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Escritor Rosário Fusco ainda não é compreendido apesar de seu centenário

O centenário do nascimento de Rosário Fusco se aproxima e os brasileiros ainda não o assimilaram. O absurdo do mundo, caos, personagens extravagantes e desajustados, contradições, marginalidade e surrealismo são marcas deste grande ficcionista do Modernismo, camuflado pelo realismo de sua época. Em entrevista à Folha, seu filho François revela que Rosário Fusco já dizia que seria entendido apenas décadas depois de morrer.

Aos 17 anos Rosário Fusco iniciou um trabalho influenciado pelo movimento modernista de 22, a Revista Verde. A revista foi editada em Cataguases de 1927 a 1929 e teve colaboração de Mário de Andrade, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade. Nesta época, Fusco trabalhou ao lado de Ascânio Lopes, Camilo Soares, Christophoro Fonte-Boa, Francisco Inácio Peixoto, Guilhermino César, Martins Mendes, Oswaldo Abritta e Enrique de Resende.

Na década de 40, O Agressor, um de seus principais romances, foi publicado e teve mais tarde os direitos de filmagem adquiridos pelo cineasta Orson Welles, que os adquiriu após ler a obra traduzida no italiano. Apesar do cineasta ter cogitado levar o personagem paranoico de O Agressor às telas do cinema, a ideia nunca foi concretizada. O romance foi reeditado recentemente pelo selo Bluhm.

Em 2003 a Ateliê Editorial publicou uma obra inédita deixada por Rosário Fusco: a.s.a. ? associação dos solitários anônimos. O crítico Fábio Lucas a descreve como “uma narrativa de veloz andamento, polifacetada, palmilhada de contradições, a explorar um recanto especial do cenário brasileiro: a marginalidade acumulada ao longo do cais. Um poliedro de inspiração suprarreal”.

Fusco nasceu em São Geraldo, mas se mudou com sua família para Cataguases ainda bebê. Em 1932 ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista e permaneceu até os anos 60. Depois dos seus 50 anos de idade, retornou para Cataguases, onde viveu seus últimos anos, falecendo no dia 17 de agosto de 1977.

O crítico Sábato Magaldi considera Fusco como um dos maiores escritores do século vinte. O escritor Antonio Olindo o chama de “nosso Kafka” e lamenta que Fusco não tenha ganho ainda um reconhecimento entre os mestres da literatura brasileira.

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Ilustrada conta breve história de Rosário Fusco

Letícia Moreira/Folhapress

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Vanguardismo moldou talento precoce de Rosário Fusco

(por Marco Rodrigo Almeida)

Quando tiver idade para ler este livro, eu já morri. Quando tiver experiência para entendê-lo, já estará na fila para morrer.

Assim escreveu o autor mineiro Rosário Fusco (1910-1977) ao filho François ao presenteá-lo com um exemplar de “O Dia do Juízo” (1961), último romance que publicou em vida.

Às vésperas de completar cem anos de nascimento (em 19 de julho), Fusco, se fosse vivo, teria ainda poucos motivos para se sentir mais compreendido.

Revelação precoce, o autor do surrealista “O Agressor” amargou no fim da vida um limbo literário do qual nem a morte ainda o libertou.

François ainda guarda um romance (“VACACHUVAAMOR”) e dezenas de poemas, cartas e diários inéditos de Fusco à espera de editoras.

Em 2003, ele conseguiu lançar “a.s.a”, outro dos livros póstumos, mas não ficou satisfeito com a edição. Segundo ele, o livro foi um fracasso de vendas.

“Ninguém quer saber de Rosário Fusco”, lamenta.

François vive em Cataguases, cidade onde o pai despontou na literatura no final dos anos 20 e onde viveria os últimos anos de vida.

Rosário Fusco nasceu em São Geraldo, mas sua família se mudou para Cataguases quando ainda era bebê.

Garoto prodígio, aos 17 anos foi o mais ativo participante da revista literária “Verde”, publicação de vanguarda editada em Cataguases entre 1927 e 1929.

Influenciada pela movimento modernista de 22, a “Verde” rompeu fronteiras e teve colaboradores de renome como Mário de Andrade, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade.

Em 1932, Fusco mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como jornalista.

O ponto alto de sua carreira, no entanto, foi também o início da discórdia que o acompanharia até o fim.

Em 1943, Rosário publicou o romance “O Agressor”. A história do contador David, personagem paranoico com mania de perseguição, trazia clara influência surrealista e foi comparada ao universo de Kafka e Dostoiévski.

Em um ensaio sobre o livro, o poeta e crítico Lêdo Ivo escreveu que o romance foi o primeiro, em língua portuguesa, a tratar do “absurdo do mundo e da vida”.

Mas pagou um preço por não se enquadrar nas correntes estéticas da época.

“O livro surge quando predominava o romance social nordestino, onde o homem é vítima da estrutura social. Já o Fusco fez um livro psicológico, marcado por forças do acaso. Não teve uma boa acolhida na época”, afirma Ivo.

Os livros posteriores de Fusco, todos de temática não realista, apenas reforçaram a marca de autor inclassificável. Apenas “O Agressor” teve mais de uma edição.

Leia trechos de obras inéditas do autor Rosário Fusco

a.s.a. – associação dos solitários anônimos