‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’: Tirteu

Nesta semana, no Blog da Ateliê, iremos apresentar os poetas que fazem parte da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, organizada e traduzida por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara. O livro foi publicado em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Conheça mais sobre o título no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

TIRTEU

As informações biográficas acerca de Tirteu (c. 640 a.C.), ativo em Esparta, são contraditórias e envoltas em lenda. Sua atuação, contudo, parece estar atrelada aos eventos da Segunda Guerra da Messênia e aos conflitos subsequentes a ela. Região localizada no Peloponeso, a Messênia teria sido ocupada duas gerações antes do poeta, e seus habitantes teriam sido escravizados pelos antepassados de Tirteu, ele que se insere num período em que os descendentes daqueles primeiros messênios se rebelaram e tentaram reconquistar seu território. O poeta teria sido um general nessa guerra, fato que ele mesmo parece ter atestado em um de seus poemas.


Com a segunda vitória sobre os messênios, Esparta teria passado por um período de carestia, provocando uma demanda por distribuição de terras e a ameaça de um levante civil, conforme assinala Aristóteles (século iv a.C.) em sua Política (1306b). Isso teria levado Tirteu a compor um poema denominado Eunomia, relembrando à população as origens ancestrais dos reis de Esparta e a validade divina de suas leis.

O LIVRO

Das elegias da Grécia Arcaica (séculos VIII-V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’, edição bilíngue, apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

LANÇAMENTO

Assista a live de lançamento da obra Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia, de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, publicada em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Além dos autores, o bate-papo contou com a participação de João Ângelo Oliva, Alexandre Hasegawa e Plinio Martins Filho. A mediação foi do escritor e jornalista Jorge Ialanji Filholini. Assista no YouTube da Ateliê Editorial.

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