Marcelino Freire realiza o lançamento de Seleta – Por pior que pareça, na Ria Livraria, incluindo contos de suas obras publicadas pela Ateliê Editorial

Neste sábado, 11 de dezembro, a partir das 19h, na Ria Livraria (R. Marinho Falcão, 58 – Sumarezinho, São Paulo – SP), acontece o lançamento e sessão de autógrafos da obra Seleta – Por pior que pareça, de Marcelino Freire, em que traz contos, selecionados especialmente pelo autor, para o retorno da coleção da celebrada editora José Olympio. Segundo Marcelino: “Muito conto ficou de fora. São muitos filhos de ‘Darluz’. Não tem espaço. Não escolhi aqui os melhores. Só alguns daqueles que as pessoas mais pedem para eu ler, falar sobre”. Há contos dos livros Angu de Sangue e BaléRalé, ambos publicados pela Ateliê Editorial.

A obra reúne 21 textos, que, a pedido da Editora José Olympio, Marcelino Freire pinçou de sua obra. Ao enviar a encomenda, o autor, numa modéstia gaiata, soltou a frase que acabou sendo uma espécie de subtítulo da obra: “Segue a minha seleta – Por pior que pareça”. O resultado é uma impressionante coletânea que comprova que Marcelino Freire é um dos maiores prosadores de nosso tempo.

COMEÇO NA ATELIÊ EDITORIAL

A Ateliê Editorial foi a primeira casa de publicação de Marcelino Freire, com as obras EraOdito (1998, reeditada pela Ateliê em 2002), Angu de Sangue (2000) e BaléRalé (2003), assim como na organização da antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (2004), Marcelino jamais esqueceu das pessoas que acreditaram em seus textos e contribuíram na concretização de seus primeiros livros, em entrevista em julho deste ano, em comemoração dos seus 30 anos de sua chegada à cidade de São Paulo, o autor disse: “João Alexandre [Barbosa] foi um excelente interlocutor. Acreditou no livro. Inclusive, algumas pessoas não gostavam do título ‘Angu de Sangue’. Perguntei ao João Alexandre. Ele me respondeu: ‘seu título é bom. Porque não é calmo. Nunca comece calmo’. Um grande mestre, a quem devo muito. Plinio [Martins Filho] continua sendo um amigo, um ouvido sempre aberto, um coração atento. É gratidão eterna, entende? Sem contar toda a equipe da Ateliê Editorial. Devo muito a Ateliê”.

MARCELINO FREIRE

Marcelino Freire é escritor. Nasceu em 1967, em Sertânia, Pernambuco. Viveu no Recife e desde 1991 reside em São Paulo. É autor, entre outros, dos livros “Angu de Sangue” (Ateliê Editorial) e “Contos Negreiros” (Editora Record – Prêmio Jabuti 2006). Em 2004, idealizou e organizou a antologia de microcontos “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século” (Ateliê). Alguns de seus contos foram adaptados para teatro. Participou de várias antologias no Brasil e no exterior. “Contos Negreiros” foi publicado em 2013 na Argentina, pela Editora Santiago Arcos e com tradução de Lucía Tennina, e no México, pela Librosampleados, com tradução de Armando Escobar. Criou a Balada Literária, evento que acontece em São Paulo desde 2006, com edições em Teresina (desde 2017) e Salvador (desde 2015). No final de 2013, publicou seu primeiro romance, intitulado “Nossos Ossos” (Record – Vencedor do Prêmio Machado de Assis), publicado também na Argentina, pela editora Adriana Hidalgo, na França pela editora Anacaona, e em Portugal pela editora Nova Dheli.

OBRAS PUBLICADAS PELA ATELIÊ EDITORIAL

EraOdito

“Um livro sem rumo e sem prosa.” Assim o próprio autor define EraOdito, uma reunião de ditos populares graficamente reelaborados e reescritos com muito humor. Marcelino Freire afirma que sempre quis escrever um livro como este, para “transferir frases que não são minhas para o meu domínio – público e popular. Transformar provérbios em máximas mínimas. Como ir no caroço da palavra e tirar uma casquinha. E sugar. Desfiar entrelinha por entrelinha. Dizer o que não diz o ditado”.

Angu de Sangue

Em seu primeiro livro de contos, Marcelino Freire faz um retrato realista e inusitado do submundo das grandes cidades. Os protagonistas são violentados pelas dores e frustrações de uma sociedade injusta, que os estigmatiza. O autor aborda a realidade dos conflitos urbanos sem demagogias, escapando de uma armadilha comum da ficção social: a sentimentalização da miséria. Seus contos “irradiam uma terceira dimensão que ainda nem tivemos tempo de decifrar”, segundo o escritor João Gilberto Noll.

BaléRalé

Marcelino Freire chama de “improvisos” os dezoito contos curtos aqui reunidos. Segundo o autor, algumas pessoas podem dizer que se trata de seu livro mais gay, embora já existam contos do tipo em obras anteriores. Ele prefere dizer, em vez disso, que BaléRalé é o seu trabalho com mais “poesia assumida”. Permanecem, como traços do estilo do autor, a busca da palavra dentro de palavra, a mistura entre erudito e popular e uma prosa ágil, influenciada pelo maracatu e pelo cordel pernambucanos.

Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século

Em tempos de Twitter, a literatura dá mostras de que pode se renovar com o poder de concisão da linguagem. A proposta de Marcelino Freire, ao reunir cem autores brasileiros contemporâneos, foi produzir histórias de até cinquenta letras (sem contar título e pontuação). Laerte, Dalton Trevisan, Ivana Arruda Leite, Manoel de Barros, Glauco Mattoso, Lygia Fagundes Telles, Millôr Fernandes e Marçal Aquino são alguns dos que toparam participar dessa brincadeira de gente grande. O resultado é uma coletânea de soluções inusitadas e divertidas.

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