Monthly Archives: junho 2021

“O Guarani”, de José de Alencar

Os personagens são conhecidos. Ceci, a mocinha, apaixona-se por Peri, o índio. O romance é tão famoso que atravessou o século e é citado até na canção de Caetano Veloso, “Um Índio”. E, se é tão conhecido, certamente as razões vão além da importância que ele tem nas listas de obras de leitura obrigatória para o vestibular. Por isso, a Ateliê lança a reedição do romance O Guarani, de José de Alencar, que tem prefácio e notas de Eduardo Vieira Martins e ilustrações de Luciana Rocha.

Lançado originalmente em 1857, o romance é um típico representante da fase indianista do romantismo brasileiro, que buscava as fontes de referência de identidade nacional. Na Europa, a busca pelas “raízes nacionais” também era uma característica do período, mas por aqui, essa identidade passava pela representação idealizada dos povos nativos. Em  O Guarani, Peri é um índio forte, de caráter ilibado, com forte senso ético e moral. 

Enredo e personagens

A história se inicia em 1604. O livro é narrado em terceira pessoa e conta a história de D. Antônio de Mariz, que teria sido um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro e é pai de Cecília (apelidada Ceci), e constrói uma grande casa, nos moldes das antigas fortalezas medievais, seguindo um código de vassalagem semelhante ao da Idade Média – e que justifica a lealdade a Portugal. Dentre os moradores da casa, está Loredano, ex-religioso que abusa da cordialidade de Mariz e planeja raptar Ceci.

Aqui, aliás, já se podem notar traços sobre a busca da raiz nacional do romantismo no Brasil com o romantismo europeu: a vassalagem, as raízes político-sociais e a interferência da Igreja no continente Europeu estão retratadas aqui, mas, no romance brasileiro, a questão-chave é a identidade indianista.

O vilão Loredano, entretanto, não conta que Ceci é protegida do índio Peri, que havia salvado a moça de um acidente e, por isso, conquista a amizade dela e de seu pai. Diogo, irmão de Ceci, mata por acidente uma índia aimoré e esses fatos desencadeiam uma guerra entre os aimorés e a família Mariz e coloca Peri em uma situação delicada, já que ele estava vivendo na casa dos Mariz após salvar Ceci. Ao mesmo tempo, Álvaro Sá, amigo da família, também se encanta por Ceci, que continua a ser alvo de Loredano.  

Para tentar acabar com a guerra, Peri se envenena e vai à guerra, sabendo que o aimorés eram canibais e, planejando ser capturado  e devorado pelos índios, tinha a intenção de envenená-los também, matando-os e acabando com a disputa.  É justamente Álvaro quem descobre o plano de Peri e o impede da ação. Mas, a propriedade da família é incendiada e Mariz acaba por pedir que Peri se batize, afim de que ele possa fugir com Ceci e continuar protegendo a amada. E ambos somem no horizonte.

Tudo em O Guarani é idealizado: o índio forte e disposto a fazer um sacrifício sublime pela amada branca, europeia, rica, loura e frágil, uma mocinha inatingível e com aura sagrada. O amor devocional do índio puro – que, ao fim se batiza – se contrapõe à maldade explícita e quase diabólica do ex-religioso; o “amor” que Loredano sente por Ceci, que é diminuído por ser unicamente carnal.

O Coruja: romance de formação às avessas

Apesar de não fazer parte da lista de livros mais famosos do maranhense, O Coruja merece atenção do leitor interessado em conhecer o que existia na literatura brasileira do  século XIX “para além dos clássicos” já consagrados pela crítica. A. A Ateliê acaba de lançar uma edição desse título, que faz parte da Coleção Clássicos Ateliê, com apresentação e posfácio de Maria Schtine Viana. A seguir, ela fala sobre a obra com o Blog Ateliê:

O que a levou a estudar O Coruja?

Maria Schtine Viana

Maria Schtine Viana: Essa história já tem mais de uma década. Em 2009, quando estava em busca de um tema para estudar no mestrado, li a obra completa de Aluísio Azevedo, pois queria pesquisar o Naturalismo. A ideia inicial era trabalhar com O Cortiço, O Homem e  O Coruja. Na entrevista de avalição do projeto no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP), onde fiz o mestrado, os professores sinalizaram que Aluísio Azevedo merecia mesmo um estudo de fôlego, mas eu deveria fazer uma redução no corpus. A certa altura da conversa, falei sobre O Coruja e do impacto que tive ao ler esse romance. Acho que aquela conversa foi determinante, pois quando falei sobre O Coruja, senti meu próprio entusiasmo latente.

Depois, já sob a orientação do professor Fernando Paixão, lá no IEB, à medida em que lia e relia o romance para desenvolver essa pesquisa, mais compreendia que não só estava diante de um romance de grande envergadura, pela abrangência dos temas tratados na obra; mas também que era um romance pouco lido e estudado até então. Além disso, as raras edições da obra não eram boas. Durante os três anos do mestrado, comprei todas as edições que encontrei desta e de outras obras pouco conhecidas de Aluísio Azevedo, como O Japão. Fui montando esse acervo, que me ajudou muito, não só na redação da dissertação, mas também  na escrita a nota biográfica do pósfacio desta edição da Ateliê, que contém também informações  bibliográficas do escritor.

O Coruja não é das obras mais conhecidas de Aluísio Azevedo (por exemplo, O Cortiço é um livro que está sempre na lista dos livros de vestibular). Quais razões, em sua opinião, fazem dele um livro “menos lido” e “menos conhecido”?

MSV: Então, como disse anteriormente, este livro ainda não foi muito estudado e tem poucas edições. De maneira geral, os estudiosos costumam dividir a obra de Aluísio Azevedo em dois segmentos. De um lado, estariam as de indiscutível qualidade literária, caso d’O mulato, O Cortiço, O Homem e Casa de Pensão; de outro, os livros produzidos ao “correr da pena”, destinados às folhas matutinas e, portanto, escritos para atender à demanda dos leitores de jornais. Acho que essa divisão contribuiu para que grande parte dos romances, relegada a esse segundo agrupamento, despertasse pouco interesse de estudo por parte da crítica. No caso da obra O Coruja, alguns estudiosos a condenam; outros consideram suas qualidades, mas ainda assim lamentam o fato de ela ter sido escrita apressadamente para ser publicada em folhetim. Entretanto, o que se percebe é que o romance sequer foi lido, pois a crítica, de maneira geral, é bastante repetitiva quando se refere a essa obra de Aluísio Azevedo, como aponto no ensaio de apresentação nesta edição da Ateliê.

Trabalhei durante muitos anos como editora e acredito que o editor deve não apenas lançar novos autores, mas também iluminar obras ou escritores que de alguma forma ficaram na prenumbra ou esquecidos. Então, quando recebi o convite do Plínio Martins e do José de Paula Ramos Jr. para essa edição d’ O Coruja, fiquei muito entusiasmada, pois seria uma oportunidade para lançar luz sobre  uma obra pouco lida e, portanto, desconhecida de um escritor já consagrado pela crítica e pelo público leitor.

No seu prefácio para a da edição da Ateliê você fala sobre O Coruja ser um romance de formação “às avessas”. Poderia, por gentileza, falar brevemente sobre isso?

MSV: O termo Bildungsroman foi empregado pela primeira vez associado ao romance de Goethe, Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister. Desde então, criou-se um signo literário de longa permanência na história da literatura, tendo em vista obras construídas em torno da formação do protagonista, ou romance de formação. Em Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister, escrito por Goethe trinta anos depois, encontramos seu protagonista exercendo uma atividade prática como médico. Isso revela como o ideal de formação filosófico-humanista, apresentado no primeiro romance, é modificado para acompanhar uma transformação histórica.

Na literatura brasileira do século XIX, diferentemente do que se pode constatar nos países europeus, o romance de formação não encontrou muita ressonância. No entanto, O Coruja é um romance de formação, pois aborda a vida de duas personagens, André e Teobaldo desde a vida escolar, no internato, até a maturidade. Ainda que a trajetória das personagens centrais seja bastante diferente do percurso do protagonista goethiano. Teobaldo está longe de ter a energia e autodeterminação de Meister. O diletantismo da personagem aluisiana não lhe permite dedicar-se à sua formação plena e tampouco se especializar na profissão que escolhe na juventude, pois não chega a concluir o curso de Medicina. No entanto, apesar da dificuldade em dedicar-se a qualquer ofício, graças à sua origem aristocrática e às relações sociais, muitas vezes escusas, que estabelece com pessoas do seu meio, consegue alcançar um posto político significativo. Mas, ao final do romance, se dá  conta da própria mediocridade.

André, por sua vez, a despeito de todos os seus esforços como intelectual, não consegue furar o bloqueio social. É estudioso e aplicado, mas sua falta de graça e excessiva timidez impedem-no de passar nos exames, embora soubesse todas as matérias. Consegue economizar para comprar uma escola, onde aplicaria suas ideias inovadoras sobre educação, contudo a relação com Teobaldo, para com quem se sente um eterno devedor, o impossibilita de realizar seus planos. No seu caso, a educação sentimental tampouco se realiza, já que não consegue desposar Inezinha. Única possibilidade afetiva que a vida lhe acenara.

Ao ler as duas primeiras partes do romance, até pode-se supor que a solidariedade estabelecida nos anos iniciais de convivência entre os amigos se estenderá nos posteriores, de maneira a contribuir para que o processo formativo de ambos seja bem-sucedido, mas essa possibilidade é desfeita na última parte da obra. Por isso, pode-se dizer que o pretenso processo formativo das duas personagens se vê malogrado, tanto quando analisamos a trajetória delas como ao observarmos os aspectos formais utilizados na construção narrativa.

A meu ver, O Coruja pode ser lido como um romance de formação, urdido sob o prisma do grotesco, considerando-se as forças históricas que dominavam à época. André é intelectual que, por mais que se esforce não consegue escrever a sua tão sonhada História do Brasil e nem construir uma escola de acordo com seus ideários pedagógicos.  Nessa obra, Aluísio Azevedo não só aclimatou o Naturalismo à realidade brasileira, usando fartamente  categorias do grotesco, como escreveu um romance de formação às avessas, subvertendo também o ideário postulado por Goethe. Talvez essa fosse a única possibilidade em um país escravocrata, às vésperas da Proclamação da República, que pouco significou em termos de mudanças estruturais. Essas hipóteses foram defendidas por mim na já referida investigação.

Entretanto, há muitas outras possibilidades de leitura. Os desastres provocados pelo fato de o personagem André ter como ideário a bondade, por exemplo. Elemento que Franklin de Oliveira apontou em um panorama que fez a obra de Aluísio Azevedo. Ele considera que O Coruja constitui ponto de transcendental importância na ficção brasileira, justamente porque Aluísio coloca como um dos temas centrais do romance “o problema da bondade que gera desastres”.  Todavia, esses novos olhares sobre a obra só poderão acontecer se ela for lida, conhecida e comentada e esta nova edição poderá contribuir neste sentido.

Você pode falar um pouco desta edição?

MSV: Ainda não foi realizado nenhum estabelecimento de texto como o apresentado nesta edição da Ateliê, para o qual utilizamos como base um exemplar editado em 1898, mas realizando cuidadoso cotejo com o folhetim, publicado do dia 2 de junho a 12 de outubro, de 1885, no jornal O Paiz. Desta maneira, pôde-se incluir trechos que foram suprimidos na edição da Martins Fontes, que foi usada por muitos editores em lançamentos posteriores. Em alguns casos, essas supressões chegavam a comprometer o entendimento do texto.

Sob a orientação e em colaboração com o professor José de Paula Ramos Júnior, docente do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA, USP, durante o estabelecimento do texto foi realizado cuidadoso processo de análise com o intuito não apenas de corrigir erros tipográficos, omissões de trechos, mudança de sílabas palavras ou períodos, mas, sobretudo, estabelecer o texto de acordo com o usus scribendi do escritor e da época. Portanto, respeitou-se o critério estilístico pessoal que orientava, por exemplo, o uso das vírgulas. Em favor da legibilidade do texto, foram feitas correções para não prejudicar o entendimento ou padronizar construções semelhantes em que a virgulação variava, mas sem prejudicar o estilo do autor.

Além disso, esta edição contém notas explicativas para esclarecer vocábulos raros ou em desuso, expressões de época, palavras em línguas estrangeiras, elucidar fatos históricos ou contribuir para a identificação de personalidades da época, como também referendar alguns critérios usados durante o estabelecimento do texto. Desta maneira, esperamos contribuir para dirimir os obstáculos à fruição da leitura e favorecer o entendimento desse romance ainda tão pouco estudado de Aluísio Azevedo.

Dia da Língua Portuguesa

10 de junho de 1579 (ou 1580): data da morte do poeta Luís de Camões, um dos mais importantes nomes da literatura em língua portuguesa, autor de Os Lusíadas e de sonetos que, mais de 400 anos depois, ainda são conhecidos de cor por muita gente (a Legião Urbana, por exemplo, imortalizou versos do português em canções).  Esse é o motivo de, a cada 10 de junho, ser comemorado o Dia da Língua Portuguesa. Mas, você sabia que há outras duas datas para a mesma celebração?

5 de maio é o Dia Internacional da Língua Portuguesa (Dia da Lusofonia), celebrado por todos os países da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa. A data foi estabelecida oficialmente em 2009. Mas, aqui no Brasil, a data ainda tem outro marco: 5 de novembro é o Dia nacional da Língua Portuguesa, instituído em 2006 em homenagem à data de nascimento de Ruy Barbosa, membro fundador da Academia Brasileira de Letras.

 Como se vê, não faltam datas ou motivos para celebrar a nossa língua. Mas, neste ano, aproveitando o 10 de junho, resolvemos fazer uma seleção de títulos escritos em português para inspirar você!

Sonetos de Camões

Mais de 50 sonetos, redondilhas, odes e uma canção compões esta coletânea comentada e anotada por  Izeti F. Torralvo e Carlos C. Minchillo e ilustrada por Hélio Cabral.  Nela, o leitor ainda pode acompanhar uma biografia de camões e ter acesso a informações contidas nas notas de rodapé.

Bom Crioulo

Escrito por Adolfo Caminha, este é o primeiro romance brasileiro a abordar a homossexualidade masculina no Brasil pós-abolicionista e republicano. O ensaio de apresentação desta edição analisa o romance e comenta sua recepção, levando em conta os modos enviesados e produtivos pelos quais a herança de um escritor como Émile Zola rendeu frutos, nas circunstâncias brasileiras. Ilustrado por Kaio Romero, tem apresentação e notas de Salete de Almeida Cara.

O Guarani

Clássico da literatura brasileira, publicado durante o Segundo Reinado. A obra é um marco na representação dos valores patriarcais da época. O enredo gira em torno da relação entre Ceci, a filha de um desbravador português, e Peri, um índio goitacá. A edição tem prefácio e notas de Eduardo Vieira Martins e ilustrações de Luciana Rocha.

O Coruja

Este romance de Aluísio Azevedo é uma história em que há algo de patético, trágico e alegórico. Este “romance de formação às avessas” conta a história dos amigos de infância André e Teobaldo, com suas características diametralmente opostas. O estabelecimento do texto e notas são de  José de Paula Ramos Jr. e Maria Schtine Viana, também responsável pela apresentação e pelo posfácio do volume, que é ilustrado por Kaio Romero.

Mensagem

Esta edição de Mensagem traz ao leitor brasileiro, pela primeira vez, o texto dessa obra-prima rigorosamente estabelecido. Deve-se isso ao esforço de António Apolinário Lourenço, professor da Universidade de Coimbra e prestigiado estudioso da obra de Fernando Pessoa. Com seu ensaio de apresentação da obra e as notas que agrega aos poemas, António Apolinário Lourenço oferece aos leitores uma orientação tão segura quanto esclarecedora para resolver tantas dificuldades de compreensão, decorrentes da rica e complexa simbologia de Mensagem. As ilustrações são de Kaio Romero.

Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá

Esta obra de Lima Barreto é um caso raro na literatura brasileira. Apesar de escrito por um dos mais importantes autores nacionais, é um livro pouco lido, pouco conhecido, pouco estudado e pouco editado. O início do século XX é marcado pela modernização do Rio de Janeiro, inclusive do ponto de vista de costumes. Gonzaga de Sá é um funcionário que não consegue se adaptar às novidades e, enquanto contempla as mudanças na paisagem urbana reflete sobre a alienação humana.  O livro tem apresentação de notas de Marcos Scheffel.

O Coruja, de Aluísio Azevedo

Era 1885 quando Aluísio Azevedo começou a publicar O Coruja, em folhetim, no jornal O Paiz. A versão da Mont’Alverne surgiu dois anos depois. Mas, ao contrário de outros textos de Azevedo, que se tornaram clássicos da literatura brasileira, como O Cortiço e O Mulato, O Coruja é uma obra menos conhecida do público. Talvez porque faça parte da lista de obras do autor escritas para serem folhetins, feitos especialmente para leitores de jornal.

Apesar de não fazer parte da lista de livros mais famosos do maranhense, O Coruja merece atenção do leitor interessado em conhecer o que existia na literatura brasileira do  século XIX “para além dos clássicos”. A Ateliê acaba de lançar uma edição desse título, que faz parte da Coleção Clássicos Ateliê, com apresentação e posfácio de Maria Schtine Viana.

Aluísio Azevedo, em imagem da Academia Brasileira de Letras

Análise do enredo

André, um menino do interior de Minas Gerais, é um órfão considerado feio e desajeitado. Por isso, é apelidado de O Coruja. Mas, a despeito da aparência física, tem uma personalidade e um caráter fortes e um bom coração. Por considerar as outras pessoas sempre superiores a si – talvez por ter um complexo de inferioridade desenvolvido por ser visto como feio – acaba renunciando às suas próprias vontades para ajudar aos outros. Ele conhece Teobaldo, filho de um homem poderoso, no internato. Mais tarde, ambos partem para o Rio de Janeiro para finalizar os estudos. Teobaldo fica órfão e casa-se com uma moça rica, em uma união de aparências. Enquanto isso, André começa a poupar para abrir uma escola, um dos planos que o próprio Teobaldo interrompe sempre que surge um problema em sua vida – o que desvia André de seu planejamento. André ajuda o amigo sempre que ele está em apuros, passando por necessidades. Mas Teobaldo não se corrige.

Considerado por alguns críticos um “romance de formação às avessas”. “O Coruja constitui uma ‘educação sentimental’, romance de aprendizagem, mas não da personagem que dá título à narrativa: o Coruja é figura secundária, ainda que relevante pelo papel que desempenha. O ‘Herói’ é Teobaldo Henrique de Albuquerque”, escreve Massaud Moisés.

A forma como constrói o romance faz com que o leitor entenda claramente o que Aluísio Azevedo quer dizer com a história narrada em O Coruja. Ele fala sobre a dicotomia entre aparência e essência; sobre como as pessoas vestem máscaras sociais para tentar se adequar; em oposição àqueles que, tendo um bom coração e caráter ilibado, nem sempre conquistam o que desejam nem são reconhecidos por seus pares.  

Para dar mais ênfase àquilo que pretende destacar, o autor carrega nas tintas, um procedimento que também pode ser notado em outras obras suas. André é bom, prestativo, bondoso. Teobaldo é interesseiro, busca sempre ter conforto com o mínimo esforço.