‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’: Arquíloco

Nesta semana, no Blog da Ateliê, iremos apresentar os poetas que fazem parte da obra Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia, organizada e traduzida por Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara. O livro foi publicado em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Conheça mais sobre o título no site da Ateliê Editorial (CLIQUE AQUI).

ARQUÍLOCO

Arquíloco teria vivido entre 680-640 a.C. na região das ilhas cicládicas, ao norte do Egeu; nascido em Paros, teria posteriormente migrado para Tasos e morrido em Naxos, ilha rival de sua terra natal. Essa datação se consolidou por evidências dadas nos próprios poemas – como a referência a um eclipse do sol e a menção de figuras históricas como Giges, governante do reino da Lídia, na Ásia Menor, entre 652-644 a.C., presente também em Heródoto (século v a.C.), no livro i (7-25) das Histórias. Há ainda dados que a história e a arqueologia sustentam, notadamente o envolvimento do poeta e de sua família aristocrática com a colonização da ilha de Tasos (final do século viii a.C.), liderada por Telesicles, seu pai, e da qual ele próprio, Arquíloco, não participou, embora depois tenha ido para lá, quando adulto. Seu avô Télis, se é de fato este o nome, também já havia estado em Tasos, e parece ter sido responsável pelo culto a Deméter lá e em Paros, assim como Arquíloco parece ter sido responsável pelo culto de Dioniso, em sua ilha natal.

O pouco que sabemos desse poeta – como é praxe a todos os poetas arcaicos – advém de seus próprios versos, criando o perigo de uma circularidade em que poemas são usados para explicar a biografia e vice-versa. No entanto, é inegável que a tradição biográfica moldou a sua recepção, e a de Arquíloco se confunde com as origens do jambo, gênero marcado pela invectiva e vulgaridade, no qual foi celebrizado e mais reconhecido na Grécia. A sua vida é construída em torno de sua persona como poeta jâmbico: era filho de uma escrava de nome Enipo (do grego eníptō, “insultar”) e um mercenário de vida desregrada e de palavras tão mordazes que teriam constrangido seus inimigos ao suicídio.

Arquíloco

O LIVRO

Das elegias da Grécia Arcaica (séculos VIII-V a.C.) ouvimos, entre outras, as vozes de Sólon, criticando os excessos das oligarquias e pavimentando a trilha à democracia; de Tirteu, Calino e Simônides, enaltecendo homens comuns ao status de guerreiros épicos; de Arquíloco, dizendo que melhor do que ser épico é estar vivo; de Mimnermo, celebrando o mundo de Afrodite e seus prazeres; de Teógnis, mostrando as alianças, traições e afetos que agitam um mundo em transformação. Como gênero poético destacadamente versátil, a elegia nos permite conhecer os mais variados aspectos da existência do indivíduo na pólis.

‘Elegia Grega Arcaica – Uma Antologia’, edição bilíngue, apresenta o que para nós é o alvorecer desta tradição poética, cuja recepção até hoje se estende, e os seus principais poetas, no original e em rigorosas traduções de Rafael Brunhara e Giuliana Ragusa. Acompanham-nas textos introdutórios, bem como alentados comentários sobre as nuances poéticas do original e o contexto histórico, linguístico e cultural subjacente a cada poema – esforço raro em antologias deste tipo –, num convite tanto ao leitor contemporâneo de poesia, quanto ao estudante que se inicia nos estudos clássicos.

LANÇAMENTO

Assista a live de lançamento da obra Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia, de Giuliana Ragusa e Rafael Brunhara, publicada em parceria Ateliê Editorial e Editora Mnêma. Além dos autores, o bate-papo contou com a participação de João Ângelo Oliva, Alexandre Hasegawa e Plinio Martins Filho. A mediação foi do escritor e jornalista Jorge Ialanji Filholini. Assista no YouTube da Ateliê Editorial.

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