Editorial Ateliê

Em Campinas, Paulo Franchetti realiza lançamento da obra ‘A Mão do Deserto’

Paulo Franchetti durante o lancamento (Fotos de Val Camilo Franchetti)

Na última sexta-feira (1/10), aconteceu o lançamento e sessão de autógrafos do livro A Mão do Deserto, escrito por Paulo Franchetti. O evento aconteceu em Campinas, interior de São Paulo, no Shed Bar Oficial (R. Carolina Florence, 662 – Guanabara).

A chuva tão esperada ao longo da semana escolheu comparecer ao lançamento de A Mão do Deserto.  O deserto, o calor, a poeira quente, portanto, ficaram restritas ao interior do livro”. O benefício coletivo não veio exatamente em proveito do evento, mas não atrapalhou tanto: muitos amigos, a maior parte dos quais eu não via desde o começo da pandemia, familiares, pessoas interessadas no tema – juntos festejamos ali a amizade, o reencontro, o espírito de aventura e o motociclismo. Quem não pode vir por conta do clima ou por receio de se expor, esteve presente em espírito e intenção, encomendando exemplares que dois dias depois seguiram pelo correio. Do ponto de vista afetivo, pessoal, o livro já cumpriu o seu papel. Resta agora que ele encontre seus leitores, o que sem dúvida ocorrerá não só no ambiente da motocicleta – que é amplo e disseminado pelo país – mas também no ambiente que sempre foi o meu, que é o da literatura, da ficção e da experiência transformada em palavras. Autografar pela primeira vez um livro que junta os dois lados da minha vida foi um momento de grande alegria e, em certo sentido, de conciliação (Paulo Franchetti sobre o lançamento).

Na obra, Franchetti aborda a sua aventura solitária, sobre uma motocicleta, até o Atacama, além de ser uma vontade própria de desbravar, também, o deserto íntimo. “Eu tinha idealizado a viagem para que fosse também (ou principalmente) uma viagem interior”, o que prova que não é apenas um livro de viagem, mas a evocação das memórias junto às instigações que despertam as histórias de um motociclista entre as maravilhas das paisagens aos reveses enfrentados na viagem.

Paulo Franchetti durante o lançamento (Fotos de Val Camilo Franchetti)

A Mão do Deserto é um livro GPS com destino traçado, mas de percursos de um amante da literatura e da motocicleta. O leitor é conduzido com celeridade narrativa, mas nunca ultrapassando a boa leitura, entrando de vez na história, viajando pelos lugares monumentais, conhecendo personagens memoráveis e relatos emotivos, combinando, enfim, um ponto de encontro com o autor.

A obra está à venda no site da Ateliê Editorial. Confira aqui

Veja abaixo fotos do lançamento (crédito: Val Camilo Franchetti)

Ateliê realiza o lançamento virtual da obra ‘Graciliano na Terra de Camões – Difusão, Recepção e Leitura (1930-1950)’, de Thiago Mio Salla

Nesta quinta-feira, 7 de outubro, às 20h, no Youtube da Ateliê Editorial, acontece a live de lançamento da obra ‘Graciliano na Terra de Camões – Difusão, Recepção e Leitura (1930-1950)’, de Thiago Mio Salla. Além do autor, o encontro virtual tem a participação de Ieda Lebensztayn, Ricardo Ramos Filho, Luís Bueno e mediação de Luciana A. Marques.


O livro já está à venda e com desconto no site da Ateliê.

De R$80,00 >>> Por R$40,00

Aproveite!

CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS

“Adeus a Bruno Palma” – Homenagem do poeta Marcus Fabiano Gonçalves seguida de poemas do livro “O Mar e o Búzio”

Frei Bruno Palma

Vai-se um grande amigo: Frei Bruno Palma (1927-2021). Como padre dominicano, tradutor, linguista, filólogo e poeta, foi mestre de alguns e aluno dos mais ilustres pensadores de seu tempo. Até os seus 94 anos, cultivou a virtude da humildade de quem sempre procurou manter-se fiel à voz dos grandes nomes da poesia mundial justamente quando aqui tornava-se moda a fácil intervenção abusiva nas criações alheias. Frequentávamo-nos mutuamente, discutíamos filosofia, hermenêuticas de minúcias teológicas e os descaminhos das políticas culturais, inclusive sem limites de temas laicos e até eróticos. Sempre que possível, corrigíamos nossos poemas e ensaios em voz alta. (texto de Marcus Fabiano Gonçalves, publicado originalmente em Piparote – Revista de Literatura e Arte).

CLIQUE AQUI E LEIA NA ÍNTEGRA

Dia Internacional da Música na Ateliê Editorial

O Dia Internacional da Música é comemorado anualmente em 1º de outubro. A ideia para criar a celebração surgiu a partir de uma iniciativa da UNESCO, em 1975, através da International Music Council – uma organização não-governamental, fundada em 1949, e que tem o objetivo de promover a paz e a amizade entre os povos com o auxílio da música. Liga o som e venha comemorar com a Ateliê Editorial.

Clique aqui e confira o catálogo sobre o tema

Dia Internacional da Tradução na Ateliê Editorial

São Jerônimo (arte de Hendrick van Someren, pintor barroco holandês – 1615-1685)

Em 30 de setembro comemora-se o Dia Internacional da Tradução. A importante área literária é celebrada na data em que morreu São Jerônimo, patrono dos tradutores. Ele foi incumbido pelo Papa Damaso a traduzir a Bíblia para o latim, graças ao conhecimento que tinha desta língua, do grego e do hebraico.

E a Ateliê Editorial realiza a promoção de seus títulos do catálogo com incríveis traduções. Aproveite!

A editora também presta uma homenagem a Bruno Palma, poeta e tradutor que faleceu no último domingo (26), confira aqui o nosso texto em memória a um dos maiores nomes da literatura.

CLIQUE AQUI E VEJA OS TÍTULOS EM PROMOÇÃO

Ateliê Editorial homenageia Bruno Palma no Dia Internacional da Tradução

Em 30 de setembro comemora-se o Dia Internacional da Tradução. A importante área literária é celebrada na data em que morreu São Jerônimo, patrono dos tradutores. Ele foi incumbido pelo Papa Damaso a traduzir a Bíblia para o latim, graças ao conhecimento que tinha desta língua, do grego e do hebraico. A Ateliê Editorial tem um trabalho empenhado na publicação de obras com apuro preciso nas traduções.

Traduzir não é meramente pegar as palavras que estão no dicionário e jogar nas páginas de um livro, para Bruno Palma era a fidelidade da escolha precisa e árdua na construção de um texto, como ele mesmo respondeu em entrevista a Marcus Fabiano Gonçalves:

“Quando se fala em fidelidade é preciso levar em conta sua correspondência homóloga na língua de chegada. Por isso, para se obter um bom resultado, é mais importante conhecer-se bem a língua para a qual se traduz. E TUDO é importante para que haja fidelidade ao original: até um simples fonema, ou mero sinal, um hiato, um silêncio”.

Não se pode limitar a fidelidade ao original à atenção às palavras que constituem o discurso. Se elas são a matéria de que ele é feito, não são meros conteúdos intercambiáveis (Bruno Palma em entrevista a Marcus Fabiano Gonçalves, em Bruno Palma, escolhedor de palavras, na Revista do IEA/USP).

No último domingo, 26 de setembro, faleceu o poeta e tradutor Frei Bruno Palma, aos 94 anos. Palma publicou as obras traduzidas Amers / Marcas Marinhas, de Saint-John Perse, e Duplo Canto e Outros Poemas, de François Cheng. Além das traduções, Bruno Palma lançou o livro de poesias Cirandas. Pela Com Arte (Editora Laboratório do Curso de Editoração da ECA-USP), Palma publicou as obras O Mar e o Búzio e Porque é Noite. Há também no catálogo do selo: Bruno Palma, Escolhedor de Palavras – Ensaio sobre a Arte e o Ofício de um Tradutor, de Marcus Fabiano Gonçalves.

Para a data tão importante à cultura, a Ateliê Editorial dedica este Dia Internacional da Tradução à memória de Frei Bruno Palma, um dos maiores tradutores do país e que deixou um legado essencial para a literatura. Até o fim da vida, frei Bruno Palma manteve-se ativo no labor diário da tradição de São Jerônimo, tendo deixado duas traduções ainda inéditas de Elogios, de Saint-John Perse, e de Verdadeira Luz Nascida de Verdadeira Noite, de François Cheng, acrescidas de importantes comentários que auxiliam o leitor na fruição de obras tão densas.

“Creio, porém, que minha tradução da obra poética de François Cheng foi ajudada pela minha experiência anterior, a tradução de obras de Saint-John Perse. Pode parecer estranho, pois Perse é muito diferente de Cheng. Contudo, ambos são “poetas do ser”, como diz François Cheng, e se encontram por isso no essencial: na sua maneira de ver o mundo e de se relacionar com ele” (Bruno Palma em entrevista a Marcus Fabiano Gonçalves, em Bruno Palma, escolhedor de palavras, na Revista do IEA/USP).

BRUNO PALMA

Ivo de Souza Palma nasceu em 1927, na cidade de Araraquara (SP). É conhecido pelo nome religioso, Frei Bruno Palma, da Ordem dos Dominicanos e assina suas traduções com seu nome literário Bruno Palma. Recebeu da sua família o gosto pela leitura dos melhores autores da literatura portuguesa e brasileira e, desde cedo, pôde lê-los, em sua casa, por iniciativa própria ou como tarefa escolar.  O mesmo se pode dizer do seu contato com grandes autores estrangeiros, em boas traduções. 

Quanto à sua experiência tradutória, ela começou no ginásio, onde, nos cursos de latim, francês e inglês, ministrados desde o primeiro ano ginasial, havia, como prática habitual, a tradução para o português de textos escritos nessas línguas, e as chamadas “versões”, do português para elas. Fez seus estudos de filosofia e teologia na França.

De volta ao Brasil, foi ordenado sacerdote, em 1957, por D. Helder Câmara e exerceu suas atividades sacerdotais e magisteriais em várias cidades brasileiras. Começou, desde 1958, a realizar traduções das obras de Saint-John Perse e publicá-las, primeiro em jornais depois em livro. Voltando da França, em 1976, continuou a se dedicar à tradução das obras de Saint-John Perse. Entre elas, figuram Anábase (1979) pela qual recebeu o Prêmio Jabuti, em 1980; e Marcas Marinhas (Ateliê Editorial, 2003que lhe valeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras, em 2004. Em 2011, publica Duplo Canto e Outros Poemas (Ateliê Editorial), que congrega três obras poéticas do poeta sino-francês François Cheng (1929): Double Chant, Cantos Toscans e Le Long d’um Amour. Publicou também Cirandas, livro de poesias.

Em entrevista para a tradutora e poeta Simone Homem de Mello, no livro Bruno Palma – Tradução Não Tem Fim (Com Arte – Editora Laboratório do Curso de Editoração da ECA-USP), o nosso homenageado definiu aquilo que pode ser o labor da tradução:

Tradução não tem fim, não tem ponto de parada. Tradução é uma coisa eterna. E não existe tradução perfeita. Existem tentativas de tradução: a minha é uma tentativa.

OBRAS PUBLICADAS PELA ATELIÊ

Amers / Marcas Marinhas

Este é um canto épico de louvor ao mar como modelo de grandeza e de toda realização humana. Saint-John Perse (1887-1975), vencedor do Prêmio Nobel em 1960, funde diversas tradições míticas e tece um elogio à Criação. Para Bruno Palma, o autor “transmite um rigor de incomparável liberdade. Jamais teme as palavras”. Esta edição bilíngue é um marco na tradução poética brasileira pelo prodigioso trabalho de recriação feito por Bruno Palma, que assina também a cronologia, a introdução e as notas.

Duplo Canto e Outros Poemas

Traduzir poesia é traduzir o intraduzível. São raros os que o fazem. E mais raros ainda os que o conseguem com proveito. Bruno Palma é um desses casos. Passou para o nosso português as páginas mais belas de Saint-John Perse. Recriou ritmos e ambientes quase intransponíveis. Criou novas palavras, e deu a outras novo lustro de vida, novas conotações de convivência. Agora, Palma traduz François Cheng. Poeta sino-francês, Cheng é um sintetizador dessas duas extraordinárias vertentes de civilização. Bruno se empenha sobretudo junto às figuras de linguagem, que em Cheng resultam de interação profunda com a natureza, e segue as linhas essenciais do ritmo chenguiano. A simbiose de Cheng enlaça a tradição de literatura e pensamento zen, na sua expressão ideográfica distinta, à nossa tradição radicalmente inovadora da perspectiva aberta por Mallarmé. Integrador de linguagens e culturas, Cheng muito nos enriquece a vivência literária: no caso dos leitores de língua portuguesa, graças ao pleno encontro de Bruno Palma com o mestre sino-francês, recriando-o admiravelmente em nossa língua.

Cirandas

Essas canções infantis – ditas “de ronda”, ou “de roda” – fazem parte da nossa infância e, por isso, sempre despertaram em mim o desejo de escrever poemas sobre elas. Adotei, como Villa-Lobos, o nome de “cirandas”. E tentei fazer o que ele fez – e genialmente: assumi-las numa forma erudita, sem perder seu encanto e seu frescor. Assim, escolhi o soneto: forma de beleza imperecível e exigente, pela sua concisão e musicalidade. E é essa musicalidade que procurei manter nas minhas versões pessoais do patrimônio comum dos povos brasileiro e português. E, visto que muitas dessas cirandas têm várias versões, optei pela mais normativa gramaticalmente e mais sugestiva no seu conteúdo, ciente de que, primeiro: a forma e o ritmo de um poema fazem parte essencial desse conteúdo, já são significativos e poéticos por eles mesmos; depois, nada garante que as minhas opções reencontrem o “original” das ronda.

Ateliê realiza a live de lançamento de ‘Graciliano na Terra de Camões – Difusão, Recepção e Leitura (1930-1950)’, obra de Thiago Mio Salla

Na quinta-feira, 7 de outubro, às 20h, no Youtube da Ateliê Editorial, acontece a live de lançamento da obra Graciliano na Terra de Camões – Difusão, Recepção e Leitura (1930-1950), de Thiago Mio Salla. Além do autor, o encontro virtual tem a participação de Ieda Lebensztayn, Ricardo Ramos Filho, Luís Bueno e mediação de Luciana A. Marques. O livro já está à venda no site da Ateliê.

Escrito pelo premiado professor, crítico e pesquisador Thiago Mio Salla,  Graciliano na Terra de Camões investiga as diferentes facetas da recepção e da divulgação da obra do autor de Vidas Secas e, por extensão, do romance de 1930 brasileiro, em Portugal ao longo dos anos de 1930, 1940 e 1950. Trata-se de um período singular, marcado, entre outros aspectos:  pela ampliação, em termos editoriais, da indústria do livro brasileira, o que teria dado início a um processo irreversível de inversão da influência tipográfica entre Portugal e Brasil;  pela emergência, no âmbito artístico, do neorrealismo luso e pela singular presença, em terras portuguesas, da literatura brasileira, algo nunca antes observado no intercâmbio literário entre os dois países; em termos políticos e culturais, pelo esforço de aproximação formal entre os governos de Getúlio e Salazar, que celebraram o emblemático acordo de 1941, voltado à promoção de “íntima” cooperação artística e intelectual entre as duas nações.

Com ênfase nas dimensões jornalística, epistolar e editorial relativas à chegada e à ressonância de Graciliano em Portugal, Thiago Mio Salla procurou observar como, para além de leituras e apropriações feitas quer por neorrealistas à esquerda, quer por estadonovistas à direita, as produções do autor alagoano se firmaram no panorama cultural português e consolidaram seu nome, de modo ampliado, como um dos principais prosadores de nosso idioma.

Graciliano na Terra de Camões constitui-se, portanto, em um trabalho de caráter interdisciplinar que procura conjugar, sobretudo, as áreas de Letras e Editoração, com ênfase em estudos literários e de recepção, história do livro, da edição e do intercâmbio político e cultural entre Brasil e Portugal na primeira metade do século XX. Em chave metonímica, o livro toma o caso concreto da chegada e da difusão da obra de Graciliano Ramos em Portugal para discutir, sobretudo, as relações literárias e editoriais entre os dois países, num contexto pós-revolução de 1930, em que nossos livros e nossa literatura, invertendo o fluxo até então prevalente entre ex-metrópole e antiga colônia, se expandiram pelo mercado e pelo universo cultural português. 

Diante da carência de dados e estudos a respeito do tema investigado, a pesquisa que embasou o livro ora apresentado aos leitores pautou-se pela recuperação e exame de um rol diversificado de fontes primárias. Mais especificamente, contemplou a localização, inventariação e interpretação de artigos, cartas, dedicatórias, livros, encontrados em bibliotecas, hemerotecas e diferentes espólios literários brasileiros e portugueses.

Como complemento bastante rico, o livro ainda apresenta uma compilação de imagens de textos avulsos de Graciliano Ramos publicados em diferentes periódicos lusos, bem como uma proposta de edição anotada de toda a desconhecida fortuna crítica de Graciliano Ramos em Portugal entre os anos de 1930 e 1950. Mediante essa segunda iniciativa de coletar, transcrever, apor notas e normalizar um conjunto variado de artigos e ensaios sobre o autor alagoano e de entrevistas por ele concedidas e publicadas, fundamentalmente, na imprensa lusitana, Salla procurou disponibilizar tal material para outros pesquisadores interessados no estudo da recepção crítica do autor de Vidas Secas ou mesmo do romance brasileiro de 1930 em terras portuguesas.

O AUTOR

Thiago Mio Salla é doutor em Ciências da Comunicação e em Letras pela Universidade de São Paulo. Enquanto docente e pesquisador da Escola de Comunicações e Artes da USP e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da FFLCH/USP, dedica-se às áreas de Literatura Brasileira, Teorias e Práticas da Leitura e Editoração. Entre outros trabalhos, publicou o livro Garranchos – Textos Inéditos de Graciliano Ramos (Record, 2012) e Graciliano Ramos e a Cultura Política (Edusp, 2017), bem como, em parceria com Ieda Lebensztayn, as obras Cangaços (Record, 2014) e Conversas (Record, 2014), ambas também a respeito do autor de Angústia.

Notícia: A aventura solitária de um professor pelo deserto do Atacama, por HoraCampinas

“Ao planejar a viagem, eu só tinha desejado uma coisa: ficar sozinho, com a minha moto, a maior parte do tempo”. Este foi o mote de Paulo Franchetti e que deu origem ao livro A Mão do Deserto, publicado pela Ateliê Editorial. De forma literária e de um relato preciso desde o planejamento da viagem, passando pelo trajeto de 11 mil quilômetros, até o final da jornada, o autor nos leva junto na garupa em uma narrativa imersiva e emocional, colaborando para um itinerário de espaço e tempo, do humano e máquina, da imensidão da paisagem da América do Sul, de um estrangeiro em busca de um desafio a duas rodas.

LEIA NA ÍNTEGRA NO JORNAL

SAIBA MAIS SOBRE A OBRA

Notícia: Dante, há 700 anos entre o Céu e o Inferno, por Marcello Rollemberg

Dante Alighieri sonhou o paraíso e o inferno. Purgou suas dores, remorsos e traições. E nas duas décadas em que pensava em sua Florença natal — da qual havia sido expulso para nunca mais voltar –, Dante se dedicou a escrever um livro. Um livro? Não: o livro definitivo da poesia e da literatura medieval, sua obra maior e uma das mais monumentais obras das artes de todos os tempos. Dante não escreveu apenas a Divina Comédia: ao fazê-lo em dialeto toscano, em lugar do tradicionalíssimo e culto latim, ele também estava inventando a língua italiana. E, por tabela, toda uma cultura universal. Dante sonhou com o paraíso, com o céu. Então, nada mais justo que sua obra suprema vá para o espaço. Literalmente. As 14.200 linhas e as cerca de 32 mil palavras que compõem os cem cantos de Divina Comédia serão transportadas ao céu, o mesmo céu que “corre mais rapidamente” como afirma a epígrafe que abre esse texto. O céu de Dante Alighieri, que vai se descortinar para uma nave russa Soyuz levando ao éter uma cópia da obra do poeta de Florença microinscrita em folhas de uma liga de titânio e ouro. E lá ficará flutuando por toda a eternidade, ao preço de 150 mil euros. A eternidade que uniu Dante e Beatriz, mas que a realidade negou. 

(Jornal da USP, 24 de setembro de 2021)

LEIA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA

CONFIRA A EDIÇÃO DE DIVINA COMÉDIA DA ATELIÊ

Faleceu o poeta e tradutor Frei Bruno Palma

Faleceu, na madrugada deste domingo, 26 de setembro, o poeta e tradutor Frei Bruno Palma, aos 94 anos. A Ateliê Editorial lamenta a morte de um dos maiores tradutores do país, que deixou um legado essencial para a literatura. Na editora, Palma publicou as obras traduzidas Amers / Marcas Marinhas, de Saint-John Perse, e Duplo Canto e Outros Poemas, de François Cheng, que para o editor Plinio Martins Filho: “considero uma das mais importantes no catálogo da Ateliê”. Além das traduções, Bruno Palma lançou o livro de poesias Cirandas. Pela Com Arte (Editora do Curso de Editoração da ECA-USP), Palma publicou as obras O Mar e Búzio e Porque é Noite. Há também no catálogo do selo: Bruno Palma, Escolhedor de Palavras – Ensaio sobre a Arte e o Ofício de um Tradutor, de Marcus Fabiano Gonçalves.

Frei Bruno Palma

Ivo de Souza Palma nasceu em 1927, na cidade de Araraquara (SP). É conhecido pelo nome religioso, Frei Bruno Palma, da Ordem dos Dominicanos e assina suas traduções com seu nome literário Bruno Palma. Recebeu da sua família o gosto pela leitura dos melhores autores da literatura portuguesa e brasileira e, desde cedo, pôde lê-los, em sua casa, por iniciativa própria ou como tarefa escolar.  O mesmo se pode dizer do seu contato com grandes autores estrangeiros, em boas traduções. 

Quanto à sua experiência tradutória, ela começou no ginásio, onde, nos cursos de latim, francês e inglês, ministrados desde o primeiro ano ginasial, havia, como prática habitual, a tradução para o português de textos escritos nessas línguas, e as chamadas “versões”, do português para elas. Fez seus estudos de filosofia e teologia na França.

De volta ao Brasil, foi ordenado sacerdote, em 1957, por D. Helder Câmara e exerceu suas atividades sacerdotais e magisteriais em várias cidades brasileiras. Começou, desde 1958, a realizar traduções das obras de Saint-John Perse e publicá-las, primeiro em jornais depois em livro. Voltando da França, em 1976, continuou a se dedicar à tradução das obras de Saint-John Perse. Entre elas, figuram Anábase (1979) pela qual recebeu o Prêmio Jabuti, em 1980; e Marcas Marinhas (Ateliê Editorial, 2003que lhe valeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras, em 2004. Em 2011, publica Duplo Canto e Outros Poemas (Ateliê Editorial), que congrega três obras poéticas do poeta sino-francês François Cheng (1929): Double Chant, Cantos Toscans e Le Long d’um Amour. Publicou também Cirandas, livro de poesias.

OBRAS PUBLICADAS PELA ATELIÊ

Amers / Marcas Marinhas

Este é um canto épico de louvor ao mar como modelo de grandeza e de toda realização humana. Saint-John Perse (1887-1975), vencedor do Prêmio Nobel em 1960, funde diversas tradições míticas e tece um elogio à Criação. Para Bruno Palma, o autor “transmite um rigor de incomparável liberdade. Jamais teme as palavras”. Esta edição bilíngue é um marco na tradução poética brasileira pelo prodigioso trabalho de recriação feito por Bruno Palma, que assina também a cronologia, a introdução e as notas.

Duplo Canto e Outros Poemas

Traduzir poesia é traduzir o intraduzível. São raros os que o fazem. E mais raros ainda os que o conseguem com proveito. Bruno Palma é um desses casos. Passou para o nosso português as páginas mais belas de Saint-John Perse. Recriou ritmos e ambientes quase intransponíveis. Criou novas palavras, e deu a outras novo lustro de vida, novas conotações de convivência. Agora, Palma traduz François Cheng. Poeta sino-francês, Cheng é um sintetizador dessas duas extraordinárias vertentes de civilização. Bruno se empenha sobretudo junto às figuras de linguagem, que em Cheng resultam de interação profunda com a natureza, e segue as linhas essenciais do ritmo chenguiano. A simbiose de Cheng enlaça a tradição de literatura e pensamento zen, na sua expressão ideográfica distinta, à nossa tradição radicalmente inovadora da perspectiva aberta por Mallarmé. Integrador de linguagens e culturas, Cheng muito nos enriquece a vivência literária: no caso dos leitores de língua portuguesa, graças ao pleno encontro de Bruno Palma com o mestre sino-francês, recriando-o admiravelmente em nossa língua.

Cirandas

Essas canções infantis – ditas “de ronda”, ou “de roda” – fazem parte da nossa infância e, por isso, sempre despertaram em mim o desejo de escrever poemas sobre elas. Adotei, como Villa-Lobos, o nome de “cirandas”. E tentei fazer o que ele fez – e genialmente: assumi-las numa forma erudita, sem perder seu encanto e seu frescor. Assim, escolhi o soneto: forma de beleza imperecível e exigente, pela sua concisão e musicalidade. E é essa musicalidade que procurei manter nas minhas versões pessoais do patrimônio comum dos povos brasileiro e português. E, visto que muitas dessas cirandas têm várias versões, optei pela mais normativa gramaticalmente e mais sugestiva no seu conteúdo, ciente de que, primeiro: a forma e o ritmo de um poema fazem parte essencial desse conteúdo, já são significativos e poéticos por eles mesmos; depois, nada garante que as minhas opções reencontrem o “original” das rondas…