Daily Archives: 14/09/2021

Entrevista – Marisa Midori Deaecto fala sobre a obra ‘História de um Livro’, publicada pela Ateliê Editorial

Nesta quarta-feira, 15 de setembro, às 20h, no canal do Youtube da Ateliê Editorial, acontecerá a live de lançamento da obra História de um Livro: A Democracia na França, de François Guizot (1848-1849), da premiada escritora e historiadora Marisa Midori Deaecto. Além da presença da autora, o bate-papo virtual contará com a participação de Plinio Martins Filho, Carlos Guilherme Mota e Eugênio Bucci.

Em uma entrevista ao blog da Ateliê, a autora comentou sobre a importância da obra de Guizot para a mudança de panorama no mercado editorial: “Na verdade, mudança mais radical se deu no plano político, quando a Revolução de 1848 colocou a classe trabalhadora no poder. Os jornais tiveram que mudar, mas a edição de livros não. O que ocorre é que, com a crise no período revolucionário, as editoras encolhem, ou passam a publicar panfletos políticos”. Ela acrescentou: “A Garnier publicou muitos panfletos neste período. La vérité dévoilée aux ouvriers [A verdade revelada aos operários], publicada pela Garnier, em Paris, teve uma tiragem de 500 mil exemplares. O “caso” Guizot, que não foi o único, revela, portanto, a capacidade de um político conservador se reinventar no sentido de aderir a este gênero panfletário e de propaganda política e, ao mesmo tempo, de contar com uma rede transnacional de apoio que amplifica a difusão de seu escrito, em traduções ou mesmo em francês”. E concluiu: “Não é a história do livro que divide as águas, mas a abordagem histórica, ou seja, a possibilidade de fazer da bibliografia do livro, noutros termos, a discussão dos caminhos pelos quais o campo conservador construiu um best-seller político é que constitui um exercício novo. E instigante! Pelo menos no Brasil. 

Foram diversas edições impressas desde o lançamento da obra De la Démocratie em France, sem contar as contrafações, reimpressões e reedições. A obra de Guizot foi essencial até hoje para os estudos das editoras de livros e da área de tradução? Marisa Midori respondeu: “Do ponto de vista da construção editorial, é possível ler a História de um Livro como um estudo de caso. É claro que a figura de Guizot e sua obra não se reduz a isto, mas a fortuna editorial deste libelo político nos permite alguns diálogos interessantes: com a história ou teoria literária, quando perguntamos em que medida o leitor a crítica concorrem para a construção de um escrito; com os estudos de editoração, ou história editorial, pois a trajetória deste mostra que o editor, propriamente, teve um papel secundário, ou, pelo menos contratual, em certo sentido”. A professora e pesquisadora apontou: “No entanto, é Victor Masson quem dá forma para o escrito e o coloca em um circuito diferenciado, em relação à literatura panfletária, tal como ela circulava em Paris, mas também noutras cidades europeias – isso do ponto de vista material. Estamos tratando de uma série de elementos que concorrem para a construção dos sentidos, tanto no que toca ao gênero editorial, ou seja, panfleto político; mas também no que concerne à materialidade da brochura; e, sobretudo, na capacidade do autor e da crítica de sensibilizar seus possíveis leitores sobre a importância do de debater os temas Democracia e Sufrágio Universal“. 

E como explicar um tal sucesso? A autora argumentou: “Se você me pergunta em que medida a leitura de História de um Livro nos ajuda a compreender a construção de um best-seller político na atualidade, eu digo que há uma série de elementos. Por exemplo, o recurso das mídias, o debate público, a formação de um grupo mais ou menos coerente pronto a defender o livro, o capital simbólico do autor, ou mesmo do editor – que nos habilitam a discutir a questão” E concluiu: “É preciso pensar, outrossim, que os best-sellers muitas vezes têm vida curta. Eles cumprem o seu papel em uma determinada conjuntura e, depois, tornam-se peças de sebos. Em certo sentido, foi isso o que aconteceu com o Guizot. Salvo no caso brasileiro: a edição em português destinada ao mercado nacional é raríssima. Eu encontrei apenas dois exemplares: um na Faculdade de Direito de São Paulo; outra na Biblioteca Nacional de Paris”.

Marisa Midori Deaecto

A Autora

Marisa Midori Deaecto – Professora Livre-Docente em História do Livro no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP). Formou-se em História e doutorou-se em História Econômica na Fac. de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP), onde orienta pesquisas pelo Programa de Pós-Graduação (PPGHE-USP). Lecionou como professora convidada em diversas instituições estrangeiras, dentre as quais, a  École nationale des Chartes, a École normale supérieur e a École Pratique des Hautes Études, em Paris. Recebeu, em 2017, o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Eszterházy Károly, Eger (Hungria), por suas contribuições à difusão da história dos livros e das bibliotecas em uma perspectiva transnacional. Império dos Livros – Instituições e Práticas de Leituras na São Paulo Oitocentista (Edusp/Fapesp, 2011), reeditado em 2019, recebeu o prêmio Jabuti da CBL (1o lugar em Comunicação) e o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, outorgado pela Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro na categoria melhor ensaio social.

Live de lançamento de História de um Livro: A Democracia na França, de François Guizot (1848-1849), de Marisa Midori Deaecto

Ondecanal do Youtube da Ateliê Editorial

Quando: 15 de setembro

Horário: 20h

Presenças: Marisa Midori Deaecto, Plinio Martins Filho, Carlos Guilherme Mota e Eugênio Bucci.

A obra está à venda, com desconto de lançamento de 50%, no site da Ateliê Editorial.

Mais informações[email protected]

Ateliê Editorial lança a obra ‘Amor, Luta e Luto no Tempo da Ditadura’, de Maria do Socorro Diógenes

De leitura envolvente, a obra narra a experiência dolorosa de vida, a entrega total da autora ao ideal de liberdade e justiça.

“Contar para não esquecer”, afirma a autora Maria do Socorro Diógenes no livro Amor, Luta e Luto no tempo da ditatura, publicado pela Ateliê Editorial. De leitura envolvente, a obra narra a experiência dolorosa de vida, a entrega total da autora ao ideal de liberdade e justiça.

O livro é um recorte pessoal do período da ditadura civil-militar de 1964 a 1985, principalmente durante a fase mais violenta, a fase das prisões, das torturas, dos assassinatos e dos desaparecimentos dos opositores. Socorro Diógenes denuncia o brutal assassinato de Ramires Maranhão do Valle, seu ex-companheiro, um jovem pernambucano morto aos 23 anos, no Rio de Janeiro em 1973.

“Tomei consciência de que essa história subterrânea deveria ser escrita a várias mãos, incluindo-se a participação dos militantes sobreviventes. Decidi escrever o meu pedacinho, o que vivi, sendo uma parte ao lado de Ramires Maranhã do Valle. Escrevi como se estivesse conversando com ele ou lhe escrevendo cartas, falando dos momentos fugazes e intensos que passamos juntos na clandestinidade, da convivência com os companheiros, dos sobressaltos colocados pelas perseguições”, relata a autora.

Momentos marcantes da história do período são contatos por uma observadora que esteve presente e lutou por um país menos autoritário e violento, Maria do Socorro Diógenes conta da luta pela Anistia política, às lutas pelas Diretas Já, além das greves dos metalúrgicos do ABC no final da década de 1970.

Uma obra necessária para compreender um passado sócio-político e cultural sombrio do Brasil, tornando uma reflexão para que nunca mais se repita as truculências do poder.

A Autora

Maria do Socorro Diógenes é cearense de Jaguaribe. Formada em Letras, iniciou seus estudos na Universidade Estadual do Ceará, em Fortaleza e os concluiu na Fundação Santo André, no ABC, em São Paulo. Participou dos movimentos estudantis de 1968, foi militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, PCBR. Foi presa política em Recife, Pernambuco. Chegando a São Paulo, em 1974, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, PCB. Trabalhou como professora de Português na Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, hoje, aposentada como Supervisora de Ensino. Atualmente, reside em São Bernardo do Campo (SP).

ASSISTA A LIVE DE LANÇAMENTO DA OBRA