Monthly Archives: setembro 2021

História de um livro: A democracia na França, por Carlos Guilherme Mota

“É muito raro, na historiografia brasileira, defrontarmo-nos com autores que se disponham a se aventurar em águas internacionais profundas, talvez porque em certas culturas os critérios de excelência sejam altíssimos. E, descontadas as exceções, levados a sério.

Anteriormente, a historiadora Marisa Midori Deaecto já nos brindara com livros que se tornaram clássicos, em especial O império dos livros. Instituições e práticas de leitura na São Paulo oitocentista (São Paulo: EDUSP, 2019), tendo com ele recebido o Prêmio Jabuti (2012) e o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, da Fundação Biblioteca Nacional (2011). Marisa comparece agora com estudo altamente desafiador, erudito, importante. Trata-se de História de um livro: A democracia na França, de François Guizot (1848-1849), obra/ensaio de autoria desse célebre político francês liberal, historiador e publicista que atuou na vida política francesa e europeia na primeira metade do século XIX. Militante orleanista, historiador, tornou-se referência no campo do direito constitucional, consoante os princípios vitoriosos na Revolução de Julho (1830)”.

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Carlos Guilherme Motahistoriador, é Professor Emérito da FFLCH-USP e professor titular de História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Autor, entre outros livros de Ideia de Revolução no Brasil (1789-1801) (Cortez Editora).

Dia do Repórter Fotográfico, Ateliê Editorial homenageia Boris Kossoy

Hoje é o Dia do Repórter Fotográfico Para comemorar a data, a Ateliê Editorial presta homenagem a um dos mais importantes nomes da área, Boris Kossoy.

Boris Kossoy, professor titular da USP, é um dos mais importantes pesquisadores e ensaístas brasileiros dedicados à fotografia. Ele prioriza em suas reflexões os modos como se constroem ficções e realidades por meio do documento visual. Não por acaso, suas análises passam necessariamente pelas questões da história, da memória e do jornalismo. Além da trilogia formada pelos livros: Fotografia & HistóriaTempos da Fotografia e Realidades e Ficções na Trama Fotográfica, Kossoy publicou pela Ateliê A Imprensa Confiscada pelo Deops – 1924-1954, organizado em parceria com Maria Luiza Tucci Carneiro, e agora lança o seu mais novo título O Encanto de Narciso.

Boris Kossoy

A editora publicou as obras “Realidades e Ficções na Trama Fotográfica”, “Tempos da Fotografia, Os – O Efêmero e o Perpétuo” e “Fotografia & História”.

Realidades e Ficções na Trama Fotográfica 

Primeira obra da trilogia de Kossoy, Realidades e Ficções na Trama Fotográfica apresenta um conjunto de textos que representam as diferentes linhas de pesquisa desenvolvidas pelo pesquisador. Traz reflexões sobre os mecanismos mentais que regem a representação (produção) e a interpretação (recepção) da fotografia. De maneira didática, o autor explica o processo de construção de realidades – e, portanto, ficções – que a imagem possibilita.

Tempos da Fotografia, Os – O Efêmero e o Perpétuo

Em Os Tempos da Fotografia, o autor dá sequência às questões abordadas nos outros dois volumes de sua trilogia. A obra reúne textos sobre história, imprensa e memória, em que a fotografia é tanto fonte de pesquisa quanto objeto de estudo. O efêmero e o perpétuo fundamentam suas reflexões sobre a imagem. Nessa perspectiva, a fotografia ocupa o centro do debate sobre as ambíguas relações entre representação e fato, entre o aparente e o oculto.

 

Fotografia & História

A fotografia é um resíduo do passado, fonte histórica aberta a interpretações. Esse é o mote da análise interdisciplinar que Kossoy faz do processo de representação nos documentos visuais. Fotografia & História traz princípios de investigação e uma metodologia de análise crítica das fontes fotográficas, a partir de uma abordagem sociocultural. A obra, em edição revista e ampliada, é pioneira no país. Tornou-se referência importante para historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicação.

Por dentro de História de um Livro – A Democracia da França, de François Guizot (1848 – 1849), escrito por Marisa Midori Deaecto

A Ateliê Editorial publica a obra História de um Livro – A Democracia da França, de François Guizot (1948-1849), escrito pela premiada pesquisadora e professora Marisa Midori Deaecto.

Para ficar por dentro dessa nova publicação da editora, fizemos um pequeno resumo sobre o livro.

A Autora

Marisa Midori Deaecto – Professora Livre-Docente em História do Livro no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP). Formou-se em História e doutorou-se em História Econômica na Fac. de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP), onde orienta pesquisas pelo Programa de Pós-Graduação (PPGHE-USP). Lecionou como professora convidada em diversas instituições estrangeiras, dentre as quais, a  École nationale des Chartes, a École normale supérieur e a École Pratique des Hautes Études, em Paris. Recebeu, em 2017, o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Eszterházy Károly, Eger (Hungria), por suas contribuições à difusão da história dos livros e das bibliotecas em uma perspectiva transnacional. Império dos Livros – Instituições e Práticas de Leituras na São Paulo Oitocentista (Edusp/Fapesp, 2011), reeditado em 2019, recebeu o prêmio Jabuti da CBL (1o lugar em Comunicação) e o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, outorgado pela Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro na categoria melhor ensaio social.

Marisa Midori Deaecto

Projeto Gráfico e Capa

A capa teve a concepção da própria autora, Marisa Midori Deaecto e contou com o projeto gráfico de Negrito Produção Editorial, contribuindo com a arte.

Capa aberta de “História de um Livro”

Prefácio de Carlos Guilherme Mota

O texto do prefácio de “História de um Livro” foi assinada por Carlos Guilherme Mota, historiador, Professor Emérito da FFLCH-SP e Professor Titular de História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Leia abaixo um trecho:

“O leitor dessa tese universitária, apresentada para obtenção do título de Livre-Docente na USP, ao terminar o percurso analítico da autora, desde as razões da escolha do livro a ser examinado, passando pelo exame técnico minucioso de sua fatura, e o estudo detalhado que envolveu a vida, as ideias e a produção do autor-personagem, o ideólogo Guizot, seus editores, distribuidores, comerciantes, os críticos e finalmente os leitores, terá a dimensão correta, completa e complexa do que significa o objeto-livro, em especial um livro desse pequeno porte, escrito ao sabor das marés, correntes e contracorrentes do pensamento da época. Ou seja, um objeto sem dúvida diferenciado, entendido pela autora como síntese de múltiplas determinações”.

Posfácio de Lincoln Secco

O texto de posfácio ficou por conta de Lincoln Secco, professor livre-docente de História Contemporânea na Universidade de São Paulo (USP). Leia um trecho abaixo:

“Este que está em suas mãos, caro leitor, cara leitora, é uma obra do nosso tempo. Permite reencontrar a defesa da Civilização sem barbárie; da Democracia sem adjetivos; da cultura do livro sem os adoradores de um único, ou de nenhum. Aqui temos a reunião de muitas obras que Marisa escreveu, leu ou simplesmente folheou nas muitas bibliotecas onde pesquisou. Só assim ela pode nos brindar com uma obra rigorosa e erudita que consolida seu lugar na História do Livro”

Bibliografia Ilustrada

Nas páginas das obras, são apresentadas diversas imagens das edições de e De la Démocratie em France, de François Guizot, tornando-se um exemplar fundamental para pesquisa aprofundada desse período histórico.

Quem foi François Guizot?

François Pierre Guillaume Guizot (1787-1874) foi um político e historiógrafo francês, liberal-conservador . Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, entre 19 de setembro de 1847 a 23 de fevereiro de 1848. Guizot, ministro da Instrução Pública, determinou, em 1834, na Faculdade de Direito de Paris, a instalação da primeira cátedra de Direito Constitucional. Na obra, a autora escreve:

“O então Ministro logrou fazer de sua gestão o prolongamento de um programa intelectual e político formulado há pelo menos uma década, nos tempos das conferências de História, na Sorbonne. Ao presidir comitês destinados a formular projetos para diferentes campos da instrução e da cultura, François Guizot manteve, sob os braços da monarquia, uma fração significativa daquela intelligentsia formada na tribuna e nos salões por onde circulara na juventude: Villemain, Daunou, Mignet, Cousin, Hugo, Vitet (1802-1873), Thierry e, mais tarde, Sainte-Beuve (1804-1869)29. Sem dúvida, um mesmo sistema de referências compartilhado nos principais catálogos editoriais da época, o que nos permite compreender melhor essa simbiose entre o homem público e o intelectual, noutros termos, os caminhos de consagração da figura do autor, tal como ela se define nos campos político e editorial” (p 89-90).

Lançamento virtual acontece neste mês

Marque na agenda, o lançamento de “História de um Livro” será no dia 15 de setembro, quarta-feira, às 20h, em uma live no canal do Youtube da Ateliê Editorial. Além da presença da autora, o bate-papo virtual contará com a participação de Plinio Martins Filho, Carlos Guilherme Mota e Eugênio Bucci.