Monthly Archives: março 2021

A Nebulosa: Poesia de Joaquim Manuel De Macedo

A seguir, o Blog da Ateliê reproduz o texto de Talvanes Faustino, que mantém o Blog do Pensar Poético, sobre “A Nebulosa”:

A edição de A Nebulosa de Joaquim Manuel De Macedo é aberta por um belíssimo ensaio introdutório da Drª Ângela Maria Gonçalves Da Costa, onde já nas primeiras linhas nos oferece um pouco da recepção calorosa, que o delicado, belo e escuro poema obteve no momento de sua primeira publicação; o Correio Mercantil apresenta o poema de Macedo, como o mais belo de todos os tempos modernos. Mais recente, Candinho disse talvez ser este o mais belo exemplar do poema-romance do romantismo brasileiro. Como veremos mais adiante, nem só de elogios viveu o poema de Macedo, agora, nos ocupemos de conhecer um pouco mais sobre o autor.

Joaquim Manuel De Macedo nasceu no dia de São João, à 24 de junho de 1820 em Itaboraí no Rio de Janeiro e foi um escritor brasileiro identificado com a escola romântica, seu livro de maior sucesso é A Moreninha, romance de 1844, a obra é até hoje, publicada e é de fácil acesso aos leitores brasileiros. Macedo, além de escrever romances e poesias, também têm obras nas áreas da dramaturgia e jornalismo.  Manuel faleceu no dia 11 de março de 1882, aos 61 anos.

Em A Nebulosa, único poema na obra de Joaquim, são trabalhados temas sensíveis mesmo nos dias atuais, o que eu imagino que entre um suspiro e outro, o que há de mais mórbido neste poema tenha passado desapercebido. O romantismo, especialmente o romantismo dos filiados ao mal do século, tem um gosto pelo macabro, e o poema de Macedo parece fazer um cortejo a este grupo de poetas, quando desde o começo, o leitor é inserido em uma atmosfera escura, mórbida, pesadamente triste e fortemente depressiva. A professora Ângela Maria diz que “esse canto fúnebre nos remete a uma existência além da vida, porém mais bela e essencial, um tema caro ao romantismo.”

Apesar desse, possível cortejo, o nome principal deste grupo de poetas que formam, aquilo que chamamos de “segunda geração romântica” o poeta Álvares de Azevedo, foi um crítico da obra ao dizer que faltou senso patriótico ao seu autor, pela ausência de cor local (COSTA, 2018, p. 15 na nota de rodapé) o que chama a atenção é que o autor que faz a crítica também tem uma obra com poucas cores brasileiras, aqui a professora Ângela faz a seguinte observação:

O poema-romance de Macedo talvez possa ser lido como resposta à acirrada polêmica entre Alencar e Gonçalves de Magalhães, com a participação do imperador, […] em torno do projeto de nacionalização da literatura e da possibilidade da elaboração de uma obra épica nacional. É portanto, importante refletir que A Nebulosa foi bem recebida pela crítica e pelo leitor brasileiro, pois vinha na contramão do debate que se colocava como central no momento político, cultural e literário da nação. Isso pressupõe uma concepção de literatura que abrange posturas distintas  e mesmo contraditórias, pois seguir os modelos europeus era considerado a um só tempo servilismo e exemplaridade. 

A Nebulosa, é um poema que narra um amor impossível, mas diferente do que pôde ser visto em Iracema de José de Alencar, onde o casal apaixonado era separado por mundos distintos. Neste poema o casal de protagonistas e separado pela vontade da própria mulher, que no leito de morte de sua mãe jurara não amar “jamais” e esta é a resposta que dá as investidas do seu homem ob… apaixonado. O que acabou sendo uma referência ao famoso poema de Edgar Allan Poe, “O Corvo” nele a ave carniceira responde somente uma coisa “nevermore”.  O poema ganha contornos do que nós, hoje, chamamos de comédia romântica quando é retirada a última bruma, que acaba por revelar, o último elo entre as personagens que formam o trio de protagonistas.

A Nebulosa é um poema belíssimo, com passagens que me fizeram, por vezes, suspirar e estreitar o livro entre minhas mãos. É um texto curto, que rapidamente pode ser lido. A edição tem muitas notas de rodapé que servem de muito bom apoio ao leitor, além disso, o texto introdutório da professora Ângela é muito esclarecedor. Recomendo efusivamente, e a todos boa leitura.

Literatura em movimento

Por: Renata de Albuquerque

Transpor obras literárias para o cinema é um assunto polêmico. As “adaptações” nem sempre são bem recebidas e muitos leitores apaixonados não economizam críticas ao que veem na tela. Só por isso, já é necessária uma dose de coragem para enfrentar um projeto como esse. No caso do diretor Luiz Fernando Carvalho, a coragem e a sensibilidade se refletem nas escolhas de transpor para as telas obras que não parecem “óbvias” para essa finalidade. De Machado de Assis (Capitu) a Ariano Suassuna (A Pedra do Reino), passando por Eça de Queirós (Os Maias), Carvalho levou à TV aberta uma estética apurada e inovadora, incomum nesse meio. No cinema (Lavoura Arcaica), sua arte se mostra aos espectadores como uma epifania estética que nos provoca a sair do “modo automático”. “A cada dia, se faz mais e mais necessário aos artistas se prepararem para resistir e reagir à hegemonia das regras de um padrão único, reivindicando modos próprios de ler e reler a literatura e o mundo”, acredita. 

Para Carvalho, a literatura é a origem que forma, com o cinema, um binômio fundamental. “Estamos falando sobre imaginação, o ato de imaginar, que é um direito civilizatório”, diz, aludindo a Antonio Candido em “O Direito à Literatura” (Vários Escritos).  Neste texto, Candido defende que ninguém pode viver sem literatura. “Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação”, afirma o crítico.  É bom lembrar que, para Candido, esse direito a poder estar em contato com (ou mesmo a criar) uma narrativa artística e ficcional não tem a ver com “alta cultura”: a fabulação pode ter como fonte tanto a TV quanto o romance, assim como qualquer outra expressão artística. 

Em sua trajetória como diretor de teledramaturgia, Carvalho dedica-se a oferecer ao espectador novas possibilidades narrativas a cada realização, onde reafirma a importância de dar voz ao que destoa, sublinhando o valor das diferenças para tentar desfazer a ideia de uma linguagem absoluta. “Além de excludente, o mercado é uma máquina de domesticação que insiste em conter arestas e identidades, transformando a multiplicidade em um ser único e obediente, consumidor silencioso daquilo que lhe é apresentado e pronto. Mas não! Somos todos muito singulares. Dar voz a essas diferenças, alimentar sonhos e desejos, ir além da visão burguesa do ‘macho-branco sempre no comando’, será a nossa salvação como artistas, mas, principalmente, como civilização.” – provoca o diretor, que, em sua próxima obra, se debruça sobre uma literatura que expõe a falência do modelo patriarcal burguês através de uma mulher em crise após sua ruptura amorosa.

Clarice

Carvalho finaliza o filme “A Paixão Segundo G.H.”, transcriação para as telas do romance de Clarice Lispector lançado em 1964. Se a pandemia não o tivesse impedido, o filme – que tem Maria Fernanda Cândido no papel de G.H. – teria sido lançado no ano em que se comemorou o centenário da escritora. Na obra, G.H. é uma escultora bem sucedida da burguesia carioca que, após demitir a empregada, decide arrumar ela mesma a casa começando pela “calda” do apartamento: o quarto de empregada. Lá, se depara com o inseto repugnante: uma barata. Refém de seus fantasmas moralizantes, G.H. é arrastada para dentro de um universo desconhecido e que a leva a descobertas metafísicas após confrontar-se consigo mesma.

Na nota de abertura, Clarice Lispector escreve que, apesar de ser “um livro qualquer”, ficaria feliz se ele fosse lido apenas por leitores de “alma já formada”: que sabem que a aproximação de algo se dá de maneira penosa. Para Luiz Fernando Carvalho, A Paixão Segundo G.H. traça um diálogo intenso com seu filme anterior, Lavoura Arcaica (Raduan Nassar). Tanto um quanto o outro são experiências estéticas elaboradas a partir da literatura, negando radicalmente a intermediação de um roteiro adaptado.    

Talvez por isso, além do filme A Paixão Segundo G.H., o diretor vai lançar, como aconteceu em Lavoura Arcaica, um livro sobre o filme. Ainda que não sejam livros de natureza semelhante, ambos podem ser entendidos como um desdobramento do diálogo entre literatura e cinema, que reunirá ensaios de especialistas a respeito da obra cinematográfica e seu cruzamento com o romance de Clarice Lispector. Entre os nomes confirmados para a edição, que será publicada pela Ateliê Editorial, estão, entre outros, a professora de literatura e biógrafa Nádia Battella Gotlib, o professor de cinema Ismail Xavier, a escritora Marilene Felinto e o psicanalista Renato Tardivo. A organização é da autora e pesquisadora Ilana Feldman. No ano em que se comemoram os vinte anos da estreia do filme Lavoura Arcaica e da exibição de Os Maias (que estará disponível no Globoplay), Luiz Fernando Carvalho continua transpondo para as telas obras que nos libertam e ao mesmo tempo instigam espectadores de “alma já formada”.   

Poesia: seleta de poemas do livro Pequeno Palco

Março é o mês da poesia: dia 14, temos o Dia Nacional da Poesia e, uma semana depois, no dia 21, é o Dia Internacional da Poesia. Por isso, a Ateliê não poderia deixar de celebrar as datas e, neste ano, nosso presente para você são alguns textos escolhidos de Pequeno Palco, o novo livro de Ricardo Lima, que também é autor de Desconhecer e Pétala de Lamparina. Este é o sétimo livro de Ricardo, que trata de temas como a infância, a morte e o amor, entre outros e que tem ilustrações de Lygia Eluf. A seguir, você acompanha alguns textos do livro:

Poemas

todos de um certo modo
cavam um pequeno palco
em algum momento da vida


não serve pra nada
não aumenta nem diminui
não prega a paz nem dá um tiro


no circo do trabalho
no almoço em família
ou no botequim


em algum lugar sem a menor importância
cava-se o pequeno palco

lá somos os mais ridículos
no nosso pequeno palco
somos piores do que somos.

enquanto o sonho queima os olhos
no ar um gato mia em colo distante


a alegria da louça lavada
e enxuta no calor da tarde


o sol respinga na toalha
de uma mesa lisa
estreita
sem história

uma cortina
ainda sem cor.

a luz que amanhece sem voz é baça
névoa e dura
como dores musculares misturadas com angústia


uma manhã sem sol precisa de perícia
para saber quem colocou música tão alta
no poço do elevador


quem prendeu e quem mandou soltar
a triste rotina da estatística
as tantas mortes mordidas por tiro
e no poder um abençoado por deus.

ter tanto a preservar
quanto a amazônia
tem de mata e de medo
tem de longe e de dentro de mim


aquele com a dor queimado
conhece a chuva que não vai chegar

na contramão
o que desconhece o destino
do barco na descida
não sabe sequer usar os remos.

Ficou com vontade de ler mais?

A propósito de Leon Hirszman, por Walnice Nogueira Galvão

O Blog da Ateliê reproduz texto da Professora Emérita da FFLCH-USP sobre "Por Um Cinema Popular", livro de Reinaldo Cardenuto, publicado no GGN

O Blog da Ateliê reproduz texto da  Professora Emérita da FFLCH-USP sobre “Por Um Cinema Popular”, livro de Reinaldo Cardenuto, publicado no GGN

Nos filmes que realizou, 5 longas e 11 curtas, dá para ver que estava sempre em busca de algo – o que o título do livro já implica.

Acabo de receber e de ler, com muito proveito,  Por um cinema popular- Leon Hirszman, política e resistênciade Reinaldo Cardenuto, publicado pela AteliêUma beleza de trabalho, dando a devida importância  a esse cineasta da linha de frente do Cinema Novo e do Centro Popular de Cultura (CPC), cuja morte precoce veio ceifar um projeto estético e político de envergadura.

Nos filmes que realizou, 5 longas e 11 curtas, dá para ver que estava sempre em busca de algo – o que o título do livro já implica. E isso desde os primeiros, entre eles Imagens do inconsciente, em que foi registrar a obra da Dra. Nise da Silveira  em hospício no Rio que acolhia os mais destituídos. A psiquiatra aboliu práticas brutais como o eletrochoque e a lobotomia, tratando os doentes mentais pela arte, criando o Museu e vindo a revelar Artur Bispo do Rosário. Ou então Nelson Cavaquinho, onde o cineasta assesta a câmera sobre um sambista exemplar. Ou ainda o ABC da greve, no qual cuida de ir ao encontro da nova classe operária que então surgia, os metalúrgicos do ABC. Como grande filme de ficção, faria São Bernardo, com base no romance de Graciliano Ramos. O sucesso nacional e internacional chegaria com Eles não usam black-tie (1981), sobre uma greve, afinal derrotada, de trabalhadores. Prêmios por toda parte, inclusive o Leão de Ouro em Veneza. A este filme, e à polêmica que suscitou no seio da esquerda, inclusive as querelas partidáriaso livro dedica sua maior porção. O nunca desmentido apego de Leon ao povo aparece com clareza em Deixa que eu falo (2007), documentário que Eduardo Escorel, seu montador em três filmes, lhe dedicou.

Brinda-se ainda o leitor com o roteiro literário reconstituído de Que país é este?, documentário encomendado pela RAI – RádioTV Italiana, hoje desaparecidoVale a pena ventilar um pouco as circunstâncias em que Leon veio do Rio de Janeiro a São Paulo, para me entrevistar. De nem tudo me lembro, mas parece que veio na esteira de Ruy Guerra, com quem eu colaborara, quando pedira os materiais de No calor da hora para o roteiro de um filme sobre Euclides da Cunha e a Guerra de Canudos. Vargas Llosa estava apalavrado com Ruy Guerra, mas acabaria por retirar desses materiais um romance e desistiria de escrever o roteiro. E o projeto coletivo  nunca se concretizou. Leopoldo M. Bernucci, em História de un malentendido , rastreia cada passo do romance até os materiais de origem. Soavam cômicas as  declarações bombásticas de Vargas Llosa sobre os anos que consumira na Biblioteca do Congresso em Washington, pesquisando… Os envolvidos na rasteira morriam de rir.  Ruy Guerra acha mais cômico ainda quando o escritor, que nunca ouvira falar nem em Euclides nem em Canudos, declara o quanto era um fã desde a juventude. Quem conta a história desse malogro é a alentada biografia de Ruy Guerra, escrita por Vavy Pacheco Borges.

Avessa a entrevistas, disse a Leon que, ao contrário, queria propor outras pessoas, quando até então, numa perspectiva bem carioca, ele só tinha convocado Maria da Conceição Tavares e Fernando Henrique Cardoso. Ele ouviu meus argumentos, discutiu pouco e acabou por concordar. É claro que selecionei cuidadosamente quem iria depor sobre o Brasil horrendo em que vivíamos em 1976. Estando Antonio Candido indisponível,  pedi pessoalmente a estes três colegas da USP, da oposição à ditadura, que dessem entrevistas: Alfredo Bosi, Fernando Novais e Sergio Buarque de Holanda.

Servi de motorista levando Leon e equipe para fazer as filmagens, na casa de cada um deles. O impacto dos entrevistados sobre ele era visível. A surpresa de Leon foi sobretudo por topar com gente séria e não com intelectuais midiáticos, dispostos a referendar os donos do poder e das emissoras de TV. O filme se resumiu a esses cinco cntrevistados.

O documentário não mais existe, nem sequer nos arquivos da RAI, mas o livro traz bons resumos.  Leon comenta que a RAI nunca exibiu o filme alegando que não era turístico… De fato, posso garantir que não era mesmo. Nenhum trabalho de Leon era.

Walnice Nogueira Galvão é Professora Emérita da FFLCH-USP

Massao Ohno, Editor: resenha de Livros que eu Li

Massao Ohno, Editor, foi considerado um dos 50 melhores livros de 2020 pela Revista Quatro Cinco Um. Ohno foi um dos maiores editores do país, deixando sua ideia e marca que influenciou o mercado editorial independente. A seguir, o Blog da Ateliê reproduz o texto do Blog Livros que Li, no qual o professor de física da UFSM, Aguinaldo Medici Severino, compartilha suas impressões de leitura:

Esse é o livro mais bonito que li neste ano. É um livro que rende homenagem a um dos melhores artífices brasileiros, o editor, designer, tipógrafo, experimentador, artista gráfico e pensador das artes, Massao Ohno, paulista filho de imigrantes japoneses, que viveu entre 1936 e 2010. É um livro que evoca aqueles curtos períodos onde parece que o Brasil é um país normal, com alguma chance de evoluir, transformar-se, florescer, não essa fossa séptica mental e moral à qual normalmente retornamos, inexoravelmente. Massao começou a trabalhar com artes gráficas em meados dos anos 1950. De editor artesanal, que até custeava os primeiros trabalhos de jovens promissores poetas, Masso Ohno tornou-se em cinco décadas um dos mais respeitados editores brasileiros, referência única em qualidade de produção gráfica, fusão harmônica entre a forma dos livros e seu conteúdo, criatividade e originalidade. O resultado desta vida, os livros que editou com seus parceiros artistas, são livros arte, livros objeto, avant la lettre, já se sabe. Lê-se e vê-se este volume com um espanto perene nos olhos. Nele encontramos o que no Brasil fez-se de melhor, na poesia, nas artes plásticas, no cinema, na cultura. Os poetas que ele editou (Claudio Willer, Jorge Mautner, Carlos Vogt, Mario Chamie, Hilda Hilst, Olga Savary, Lêdo Ivo, Carlos Nejar, Paulo Mendes Campos, Vinícios de Moraes – para citar só dez dentre dezenas de outros) foram apresentados em volumes ilustrados por artistas plásticos geniais (João Suzuki, Wesley Duke Lee, Manabu Mabe, Tide Hellmeister, Arcângelo Ianelli, Mira Schendel, Tomie Otake, Carlos Vizioli, Millôr Fernandes, Cyro del Nero – novamente, citando apenas uns poucos). Ohno também colaborou vários outros respeitados editores (Roswitha Kempf, João Farkas, Ênio Silveira), formou jovens talentos e foi um ativo divulgador da cultura e da língua japonesa no Brasil.

Esse volume foi idealizado por José Armando Pereira da Silva, respeitado historiador da arte. Seu meticuloso levantamento da produção editorial de Massao Ohno foi feito em colaboração com a secretaria de cultura e as bibliotecas públicas da cidade de São Paulo, consumiu quase quinze anos e fez com que hoje estejam disponíveis para consulta, depositados na Biblioteca Mário de Andrade, aproximadamente 650 livros. O resultado do rastreamento de José Armando indica um número ligeiramente maior, listando 777 livros editados por Ohno, entre 1959 a 2010. No volume estão reproduzidas um quarto das sempre belas capas das obras, mas os textos que contextualizam cada fase da carreira de Ohno também são muito bons. Todo um panorama da arte e cultura brasileira da segunda metade do século passado se desvela. Nem preciso acrescentar que é um livro muito bem editado pela Ateliê. Ao folheá-lo, fui garimpando mentalmente as pequenas joias que estão entre meus guardados, não mais que dez delas, coisas de T. S. Eliot e James Joyce, Hilda Hilst e Paul Valéry, Augusto e Haroldo de Campos, Olga Savary e Bashô). Livro para se desfrutar, ler e reler, alegrar os dias, purgar-nos destes aziagos dias de pandemia. Evoé, Massao Ohno, miglior fabbro, evoé. Vale! 

Se quiser acompanhar outros textos do blog Livros que Li, o endereço é http://guinamedici.blogspot.com/