Monthly Archives: janeiro 2022

Leia um trecho da obra ‘Em Busca do Paraíso Perdido: As Utopias Medievais’, de Hilário Franco Júnior, publicada pela Ateliê Editorial e Mnêma

A Ateliê Editorial e a Editora Mnêma publicam a obra Em Busca do Paraíso Perdido: As Utopias Medievais, do premiado historiador Hilário Franco Júnior. Adquira o livro no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

Desde meados do século passado ampliaram-se muitos nossos conhecimentos sobre a Idade Média, na qual se reconhece a matriz da civilização ocidental cristã. Mas ainda subsistem múltiplas facetas interessantes a explorar, uma delas a produção utópica da época, que a historiografia tende a negar.

De um lado, argumenta-se não ser possível falar em utopia antes de Tomás More ter criado a palavra, no começo do século XVI. De outro lado, afirma-se que as pessoas da Idade Média pensavam demais na perfeição do Além para poderem imaginar uma sociedade perfeita nesta vida.

O livro mostra, contudo, com refinamento conceitual e erudição, que houve várias utopias na Idade Média, cuja compreensão ajuda a lançar luz sobre não poucos aspectos do Ocidente atual.

HILÁRIO FRANCO JÚNIOR é professor de pós-graduação de história social na Universidade de São Paulo. Obteve o pós-doutorado em história medieval na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França. Recebeu dois prêmios Jabuti. Tem diversos livros publicados, sempre focando temas medievais.  Publicou pela Ateliê Dante – O Poeta do Absoluto e Cocanha – Várias Faces de uma Utopia.

Leia abaixo um trecho da obra:

MEMÓRIA DO PARAÍSO

Se utopia – retomando nossa tentativa de definição no âmbito da cultura cristã medieval – é relato (o mito edênico) textual ou iconográfico sobre uma sociedade ideal (a adâmica antes da Falta) colocada num espaço (o jardim criado por Deus) e num tempo (o sexto dia da criação do mundo) imaginários, sociedade que se recuperada superaria as limitações e dificuldades do presente histórico (a Europa ocidental entre fins do século III e meados do XVII), a questão que evidentemente emerge é: como tal sonho coletivo pôde manter-se vivo e atuante socialmente durante tantos séculos e em tão variados territórios? A resposta obriga-nos a introduzir um último elemento conceitual, o de memória coletiva.

A avaliação do senso comum pela qual utopia é produto de mentes inquietas e imaginativas deve ser revista, atentando-se inicialmente para o fato óbvio, nem sempre devidamente considerado, de a imaginação não ser processo psíquico completamente autônomo. Ninguém imagina a partir do nada, e sim de determinados enquadramentos. A atual psicologia cognitiva ao estudar a memória de longo prazo demonstrou que ela não é conservação passiva do passado, e sim reconstrução ativa que ocorre num palco bem mais amplo do que apenas o do sujeito que rememora, razão pela qual a memória, além de biológica e pessoal, é também social e coletiva. Daí na dinâmica da imaginação o papel essencial desempenhado pela memoria, que de certa maneira articula todos os elementos da história social.

Morre Vanna Piraccini, fundadora da livraria Leonardo Da Vinci

Vanna Piraccini

No último domingo, 9, aos 96 anos, Vanna Piraccini, fundadora da livraria Leonardo Da Vinci. A Ateliê Editorial presta lembrança a essa incrível livreira.

Junto com seu marido, Andrei Duchiade, a livreira fundou a Leonardo da Vinci em 1952. Ao longo do tempo em que esteve à frente da Leonardo da Vinci, dona Vanna, como era conhecida pelos pares, fez da livraria um ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos. Nomes como Clarice Lispector, Glauber Rocha e Carlos Drummond de Andrade frequentaram o local.

Nas redes sociais, a livraria publicou o texto abaixo:

Com grande tristeza, comunicamos o falecimento no último domingo de dona Vanna Pirracini, fundadora da Livraria Leonardo da Vinci. Dona Vanna parte aos 96 anos deixando um imenso legado para a cultura do Rio de Janeiro e do Brasil. Seu papel como livreira da Da Vinci durante décadas, responsável pela formação de gerações de brasileiros na melhor tradição literária e científica produzida mundialmente, foi mais do que notável em um período carente de traduções e de forte repressão política. Fundada em 1952 pelos livreiros Vanna Piraccini e Andrei Duchiade, a Leonardo da Vinci foi considerada por décadas como a melhor livraria da cidade em uma época de grandes livrarias. Essa fama veio sobretudo em razão de Vanna Piraccini ou, melhor dizendo, dona Vanna. Dona Vanna foi uma livreira à moda clássica. Conhecendo pessoalmente seus clientes, formou uma geração de intelectuais. O nome escolhido por dona Vanna traduziu o que ela esperava que a livraria representasse: uma proposta de renascimento do homem e do saber. Que o espírito e a história maiúscula de dona Vanna nos inspirem e confortem sua família e amigos nessa hora. Obrigado por sua vida, dona Vanna.

Vanna Piraccini e Carlos Drummond de Andrade na Livraria Leonardo Da Vinci

João Cabral de Melo Neto na Ateliê Editorial

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade do Recife, a 9 de janeiro de 1920 e faleceu no dia 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 79 anos. Eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 15 de agosto de 1968, tomou posse em 6 de maio de 1969. Foi recebido por José Américo. Autor, dentre outros, de Pedra do Sono, 1942; O Engenheiro, 1945; Psicologia da Composição, 1947; O Cão Sem Plumas, 1950; O Rio, 1954; Morte e Vida Severina, 1956; Paisagens com Figuras, 1956; Uma Faca Só Lâmina, 1956.

Conheça as obras da Ateliê Editorial cujo tema dialoga com a trajetória literária de João Cabral de Melo Neto:

A Bailadora Andaluza – A Explosão do Sagrado na Poesia de João Cabral

Uma obra literária como a de João Cabral de Melo Neto, múltipla e complexa, admite diferentes exercícios de interpretação. Este estudo, que deriva da tese de doutorado de Waldecy Tenório, opera essa análise por meio da interface com a teologia. O autor busca caracterizar a poesia do pernambucano sem restringi-la aos aspectos da superfície textual. Para além da metalinguagem e do apuro formal, ele vê na produção cabralina uma ética solidária ligada a uma profunda e difusa religiosidade (CLIQUE AQUI).

Matéria Lítica: Drummond, Cabral, Neruda e Paz

Nos capítulos deste livro, o poema constituirá o espaço onde o “combate entre clareira e ocultação” se trava diante do leitor, combate que busca não apenas fazer emergir pela abertura, ou clareira do poema, o sentido que se oculta nos interstícios de sua malha textual, mas também, e sobretudo, o efeito de espanto do pensamento que a desocultação desse sentido produz. Com isso, o ato de leitura crítica se desenvolve na direção de um saber e de uma experiência imbricados, pelo quê o poema se instaura como fonte de conhecimento e autoconhecimento para o leitor (CLIQUE AQUI).

Dia do Fotógrafo na Ateliê Editorial: uma homenagem a Boris Kossoy

Boris Kossoy

No Brasil, o Dia do Fotógrafo é celebrado anualmente em 8 de janeiro. Além de contar histórias maravilhosas, a fotografia nos permite também eternizar momentos importantes, seja ele pessoal ou histórico.

Para comemorar a data, a Ateliê Editorial presta uma homenagem ao fotógrafo e professor Boris Kossoy.

Boris Kossoy, professor titular da USP, é um dos mais importantes pesquisadores e ensaístas brasileiros dedicados à fotografia. Ele prioriza em suas reflexões os modos como se constroem ficções e realidades por meio do documento visual. Não por acaso, suas análises passam necessariamente pelas questões da história, da memória e do jornalismo. Além da trilogia formada pelos livros: Fotografia & HistóriaTempos da Fotografia e Realidades e Ficções na Trama Fotográfica, Kossoy publicou pela Ateliê A Imprensa Confiscada pelo Deops – 1924-1954, organizado em parceria com Maria Luiza Tucci Carneiro, e agora lança o seu mais novo título O Encanto de Narciso.

Confira as obras de Boris Kossoy:

Realidades e Ficções na Trama Fotográfica

Primeira obra da trilogia de Kossoy, Realidades e Ficções na Trama Fotográfica apresenta um conjunto de textos que representam as diferentes linhas de pesquisa desenvolvidas pelo pesquisador. Traz reflexões sobre os mecanismos mentais que regem a representação (produção) e a interpretação (recepção) da fotografia. De maneira didática, o autor explica o processo de construção de realidades – e, portanto, ficções – que a imagem possibilita. (CLIQUE AQUI).

Fotografia & História

A fotografia é um resíduo do passado, fonte histórica aberta a interpretações. Esse é o mote da análise interdisciplinar que Kossoy faz do processo de representação nos documentos visuais. Fotografia & História traz princípios de investigação e uma metodologia de análise crítica das fontes fotográficas, a partir de uma abordagem sociocultural. A obra, em edição revista e ampliada, é pioneira no país. Tornou-se referência importante para historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicação (CLIQUE AQUI).

Os Tempos da Fotografia – O Efêmero e o Perpétuo

Em Os Tempos da Fotografia, o autor dá sequência às questões abordadas nos outros dois volumes de sua trilogia. A obra reúne textos sobre história, imprensa e memória, em que a fotografia é tanto fonte de pesquisa quanto objeto de estudo. O efêmero e o perpétuo fundamentam suas reflexões sobre a imagem. Nessa perspectiva, a fotografia ocupa o centro do debate sobre as ambíguas relações entre representação e fato, entre o aparente e o oculto (CLIQUE AQUI).

O Encanto de Narciso – Reflexões sobre a Fotografia

Em O Encanto de Narciso o autor transita pelos temas que têm lhe sido caros ao longo de sua trajetória enquanto pensador e criador de imagens como história, memória, cultura visual, poética e, por certo, a ficção, elemento que, de uma forma ou de outra, permeia as representações fotográficas. A narrativa é estruturada a partir de uma centena de textos-síntese de leitura independente, porém articulados direta ou indiretamente (CLIQUE AQUI).

Dia do Leitor na Ateliê Editorial

Em 7 de janeiro é comemorado o Dia do Leitor, a data foi criada em homenagem à fundação do jornal cearense “O Povo”, fundado em 7 de janeiro de 1928, pelo poeta e jornalista Demócrito Rocha.

O dia também celebra os amantes da leitura e os apaixonado pela Literatura.

Para este momento especial, a Ateliê Editorial apresenta o catálogo de obras marcantes.

CLIQUE AQUI

Leia um trecho de ‘A Reforma e os Livros (1517 – 2017) – Paris e Strasbourg Empreendem Duas Exposições Memoráveis’, de Marisa Midori Deaecto, presente na revista LIVRO 9/10

No Blog da Ateliê, vamos apresentar trechos dos textos dos autores e autoras que fazem parte do novo número duplo da Livro – Revista do NELE (Núcleo de Estudos do Livro e da Edição/USP). , que foi lançada em dezembro pela Ateliê Editorial.

Livro – a Revista é uma publicação do NELE (Núcleo de Estudos do Livro e da Edição), da USP, juntamente com a Ateliê Editorial. É um fórum aberto à reflexão, ao debate e à difusão de pesquisas que tem na palavra impressa seu objeto principal.

Leia um trecho de A Reforma e os Livros (1517 – 2017) – Paris e Strasbourg Empreendem Duas Exposições Memoráveis, de Marisa Midori Deaecto:

Passados alguns anos das celebrações que marcaram o quinto centenário da Reforma de Lutero (1517-2017), efeméride que mobilizou diversos setores das comunidades religiosa e científica, nossa revista não poderia deixar de documentar a publicação de dois catálogos memoráveis, testemunhos de importantes exposições, realizadas em Strasbourg (2017) e em Paris (2018).¶ Martin Luther (1483-1546), ou Martinho Lutero, como ficou conhecido entre nós, foi um monge agostiniano e doutor em teologia. Aspectos de sua obra e da recepção de suas ideias, bem como de seus escritos, serão assinalados mais adiante. Interessa, à guisa de apresentação, reforçar seu legado: uma nova religião cristã reformada, fruto da cisão que suas ideias provocaram no seio da Igreja, desde a publicação das célebres 95 Teses, na cidade Wittenberg, em 1517. E sua versão da Bíblia para o alemão. ¶ O Novo Testamento foi traduzido em 1522, logo após sua excomunhão da Igreja. Conta-se que o autor levou onze semanas para transpor o texto bíblico em um alemão acessível a todos. A primeira edição foi impressa em Wittenberg, mas não demoraram a sair outras edições em Augsburgo, Leipzig, Strasbourg e Basileia. A tradução do Antigo Testamento demandou um trabalho mais concentrado e lento, o qual se concluiu ao final de doze anos. A primeira edição completa da Bíblia, traduzida por Lutero, pôde, então, ser publicada em Wittenberg, em 1534. O volume foi ilustrado por Hans Lufft e o volume impresso por Lucas Cranach, que durante quarenta anos imprimiu mais de cem mil cópias. Até o ano da morte de Lutero, em 1546, cerca de duzentas mil cópias da Bíblia foram impressas em diversas partes da Europa.

Entrevista com Sabrina Studart Fontenele Costa sobre ‘Modos de Morar nos Apartamentos Duplex’: “O livro aborda a produção e o estudo da arquitetura e sua relação com a vida cotidiana”

Me utilizei dos apartamentos modernos duplex para investigar o debate sobre habitação e a invenção, difusão e transformações da tipologia e também a preservação dos conjuntos habitacionais. Este percurso histórico busca também refletir sobre o papel das mulheres e as domesticidades que ocorriam nestes espaçosSabrina Studart Fontenele Costa em entrevista ao Blog da Ateliê

Sabrina Studart Fontenele Costa durante o lançamento de ‘Modos de Morar em Apartamentos Duplex, na Livraria Martins Fontes Paulista.

A Ateliê Editorial apresenta seu mais recente lançamento: a obra Modos de Morar nos Apartamentos Duplex – Rastros de Modernidade , de Sabrina Studart Fontenele Costa. O livro surgiu por meio de uma pesquisa de pós-doutorado desenvolvida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, contando com o apoio da Fapesp. A autora concedeu uma entrevista para o Blog da Ateliê e conversou sobre a ideia de realização do texto: “O livro aborda a produção e o estudo da arquitetura e sua relação com a vida cotidiana, com as relações de gênero e a produção cultural a partir de uma pesquisa que busca aproximar-se de novas fontes de estudo e compreender ideias e realizações”.

O livro gira em torno da discussão que tem ganhado força nos últimos anos: o desenvolvimento da arquitetura, do gênero e da domesticidade. A obra também apresenta plantas e fotografias das habitações modernas estudadas pela autora. Modos de Morar nos Apartamentos Duplex – Rastros de Modernidade é um livro indispensável para examinar, conhecer e compreender uma parte fundamental da Arquitetura e do contexto social do século XX. Saiba mais sobre a obra no site da Ateliê Editorial (clique aqui).

Sabrina Studart Fontenele Costa é arquiteta e urbanista, com mestrado e doutorado pela FAU-USP. Finalizou em 2019 a pesquisa de pós-doc no IFCH-Unicamp com apoio da Fapesp. Autora dos livros Edifícios Modernos e o Traçado Urbano no Centro de São Paulo (2015) e Restauro da Faculdade de Medicina da USP: Estudos, Projetos e Resultados (2013). Professora na Escola da Cidade, Diretora de Cultura do IAB-SP (2020-2022), onde também é curadora residente da 13a. Bienal de Arquitetura de São Paulo.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

PERGUNTA: Sabrina, conta para nós quando surgiu a ideia do livro?

SABRINA STUDART FONTENELE COSTA: Entre 2012 e 2018, eu fui pesquisadora do Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo (CPC-USP), uma instituição sediada em uma casa de mulher, a Casa de Dona Yayá. Herdeira de uma grande fortuna e considerada mentalmente instável pouco depois de completar trinta anos, Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, foi internada em um casarão no bairro do Bexiga por mais de quatro décadas. Durante os quatro anos que fui funcionária do CPC, compreendia que o imóvel era um documento que apresentava a forma como ela foi tratada e apontava possibilidades de narrativas sobre as domesticidades que ali ocorriam. Em 2014, organizamos o seminário chamado “Domesticidade, Gênero e Cultura Material” – que resultou em um livro organizado pelas professoras Joana Mello, Flavia Brito e Silvana Rubino e pelo professor José Lira – que estimulava  debates envolvendo arquitetura, sexualidade e patrimônio cultural. Fiquei completamente encantada com os temas discutidos, decidi que gostaria de pesquisar com mais profundidade arquitetura moderna a partir desta abordagem e iniciei em seguida uma pesquisa de pós doutorado no IFCH-Unicamp sob a supervisão da profa. dra. Silvana Rubino.

Me utilizei dos apartamentos modernos duplex para investigar o debate sobre habitação e a invenção, difusão e transformações da tipologia e também a preservação dos conjuntos habitacionais. Este percurso histórico busca também refletir sobre o papel das mulheres e as domesticidades que ocorriam nestes espaços.

P – E como foi a realização da pesquisa para a obra?

SSFC – O livro é fruto de uma pesquisa de pós-doutorado realizado durante quatro anos, entre 2016 e 2019, e que contou com uma bolsa fundamental  da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp). Foi um período intenso de pesquisa e de trocas em sala de aula e em eventos acadêmicos sobre questões relacionadas à habitação moderna, preservação e gênero. Graças ao auxílio da Fapesp, tive a oportunidade de viajar para conhecer algumas das obras (por exemplo, a Unidade de Habitação, em Marselha, e o conjunto do Bairro das Estacas, em Lisboa), pesquisar em acervos internacionais de destaque – como os da Biblioteca Avery da Universidade de Columbia (Nova Iorque, Estados Unidos), a Biblioteca do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Coimbra, Portugal), da Fundação Calouste Gulbekian (Lisboa, Portugal) e da Cité de la Architecture et de Patrimoine (Paris, França), assim como no Centro de Pesquisa da Arquitetura e do Design (Architecture and Design Study Center) do Museu de Arte Moderna de Nova York (Nova Iorque, Estados Unidos) e na Fondation Le Corbusier (Paris, França) – e acervos nacionais como na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Brasil) e no Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Brasil). À medida que a pesquisa documental se aprofundava, também se ampliava no Brasil eventos acadêmicos que abordam as questões de gênero, o que foi uma oportunidade de estabelecer interlocuções com outras pesquisadoras.

Importante ainda destacar o acesso às informações sobre o cotidiano nos edifícios pesquisados a partir de visitas e entrevistas com moradores dos apartamentos duplex. Durante esta etapa da investigação, novas informações foram levantadas e atualizadas não só sobre os espaços, como também sobre a apropriação da casa pelos usuários.

Finalizada a pesquisa em 2019, foi necessária revisão dos originais para realização do livro que veio a ser lançado em 2021, depois de meses em que tivemos que nos isolar em nossas casas e rever nossos espaços domésticos para abrigar outras funções além daquelas para as quais foram projetadas.


P – Você gostaria de destacar alguma parte que foi bastante importante para o desenvolvimento do livro?

SSFC – Compreendemos que a casa tornou-se um foco de atenção para os arquitetos modernos, tanto em termos teóricos – na publicação e divulgação de manifestos, artigos e revistas – como também na prática projetual. A ideia de ruptura com o passado e a busca por novas formas de moradia condizentes com o homem moderno foi reforçada no início do século XX. Mas se para o campo da arquitetura, a moradia possibilita experimentar formas, programas e técnicas; para outras disciplinas – como a antropologia e a sociologia – a residência é uma manifestação social que se modifica ao longo dos tempos.

A antropóloga francesa Marion Segaud (2016), em seu livro Antropologia do Espaço, explica que quando se trata de analisar a habitação é impossível abstrair as sequências temporais da vida cotidiana de seus moradores. Partimos dessa lógica para investigar os moradores de apartamentos duplex e sua relação com os espaços modernos propostos e habitados, comparando suas práticas com os discursos defendidos por seus promotores. Além de compreender seu desenho arquitetônico, o livro busca investigar os espaços domésticos, rotinas e interesses dos moradores dos apartamentos, buscando entender como se deu a apropriação das ideias relacionadas à proposta do morar da arquitetura moderna.


P – Não é só abordado o histórico arquitetônico das habitações, mas também o contexto social, poderia comentar como foi a produção desses dois aspectos para a obra?

SSFC – O livro aborda a produção e o estudo da arquitetura e sua relação com a vida cotidiana, com as relações de gênero e a produção cultural a partir de uma pesquisa que busca aproximar-se de novas fontes de estudo e compreender ideias e realizações. Para uma análise espacial das propostas, foram redesenhados e apresentados – com plantas e cortes – os projetos dos conjuntos habitacionais com apartamentos duplex de maneira a dialogar com conceitos e contextos culturais e históricos em que se inseriam. Além disso, as imagens levantadas nos acervos e nas visitas técnicas foram apresentadas e analisadas a partir de metodologias da cultura visual, possibilitando novas possibilidades de investigação. 

Dia da Tipografia na Ateliê Editorial

O dia 5 de janeiro é oficialmente a data em que a primeira tipografia entrou em execução no Brasil. Com a vinda de D. João VI e da família Real Portuguesa, houve grande mobilização na colônia para abrigar a corte portuguesa. É de 1808 o alvará que pôs em funcionamento o Banco do Brasil para a monarquia poder movimentar recursos para se manter. Os portos brasileiros foram abertos e surgiu a Biblioteca Real (futura Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro). Até então, fábricas eram proibidas na colônia. D. João assinou o alvará permitindo que fábricas pudessem funcionar. Foi então fundada, no Rio de Janeiro, em 5 de janeiro, a “Imprensa Régia”. Nesse momento a informação começaria a circular, a princípio nas mãos da corte. Logo viria o primeiro jornal, “A Gazeta do Rio de Janeiro”, divulgando toda a informação oficial.

Tipografia significa a “impressão dos tipos”, nome mais comum para fontes de letras. Contudo, atualmente este é o nome dado ao estudo, criação e aplicação de caracteres, estilos, formatos e disposição visual de palavras. Todas as peças de design que possuem textos utilizam a tipografia para definir em qual formato e estilo as palavras irão aparecer. Além disso, a tipografia é a base da comunicação verbal. Por isso, é preciso bastante cautela na hora de trabalhar com o texto, que precisa estar de acordo com a mensagem transmitida e com os demais elementos gráficos e precisa ser legível.

Conheça as obras da Ateliê Editorial que tem a tipografia como tema:

Produção Gráfica para Designers

Produção Gráfica para Designers é um guia essencial para designers gráficos de todos os níveis de experiência, focado na pré-impressão e em como preparar arquivos destinados à impressão nos principais softwares gráficos do mercado. Ele explica como tratar imagens, ajustar trapping e fazer a mistura das cores que serão impressas do jeito que você espera. Abrange digitalização e resolução e dá dicas técnicas para garantir a qualidade de impressão de cada imagem. Há também uma lista de verificação que pode ser usada na hora de enviar um trabalho para a gráfica e um glossário muito útil. (CLIQUE AQUI).

Forma do Livro – Ensaios Sobre Tipografia e Estética do Livro

Com texto introdutório de Robert Bringhurst, A Forma do Livro traz ensaios que o renomado tipógrafo e designer alemão Jan Tschichold escreveu entre 1937 e 1974. Aborda, de maneira didática, os vários aspectos da composição tipográfica: página e mancha, parágrafos, grifos, entrelinhamento, tipologias, formatos e papéis, entre outros. Aliando precisão técnica e reflexão estética, Tschichold aposta no respeito pelo texto e no cálculo das proporções para conquistar a harmonia do conjunto. (CLIQUE AQUI).

Paratextos Editoriais

Gérard Genette faz neste livro um longo ensaio sobre o paratexto do texto literário: apresentação editorial, nome do autor, títulos, dedicatórias, epígrafes, prefácios, notas, entrevistas e debates sobre o livro, entre outros. Esse aparato, muitas vezes visível demais para ser percebido, pode atuar sem que seu destinatário o saiba. Genette procura, portanto, estimular o leitor a examinar mais de perto aquilo que, às escondidas e com tanta frequência, regula nossas leituras. (CLIQUE AQUI).

Leia um trecho de ‘Rio de Janeiro e os Primórdios dos Instintos Literários’, de Fernando Paixão, presente na revista LIVRO 9/10

No Blog da Ateliê, vamos apresentar trechos dos textos dos autores e autoras que fazem parte do novo número duplo da Livro – Revista do NELE (Núcleo de Estudos do Livro e da Edição/USP). , que foi lançada em dezembro pela Ateliê Editorial.

Livro – a Revista é uma publicação do NELE (Núcleo de Estudos do Livro e da Edição), da USP, juntamente com a Ateliê Editorial. É um fórum aberto à reflexão, ao debate e à difusão de pesquisas que tem na palavra impressa seu objeto principal.

Leia um trecho de Rio de Janeiro e os Primórdios dos Instintos Literários, de Fernando Paixão:

A segunda metade do século XIX foi um período intenso e eclético, do ponto de vista político e cultural, e por certo o Rio de Janeiro se encontra no centro desse movimento. A rigor, o pano de fundo da vida literária daquela época mantém estreita relação com a vida intelectual e política que ali se desenvolvia. E, ainda que outras cidades se destacassem – Recife ou São Paulo, por exemplo –, era no ambiente carioca que estava o centro avançado do país. Com a literatura, não era diferente. ¶ Nas ruas centrais dessa cidade é que vamos encontrar as primeiras lojas e livrarias voltadas para divulgar no Brasil as novidades europeias, principalmente francesas. Com frequência, chegavam ali grandes navios trazendo a última moda em perfumes, roupas e produtos domésticos, e os carregamentos incluíam vários dos livros de sucesso na Europa. ¶ Sabemos hoje que esse comércio se intensificou muito a partir de meados do século. Antes disso, porém, tivemos algumas poucas décadas em que ocorreram os primeiros passos de nossa infância cultural e literária, cuja dinâmica foi mais surpreendente do que se imagina num primeiro momento.