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Entre o morro e o asfalto, transitava Noel

Leidiane Montfort | A Gazeta – Cuiabá | 11.12.2012

Mesmo passados 75 anos de sua morte, o compositor continua sendo um importante ícone da música brasileira

Noel Rosa/Divulgação

Excêntrico e divertido, Noel Rosa redefiniu o samba e o legitimou junto à classe média e ao rádio. Transitando entre o morro e o asfalto, Noel era o branco que tocava – e amava – o ritmo preferido dos negros. Com quase 300 composições, gravadas dos 20 aos 26 anos, o artista marcou a Música Popular Brasileira (MPB) e segue influenciando novas gerações criadas ouvindo os clássicos dos bambas. Hoje, se lembra os 102 anos de seu nascimento.

“Não tenho do que me queixar”, dizia, fazendo graça com sua forma física, que em razão de um complicado parto em que o médico precisou usar fórceps, ele desenvolveu hipoplasia (desenvolvimento limitado) da mandíbula.

Um Humorista – Mesmo passados 75 anos de sua prematura morte, Noel continua sendo um importante objeto de estudo para pesquisadores interessados em compreender a música popular brasileira. É o caso da professora Mayra Pinto, que há alguns meses lançou Noel Rosa: O Humor na Canção (Ateliê Editorial/FAPESP).

Na publicação, a autora investiga o uso do humor na construção de um olhar crítico sobre uma sociedade desigual que passa por um período de transformações, especialmente em relação à identidade nacional.

“Pra mim, na obra dele, a ironia tem a função de marcar essa ambiguidade, de possibilitá-la. O efeito é que em Noel o sujeito que se coloca em confronto não só com os valores dominantes do trabalho, da moral, mas também do próprio universo do samba em várias canções pode não ser alvo de sanções em consequência de sua atitude crítica, dado que seu tom é de brincadeira”, afirma a autora em entrevista à Agência Estado.

“É basicamente a voz de um sujeito desprovido de força social, em todos os sentidos, porque é o sujeito do samba, o artista popular não valorizado que, com sua conduta boêmia, festiva, e, sobretudo, crítica no caso de Noel, confronta os valores dominantes ora de um modo debochado, satírico, ora de uma forma irônica, mais agressiva, com um tom menor de amargura. Essa voz não existia na canção antes de Noel”, completa.

Ainda segundo a pesquisadora, o universo do samba, na época de Noel, era considerado como “coisa de gentinha”. E Noel, um filho da classe média, branco, e que havia estudado no tradicional colégio São Bento, além de ser acadêmico da Faculdade de Medicina ajudou a desmitificar o gênero. O cantor mostrou o samba como um lugar exclusivo de positividade e levou muita gente consigo para essa interpretação.

Principais sucessos – O poeta da Vila colecionou diversos sucessos, mesmo com uma carreira que durou apenas 6 anos. Além do mega hit Com Que Roupa, também se destacam Conversa de Botequim, Feitiço da Vila, Gago Apaixonado, Feitio de Oração e Até Amanhã,entre outros.

Nascido Noel de Medeiros Rosa, em 11 de Dezembro de 1910 no chalé 130 da rua Teodoro da Silva no bairro carioca de Vila Isabel, o artista se firmou como um dos maiores compositores de samba de todos os tempos. Cantou como ninguém os bêbados, os maltrapilhos e maltratados, os boêmios, a cidade e a modernidade, com seus benefícios e encalços.

No livro, a autora investiga o uso do humor na construção de um olhar crítico sobre uma sociedade desigual.

Saiba mais sobre o livro Noel Rosa – O Humor na Canção

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Livros que dão Samba

Romance e estudo acadêmico mostram que o mais brasileiro dos ritmos inspira literatura de qualidade e permite interpretações valiosas sobre a cultura nacional

João Paulo | Correio Braziliense

Quando pôs o samba em leilão em “Quem Dá Mais”, o pregoeiro de Noel Rosa defendia que a música exprimia “dois terços do Rio de Janeiro”. Corria o ano de 1930, tempo de profundas transformações políticas e de afirmação de um dos elementos mais fortes da cultura brasileira. O país buscava o rumo da modernização e a música popular surgida na periferia se fincava no coração da cidade e da nascente indústria cultural. Noel (1910 – 1937) sabia das coisas e tinha pouco tempo. Em 26 anos de vida, compôs quase 300 sambas, estabeleceu os marcos da moderna canção popular e saiu de cena.

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Noel Rosa

Adoniran e Noel são homenageados com debate no encerramento do Salão de Ideias da Bienal

Debate Adoniran Barbosa e Noel Rosa no Salão de Ideias da Bienal 2010

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(por Alexandre Fernandez)

No encerramento do Salão de Ideias da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no dia 22 de agosto, Adoniran Barbosa e Noel Rosa foram homenageados com um debate por seus respectivos centenários de nascimento. A mesa reuniu Martinho da Vila, autor do samba enredo da Unidos de Vila Isabel para o carnaval de 2010, cujo tema foi Noel, e intérprete dos sambas do compositor na disco “Poeta da Cidade”, lançado há pouco; Francisco Rocha, historiador e autor de Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade, da Ateliê Editorial, e o jornalista Celso de Campos Jr, autor de “Adoniran – Uma Biografia” (Editora Globo).

Como mostram os títulos do CD de Martinho e do livro de Francisco Rocha, Noel e Adoniran foram “poetas de suas respectivas cidades”. E o fizeram de modo muito pessoal, em momentos cruciais: Noel nos anos 1930, quando o samba se popularizava para valer, e Adoniran nos anos 1940-1950, quando São Paulo assumia as feições de uma grande metrópole.

O debate lotou o Auditório Clarice Lispector, com capacidade para 200 pessoas, e teve uma ativa participação do público, que fez muitas perguntas aos três debatedores. A autenticidade dos dois compositores, suas características principais e seus legados para a cultura brasileria foram os temas mais abordados.
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Assista parte do debate abaixo