Orações Insubordinadas: aforismos para uma leitura rápida e divertida

Segundo o dicionário, aforismos são textos curtos e sucintos, de estilo fragmentário, relacionados a uma reflexão de natureza prática ou moral. Com base nessa definição, o publicitário piauiense Carlos Castelo, fundador do grupo Língua de Trapo, escreveu Orações Insubordinadas – Aforismos de Escárnio e Maldizer. O livro traz as frases curtas e cortantes, de autoria do próprio Castelo, que causam riso e reflexão ao mesmo tempo. A seguir, ele conversa com o Blog da Ateliê:

O que o levou a escrever Orações Insubordinadas – Aforismos de Escárnio e Maldizer?

Carlos Castelo: Desde muito jovem me interessei pelas formas breves. Primeiro foram os provérbios. Gostava de toda a sabedoria que eles traziam em sentenças tão curtas. Depois, com 14 anos, li o Meditações, do Marco Aurélio. E assim fui seguindo, conhecendo outros autores, até que descobri o frasismo de humor: Barão de Itararé, Don Rosse Cavaca, Nelson Rodrigues, Dirceu, Millôr – só para citar os brasileiros. Era natural que, um dia, eu passasse a criar minhas próprias frases e isso aconteceu a partir de 2007. Foi no site Castel-O-Rama, do Humor UOL. Ali comecei a produzir sistematicamente num link chamado Aboboral.A compilação dos anos em que escrevi o Aboboral fez nascer o Orações Insubordinadas.

Como foi feita a seleção dos seus aforismos?

CC: Eu guardava num arquivo todos aforismos que postava no Castel-O-Rama, e no meu Twitter, o @casteladas. O critério usado foi o de cortar as frases sobre fatos passageiros, do dia a dia, e optar pelas frases atemporais. Justamente para não deixar o livro datado. Creio que funcionou, já que o Orações Insubordinadas continua sendo lido, e provoca riso e reflexão, há mais de 10 anos.

Em sua opinião, qual a força do aforismo? Para você, aforismos são atemporais ou podem perder relevância ao longo do tempo?

CC: A força do bom aforismo é a sua alta densidade. Ele contém muita informação, paradoxo, desconstrução ou originalidade em poucas palavras. Então, quando o leitor o decifra é como se detonasse uma explosão de prazer. Isto não é propriamente uma ideia minha, mas uma simplificação grosseira do que dizia Sigmund Freud em Os chistes e sua relação com o inconsciente. Se um aforismo será atemporal, ou perderá a relevância, vai depender da massa de sua densidade.

Seu livro teve a primeira edição lançada em 2009, mas ele continua causando riso. A que você deve essa permanência?

CC: Devo essa continuidade, como disse, ao critério de escolha das frases mais atemporais da minha produção. E também ao fato do aforismo ter se adaptado muito bem ao mundo da internet e suas redes sociais. Por sua brevidade e capacidade de estimular a discussão, ele é um gênero literário perfeito para a Grande Rede. Meu livro, portanto, chegou no momento certo, na hora em que passou-se a valorizar 140 caracteres como se fossem 140 páginas.

Os aforismos têm, em comum, o humor e a graça que causam. É possível identificar como se dá a construção desse efeito de humor que os aforismos causam no leitor?  

CC: Os aforismos de humor, que são os que escrevo, funcionam como o chamado humor “on-liner”. Normalmente possuem uma frase inicial que levanta a bola e, uma segunda, que faz o “saque” – o famoso “punchline”. Mas há muitas outras maneiras de se criar um aforismo. Podem ser lugares comuns refeitos, definições de neologismos, falas, diálogos, comparações, indagações, provocações, paródias de frases famosas e até microcontos. Ou seja, quase tudo pode ser um aforismo de humor, desde que ele faça rir e pensar.

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