Daily Archives: 22/09/2021

Leia um trecho do livro ‘Amor, Luta e Luto no Tempo da Ditadura’, de Maria do Socorro Diógenes

Trecho de “Amor, Luta e Luto no Tempo da Ditadura”, de Maria do Socorro Diógenes.

Capítulo: Meu Mundo Caiu


20 de abril de 1972, o pior dia da minha vida. Há mais de quinze dias que eu me encontrava presa. Tinha conseguido resistir sem abrir os pontos e os contatos com os operários. Naquele dia, mais ou menos às duas horas da tarde, o torturador Miranda, acompanhado do torturador apelidado de Peixinho, chegou diante das grades da minha cela gritando: “Eu quero falar com a Laura!” Não falei nada e comecei a chorar, um choro convulsivo e forte. Deduzi que ninguém avisou a minha prisão para ela. Eu era responsável pelo dinheiro do aluguel. Todo mês eu recolhia a parte do operário Marlúcio, que trabalhava na Santista, completava com o meu salário e levava para Isaura. Como não apareci, ela, desesperada, resolveu me procurar na fábrica e eles a prenderam.

A Obra

“Contar para não esquecer”, afirma a autora Maria do Socorro Diógenes no livro Amor, Luta e Luto no tempo da ditatura, publicado pela Ateliê Editorial. De leitura envolvente, a obra narra a experiência dolorosa de vida, a entrega total da autora ao ideal de liberdade e justiça.

O livro é um recorte pessoal do período da ditadura civil-militar de 1964 a 1985, principalmente durante a fase mais violenta, a fase das prisões, das torturas, dos assassinatos e dos desaparecimentos dos opositores. Socorro Diógenes denuncia o brutal assassinato de Ramires Maranhão do Valle, seu ex-companheiro, um jovem pernambucano morto aos 23 anos, no Rio de Janeiro em 1973.

A Autora

Maria do Socorro Diógenes é cearense de Jaguaribe. Formada em Letras, iniciou seus estudos na Universidade Estadual do Ceará, em Fortaleza e os concluiu na Fundação Santo André, no ABC, em São Paulo. Participou dos movimentos estudantis de 1968, foi militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, PCBR. Foi presa política em Recife, Pernambuco. Chegando a São Paulo, em 1974, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, PCB. Trabalhou como professora de Português na Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, hoje, aposentada como Supervisora de Ensino. Atualmente, reside em São Bernardo do Campo (SP).

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Plinio Martins Filho sobre Jacó Guinsburg: “Para mim, ele era o homem-letra, o homem-livro com quem eu tive a honra de conviver diariamente por dezoito anos”

Celebrado no último dia 20 de setembro, o centenário do editor, professor, crítico, ensaísta e humanista Jacó Guinsburg teve a sua longa carreira cultural debatida em evento realizado pelo Centro de Formação e Pesquisa (CPF-Sesc) e pela Editora Perspectiva, na noite do dia 21 de setembro. Participaram do bate-papo virtual Roberta Estrela D’Alva, Rosangela Patriota, Plinio Martins Filho, Gita Guinsburg, Abílio Tavares, Celso Lafer, Leda Maria Martins e Sérgio Kon.

Durante o encontro, o professor e editor da Ateliê, Plinio Martins Filho, comentou sobre a importância de Jacó Guinsburg para a sua trajetória editorial: “O Jacó acompanhava todas as etapas da vida do livro. Ele selecionava, revisava, escrevia, traduzia, fazia os paratextos, ele acompanhava todos os livros”. Acrescentou: “Isso para mim foi um aprendizado que me fez ter coragem de abrir uma editora, a Ateliê Editorial, tomando ele [Jacó] como exemplo”. Plinio apontou: “Quero ser todos os acertos e erros que o Jacó tinha. Era um erro curioso, é que o Jacó gostava tanto dos livros, que quando um livro estava para esgotar ele dizia para não vender mais. Eu achava aquilo muito estranho, pois a alegria de qualquer editor é ver o livro esgotado. Mas, felizmente, hoje eu entendo que quando o livro está esgotado você tem que reeditar, tem que pensar, fazer isso e aquilo. E concluiu: “Para mim, ele era o homem-letra, o homem-livro com quem eu tive a honra de conviver diariamente por dezoito anos”.

Assista ao evento na íntegra no vídeo abaixo: