A Nebulosa: Poesia de Joaquim Manuel De Macedo

A seguir, o Blog da Ateliê reproduz o texto de Talvanes Faustino, que mantém o Blog do Pensar Poético, sobre “A Nebulosa”:

A edição de A Nebulosa de Joaquim Manuel De Macedo é aberta por um belíssimo ensaio introdutório da Drª Ângela Maria Gonçalves Da Costa, onde já nas primeiras linhas nos oferece um pouco da recepção calorosa, que o delicado, belo e escuro poema obteve no momento de sua primeira publicação; o Correio Mercantil apresenta o poema de Macedo, como o mais belo de todos os tempos modernos. Mais recente, Candinho disse talvez ser este o mais belo exemplar do poema-romance do romantismo brasileiro. Como veremos mais adiante, nem só de elogios viveu o poema de Macedo, agora, nos ocupemos de conhecer um pouco mais sobre o autor.

Joaquim Manuel De Macedo nasceu no dia de São João, à 24 de junho de 1820 em Itaboraí no Rio de Janeiro e foi um escritor brasileiro identificado com a escola romântica, seu livro de maior sucesso é A Moreninha, romance de 1844, a obra é até hoje, publicada e é de fácil acesso aos leitores brasileiros. Macedo, além de escrever romances e poesias, também têm obras nas áreas da dramaturgia e jornalismo.  Manuel faleceu no dia 11 de março de 1882, aos 61 anos.

Em A Nebulosa, único poema na obra de Joaquim, são trabalhados temas sensíveis mesmo nos dias atuais, o que eu imagino que entre um suspiro e outro, o que há de mais mórbido neste poema tenha passado desapercebido. O romantismo, especialmente o romantismo dos filiados ao mal do século, tem um gosto pelo macabro, e o poema de Macedo parece fazer um cortejo a este grupo de poetas, quando desde o começo, o leitor é inserido em uma atmosfera escura, mórbida, pesadamente triste e fortemente depressiva. A professora Ângela Maria diz que “esse canto fúnebre nos remete a uma existência além da vida, porém mais bela e essencial, um tema caro ao romantismo.”

Apesar desse, possível cortejo, o nome principal deste grupo de poetas que formam, aquilo que chamamos de “segunda geração romântica” o poeta Álvares de Azevedo, foi um crítico da obra ao dizer que faltou senso patriótico ao seu autor, pela ausência de cor local (COSTA, 2018, p. 15 na nota de rodapé) o que chama a atenção é que o autor que faz a crítica também tem uma obra com poucas cores brasileiras, aqui a professora Ângela faz a seguinte observação:

O poema-romance de Macedo talvez possa ser lido como resposta à acirrada polêmica entre Alencar e Gonçalves de Magalhães, com a participação do imperador, […] em torno do projeto de nacionalização da literatura e da possibilidade da elaboração de uma obra épica nacional. É portanto, importante refletir que A Nebulosa foi bem recebida pela crítica e pelo leitor brasileiro, pois vinha na contramão do debate que se colocava como central no momento político, cultural e literário da nação. Isso pressupõe uma concepção de literatura que abrange posturas distintas  e mesmo contraditórias, pois seguir os modelos europeus era considerado a um só tempo servilismo e exemplaridade. 

A Nebulosa, é um poema que narra um amor impossível, mas diferente do que pôde ser visto em Iracema de José de Alencar, onde o casal apaixonado era separado por mundos distintos. Neste poema o casal de protagonistas e separado pela vontade da própria mulher, que no leito de morte de sua mãe jurara não amar “jamais” e esta é a resposta que dá as investidas do seu homem ob… apaixonado. O que acabou sendo uma referência ao famoso poema de Edgar Allan Poe, “O Corvo” nele a ave carniceira responde somente uma coisa “nevermore”.  O poema ganha contornos do que nós, hoje, chamamos de comédia romântica quando é retirada a última bruma, que acaba por revelar, o último elo entre as personagens que formam o trio de protagonistas.

A Nebulosa é um poema belíssimo, com passagens que me fizeram, por vezes, suspirar e estreitar o livro entre minhas mãos. É um texto curto, que rapidamente pode ser lido. A edição tem muitas notas de rodapé que servem de muito bom apoio ao leitor, além disso, o texto introdutório da professora Ângela é muito esclarecedor. Recomendo efusivamente, e a todos boa leitura.

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