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Visões da natureza humana dentro e fora do banheiro

“É preciso muita coragem para dar um livro de contos o título Histórias de Banheiro, já que o possível comprador, ao vê-lo nas prateleiras das livrarias, assim como pode ficar intrigado ou curioso, pode também ficar com o receio de escatologias ou, ao menos, de se ver diante de histórias muito prosaicas. Consequentemente, tenderia a rejeitar a idéia de levar o volume recém-lançado pela Ateliê Editorial para casa. Coragem, porém, é o que não falta a Dirce de Assis Cavalcanti, poeta, escultora, escritora e agora também contista. Uma conquista que eu só não ousaria dizer de ‘mão cheia’ por ser Dirce uma mulher delicada, de beleza frágil e diáfana, com o rosto claro aberto para o mundo por duas janelas verdes, emocionadas e sensíveis, mas também espectrais, como é o caso de todos os olhos verdes.

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OU SERÁ QUE Dirce tem os olhos azuis? Não importa. Importa que são olhos que tudo vêem. A eles nada escapa. Sobretudo no que diz respeito à alma humana. Não é qualquer um que tem este dom, mas, sem dúvida, a autora dessas deliciosas Histórias de banheiros o tem. Ela mesma nos confessa, num de seus textos: ‘Saber olhar é como saber ler. Depois que se aprende nunca mais se volta à inocência primeira. Nunca mais se consegue desligar o botão do conhecimento. Lê-se tudo o que se passa pelos olhos. E com os olhos, vê-se, tudo. Mesmo o que não se quer ver. O que é feio ou o que choca. O que fere, o que tenta, o que agride, o que seduz. Tudo, pelos olhos adentro. As pessoas, a paisagem. O carro que passa. O céu por detrás do vidro da janela. A chuva…'”

[Cecília Costa – Jornal do Commercio]

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“No frigir dos ovos, tudo fica às claras” – Orações Insubordinadas, Carlos Castelo
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Resenhas na Edição 146 da Revista Cult

Ficção Interrompida

Diógenes Moura

Violência, amor, sexo, tormento e solidão nas grandes cidades brasileiras captados de maneira quase cinematográfica. Eis a explicação para o subtítulo deste livro de contos do pernambucano Diógenes Moura: “uma caixa de curtas”. Nas 41 pequenas narrativas que integram a obra, são expostos os questionamentos e o drama de homens comuns, identificados apenas com as iniciais de seus nomes. Por vezes, dá-se a impressão que passamos de um conto a outro como que num plano-sequência, a plasmar a fatalidade e a contingência dos personagens – recurso talvez explicado pelos conhecimentos de fotografia adquiridos pelo autor, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Post retirado da Revista Cult

Interior via Satélite

Marcos Siscar

Pode-se dizer que Marcos Siscar (1964) é uma de nossas vozes poéticas inovadoras. Seu percurso mostra um trabalho rigoroso e comprometido com a poesia, que se reflete na atividade como pesquisador e professor de teoria literária (hoje na Unicamp), em uma intensa atuação no que poderíamos chamar de “reflexão-prática” poética. O que vemos neste seu novo livro é um prosseguimento da busca por pensar e experimentar os impasses da poesia, suas possibilidades de acontecimento no contemporâneo, a partir da “crise de verso” (Mallarmé).

Se em Metade da Arte – publicado em 2003, mas reunindo sua produção desde 1990 – prevalece o poema escrito em versos, com cortes e enjambements, e em O Roubo do Silêncio (2006) temos um livro todo composto de poemas em prosa, neste Interior via Satélite, Siscar opta por uma oscilação entre essas “formas”, problematizando mais radicalmente a questão dos cortes e da pontuação no poema. E o jogo que se explicita aqui, logo no título paradoxal, é o próprio gesto poético de inverter e confrontar distâncias, propondo não apenas novos olhares, mas novos mundos: “o mar como um livro rigoroso” (da epígrafe Haroldo de Campos), o livro como um oceano, um planeta. Mas também um lugar (do) vazio: o poema como o “corte que dá forma ao vazio que quer dizer um mundo”.

Post retirado da Revista Cult