Tag Archive for semiótica

Livro traz visão geral e prática da linguística cognitiva

por Alex Sens | @alexsens

“Cognição é a capacidade que os seres humanos têm de processar informações adaptando-se às mais variadas situações possíveis, num curto espaço de tempo.” É dessa maneira simples e direta que Antônio Suárez Abreu, professor titular de Língua Portuguesa da Unesp, nos apresenta a ideia da cognição em seu mais recente livro Linguística Cognitiva – uma Visão Geral e Aplicada. Aqui, não só interessa o conceito puro, mas aplicado à linguagem: “Dentro de uma visão moderna, superando antigas divisões, a cognição humana engloba a linguagem, a memória, o raciocínio lógico, as emoções e a motivação. […] Em consequência dessa visão, o princípio básico da linguística cognitiva é o de que a linguagem não é uma faculdade autônoma em relação às outras faculdades humanas como a visão, a audição, a memória, a capacidade de pensar e de se emocionar.”

Breve volume dividido em dez capítulos, Linguística Cognitiva é de fácil acesso, com exemplos variados e um rico apelo para situações do dia-a-dia em que a cognição enquanto linguagem está aplicada. Abreu explora desde a categorização de seres e coisas, criando assim as capacidades de organização e comunicação como fatores essenciais à evolução e sobrevivência humanas, até a gramática cognitiva, cujo papel é mediar a passagem de significados em sons e vice-versa. O autor também destrincha o conceito de “linguagem corporificada”, contrário à teoria de divisão entre mente e corpo: “Nossa percepção de realidade é construída pelo formato do nosso corpo, pela maneira como ele se movimenta, pelo jeito como nossos sentidos percebem a realidade à nossa volta, pela forma como interagimos com o mundo, seus seres e objetos”.

Há ainda algumas amostras de esquemas de imagem, responsáveis por projeções metafóricas que auxiliam na comunicação; uma breve explicação sobre frames e scripts, dispositivos ligados à imaginação e à ordenação cronológica;  um estudo sobre metáfora e metonímia, duas das principais figuras de linguagem comumente usadas, sendo a primeira uma espécie de indumentária emocional ao que se deseja expressar ou um recurso argumentativo, e a segunda um entendimento do todo pela parte, ambas ativadas pelos frames. Outros tópicos da retórica e da estilística também são estudados, como a integração, a diferença conceitual entre história, parábola e provérbio, iconicidade e espaços mentais.

Linguística Cognitiva é uma obra-guia que mescla conceitos neurocientíficos e sociolinguísticos: apresenta um pouco de História ligada à linguagem, esta à nossa vida, e finalmente a vida como dependente absoluta das várias formas que os seres humanos encontraram para se relacionar, sobreviver e, sobretudo, criar.

Especialista em Linguística, Tom lança seu quarto livro pela Ateliê

Antônio Suárez Abreu publica mais um livro pela Ateliê Editorial

por Alex Sens | @alexsens

Professor livre-docente pela USP e atualmente professor titular de Língua Portuguesa da UNESP, Antônio Suárez Abreu é conhecido por sua atuação na área da Linguística, tendo a linguagem como instrumento de comunicação e criação. Dele, a Ateliê Editorial publicou quatro livros: A Arte de Argumentar, Gramática Mínima para o Domínio da Língua Padrão, O Design da Escrita e Linguística Cognitiva.

Tatit e Lopes analisam canções de quatro compositores da MPB

(por Alexandre Marcelo Bueno – Revista do GEL)

A teoria semiótica de linha francesa, criada por Algirdas Julien Greimas, em meados da década de 1960, tem a significação como seu objeto de estudo. Durante boa parte de seu desenvolvimento inicial, a semiótica prescindiu, de modo consciente, da análise do plano da expressão para focalizar o modo como o plano do conteúdo se organizava. Para isso, Greimas e colaboradores elaboraram um arcabouço conceitual que correspondeu, por um lado, a uma afamada economia conceitual, e, por outro, a algumas limitações que não se referiam apenas à organização do plano da expressão.

Sendo uma das poucas herdeiras declaradas do patrimônio conceitual saussuriano e, principalmente, de seu refinamento, promovido por Louis Hjelmslev, a semiótica esbarrou nos limites impostos pelo edifício teórico que ela própria erigiu. Na década de 1980, alguns semioticistas já procuravam ampliar o escopo da teoria, retomando questões centrais anteriormente deixadas de lado, como os estados passionais dos sujeitos narrativos e o próprio plano de expressão. Não por acaso, após a morte de seu fundador, a semiótica passou a conviver com diversas propostas conceituais e analíticas, cuja co-existência nem sempre é pacífica. Dentre essas propostas, a semiótica tensiva, que tem em Claude Zilberberg seu mais destacado proponente, surgiu como o intuito de integrar a dimensão sensível, colocando assim o plano de expressão no centro dos interesses da teoria. Dessa feita, atualmente, diversos semioticistas buscam investigar a organização do plano da expressão, enquanto instância produtora de significação; buscam, também, compreender como se define sua relação com o plano do conteúdo.

O livro Elos de Melodia e Letra – Análise semiótica de seis canções, lançado em 2008, é o resultado do trabalho dos semioticistas brasileiros Luiz Tatit e Ivã Carlos Lopes, que apresentam recursos teóricos para se compreender melhor a relação entre os planos do conteúdo e da expressão a partir de um objeto privilegiado para isso: a canção. Na introdução do livro, os autores apresentam seus objetivos iniciais: não apenas examinar a letra e os elementos melódicos e rítmicos da música como componentes dotados de significação, mas compreender o elo que une esses dois planos constitutivos de seu objeto de análise.

Congresso Internacional de Semiótica

Esta semana acontece o IV Congresso Internacional da Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES), evento que reúne pesquisadores das diversas áreas do conhecimento que utilizam a semiótica como disciplina fim ou de mediação em sua produção.

Dentre os participantes, estarão neste evento…

Luiz Tatit – fará no dia 03 de maio uma sessão de autógrafos em lançamento do livro Semiótica à Luz de Guimarães Rosa.

Décio Pignatari – poeta, escritor, ensaísta, semioticista, professor, tradutor e autor de alguns títulos publicados pela Ateliê, como o Semiótica & Literatura e Semiótica da Arte e da Arquitetura.