A história de Plínio, o Jovem

Plínio, o Jovem: a testemunha ocular da erupção do Monte Vesúvio - Mega  Curioso

A Ateliê Editorial e Editora Mnema publicam a obra Plínio, O Jovem – Epístolas Completas. Com tradução, introdução e notas de João Angelo Oliva Netoassim como leitura crítica por Paulo Sérgio de Vasconcellos. O livro, em edição bilíngue – Latim/Português -, está em pré-venda com desconto especial (clique aqui).

Plínio, o Jovem:
Um Homem Feliz num Tempo de Paz

Caio Cecílio Segundo, conhecido como Plínio, o Jovem (e em Portugal Plínio, o Moço), por diferenciá-lo do tio, Caio Plínio Segundo (c.23-c. 79 d.C.), conhecido como Plínio, o Velho − nasceu em 62 d.C., já que tinha dezessete anos no dia em que o Vesúvio entrou em erupção em 24 de outubro de 79 d.C. (episódio narrado na epístola VI, 20). Nasceu na cidade de Como (Comum, em latim) no norte da Itália, numa família de proprietários de terra, de cepa senatorial, e fez estudos em Roma sob proteção do tio, que veio depois a adotá-lo. Após frequentar a escola do rétor Quintiliano (33/35 d.C. – antes de 100 d.C., autor das Instituições Oratórias e preceptor do imperador Domiciano), Plínio iniciou em âmbito privado a carreira de advogado entre 79 e 81 d.C., no mesmo período em que Domiciano, imperador entre 81 e 96 d.C., começava a governar: com apenas dezoito anos dava início ao cursus honorum, isto é, à carreira de cargos públicos, que foram registrados numa importante inscrição epigráfica encontrada em Como (CIL, 5, 5262), que, transcrita e traduzida, se encontra no fim da Introdução.

Plínio começou como um dos dez juízes da Corte Decenviral (decemuir litibus iudicandis) e presidente da Corte Centunviral (V, 8, 8), e logo após serviu como tribuno militar (tribunus militum) na Síria no início do governo de Domiciano (III, 11, 5; VII, 16, 2; VII, 31, 2; X, 87, 1). Seguem-se o cargo de séviro dos cavaleiros romanos (seuir equitum Romanorum, CIL, 5, 5262), questor do Imperador (quaestor imperatoris, VII, 16, 2), o que permitia sumária admissão no Senado, e o de tribuno da plebe (tribunus plebis, I, 23, 2) em 91 d.C. Tornou-se pretor em 93 d.C (ou 95 d.C.), cargo que manteve até 96 d.C. Com a pretura obtém o cargo trienal de prefeito do erário militar (praefectus aerarii militaris, III, 11, 5), que, estabelecido por Augusto, tinha entre outras a finalidade de administrar a pensão de ex-soldados. Em janeiro de 98 d.C.

Plínio assumiria o cargo de prefeito do erário de Saturno (praefectus aerarii Saturni, I, 10, §§10-11; III, 4, §§2-3; V, 14, 5; X, 3A e X, 8), função semelhante à de um ministro da fazenda, e ali permaneceria até agosto de 100 d.C., quando, já sob Trajano, se tornou cônsul (consul, V, 14, 5), logo após o quê, em 1 de outubro de 100 d.C., para agradecer ao imperador pelo cargo, proferiu no Senado o discurso que, segundo tradição estabelecida no Império, veio a ser conhecido como Panegírico de Trajano. A partir de 104 ou 105 d.C. por dois anos Plínio foi supervisor do leito e das margens do Tibre e das cloacas de Roma (curatoraluei Tiberis et riparum et cloacarum urbis, V, 14, 2) e mais tarde, em data incerta, obteve o cargo de áugure (augur, IV, 8, 1 e X, 13). Tendo-se tornado próximo de Trajano, foi por ele enviado em 109 ou 111 d.C. (X, 15) à Bitínia como legatus Augusti, função semelhante à de governador, para resolver tensões econômicas daquela província e da província do Ponto, como demonstra a correspondência trocada com o Imperador. Morreu durante essa missão ou logo depois, entre 112 e 114 d.C., ao voltar a Roma.


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