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Da Europa à América Latina

 

Por: Renata de Albuquerque

 

As cerca de quatro décadas e a questão geográfica que separam a Segunda Guerra Mundial da Guerra das Malvinas podem, em uma análise superficial, fazer com que não se consiga estabelecer relação entre esses dois conflitos. Mas o Doutor em História Osvaldo Coggiola vê pontos de intersecção entre essas duas guerras.

outra guerra fim do mundo“A Inglaterra e os EUA, que venceram a Guerra das Malvinas, também venceram a Segunda Guerra Mundial. A posse inglesa das Malvinas é um ressabio da hegemonia mundial ainda presente das potências anglo-saxãs. O único navio norte-americano não afundado em Pearl Harbor foi vendido depois à Argentina, onde foi se transformando no Cruzador General Belgrano, que foi afundado pela Inglaterra na  Guerra das Malvinas, com centenas de marinheiros argentinos mortos. São marcas muito profundas”, explica ele, que é autor de A Outra Guerra do Fim do Mundo, livro em que trata de detalhes do conflito (como dados e movimentações dos exércitos) e analisa a legitimidade dos discursos de ambos os países para justificar suas posições.

Coggiola nasceu na Argentina e, em 1976, foi expulso da Universidade Nacional de Córdoba por causa do Regime Militar vigente, então. Estudou na França, onde se doutorou em História, e hoje e Professor Titula e Chefe do Departamento de História da USP. Em sua avaliação, na Argentina, a questão Malvinas continua presente no sentido histórico, político e cultural. Já na Inglaterra, segundo o autor, formou-se um consenso acerca da necessidade de uma soberania compartilhada.

“O conflito pela soberania das ilhas continua presente, embora hoje por vias diplomáticas. A questão diz respeito a toda a América do Sul. Não só pela soberania territorial e pelas riquezas petroleiras hoje comprovadas do arquipélago, mas sobretudo porque existe uma forte base militar da OTAN a escassos 400 quilômetros da Argentina, a quinze minutos de voo de aviões militares, ou seja, vizinha às costas da América do Sul. As Malvinas, na posse da Inglaterra, e o embargo norte-americano a Cuba são as duas mais importantes questões pendentes a respeito da soberania territorial da América Latina”, afirma.

Historiadora Tucci Carneiro aborda em livro os mitos mais arraigados sobre os judeus

B’nai B’rith Brasil | Posts Recentes | 01 de dezembro de 2014

10-MitosTucciNo livro “Os Dez Mitos sobre os Judeus”, Maria Luiza Tucci Carneiro, historiadora da USP, analisa dez entre os mitos mais arraigados sobre os judeus, que têm contribuído para a persistência do antissemitismo. A obra será lançada no dia 4 de dezembro, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila – Shopping Higienópolis, em São Paulo, com a presença da autora.

Publicado pela Ateliê Editorial, com o apoio da CONIB, o livro é composto por textos breves, independentes, sem ordem obrigatória de leitura.  Estes são os mitos abordados:

Mito 1: Os judeus mataram Cristo

Mito 2: Os judeus são uma entidade secreta

Mito 3: Os judeus dominam a economia mundial

Mito 4: Não existem judeus pobres

Mito 5: Os judeus são avarentos

Mito 6: Os judeus não têm pátria

Mito 7: Os judeus são racistas

Mito 8: Os judeus são parasitas

Mito 9: Os judeus controlam a mídia

Mito 10: Os judeus manipulam os Estados Unidos

O antropólogo Kabengele Munanga escreve no prefácio “São mitos construídos para reificar e atualizar os sentimentos de discriminação, hostilidade e ódio que remontam à noite dos tempos. Eles nos transportam ao coração da função política e ideológica dos mesmos”.

Estudiosa de diversas minorias sob o viés da intolerância e dos direitos humanos, a autora pretende escrever outras obras para análise dos mitos sobre grupos como ciganos, negros, indígenas, homossexuais.

Tucci Carneiro é diretora do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) e do Arquivo Virtual sobre o Holocausto e Antissemitismo (Arqshoah) da Universidade de São Paulo. Entre seus temas de estudo estão o racismo e o antissemitismo, a repressão às minorias, a censura no Brasil, os refugiados do nazi fascismo. Seu livro ”Cidadão do Mundo: O Brasil diante do Holocausto e dos Refugiados do Nazismo” foi recentemente lançado na Alemanha

Conheça também outras obras publicas pela autora no site da Ateliê.

O Menino do Pijama Listrado: a amizade de dois garotos que vivem os opostos na Segunda Guerra Mundial

Livro e filme O Menino do Pijama Listrado

John Boyne escreveu o rascunho de O Menino do Pijama Listrado, publicado em 2006, em dois dias e meio de pouco sono, segundo ele mesmo. O autor irlandês levou com a obra os prêmios People’s Choice Book of the Year e o Children’s Book of the Year, ambos de seu país natal. O Best-seller foi traduzido ao cinema em 2008, sob direção de Mark Herman, com uma escolha de elenco que vestiu com perfeição os personagens literários. A experiência cinematográfica agradou ao autor, que esteve presente nas gravações.

O enredo expõe a amizade de dois meninos que vivenciam os opostos da Segunda Guerra Mundial; um é filho de soldado e outro, um judeu. Com uma narração sutil, que nem uma vez menciona diretamente a guerra, John Boyne nos leva ao coração de Bruno, protagonista, doce jovem que encontra dificuldades em entender o contexto histórico em que está inserido. Infinitamente mais apaixonante no livro do que no filme, Bruno conquista o leitor a cada página com sua inocência, humor e infantilidade.

Personagem Bruno e sua mãeÉ com sofisticado humor que Bruno confronta seus pais a respeito da vida que lhe foi imposta, e com inigualável encanto que se aproxima de Shmuel, seu amigo de pijamas. Por vezes, o livro aproxima tanto o leitor do garoto, que apesar de ser narrado em terceira pessoa, engana por algumas páginas, dando a sensação de que o narrador é Bruno.

Além de um belíssimo enredo, o autor cria uma tensão a cada final de capítulo, que liga o leitor ao começo do capítulo seguinte. Boyne calmamente nos introduz à vida da família, nos insere na mentalidade de cada personagem e, muito veladamente, menciona o contexto nazista e apresenta as opiniões dos personagens em relação ao regime.

Em contrapartida ao velado regime do livro, o filme abre com os créditos sobre as cores da bandeira nazista, dilatando em seguida o plano para a bandeira completa. Isso não o faz merecedor de críticas, uma vez que lidamos com diferentes tipos de arte. O uso da cor, dos planos e movimentos de câmera, entre outros elementos, privilegia o cinema, que deve fazer uso deles. Mas somente um livro pode ser sutilmente intrigante; dizer muito e pouco simultaneamente.

O que caracteriza falha, no entanto, é o modo como o longa-metragem se faz infiel à literatura, com algumas mudanças significativas no enredo. Lamentavelmente, Bruno perde bastante da sua “graça” na transposição da obra. Sendo o personagem mais rico do livro, gera bastante expectativa para quem leu a obra antes.

De modo geral, os personagens foram linearizados e classificados em “bons” ou “maus”. O livro permite uma análise mais profunda dos personagens. Por vezes o tenente alemão Kotler pode ser até simpático, e a figura do tutor não se faz tão rigidamente.

A versão cinematográfica deixou de registrar a importância da amizade para ambos os meninos, bem como a diferença de amadurecimento que há entre os dois devido às diferentes experiências a que foram expostos. O laço criado entre os garotos no livro é mais forte; há mais compaixão e lealdade. Shmuel priva Bruno de algumas verdades, pois tem consciência do que está passando no campo de concentração, e sabe que Bruno não tem.

A força do filme está no elenco. As atuações dos pais de Bruno, interpretados por David Thewlis e Vera Farmiga, refletem bem o espírito do livro. Excelente é a atuação de Rupert Friend, no papel do Tenente Kotler, e, apesar de estar em segundo plano, é brilhante a forma como David Hayman emocionou com Pavel, o descascador de legumes. Todos os soldados aparecem com ímpar imponência, retratando fielmente a imagem de que eles gozavam na época.

O longa-metragem acabou sendo uma descrição mais forte, menos discreta quanto a violências e elementos mais perturbantes que caracterizam a guerra; contrapondo-se à doçura e sutileza do correspondente literário.

Pela primeira vez nesse blog, deixo escapar minha preferência pela literatura. Mas seja dito que O Menino do Pijama Listrado conquistará de qualquer forma. Até porque, o clímax, que é justamente o fim, foi mantido na adaptação. E como não sou estraga-prazeres, digo somente que achei genial.

Coluna Livros em Cena, de Laura Ammann

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