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Livro, de Michel Melot

Revista ANL | Setembro de 2013

Livro, - Michel MelotLivro, traz ensaio sobre esse objeto, o grande suporte da comunicação escrita na cultura ocidental, que remonta à lenta passagem do uso de rolos em papiro, para a descoberta do pergaminho, até a invenção do códice a partir da dobra do papel fixado em tábuas. Qual seria o milagre desse objeto, nascido há mais de dois milênios, eminentemente moderno por sua forma cúbica, matemática, industrial muito antes de o ser, que triunfou do rolo até se tornar o “tijolo elementar” do pensamento ocidental?

Nesta obra, delicadamente diagramada, para compreender o poder fenomenal do objeto livro, o autor investigou sua topografia e sua arquitetura, desceu até sua anatomia profunda, percorreu suas dobras, suas costuras, suas fibras físicas e simbólicas. E ainda interrogou suas relações estranhas com as três religiões chamadas “do Livro”, o profano, o comércio e o político, e a liberdade de pensar, de sonhar e de desejar. Contrariamente ao saber digital, o livro, nascido da dobra, fecha-se sobre si mesmo, solidário de sua mensagem. Seu espaço é concebido para produzir uma autoridade, ou mesmo uma transcendência. Confere ao conteúdo a forma de uma verdade e a credita ao autor.

Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Michel Melot nasceu em 1943 em Blois. Após ter sido diretor do Departamento de Estampas e Fotografias da Biblioteca Nacional, diretor da Biblioteca Pública de Informação do Centro Pompidou, Michel Melot foi presidente do Conselho Superior das Bibliotecas. Ele também é autor de La Sagesse du Bibliothécaire entre outros.

Um ensaio sobre este objeto

O suporte da comunicação escrita — do uso de rolos em papiro à descoberta do pergaminho e a invenção do códice — a partir da dobra do papel fixado em tábuas

Lincoln Secco | Brasileiros | 01.01.2013

Livro, de Michel MelotO que é um livro? Uma reunião de significados dentro de um conjunto de folhas dobradas. Esta e outras centenas de definições seriam suficientes para conhecê-lo. Em seu belo Livro, Michel Melot procura compreender o livro como objeto. Foi esse conjunto de folhas dobradas, afinal, que venceu outros suportes do texto escrito por volta do século 4 (embora existisse muito antes) e chegou até nós perante nova ameaça: os meios digitais de composição e reprodução de textos. Ora, como o autor nos faz lembrar, livro, texto e escrita são coisas distintas. Na ficção científica de Ray Bradbury (Farenheit 451) há um mundo que persegue o livro para queimá-lo e só uma comunidade de memorizadores perpetua o texto sem a escrita.

O áudio-livro contém um texto e não signos impressos, por exemplo. A própria escrita sobreviveu em outros meios, que relutamos em chamar de livros: tabuinhas, pergaminhos, rolos e, agora, o e-book. Poderíamos chamá-los de livros simplesmente porque carregam textos? Haveria controvérsias, afinal o rolo (volumen) foi o “livro” durante séculos antes do códice (codex). Jesus apenas pregou e o única vez em que o vemos escrever, conta-nos Melot, ele o fez no solo. O que decerto nos faz lembrar o gesto de José de Anchieta no século 16.

Esse objeto que ainda hoje nos encanta venceu, é quase tudo o que sabemos. O Cristianismo entregou seu conteúdo a esse continente. E isso mudou profundamente a noção de livro porque a maneira de ler e a organização do texto em diversos rolos não levavam às mesmas potencialidades do códice. Neste, surgiram as anotações à margem, a pontuação, a separação entre as palavras, o distanciamento da escrita e da fala, a leitura silenciosa em bibliotecas, a leitura perigosa que esconde os pensamentos do leitor, a leitura extensiva com vários livros ao mesmo tempo sobre a mesa em vez da leitura ruminada, em voz alta, de uma vez só…

Michel Melot nos conduz assim a uma questão atual: seria o livro destinado a um fim? Temos diante de nós novas formas de leitura em tempo real. E, de fato, este não é o tempo do livro. Sem querer, o autor nos dá uma bela definição de seu objeto: “O livro tem lugar no espaço, mas ele instala sua leitura na duração”.

O livro, dizem seus amadores, não depende de novas tecnologias. Ele sequer precisa da leitura em certos casos. Como objeto, ele pode ser simplesmente venerado, folheado, colecionado, presenteado, roubado, enfim, amado.

Uma possível “história sexual do livro” o confirmaria. Embora o objeto livro seja uma palavra masculina em muitas línguas (ou neutra, como no alemão), Melot nota que para muitos leitores há uma relação sensual com a leitura que funde o corpo feminino com a materialidade do livro. Ao abri-lo, é como se desfolhássemos o corpo da mulher. Mas se o livro se torna necessariamente um corpo, por que não podemos imaginar o contrário?

J. C. Carrière conta a história de um tipógrafo que descobriu a infidelidade de sua mulher através da carta de um amante. Vingativo, o marido compôs os tipos da carta em sua prensa, atraiu a mulher, despiu-a, amarrou-a e imprimiu nela as palavras do seu amante. O corpo nu e branco tornou-se papel e ela se transformou em um livro para sempre. Afinal, eu poderia me perguntar: se eu escrevesse um texto no corpo da mulher amada, ela se tornaria um livro meu para sempre?

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Michel Melot nasceu em 1943 em Blois. Após ter sido diretor do Departamento de Estampas e Fotografias da Biblioteca Nacional, diretor da Biblioteca Pública de Informação do Centro Pompidou, Michel Melot foi presidente do Conselho Superior das Bibliotecas. Ele também é autor de La Sagesse du Bibliothécaire entre outros.

Ideias Encadernadas

Em Livro, o pesquisador francês Michel Melot traça um instigante painel da história do livro e da leitura, percorrendo caminhos que vão desde o livro como objeto até um inusitado traço erótico que esse mundo entre duas capas pode apresentar

Marcello Rollemberg | Jornal da USP | 5 – 11 de novembro

Livro, - Michel MelotA discussão já ficou até chata: o livro em seu formato papel desaparecerá, dando lugar apenas ao livro eletrônico? Mais do que um debate clichê nesses tempos tecnológicos, o blábláblá sobre o (possível) fim do livro em papel acaba servindo, na verdade, para realçar cada vez mais sua importância cultural e social. Não se perde tempo discutindo irrelevâncias. E o livro em papel, com suas ideias encadernadas, é um bem cultural da humanidade há séculos. E possibilita uma série de leituras – com o perdão do trocadilho – que vão muito além do que suas páginas registram e querem dizer. E afinal, dizem. E é justamente esse o caminho que o historiador e bibliotecário francês Michel Melot percorre com seu importante Livro, que será lançado pela Ateliê Editorial durante o Simpósio Internacional Livros e Universidades, que a Edusp organiza esta semana (entre os dias 5 e 8 de novembro) para comemorar seus 50 anos de fundação.

E o título é realmente essa simplicidade lacônica apresentada acima: a palavra e uma vírgula. Um título simples, mais eivado de significados, uma obra aberta para inúmeras considerações e vários entendimentos. Porque é exatamente isso o que o livro permite e o que Melot deseja demonstrar. “Um caleidoscópio de tipos que acenam para o significado laico, senão, coloquial do livro nas sociedades contemporâneas. Dessacralização do objeto, cujo longo percurso se apresenta como tema central de Livro, este belíssimo ensaio de Michel Melot”, afirma a professora da ECA e estudiosa da história do livro Marisa Midori Deaecto, que assina o prefácio à edição brasileira da obra.

É esse mundo “dessacralizado” que Melot apresenta ao longo dos nove capítulos de seu trabalho, abordando temas que vão desde os primórdios dos códices até essa contemporaneidade bipolar, passando por assuntos que ganham subtítulos instigantes: “Livro de Culto ou Culto do Livro?”, “O Editor, o Autor, o Livro: uma Nova Trindade”, “A Dialética da Dobra”, “O Espírito da Letra”, por exemplo. Nada escapa ao olhar atento de Melot nem à sua escrita refinada e, ao mesmo tempo, provocativa. Nem um improvável – mas não impossível, como prova o autor – traço erótico que o livro objeto pode ter. Este trabalho do pesquisador francês talvez seja o paroxismo daquilo que seu colega do outro lado do Canal da Mancha, Holbrook Jackson, quis dizer ao escrever sobre os cinco sentidos que o livro instiga, em seu clássico Anatomy of Bibliomania. Os livros inspiram sentidos os mais diversos – seja o cheiro que exala de suas páginas, seja a textura de uma encadernação, a beleza pictórica de uma capa. E, como foi abordado há pouco, esse lado erótico ou erotizante que o livro pode apresentar, mesmo que não haja a intencionalidade. Esse aspecto é realçado graças a um trabalho fotográfico de primeira linha elaborado por Nicolas Taffin, que estabelece um feliz e inusitado diálogo com o texto de Melot.

“Entre Duas Capas” – Para elaborar os tópicos de seu longo ensaio, Melot apresenta uma definição de livro tão simples quanto o título de seu trabalho: livro, para ele, é “aquele que reside entre duas capas”. Mas que não se engane o leitor mais apressado. Nem com o título, nem com a definição. Simplicidade assim guarda um universo de explicações, muitos caminhos e uma erudição que não tem tonalidade de arrogância intelectual nem de hermetismo. Pelo contrário.

O trabalho de Melot é, antes de mais nada, um convite à leitura prazerosa, a um passeio pela história do livro e da leitura, a uma discussão saborosa acerca do que o livro representa para a sociedade, tanto como objeto quanto como fiel depositário de ideias (boas ou não) encadernadas. O livro e todas suas nuances, mesmo aquelas que têm uma tela de cristal líquido ou LCD como anteparo. Como afirma Régis Debray no prefácio à edição francesa do volume: “O que degrada redime (a matéria). O que murcha assegura (os limites). O livro também brinca de quem-perde-ganha”. E toda a tese de Melot acaba por residir em uma obviedade que os arautos da tecnologia se recusam a ver: o livro, todas as suas variáveis e todas as suas encarnações (ou seriam “encadernações”?) chegaram até aqui, ao século 21, e continuam a fustigar corações e mentes. O livro permanece, o homem – seu autor -, não. Pelo menos não no corpo físico. É como afirma Michel Melot, de uma forma tão irrefutável quanto sintética de suas ideias: “O livro é um indicador da condição humana. Como nós, é completo quando está sozinho, é incompleto diante dos outros. A força do livro é que ele sobrevive a nós e tem, como nossa vida, um fim. O leitor deve curvar-se a ele. Escrevi o que eu queria escrever. Que me sigam, ou não, este livro já terá cumprido seu percurso. Mas você não chegou ao fim com o livro”.

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Livro, – Michel Melot

Livro, de Michel MelotLivro traz ensaio sobre esse objeto, o grande suporte da comunicação escrita na cultura ocidental, que remonta à lenta passagem do uso de rolos em papiro, para a descoberta do pergaminho, até a invenção do códice a partir da dobra do papel fixado em tábuas
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No último dia 7 de novembro, durante o Simpósio Internacional Livros e Universidades, promovido pela Edusp, o escritor francês Michel Melot lançou pela Ateliê Editorial seu novo livro, Livro, e ainda participou de um debate sobre o tema “A Escrita dos Livros”. Nesta obra, para compreender o poder fenomenal do objeto livro, o autor investigou sua topografia e sua arquitetura, desceu até sua anatomia profunda, percorreu suas dobras, suas costuras, suas fibras físicas e simbólicas. E ainda interrogou suas relações estranhas com as três religiões chamadas “do Livro”, o profano, o comércio e o político, e a liberdade de pensar, de sonhar e de desejar.
Como escreve Michel Melot sobre a relação autor e livro: “Desde que o texto transborda da capa para se expandir sob a forma de tomos, séries, tiragens, periódicos e bases de dados, vê-se bem que o autor se quebra, se dispersa, se desfaz e acaba por se evaporar. Seus direitos, adquiridos por sua residência nessa unidade que é o livro, são dilapidados nas contestações sem fim. O direito do autor não está ligado às suas ideias, mas à sua inscrição no espaço. O autor possui suas ideias na mesma condição de um proprietário fundiário” (pp. 115-116)
Qual seria o milagre desse objeto, nascido há mais de dois milênios, eminentemente moderno por sua forma cúbica, matemática, industrial muito antes de o ser, que triunfou do rolo até se tornar o “tijolo elementar” do pensamento ocidental? Contrariamente ao saber digital, o livro, nascido da dobra, fecha-se sobre si mesmo, solidário de sua mensagem. Seu espaço é concebido para produzir uma autoridade, ou mesmo uma transcendência. Confere ao conteúdo a forma de uma verdade e a credita ao autor. Acesse o livro na Loja Virtual
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Michel Melot nasceu em 1943 em Blois, na França. Foi diretor do Departamento de Estampas e Fotografias da Biblioteca Nacional da França, diretor da Biblioteca Pública de Informação do Centro Pompidou, e presidente do Conselho Superior das Bibliotecas. Ele também é autor de La Sagesse du Bibliothécaire entre outros.

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O livro em revista

Com quase 500 páginas, a segunda edição da revista Livro é analisada no texto a seguir por professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

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Revista LIVRO

Lincoln Secco | Jornal da USP

O nome da revista já é por demais sugestivo e simples: Livro, número 2. Tornou-se raro o primeiro número, belamente ilustrado e encontradiço somente nos alfarrábios e em poucas livrarias. Não estará na rede mundial de computadores porque os editores deliberadamente não se ocupam em digitalizá-la, deixando ao porvir a tarefa de fazê-lo. O leitor deste Jornal da USP, seja em seu meio privilegiado em papel de boa qualidade ou na internet, terá que ir ao lançamento ou encomendar este que é seguramente o mais belo periódico da atualidade dedicado a um objeto de tantos desejos, frustrados ou não: o livro impresso.

Lembremos que as últimas revoluções do livro impresso se sucederam freneticamente. Desde a era de Balzac, atravessando a primeira máquina rotativa para impressão, em 1846, o barateamento do papel e as inovações do mercado editorial no século XX, chegamos ao livro on demand, o qual mostra que a indústria livreira incorporou modernos (ou já velhos) processos fabris, como o just in time, salário por peça (terceirização) etc.

Mas há algo no ramo livreiro que não deixa de ser artesanal, a começar pela criação literária. Mesmo tendo deixado de ser manuscrita, a obra que se estabelece no tempo e integra o cânone de urna literatura nacional não pode ser feita em grande escala como os Best-sellers. Hoje só estudiosos de rodapés da história literária sabem quem foi Otavio de Feuillet ou Humberto de Campos, copiosos escritores do passado. Talvez destino semelhante aguarde muitos campeões de vendas atuais das livrarias. Mas também é possível que os futuros “livros de fast-food” se abriguem muito bem nos meios digitais (como o e-book) ao lado de obras acadêmicas restritas a círculos de estudiosos que muitas vezes só necessitam encontrar a citação precisa, o dado único e a referência exata e não ler uma obra integral.

O livro como o conhecemos hoje é o códice, o qual superou o rolo por volta de 400 depois de Cristo. Trata-se de um conjunto dobrado de folhas encadernadas. Nesse formato, tanto o manuscrito quanto o impresso ainda têm e terão um grande papel no futuro. Bem ou mal, a maioria das crianças precisa passar pela escrita manual, ainda que umas poucas escolas dos Estados Unidos já testemunhem o uso de microcomputadores na primeira infância.

É possível que seja assim para toda a população mundial algum dia? Esperamos que não. A lembrança de Jean-Paul Sartre da biblioteca do avô seria uma relíquia do passado: “Comecei minha vida como hei de acabá-la, sem dúvida: no meio de livros. No gabinete de meu avô, havia-os por toda parte. Eu ainda não sabia ler e já reverenciava essas pedras erigidas”.

Um bem valioso – Recentemente, o grande escritor alemão Günter Grass disse que o livro voltará a ser o que era até um século atrás: um bem valioso que se coleciona e se deixa como herança aos filhos. Um livro assim poderá ser encadernado com beleza. O prazer de ler tal obra continuará a ser estético e físico e encantará os olhos antes de as mãos, o olfato e talvez os ouvidos. É que ainda lemos e declamamos trechos de narrativas ou poemas em voz alta. Por fim, o prazer de todo o corpo permanecerá quando o leitor sentir uma vez mais o balouçar da carruagem que conduz Madame Bovary, por exemplo.

Mais uma vez é Sartre quem nos revela os usos e os múltiplos sentidos que uma leitura desperta: “Peguei os dois volumezinhos, cheirei-os, apalpei-os, abri-os negligentemente na ‘página certa’, fazendo-os estalar. Debalde: eu não tinha a sensação de possuí-las. Tentei sem maior êxito tratá-los como bonecas, acalentá-los, beijá-los, surrá-los. Quase em lágrimas, acabei por depô-los sobre os joelhos de minha mãe. Ela levantou os olhos de seu trabalho: ‘O que queres que eu te leia, querido? As fadas? ‘ Perguntei incrédulo: ‘As fadas estão aí dentro?”‘.

E por que tudo isso? É que a revista Livro não só tangencia sentimentos como esses como se abre a uma pluralidade de linhas interpretativas acadêmicas e pelo respeito à divergência democrática de todo o debate político que o livro engendra. O anuário foi concebido por dois amadores de livros: Plinio Martins Filho e Marisa Midori Deaecto, professores do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Os títulos das seções da revista soam nos ouvidos depois de lidos: Conversas de Livrarias, Memória, Almanaque, Letra & Arte, Leituras e Debate, Acervo e Arquivo e um dossiê Artífices do Livro.

Embora rigorosa e pertencente ao Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (NELE) da USP, a revista se preocupa pouco com as classificações de agências de pesquisa. Não que tais classificações não sejam reconhecidas. Todos os métodos de aferição de aprendizado e de qualidade e quantidade de pesquisa científica merecem reparos, discussões, mas também aperfeiçoamento e estímulo. Assim, a revista Livro é registrada, dotada de ISSN (International Standard Serial Number) e conta com o prestígio e a autoridade dos editores e da Universidade de São Paulo. Mas é carente de outras indexações que moldam as revistas acadêmicas e ditam o seu conteúdo através de simples determinações sobre a forma. Assim como é importante um periódico indexado, a revista Livro não é indexada por opção igualmente legítima de seus editores. Afinal, os periódicos (de divulgação, políticos, jornalísticos, fait divers, científicos etc.) têm públicos diferentes e formas e regras diversas.

A opção dos editores traz a imensa vantagem de permitir reflexões também daqueles que integram a cadeia produtiva e “improdutiva” do livro: livreiros, editores, escritores e, especialmente, buquinistas, ratos de sebos, amadores e amantes de livros, bibliófilos pobres, bibliômanos, andarilhos dos velhos centros urbanos, perscrutadores de bancas de jornais, professores provincianos, poetas amadores, procuradores de obras raras em feiras beneficentes, jovens radicalizados pela leitura em bancos de ônibus e até colecionadores sofisticados e entesouradores de livros.

Porém, a maior indagação que uma revista assim nos causa é: qual o futuro do livro? É que os meios digitais parecem ameaçá-lo com tiros de bytes, enquanto os editores desta revista insistem em se abrigar numa casamata de papel. Qual o destino dos livros impressos?

+ Revista LIVRO n.1

+ Revista LIVRO n.2

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Lincoln Secco é professor de História Contemporânea na USP e autor de História do PT.

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