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Clichês Brasileiros recebe três prêmios internacionais

O livro Clichês Brasileiros, de Gustavo Piqueira, publicado pela Ateliê recebe três prêmios de Design

Clichês Brasileiros, de Gustavo Piqueira2014 iF Design Awards
Um dos maiores prêmios internacionais de design com base em Munique, Alemanha.

2013 Good Design Awards
O mais antigo prêmio de design, organizado pelo Chicago Athenaeum Museum of Architecture and Design e tendo como alguns de seus fundadores Charles e Ray Eames.

2013 LUSOS Prémios Lusófonos da Criatividade
Competição que premia o melhor de comunicação visual e design gráfico dos países de língua oficial portuguesa, sediada em Portugal.

 

Release

Utilizando-se apenas de imagens de um catálogo brasileiro de clichês tipográficos do início do século XX (Catálogo de clichés D. Salles Monteiro, publicado em edição fac-similar pela Ateliê Editorial, em 2003), Gustavo Piqueira compõe uma inusitada narrativa visual contemporânea em seu novo livro, Clichês Brasileiros. Os clichês tipográficos eram matrizes, gravadas em madeira ou metal, utilizadas como complemento figurativo ao conteúdo textual no processo tipográfico de impressão, método dominante na produção de impressos durante quase cinco séculos. Mas o título do livro não se deve exclusivamente às matrizes usadas para a confecção das ilustrações. A cada virada de página, topamos com outro tipo de clichês brasileiros: dos históricos, como a chegada dos portugueses, a catequização dos índios, a escravidão ou os ciclos do café e do ouro, até clichês do Brasil de hoje, cheio de engarrafamentos, dívidas, condomínios fechados e alienação. Todos retratados com sutil irreverência e grande riqueza gráfica. O livro possui capa em lâmina de madeira impressa em serigrafia, fixada com fita adesiva, e tem tiragem única de mil exemplares numerados.

Gustavo Piqueira – À frente da Casa Rex, casa de design com sedes em São Paulo e Londres, Gustavo Piqueira é um dos mais premiados designers gráficos do Brasil, com mais de 200 prêmios internacionais. Também ilustrou livros infantis e desenhou alfabetos. Como autor, publicou doze livros de ficção. Seus mais recentes projetos são a concepção e organização da coleção de filosofia clássica Ideias Vivas (WMF Martins Fontes/2011), a tradução do irreverente A História Verdadeira, escrito no século II por Luciano de Samósata (Ateliê Editorial/2012) e o misto de imagens reais e ensaios fictícios Iconografia Paulistana (WMF Martins Fontes/2012).

Conheça os livros de Gustavo Piqueira publicados pela Ateliê

 

Uma caixinha de surpresas

Revista Superpedido | Agosto/setembro 2013

Em Clichês Brasileiros, o designer e escritor Gustavo Piqueira segue desafiando as possibilidades do livro impresso – desta vez, em uma edição que não tem capa tradicional nem lombada 

Gustavo Piqueira, autor de "Clichês Brasileiros"Com um trabalho notável à frente da Casa Rex, seu estúdio com sedes em São Paulo e em Londres que conquistou centenas de prêmios de design gráfico em todo o mundo, Gustavo Piqueira é nome obrigatório em qualquer seleção de artistas visuais que se escale no país. Mas que ninguém tente restringir seu jogo para apenas uma fatia do gramado: ele é daquele tipo de atleta que gosta de atuar em todas. Apaixonado por livros, Piqueira encontrou no mercado editorial um campo ideal para dar vazão à sua fecunda criatividade. Seja como escritor, tradutor, ilustrador ou até mesmo organizador de coleções, este craque tem produzido um elenco de obras que, por mais heterogêneas que pareçam, tem como fio condutor uma sólida e marcante característica: o inesperado.

Responsável por títulos tão díspares como o fictício Marlon Brando Vida e Obra, o irônico Manual do Paulistano Moderno e Descolado e o juvenil A Vida sem Graça de Charllynho Peruca, entre outros, ele volta a inovar com Clichês Brasileiros, lançamento da Ateliê Editorial. Desta vez, utilizando-se somente de imagens de um antigo catálogo de clichês tipográficos – matrizes outrora usadas para impressão –, o autor criou uma narrativa visual única. Aproveitando o duplo sentido do termo, conta a história do Brasil por meio de nossos clichês – desde os mais antigos, como os estereótipos da chegada dos portugueses e da catequização dos índios, até os da atualidade, caso dos engarrafamentos nas cidades e os condomínios fechados (confira na página seguinte algumas dessas imagens).

Porém, não é apenas aí que o livro surpreende. Depois de fixar um espelho na capa de sua obra anterior, Iconografia Paulistana, Gustavo Piqueira concebeu um livro sem capa nos moldes tradicionais – há apenas uma lâmina de madeira impressa em serigrafia, afixada na guarda com uma fita adesiva personalizada. Além disso, a lombada tem a costura exposta. Delírio de designer? Nada disso. “A ideia é expandir as possibilidades de um livro impresso em sua dimensão de objeto, mas mantendo um conteúdo que se sobrepõe à forma”, explica o paulistano, revelando sua preocupação em não se deixar levar apenas pelo lado visual. “Muitas vezes esses ‘livros-objetos’ não primam pela riqueza do assunto abordado, de tão preocupados que estão com a exuberância visual em si.”

Para essas obras, Piqueira também busca soluções que possibilitem tiragens industriais, a fim de colocar o livro na prateleira das livrarias. Afinal, em sua opinião, ao contrário do que muitos vaticinam, a edição impressa ainda tem um longo papel a cumprir. “Não acho que o livro digital seja ‘o’ futuro do livro. É ‘um dos’ futuros, não dá para cair nesse fatalismo de que o impresso irá morrer. Meus trabalhos recentes, como Clichês brasileiros e lconografia Paulistana, por exemplo, não funcionariam em versão digital.” Independente de qualquer prognóstico, Gustavo Piqueira está fazendo sua parte: já finalizou mais uma obra, que deve ser impressa ainda neste ano, e se prepara para começar novos projetos. Os assuntos? Melhor aguardar. Afinal, ao menos quando se trata de livros, este palmeirense é uma verdadeira caixinha de surpresas.

Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Assista a entrevista com o autor durante o lançamento do livro

Ilustração do livro: "Clichês Brasileiros"

Ilustração do livro "Clichês Brasileiros"

Gustavo Piqueira lança Clichês Brasileiros no Bar Balcão

Gustavo Piqueira cria narrativa visual combinando antigos clichês tipográficos e conta a história do Brasil em seu novo livro.

Participe do lançamento de Clichês Brasileiros no Bar Balcão, dia 29 de julho

 Clichês Brasileiros, de Gustavo PiqueiraUtilizando-se apenas de imagens de um catálogo brasileiro de clichês tipográficos do início do século XX (Catálogo de clichés D. Salles Monteiro, publicado em edição fac-similar pela Ateliê Editorial, em 2003), Gustavo Piqueira compõe uma inusitada narrativa visual contemporânea em seu novo livro, Clichês Brasileiros.

Os clichês tipográficos eram matrizes, gravadas em madeira ou metal, utilizadas como complemento figurativo ao conteúdo textual no processo tipográfico de impressão, método dominante na produção de impressos durante quase cinco séculos.

Mas o título do livro não se deve exclusivamente às matrizes usadas para a confecção das ilustrações. A cada virada de página, topamos com outro tipo de clichês brasileiros: dos históricos, como a chegada dos portugueses, a catequização dos índios, a escravidão ou os ciclos do café e do ouro, até clichês do Brasil de hoje, cheio de engarrafamentos, dívidas, condomínios fechados e alienação. Todos retratados com sutil irreverência e grande riqueza gráfica.

O livro possui capa em lâmina de madeira impressa em serigrafia, fixada com fita adesiva, e tem tiragem única de mil exemplares numerados.

Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Sobre o autor

À frente da Casa Rex, casa de design com sedes em São Paulo e Londres, Gustavo Piqueira é um dos mais premiados designers gráficos do Brasil, com mais de duzentos prêmios internacionais. Também ilustrou livros infantis e desenhou alfabetos. Como autor, publicou doze livros de ficção. Seus mais recentes projetos são a concepção e organização da coleção de filosofia clássica Ideias Vivas (WMF Martins Fontes, 2011), a tradução do irreverente A História Verdadeira (Ateliê Editorial, 2012), escrito no século II por Luciano de Samósata e o misto de imagens reais e ensaios fictícios Iconografia Paulistana (WMF Martins Fontes, 2012). Pela Ateliê também publicou o livro de crônicas sobre design Morte aos Papagaios.

 

O ridículo das ‘verdades’, ainda mais ridículo

Gustavo Piqueira, tradutor A História Verdadeira, responde a resenha do livro publicada no jornal O Globo

A História VerdadeiraEstá lá, no quarto parágrafo da resenha: “Luciano é bem atual.” Já no sétimo: “Sim, Luciano é um ficcionista, mas sua intenção não é apenas fazer rir. Mas será que isto importa quando lemos ‘A história verdadeira’? Não! Podemos apenas fluir com Luciano em seu saboroso desatino.” Tudo ótimo, tudo ótimo…

Tudo ótimo até tropeçarmos na edição. Em primeiro lugar, pecado mortal, “a concepção visual impressiona”. Pior: a tradução… Ah, a tradução. “(…) a fonte original nem é mencionada”, imagine só! Afinal, todos sabem que “o que difere uma obra de outra é o estilo de quem a escreve”. Apenas isso, nada mais — ou seja, todas as obras escritas até hoje sempre abordaram sempre o mesmo tema, com o mesmo olhar. Como conclusão, “é difícil não lamentar que o mundo contemporâneo se deleite cada vez mais com a ideia de reduzir o passado aos seus próprios valores e medida.

Escrevo isto, portanto, não como uma réplica ao artigo. Pelo contrário. Este texto não passa de um humilde e envergonhado pedido de desculpas, dirigido não apenas à autora como a todos os medievalistas do Brasil. Confesso, porém, ter imaginado que minha tradução relativamente fiel para A história verdadeira era uma opção, não um erro. Opção, aliás, assumida na capa e no texto introdutório do livro. Na minha cabeça, era possível tornar a obra acessível ao leitor de hoje sem precisar descaracterizá-la. Editar um livro para ser lido, não para ser estudado. Mesmo porque, até onde meu restrito conhecimento alcança, Luciano chegou aos dias de hoje como satirista, não como mestre do estilo literário. Não por coincidência, “Luciano influenciou Voltaire, Machado de Assis e Swift.” Eles tinham senso de humor, os três, não tinham? Um pouco iconoclastas também, não? Mas, que eu saiba, Voltaire não revolucionou a literatura francesa.

Sim, toda opção deixa algo para trás. No meu caso, a fidelidade formal e o contexto histórico deram lugar à fluidez da narrativa. E, já que estamos falando de ortodoxia, escolhas que a aproximaram da “edição” original muito mais do que a grande maioria das demais (ou você acha que Luciano incluiu notas explicativas em sua “edição” original? Ou que todos os que a leram decifraram, de primeira, todas as citações e menções do autor? Ou que sua linguagem não era reflexo de seu tempo presente?) Opção, portanto. Não erro. Escolha consciente daquilo que me pareceu uma boa possibilidade — não a única, mas a que me atraiu a conceber e desenvolver o projeto. Se, afinal de contas, Luciano é atual e o mundo contemporâneo carece de suas ideias, por que não difundí-las para além dos muros do feud… ops, da universidade? Por que não permitir que um número maior de pessoas possa “fluir com Luciano” sem que sua leitura deva assemelhar-se a uma aula de História?

Eu estava enganado, claro. Deveria ter sido mais reverente — dane-se que livro é um dos mais irreverentes da história. Mantido Luciano mumificado, enquanto o próprio avacalha sem piedade Homero, Platão e Sócrates — para ater-me aos mais sagrados. Deveria ter preservado o “estilo encantador” de Luciano, mesmo que isso restringisse sua leitura a doze pessoas (numa projeção otimista). Adicionado centenas de notas de rodapé, pois como rir de uma sátira sem o auxílio de duzentas e quinze notas de rodapé? Além de ter evitado ilustrações, capa dura…Cores! Como pude usar cores num livro clássico? Desculpe, desculpe, desculpe.

Mas sou esforçado e sigo aprendendo. A instrutiva leitura da resenha me ensinou, por exemplo, que um medievalista não apenas detem o saber avançado sobre a referida época, mas também absorve parte de seus valores — como tachar qualquer opção diferente da sua como errada. Pode me enviar o endereço da fogueira por email mesmo, ok? Prometo comparecer sem demora e expiar todos meus erros.

E, nunca é demais repetir: desculpe, desculpe, desculpe!

(Nota de rodapé: o primeiro parágrafo do artigo é uma pérola, repare só. Uma elegia a “um tempo bem diferente do nosso, no qual não se aplaudiam os vícios e nem se desprezavam as virtudes, como se os valores humanos fossem ninharias sem importância.” Grécia e Roma antiga, além da Idade Média. É verdade. Tempos áureos… O coliseu, onde não se aplaudiam os vícios. Tantos imperadores vivendo a virtude em estado puro. Inquisição, cruzadas e similares não tratando os valores humanos como ninharias sem importância… época boa, mesmo. Dá saudade, né?)

Saiba mais sobre o livro A História Verdadeira

Acesse aqui a resenha publicada no jornal O Globo

Gustavo Piqueira é autor de dez livros entre eles Marlon Brando – Vida e Obra (WMF Martins Fontes, 2008), Manual do Paulistano Moderno e Descolado (WMF Martins Fontes, 2007), Morte aos Papagaios (Ateliê Editorial, 2004), A Vida sem Graça de Charllynho Peruca (Biruta, 2009) e Eu e os Outros Pioneiros da Aviação (Escala Educacional, 2007), ambos selecionados para o PNBE 2010. Também ilustrou livros infantis, desenhou alfabetos e, à frente da Casa Rex, é um dos designers gráficos mais premiados do país, com mais de 100 prêmios internacionais de design, além de dois Jabutis.