Tag Archive for filosofia

As faces do amor na obra de Paulinho da Viola

Antonio Carlos Quinto | Portal Top Vitrine | 14 de março de 2014

Paulinho da Viola

Músico traz em sua lírica a melancolia como representação do amor

Inspirada em parte da obra do cantor e compositor Paulinho da Viola, a cantora e filósofa Eliete Eça Negreiros empreendeu um estudo na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP: Paulinho da Viola e o elogio do amor (que será editado e lançado como livro pela Ateliê Editorial).

Na tese de doutorado defendida no final de 2012, ela analisa composições de Paulinho, ou por ele interpretadas, traçando paralelos com autores e pensadores da filosofia e da literatura, contemporâneos e antigos, como Epicuro — filósofo da Grécia Antiga —, Olgária Matos, filósofa e orientadora do estudo, José Miguel Wisnik, docente do Departamento de Letras da FFLCH, Platão e Walter Benjamin, entre outros.

Mesmo tendo o compositor como tema central do estudo, outros nomes da canção popular também são lembrados. Entre eles, Nelson Cavaquinho, Cartola e Dorival Caymmi.

“Há um diálogo entre as artes e a Filosofia”, avalia Eliete. “Assim como o filósofo cria um discurso, o cancionista cria a canção. Sua expressão artística então é também um modo de pensar o mundo, uma filosofia”, analisa.

Ao traçar tais paralelos, ela observa então como o amor é representado nestas canções. Para tanto, fez um recorte dividindo o sentimento em: amor breve; amor melancólico; amor feliz. “Optei por fazer um ensaio abordando estes recortes e a relação deles nas canções de Paulinho com nomes consagrados da filosofia”, descreve.

Os amores

Eliete mostra que a concepção de amor nas composições de Paulinho, ou nas canções que ele canta, quando representado como “o amor breve”, filia-se à tradição do pensamento ocidental que desde os gregos reflete sobre a fragilidade da condição humana e a brevidade da vida. Como num trecho da música “Aquela Felicidade”: Aquela felicidade que você conheceu/ Um dia, na minha vida, já terminou…

O compositor carioca traz em sua lírica a melancolia. “Ela é um dos modos da representação do amor em suas canções”, observa a pesquisadora. É neste espaço que a filósofa descreve o amor melancólico em seu trabalho. E mais uma vez cita o compositor, na música “Nada de novo”: Nada de novo capaz de despertar minha alegria.

Para Eliete, a compreensão desse amor melancólico deve levar em conta, a partir das análises de Freud sobre o luto e a melancolia, a maneira pela qual ele e o amor se entrelaçam em sua obra e, em particular, a dificuldade do melancólico em esquecer o passado.

Já em relação à felicidade, ao “amor feliz”, Eliete descreve que há várias concepções de felicidade na obra de Paulinho. “Desde a noção epicurista de felicidade enquanto busca do prazer, até a noção estoica de felicidade enquanto resistência ao sofrimento”.

Ao todo, foram dedicados cerca de quatro anos para a conclusão do estudo que, ainda este ano, será publicado em livro. Aliás, o mesmo caminho de sua dissertação de mestrado. Em março de 2011, a cantora lançou em São Paulo Ensaiando a canção: Paulinho da Viola e outros escritos, fruto da pesquisa Ensaiando a Canção: Paulinho da Viola, apresentada na mesma FFLCH em 2002.

Eliete Negreiros canta profissionalmente há 32 anos, tendo gravado seu primeiro disco, “Outros Sons”, em 1982. Somente dez anos mais tarde viria a gravar uma música de Paulinho da Viola, Para ver as Meninas, no disco “Canção Brasileira – A Nossa Bela Alma”. “Cresci ouvindo Paulinho, Wilson Batista, Gal Costa, Bethânia e tantos outros. Posso dizer que as canções do Paulinho da Viola me acompanham por toda vida.”

Conheça o livro Ensaiando a Canção – Paulinho da Viola e Outros Escritos, de Eliete Eça Negreiros

Cursos do Espaço Revista Cult – 1º Sem./2014

Espaço Revista Cult

Espaço Revista Cult

LABORATÓRIO DE ESCRITA CRIATIVA

DE 11/03 A 24/06

Sem exigir conhecimentos prévios no campo da literatura ou experiência com escrita criativa, o laboratório pretende partilhar com seus participantes conhecimentos sobre o trabalho de ler e escrever como prática estética que é também experiência existencial.

Com Marcia Tiburi, doutora em Filosofia, Colunista da Revista CULT e autora de diversos livros de filosofia e de literatura, como Filosofia em comum (Record), Filosofia brincante (Record); dos romances Magnólia (Bertrand Brasil), A Mulher de costas (Bertrand Brasil), entre outros. E Evandro Affonso Ferreira, escreveu vários romances, entre eles Minha mãe se matou sem dizer adeus (Record) – Prêmio APCA Melhor romance de 2010, e O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam (Record) – Premio Jabuti de Melhor Romance de 2013.

 

FILOSOFIA FEMINISTA

De 12/03 a 28/05

O curso visa tanto contar a história do pensamento sexista feito contra as mulheres, bem como do pensamento feito por mulheres ao qual damos o nome de feminismo. O objetivo é recontar a história da filosofia como negação das mulheres e poder ver, no fim do túnel da história, o feminismo como filosofia crítica com vista à emancipação. Os homens que quiserem participar do curso deverão entrar vestidos de mulher.

Com Marcia Tiburi, doutora em Filosofia, Colunista da Revista CULT e autora de diversos livros de filosofia e de literatura, como Filosofia em comum (Record), Filosofia brincante (Record); dos romances Magnólia (Bertrand Brasil), A Mulher de costas (Bertrand Brasil), entre outros.

 

OFICINA DE CONTOS

12/03 a 02/04

Serão apresentadas as características de gênero, estilo, linguagem e ritmo. Para trabalho em casa, será sugerida a leitura de um conto, a fim de que os participantes tenham, sozinhos, uma experiência com aquela escrita. Ao longo do curso, cada participante produzirá um conto, que será lido e discutido na última aula.

Com Fabrício Corsaletti, formado em letras pela USP, foi professor de literatura e redação e editor assistente na Editora 34. É autor de Esquimó (Companhia da Letras, prêmio Bravo!) e Golpe de ar (Editora 34), e King Kong e cervejas (contos, Companhia das Letras) entre outros.

 

E-BOOK DO COMEÇO AO FIM

Dias 28 e 29/03

O curso aborda de forma teórica todos os aspectos relacionados ao e-book. As aulas temáticas seguem o fluxo de produção de um e-book do começo ao fim. Ou seja, da escolha do título até a comercialização; passando pela produção, pelos direitos autorais e pelo marketing. O curso é voltado a pessoas que trabalham ou pensam em trabalhar no mercado editorial.

Com Juliano Garcia Pessanha, escritor e ensaísta. Publicou a trilogia Sabedoria do nunca, Ignorância do sempre, Certeza do agora, além de Instabilidade perpétua, todos pela Ateliê Editorial.

 

A ARTE DE EDITAR REVISTAS

Dias 4 e 05/04

A oficina tem como objetivo produzir material poético e trabalhar a produção poética dos participantes de modo a apresentá-la no espaço comum, tornando-a, mesmo que por um curto período de tempo, parte da geografia dos lugares. Editar uma revista exige excelente qualificação profissional, repertório, domínio do segmento e técnicas cada vez mais sofisticadas. A disputa por um espaço destacado nas bancas de revista – que vendem centenas de títulos – e a conquista do leitor, definitivamente, não são tarefas fáceis.

Com Luara Calvi Anic (editora na revista Claudia, da Abril), Micheline Alves (diretora de núcleo da editora Trip), Kátia Lessa ( colunista da Folha de São Paulo e colaboradora da revista Serafina), Edu Hirama (diretor de arte da revista s/nº. Assina projetos de livros como A louca debaixo do branco, de Fernanda Young) e Ricardo Arcon (editor da revista Playboy).

 

A ARTE DE EDITAR UM LIVRO

De 7 a 12/04

O curso oferece um panorama completo de um processo de edição – da elaboração do projeto inicial à impressão. Reunidas em módulos temáticos, as aulas, de natureza teórica, capacitam os participantes a conhecer a fundo os mais modernos e eficientes métodos e técnicas de edição de um livro.

Com André Conti (editor da Companhia das Letras), Léo Wojdyslawski (advogado, especialista em Propriedade Imaterial), Aline Valli (produtora gráfica na Cosac Naify), Alexandre Martins Fontes (diretor-executivo da WMF Martins Fontes), Alexandre Barbosa de Souza (editor da Globo Livros), Elaine Ramos (diretora de arte da Cosac Naify), Juliana Vettore (jornalista responsável pelo departamento de comunicação da Companhia das Letras) e Débora Guterman (editora de ficção e não ficção da Saraiva).

Programação completa do Espaço Revista Cult