Monthly Archives: setembro 2010

Revista Continente indica Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade

Fonte: Revista Continente #117

Livro Adoniran Barbosa - O Poeta da Cidade, Francisco RochaAdoniran Barbosa – O Poeta da Cidade

Francisco Rocha

Fruto de uma dissertação de mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação em História Social da USP, o livro revela a obra de Adoniran Barbosa contextualizada na rápida e constante urbanização da São Paulo da década de 1950. As suas canções, segundo Rocha, constroem uma “ideia de urbano”, representações que narram o cotidiano dessa metrópole. Os capítulos se dividem numa sequência comum aos trabalhos acadêmicos, mantendo referências bibliográficas e citações. É interessante observar o registro em jornais de sambas famosos do compositor, tais como Trem das onze (1951) e Samba do Arnesto (1953), sendo evocados para destacar as vantagens do progresso então em curso.

Assista ao vídeo

Daniel Piza fala sobre Machado de Assis e Guimarães Rosa

(Por Daniel Piza/Estadão)

Em 2002 escrevi um ensaio na revista Cult fazendo paralelo entre os dois contos O Espelho de Machado de Assis e Guimarães Rosa, mostrando como “um tende mais ao antimetafísico, o outro ao metafísico”. Vejo agora que num seminário da Petrobras chamado Mutações, coordenado por Adauto Novaes, há a mesma abordagem, claro que sem crédito. Notei ainda, como num ensaio para a saudosa revista Entrelivros, que nossos dois maiores escritores são semelhantes em temas fundamentais, como essa questão da identidade difusa, da superação de dicotomias, com seu reflexo nos dilemas brasileiros. “Os dois são, em suma, estudiosos de contrastes, e os contrastes que eles estudam têm os matizes do Brasil: litoral x interior, civilização x índole, cartesianismo x carnavalização. E nenhum deles é partidário sobre essas questões.”

Livro Machado e Rosa – Leituras CríticasTambém acaba de sair um livro sobre o assunto, chamado Machado e Rosa – Leituras Críticas, organizado por Marli Fantini para a Ateliê Editorial. São ensaios acadêmicos, alguns muito interessantes, mas são raros os que abordam os dois autores ao mesmo tempo. Os capítulos se alternam, tratando ora de um, ora de outro, ou de aspectos comuns como as dificuldades de tradução, mas o encontro mesmo aparece apenas em Olhares e Espelhos, no qual, como sugere o título, se discute o conto do alferes que confunde o ser e a aparência. O breve texto de Susana Kampff Lages é o que se sai melhor.

Contista Paulo Vasconcelos fala das formas de contar histórias na atualidade

Pequenos contos da atualidade

“Falar é cantar”, lembrou o professor universitário Paulo Vasconcelos, em entrevista ao Blog da Ateliê, ao discutir as maneiras de contar histórias numa sociedade high-tech. Paulo Vasconcelos também é contista, poeta e colabora com o Blog Mel.. Da.. Palavra, entre outros.

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O que tem mudado na forma de contar histórias com o crescimento da comunicação por meio de blogs e microblogs?

A fala é imprescindível e insuperável. Na história aparecem várias linguagens, desde a gestual, a imagem de quem conta e a proximidade até mesmo com cheiro. O grupo conta, no bar, na esquina no ponto de ônibus etc. Agora, há outras modelizações das histórias, acompanhando o viés da história mundial e das novas tecnologias da comunicação. Como por exemplo, a Literatura de Cordel, que nunca esteve tão em alta como agora. Ela está sendo vendida em livrarias, como acontece no Nordeste.

Professor e Contista Paulo Vasconcelos fala sobre formas de contar histórias

Por outro lado, há grupos que se formam para discutir e criar em vários estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Paraíba e outros. O movimento negro, aqui em São Paulo, vem trabalhando isto. Falar é cantar, não esqueçamos disto. E nós assim o fazemos, sem ter consciência, tirando algumas vezes no discurso amoroso ou nas histórias para impressionar.

Que influência isso terá quanto ao envolvimento da sociedade com a literatura?

Não tenho argumentos decisivos quanto a lhe responder isto. Contudo, a literatura escrita tem um impasse face ao preço. Mas penso que o processo editorial vem se expandindo com o crescimento das classes sociais e suas mudanças de patamar. Temos a expansão das Bienais em todo o mundo, inclusive na América Latina. Agora, a literatura oral ocorre sempre e o fará num paralelo à escrita. A periferia é hoje núcleo produtor de literatura, a ponto de universidades formarem núcleos de estudos, como acontece no Rio, com a coordenação de Heloísa Buarque de Holanda.

Ondjaki debate sobre literatura angolana no lançamento de Portanto… Pepetela

Rita Chaves, Ondjaki e Tania Macêdo no bate-papo de literatura angolana

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Escritor Ondjaki participou de debate sobre literatura angolana no lançamento de Portanto… Pepetela. Também estavam presentes no bate-papo as autoras Rita Chaves e Tania Macêdo e os convidados do lançamento na Livraria da Vila – Lorena.

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Veja mais fotos abaixo:

Fotos: Cecília Bastos

Dicas de livros do Guia da Folha – Livros, Discos, Filmes

Romance Distopia, de Hélio Franchini NetoDistopia

Hélio Franchini Neto

Um dos ramos mais prestigiados da ficção científica, até mesmo por quem não aprecia o gênero, é o das narrativas distópicas. A esse ramo pertencem clássicos da literatura como “1984”, de George Orwell, “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e “Farenheit 451”, de Ray Bradbury.

A palavra “distopia” vem do grego (dys + topos) e significa “lugar do mal”. Antônimo de “utopia”, o termo indica o território em que a liberdade e os direitos civis mais básicos foram suprimidos. O romance de estreia de Hélio Franchini Neto dialoga com o de Orwell, ao apresentar um mundo futuro dividido em três Estados em guerra: o dos democratas, o dos libertaristas e dos teologistas.

O personagem central é um jovem democrata que, ao cair prisioneiro do exército libertarista, dá início a uma jornada que o levará também aos teologistas e a uma descoberta surpreendente. Apesar do excesso de descrições e digressões, que emperra um pouco o ritmo da narração em primeira pessoa, “Distopia” é um livro interessante, de uma nova promessa da ficção científica brasileira. (Nelson de Oliveira)

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Livro de Poesia Extravio Marinho, de Simone Homem de MelloExtravio Marinho

Simone Homem de Mello

Há muitos anos Simone Homem de Mello mora na Alemanha. Sua poesia chega marcada por essa vivência e essa convivência com outra paisagem. Em Extravio Marinho, seu segundo livro, o leitor entra numa paisagem truncada pela própria linguagem, que não permite uma contemplação tranquila. Sua poesia é descritiva, porém suas imagens chegam fragmentadas, criando dificuldade de leitura. Como lembra Horácio Costa, no posfácio (“Extravio marinho para vulcanologistas”), Simone como que tritura o legado da cultura europeia com um lirismo rarefeito, quebradiço. A imagem se forma e se deforma pelos estilhaços – pelo que restou.

A dificuldade de sua poesia é a de entrar nesse mecanismo de desconstrução de desfoques, como se pode ler numa passagem de longo poema “Deep Play”: “perda:/é como ver alguém aparecer à porta/ e mirar, em vez do homem, o trinco:/ da imagem/ extraviada no fundo de uma salina”. (Heitor Ferraz Mello)

Fotos do Lançamento de O Altar & o Trono

Ivan Teixeira, Milton Torres e Emanuel Araujo no lançamento de O Altar & o Trono

Milton Torres, Ivan Teixeira e Emanuel Araújo / Foto: Cecília Bastos

O lançamento do livro O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, aconteceu na Livraria da Vila – Fradique e contou com a presença de Jerusa Pires Ferreira, Milton Torres, Emanuel Araújo, Prof. Antônio Medina Rodrigues e Prof. José de Paula Ramos Jr.

Confira abaixo algumas fotos do evento

Fotos: Cecília Bastos