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Faleceu este mês Paulo Penido, sobrinho de Pedro Nava

Lamentamos informar a morte de Paulo Menezes Nogueira Penido (1936 – 2013) ocorrida no dia primeiro de agosto, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu.

Paulo Penido era médico radiologista e reumatologista. Sobrinho da esposa de Pedro Nava, ficou com a incumbência de cuidar do acervo das obras de Nava. Pela Ateliê, publicou dois livros como organizador: Bicho Urucutum e Anfiteatro, nos quais conta sua convivência com o casal Nava, pois quando jovem morou com os tios. São casos curiosos e muito interessantes para conhecermos Pedro Nava como pessoa e médico. Seu irmão poeta Egberto Penido publicou o livro Sombras e Distâncias, também pela Ateliê.

O suicídio, a arte e os escritores

O suicídio, a arte e os escritores

Apertado entre o fim da infância e o começo da adolescência nasceu meu fascínio pelo suicídio. Começou quando, escrevendo meu primeiro romance, aos 13 anos, senti que meu protagonista deveria romper a própria vida no átrio de um colégio. O livro foi lido em algumas salas, provocou espanto em alguns, interesse em outros, mais pela trama do que pelas tragédias narradas. Então algum deus da escrita bateu sua baqueta num xilofone e eu soube que seria escritor, que na escrita havia esse lugar remoto e profundo onde eu me encontraria por completo.

Quando se acreditava que a arte era uma espécie de desequilíbrio mental, artistas suicidas e a própria arte foram estigmatizados. Mas nenhuma patologia mental ficou restrita aos artistas, por isso só sabemos que cometeram suicídio porque deixaram, através de suas obras, um legado na sociedade e na história cultural de suas respectivas áreas. Como qualquer ser humano, o artista sofre – talvez este sofrimento seja o responsável por seu fazer artístico.

Meu fascínio pelo suicídio é romântico, tem relação com um outro fascínio pela morte em si, esse mistério escuro que nos engole a vida numa colherada. Foi intensificado e melhor compreendido quando conheci a história de Virginia Woolf. A escritora inglesa de Mrs. Dalloway tornou-se minha preferida não só por seus belíssimos romances, mas por sua vida trincada, seus surtos maníaco-depressivos, a tristeza misturada à alegria em suas cartas. Virginia, que lutou com inquietas vozes por quase 50 anos, cuja persistência não a deixava mais trabalhar, escreveu uma carta de despedida para o marido Leonard Woolf, outra para a irmã Vanessa Bell, e aos 59 anos de idade afogou-se nas ferozes águas do rio Ouse.

Outros famosos escritores decidiram pelo rompimento da própria vida, ou por desespero, ou por cansaço, ou pela simples desistência de tentar. Conhecida por seus poemas e diários, mas também uma incrível escritora de prosa, aos 30 anos, Sylvia Plath colocou a cabeça dentro de um forno ligado e morreu intoxicada por monóxido de carbono, mesma causa da morte de Anne Sexton, escritora estadunidense e ganhadora do prêmio Pulitzer de poesia, que aos 45 anos trancou-se na garagem de sua casa com o carro ligado. Ernest Hemingway, escritor norte-americano, conhecido pelos romances Por Quem os Sinos Dobram e O Velho e o Mar, com o qual ganhou o Pulitzer, acabou com seus muitos problemas de saúde disparando um tiro de espingarda em si mesmo. Um dos mais conhecidos escritores portugueses, Camilo Castelo Branco também decidiu pelo próprio fim. Ao descobrir uma progressiva cegueira causada por sífilis, não suportou a ideia de não poder trabalhar e atirou contra a própria têmpora, morrendo aos 65 anos. Ainda em Portugal, a poeta Florbela Espanca, diagnosticada com edema pulmonar, ingeriu uma alta dose de barbitúricos e morreu aos 36 anos, no dia de seu aniversário. No Brasil, Pedro Nava, autor de Baú de Ossos e mais seis romances memorialistas, seguiu o fim de Castelo Branco e Hemingway, disparando um tiro contra a cabeça aos 80 anos, no Rio de Janeiro.

E quantos cometeram suicídio antes mesmo de derramar suas dores na literatura?

Coluna Autor sobre Autor, de Alex Sens