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A passagem do tempo inspira livro de poesias

Fonte: EPCampinas

Pétala de Lamparina, de Ricardo LimaO acordar e o fim da tarde que marcam a passagem do tempo são a base do novo livro de poesia do jornalista e poeta Ricardo Lima, que lança “Pétala de Lamparina” nesta terça-feira (14), em Campinas, no Empório Nono, a partir das 18h.

O livro é dividido em duas partes: Caro Acordar eTarde Noite, que surgiram da ideia, um tanto quanto obsessiva como conta Lima, de escrever a partir da palavra ‘acordar’. “A partir daí, eu escrevi uns trinta poemas. Depois de vê-los, eu percebi que precisava ‘terminar’ o dia, e produzi outros a partir do tema de entardecer e anoitecer”, explica o poeta. Os poemas buscam ainda uma reflexão sobre a efemeridade das coisas.

Como coordenador da Editora da Unicamp, Lima fala do gênero literário que escolheu. “A poesia ainda é o patinho feio do mercado editorial, diferente dos livros de auto-ajuda, mas ela ainda tem seu espaço na mente das pessoas. Ainda que não leiam com frequência, em algum momento os leitores buscam a poesia”.

O autor, que já está em seu quinto livro, relata sua inspiração para escrever. “Para mim inspiração não é aquela luz que vem na sua cabeça, mas é viver de olhos abertos e deixar a sensibilidade aflorar para perceber o mundo ao redor. A partir daí, tudo pode virar poesia”.

Serviço
O quê:
Lançamento do livro “Pétala de Lamparina”, do poeta Ricardo Lima
Quando: Terça-feira (14), às 18h
Onde: Empório do Nono (Av. Albino J. B. de Oliveira, 1128, Barão Geraldo, Campinas)
Quanto: Entrada franca
Informações: (19) 3289-0041

Os impasses da atual poesia brasileira

Por Alcir Pécora

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2010/12/04/os-impasses-da-atual-poesia-brasileira-por-alcir-pecora-346484.asp

As obras Palavra e Rosto, de Fernando Paixão; Interior Via Satélite, de Marcos Siscar e A Estrela Fria, de José Almino são três lançamentos não triviais de poesia e de pensamento sobre a poesia. Cada um deles, além de se produzir como objeto de interesse por si mesmo, ajuda a entender certos impasses atuais do gênero no Brasil, a mapear a dificuldade do novo —, isto que é exigência e risco inerentes ao legado cultural que baliza toda criação.

Livro: Palavra e Rosto, de Fernando PaixãoE é justamente tendo o incômodo como horizonte que Paixão opta por tomar a poesia de fora. Cria breves quadros descritivos em prosa afetiva e evocativa, que emula o poético, sem a exigência de ser poesia. A ideia é “fixar impressões” de “situações vividas”, capturar a “realidade corpórea” que “se agrega às palavras”, ou, de outro modo, surpreender a imaginação poética ainda antes de as palavras se fixarem no “estado de texto”. Trata-se, portanto, de agir como se fosse possível obter um flagrante da poesia antes da poesia, como se só restasse à poesia existir antes da sua hora, mais como potência do que como ato.

Versos de Cesário Verde são decisivos para a moderna literatura portuguesa

Livro: Poemas Reunidos, de Cesário Verdepor Alcir Pécora | especial para a Folha

Em edição escolar bem anotada e comentada por Mario Higa, a Ateliê acaba de lançar Poemas Reunidos, do português Cesário Verde (1855-1886).
Toma por base a primeira edição de O Livro de Cesário Verde (1887).
São 22 poemas, na maioria quadras ou quintilhas, com decassílabos ou alexandrinos heroicos, de rimas cruzadas. Todos excelentes. Ao menos dois, decisivos para a moderna poesia portuguesa: “Sentimento dum Ocidental” e “Nós”.
A edição inclui outros 18 poemas de Cesário Verde, segundo a edição de 1988 da “Obra Completa”, estabelecida por Joel Serrão. Constata-se, a cada leitura deles, que a lírica moderna realmente “entra por todos os poros”, como pregava Álvaro de Campos na “Ode Marítima”.
O mais perceptível desses poros é a paráfrase irônica do ideário romântico. Por exemplo, a típica “femme fatale” é ameaçada pelo poeta impaciente com a vingança dos “povos humilhados”; ou é contraposta à feiura de uma “velhinha suja” que o aborda a pedir cigarro.

Exposição de Fernando Pessoa apresenta um mundo poético-visual simples e profundo

Exposição de Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa

por Alex Sens

Até o dia 30 de janeiro de 2011, o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo apresenta a exposição “Fernando Pessoa – Plural como o Universo”, que tem projeto do cenógrafo Hélio Eichbauer e curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith. A mostra multimídia tem o papel de aproximar as pessoas do Fernando Pessoa por meio de vídeos, fotos, livros, projeções e espelhos.

Esta é a primeira vez que o museu dedica uma exposição a um escritor português, depois de comportar outras homenagens a escritores brasileiros como Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Toda ela tem um caráter interativo e lúdico. O visitante pode passear por labirintos onde poemas e imagens de Fernando Pessoa retratam seus vários heterônimos e nuances literárias. Há também cabines com projeção de textos que são trocados por um sensor que capta os movimentos das pessoas. Com um simples toque em páginas virtuais os visitantes podem ampliar documentos fac-símiles, manuscritos e datilografados, movidos como um livro holográfico gigante.

A pluralidade de Fernando Pessoa se encontra não só em suas personas diversas e bem construídas, mas também no fato de atingir um público divergente que é tocado pelo simples, porém profundo, ou parafraseando o autor, que simplesmente sente com a imaginação, sem usar o coração. Suas obras são diferentes e fazem pensar. Com esta exposição o visitante pode entrar num mundo poético-visual e pensar junto, além de se envolver mais com a literatura portuguesa e com seus aspectos histórico-culturais.

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“Fernando Pessoa – Plural como o Universo”

De 24 de agosto de 2010 até 30 de janeiro

De terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada: R$6,00 (inteira) / R$3,00 (meia)

Gratuita aos sábados e também para crianças de até 10 anos e idosos com mais de 60 em todos os dias.

http://www.visitefernandopessoa.org.br/

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