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Uma Arqueologia da Memória Social – Autobiografia de um Moleque de Fábrica

Uma Arqueologia da Memória Social, de José de Souza MartinsIncomum entre os profissionais das ciências humanas, autor aventura-se em autobiografia interpretativa, em uma história marcada por episódios com momentos de ruptura no destino e estranhamentos propícios à descrição e à interpretação sociológica

“A busca parecia ter chegado ao fim naquela manhã de 1976. Ao morrer, meu pai, um homem do século XIX, deixara aos filhos pequenos um legado de enigmas e silêncios, o desencontro de sobrenomes, distanciamentos entre os membros da família, ainda que próximos pela vizinhança e pelos ritos para fingir proximidade, como o compadrio, onde a proximidade estava comprometida desde o começo pelas adversidades que o tornaram necessário. Coisas que crianças estranham e que se tornam os mistérios a desvendar, as perguntas a responder, as impertinências a incomodar. Naquela manhã tudo parecia, finalmente, claro. Parecia, mas não era. Aqueles enigmas eram apenas os componentes de incertezas que constituíam o extenso terreno em que nascem e crescem os sem história, os que nascem para servir e trabalhar. Aqueles cujo destino ganha sentido na trama de acasos que só se articulam num todo no fim da trajetória, no fim da vida, na história que faz dos simples mais objeto do que sujeitos.” Assim, José de Souza Martins inicia o “prólogo breve” de Uma Arqueologia da Memória Social, apresenta o seu livro, cria grande curiosidade pela história e anuncia como será sua autobiografia interpretativa.
Uma Arqueologia da Memória Social mostra uma trajetória pessoal de adversidades e superações, expondo o Brasil pela margem de dentro de seus dilemas, dias de blecaute e racionamento da Segunda Guerra Mundial, a morte de Getúlio Vargas, a greve dos 400 mil, em 1957, a violência doméstica resultante do embate entre a ordem rústica que se desagregava e o urbano anômico que se impunha. Com seu olhar microscópico e cotidiano, José de Souza Martins conta sua infância e adolescência, na roça e na fábrica, traçando o retrato de uma era decisiva no advento da modernidade no Brasil: a era Vargas. Sua história é um convite à iniciação nas ciências humanas. Um jeito diferente de conhecer o que elas têm a dizer sobre o homem comum sem desconhecer-lhe o imaginário que dá sentido às incertezas do viver sem rumo.
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José de Souza Martins é sociólogo e Professor Titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP, onde se tornou Professor Emérito em 2088. Foi professor visitante da Universidade da Flórida (EUA) e da Universidade de Lisboa. Foi o terceiro brasileiro eleito para a Cátedra Simón Bolivar da Universidade de Cambridge (Inglaterra), em 1993/94, e Fellow de Trinity Hall. Foi membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão (1996-2007). Prêmio “Érico Vanucchi Mendes” – 1993, do CNPq, pelo conjunto de sua obra. Prêmio “Florestan Fernandes” – 2007, da Sociedade Brasileira de Sociologia.
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Ficha Técnica
Título: Uma Arqueologia da Memória Social – Autobiografia de um Moleque de Fábrica
Autor: José de Souza Martins
ISBN: 978-85-7480-555-9
Formato: 15,5 x 22,5 cm
Páginas: 464
Preço: R$60,00

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Obra estuda a influência da leitura na construção de uma sociedade

Sociologia da Leitura, de Chantal Horellou-Lafarge e Monique Segrépor @AlexSens

Fonte: OPS!

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“Reconhecer não é ler”, escreveu o educador francês Jean Hébrard. Ou seja, repetir o som e a sequência de letras empregadas em uma palavra, reconhecer seus fonemas e grafemas, não passa disso, uma observação da linguagem em sua ordenada apresentação. Ler é compreender: este se tornou o lema dos pedagogos a partir da segunda metade do século XX, época em que apenas a decifração do escrito se torna insuficiente, sendo necessário compreendê-lo.

Pouco estudada no Brasil, e possivelmente em todos os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, a sociologia da leitura é um campo que analisa esta prática social que envolve também cultura, política, instrução, conhecimento e autoconhecimento. Este estudo feito pelas sociólogas francesas Chantal Horellou-Lafarge e Monique Segré, e transformado no livro Sociologia da Leitura (Ateliê Editorial, 160 páginas, tradução de Mauro Gama), enriquece a bibliografia sobre o assunto e ajuda a compreender melhor uma prática talvez usual, genérica, mas pouco discutida. Esta leitura sobre a leitura, uma conveniente metaleitura, aborda seu papel e sua importância na cultura tanto de uma sociedade leitora, ou não-leitora, quanto do ser individual, de sua influência na economia, do crescimento de um lugar e do próprio crescimento.