros e dar o toque final para a obra. Seus trabalhos tem o poder de despertar a atenção do leitor desatento que vaga em um oceano de obras e mais obras nas diferentes livrarias pelo mundo.

Para mostrar o quão esses profissionais são importantes e que são muito mais do que capistas ou designers, mas sim verdadeiros artistas, escolhemos 5 capistas que mais nos chamaram a atenção e que vão fazer você sim, julgar um livro pela capa.

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Geray Gencer

Geray Gencer é um designer que vive em Istanbul. Sua principal área de interesse é baseada em projetos culturais com forte influência tipográfica, onde transita mutalmente entre o design e as artes plásticas. Seus trabalhos mais recentes já foram expostos em galerias e museus como New York Cooper Union Gallery, Franz Mayer Museum and Wilanów Poster Museum collections.

Conheça mais sobre o trabalho de Geray Gencer

 

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Rodrigo Corral

Rodrigo Corral possui o tipo de trabalho que qualquer pessoa no mundo já viu, mesmo que inconscientemente. Seus trabalhos passam por diversos segmentos do design, que vai do mercado editorial ao cinema, além disso, possui diversas parcerias que levam nomes como Chuck Palahnuik, Gary Shteyngart, Criterion Collection, New York Magazine e The New York Times.

Conheça mais sobre o trabalho de Rodrigo Corral

 

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John Gall

“Eu acho que capas deveriam ser divertidas, pop, inteligentes, convidativas e nada confusas”

Conheça mais sobre o trabalho de John Gall

 

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Paul Shares

Paul Shares vem sendo considerado como um do mais influentes designers gráficos da sua geração. É um frequente colaborador para o The New York Times, redesenhou duas grandes revistas canadenses, construiu e destruiu um carro funerário gigante para a banda They Migth Be Giants, além de aparecer em um filme dos anos 90 da Winona Rider.

Conheça mais sobre o trabalho de Paul Shares

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Alison Forner

Alison Forner é Diretora de Arte da Plume e Hudson Street Press, da Penguin Random House. Seu trabalho foi reconhecido pela Instituto Americano de Artes Gráficas pelas premiações no 50 Books/50 Covers ShowNew York Book Show e no PRINT’s Regional Design Annual. Seu trabalho já passou por casas como HarperCollins, W. W. Norton, Simon & Schuster, The Experiment e Chelsea Green. Alison foi poeta e dançarina profissional antes de entrar para o glamuroso mundo do design gráfico.

Conheça mais sobre o trabalho de Alison Forner