Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia: Sólon

Nesta semana, no Blog da Ateliê, iremos apresentar os poetas que fazem parte da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, organizada e traduzida por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara. O livro foi publicado em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Conheça mais sobre o título no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

SÓLON

Datado aproximadamente entre c. 640-560 a.C., Sólon é o célebre reformador-legislador de Atenas, que lá se tornou arconte em 594/593 a.C., escolhido em fase de crescente crise, devido a tensões relativas à posse de terras, ao exercício do poder na cidade, à economia, e à organização dos grupos sociais, que deixavam a pólis à beira da tirania, a forma de governo mais disseminada na Grécia arcaica, fruto de disputas entre facções aristocráticas, que colocavam no poder aquele que, por parte delas apoiada, tinha apelo popular. Oriundo da aristocracia, Sólon navegou por essas conturbadas águas com cautela e flexibilidade necessárias ao contexto tenso em que olha o dêmos – a comunidade, o povo, e sobretudo os novos ricos – com desconfiança, mas reconhece a necessidade imperiosa de reformas econômicas, sociais e políticas, ainda que conservadoras. Diferencia-se, assim, de outro poeta elegíaco, Teógnis de Mégara, ativo em c. 550 a.C., cuja voz está embasada na visão aristocrática impermeável aos novos anseios e às novas personagens em cena na vida urbana, que exigem mudanças.

Sólon

O LIVRO

Das elegias da Grécia Arcaica (séculos VIII-V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’, edição bilíngue, apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

LANÇAMENTO

Assista a live de lançamento da obra Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia, de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, publicada em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Além dos autores, o bate-papo contou com a participação de João Ângelo Oliva, Alexandre Hasegawa e Plinio Martins Filho. A mediação foi do escritor e jornalista Jorge Ialanji Filholini. Assista no YouTube da Ateliê Editorial.

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