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Perda Reconstruída

Renato Tardivo

Bilhete Seco, de Elisa NazarianO título da coletânea de contos de Elisa Nazarian, Bilhete Seco, inicialmente me chamou a atenção por dois motivos. O primeiro: ocorreu-me o conto “O Ventre Seco”, de Raduan Nassar, texto colérico que diz da relação do narrador com duas mulheres importantes de sua vida. O segundo: “bilhete seco”, se não chega a ser um paradoxo, causa alguma estranheza – bilhetes são molhados por excelência.

Bem, como não raro ocorre, eu poderia me desfazer dessas impressões ao fim da leitura. Mas, ao terminar o livro, foram justamente essas associações que me vieram, evidentemente transformadas por – e acrescidas de – outros elementos, de modo que, pensando agora, essas associações com efeito condensam os dois elementos que mais me capturaram no livro.

Os textos, escritos em prosa, trazem um eu-lírico feminino: questões cotidianas, perdas, relações familiares, angústias existenciais, o amor, o preparo de alimentos e a relação com a natureza são alguns dos temas explorados nas narrativas pela ótica de mulheres – o que não torna a obra panfletária; em vez disso, confere precisão e firmeza aos textos: as narradoras estão inteiras ali, reveladas em cada fresta.

A associação com “O Ventre Seco”, de Raduan Nassar, se confirma na medida em que o lirismo visceral de Eliza Nazarian parece partir do ventre das narradoras. E a tensão entre as palavras “bilhete” e “seco” se resolve justamente em um lirismo enxuto, urdido por frases curtas, orações coordenadas, em suma, por uma escrita seca. Que, não obstante, reconstrói perdas.

Leia mais textos de Renato Tardivo para o Blog da Ateliê

Coluna Resenhas - Renato Tardivo

 

 

 

Renato Tardivo é mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte pela USP e escritor. Atua na interface entre a estética, a fenomenologia e a psicanálise. É professor universitário e escreveu os livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras), e o ensaio Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).

A Transmissão da Palavra ao Imaginário Infantil

Renato Tardivo

Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura – Vol. 1Liev Tolstói (1828-1910), escritor russo, é o célebre autor de Guerra e Paz e Ana Karenina, obras que se tornaram marcos da literatura mundial. Também difundidos são os textos de inclinação anarquista que fazem do autor uma referência importante em estudos sobre política. No entanto, nem tão conhecidos do grande público – embora lidos  por milhões de crianças pelo mundo – são os escritos de Tolstói dirigidos às crianças. O escritor manteve uma escola, em sua propriedade próxima a Moscou, onde lecionava a camponeses pautado pelo princípio da liberdade.

Em Contos da Nova Cartilha­ – segundo livro de leitura (vol. 1), reúnem-se fábulas, contos, raciocínios e histórias verdadeiras escritos por Tolstói que facultam ao leitor a experiência da liberdade para criar, imaginar, pensar. Assim, não se trata de narrativas com uma simples “moral da história”; em outra direção, os textos convidam a pensar sobre seus dilemas, despertando o interesse pelo conhecimento. Com efeito, interessantes e inteligentes, as narrativas não se destinam apenas ao público infantil, mas a todo leitor que se dispuser a ampliar a gama de significações acerca de si, dos outros, do mundo.

Parece atravessar os textos a tese de que aprender é criar e, por extensão, de que não há pensamento ou filosofia que se justifiquem senão aqueles que se questionem continuamente. É emblemático, nesse sentido, o texto “O Tato e a Visão”, em que, no primeiro momento, o autor evidencia a tese de que “os dedos enganam, mas os olhos corrigem”, e, em seguida, desconstrói a verdade absoluta que se poderia encerrar na tese anterior explicitando que também “os olhos enganam, mas os dedos corrigem”. Essa confusão, no limite insuperável, se coloca sempre que há abertura à alteridade, na medida em que não há conhecimento a respeito do outro que o encerre.

Trocas mercantis, relações do homem do campo entre si e com a natureza, a luta pela sobrevivência, variadas são as temáticas das narrativas, que na presente edição são acrescidas de belíssimos desenhos produzidos a partir dos textos por crianças russas dos dias de hoje. Note-se, entretanto, que não se trata de ilustração no sentido de dar aos textos sua justa medida, uma vez que a justa medida das coisas – e da palavra – nunca se atinge, mas é a própria transmissão dos textos ao imaginário infantil que ganha forma também na comunicação que se estabelece no nível das diferentes linguagens – palavra e imagem –, deixando para sempre em aberto (o que provavelmente agradaria Tolstói) a questão: onde mora o saber, no professor ou no aluno?

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Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Renato Tardivo é mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte pela USP e escritor. Atua na interface entre a estética, a fenomenologia e a psicanálise. É professor universitário e escreveu os livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras), e o ensaio Porvir que Vem Antes de Tudo – Literatura e Cinema em Lavoura Arcaica (Ateliê).

Até a Margem do Grande Rio, de Edu Campos

Bruno Zeni | Guia da Folha – Livros, Discos e Filmes

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Até a Margem do Grande RioO primeiro livro do fotógrafo e escritor Edu Campos reúne textos de diferentes gêneros, acompanhados de algumas fotografias em preto e branco. O tema da paisagem interiorana dá unidade à compilação. São poemas, fragmentos de diário, contos breves, diálogos, anotações, registros e impressões sobre o cenário e a sociabilidade do interior paulista.
A paisagem é desidealizada, feita de mato, pasto, rios de margens ocupadas, urbanidade comercial e selvagem. Os pesonagens são homens rústicos e desconfiados, mulheres que já não se adequam nem se conformam com o papel tradicional, índios adulterados ou acuados, vira-latas, bois, animais selvagens e ameaçadores.
A beleza profunda dos textos está no procedimento instável, no impulso investigativo e tateante promovido pelo narrador, adestrando a incapacidade do sentido último, a fragilidade dos laços sociais, as ambiguidades do convívio e da violência, a fantasmagoria nostálgica de uma natureza bucólica que não tem lugar –e talvez nunca tenha tido conquista do interior de São Paulo.
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O Maior Privilégio

Os Privilégios, de Stendhal

Renato Tardivo

Os Privilégios, de Stendhal, autor do célebre romance O Vermelho e o Negro, é um livro importante e curioso, uma vez que, como aponta a tradutora Jerusa Pires Ferreira no prefácio, “nos espantamos em razão das singularidades encontradas”. Mas de que se trata?

O escritor realista adquire, em Os Privilégios, um sopro romântico. Os textos foram escritos dois anos antes de sua morte – e publicados vinte anos depois. Estaria Stendhal reivindicando o privilégio da vida? Talvez.

O livro, cuidadosamente editado, divide-se em 23 artigos; fragmentos narrados em terceira pessoa, tendo “o privilegiado” como personagem principal. Tome-se um exemplo (Artigo 10):

“Na caça, oito vezes por ano, uma pequena bandeira indicará ao privilegiado, com uma légua de distância, a caça que vai existir e sua posição exata.

Um segundo antes que a caça parta, a pequena bandeira se iluminará; bem entendido que essa bandeira será invisível a toda outra pessoa que não seja o privilegiado.”

Conforme se nota, o privilegiado (e só ele) é contemplado com uma série de concessões (praticamente) impossíveis. É esta a tônica dos demais fragmentos, como o 14º, de teor metalinguístico:

“Se o privilegiado quisesse contar ou revelasse um dos artigos de seu privilégio, sua boca não poderia formar nenhum som e ele teria dor de dentes durante vinte e quatro horas.”

Com efeito, há que se ter o cuidado, sempre, para não tomar a obra de arte pela vida do autor e vice-versa. Pensemos, pois, em outros livros de Stendhal – além do já mencionado O Vermelho e o Negro, A Cartuxa de Parma, também referidos no prefácio da presente edição. Se o tom desses Privilégios destoa do realismo dos romances mais conhecidos, talvez, por outro lado, as concessões-limite presentes nos artigos tragam pelo avesso – por meio da ironia, do invisível ou mesmo do impensado – o lado realista desse escritor genial.

Por fim, em tempos de mensagens curtas e dos mais variados registros instantâneos, a leitura de Os Privilégios (livro do século XIX) torna-se ainda mais relevante, à medida que acrescenta à reflexão acerca dos rumos que estamos dando ao nosso maior privilégio – a linguagem.

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Coluna Resenhas - Renato Tardivo

Renato Tardivo é mestre e doutorando em Psicologia Social da Arte pela USP e escritor. Atua na interface entre a estética, a fenomenologia e a psicanálise. Foi professor universitário e é autor dos livros de contos Do Avesso (Com-Arte) e Silente (7 Letras).

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Os Privilégios, Stendhal

Livro lança a coleção Contraparte, da Ateliê Editorial, que vai publicar obras insuspeitadas de grandes escritores, mostrando complexidades que dialogam em outros patamares
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Os Privilégios, de StendhalOs Privilégios, de Stendhal, obra de grande importância na configuração de uma perspectiva mais ampla sobre o conjunto da criação do escritor, foram escritos em abril de 1840 e publicados vinte anos após sua morte. Stendhal (Henri-Marie Beyle) nasceu em Grenoble em 1783 e morreu em Paris em 1848, em decorrência de um ataque de apoplexia. Para Jerusa Pires Ferreira, que traduziu esta obra e fez o prefácio desta edição, “Crença, sugestão ou apenas subterfúgio para vencer as armadilhas da morte que implacável se aproximava, no receio dos ataques de apoplexia, os pequenos textos de Os Privilégios são o desvendamento de toda uma vida e a abertura para tantos entendimento e mistérios.” Segue um privilégio:
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Em todo lugar, depois de ter dito rezo por minha alimentação, o privilegiado encontrará: duas libras de pão, um bife cozido ao ponto, um quarto de cordeiro idem, um prato de espinafre idem, uma garrafa de São Julião, uma garrafa de água, uma fruta, um sorvete, e uma meia xícara de café. Essa prece será atendida duas vezes em vinte e quatro horas.
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Os Privilégios parece fugir do que se poderia esperar de um livro do autor que escreveu romances realistas como O Vermelho e o Negro e A Cartuxa de Parma. Composto por 23 sequências, Stendhal apresenta os poderes e possibilidades de um “privilegiado”, um mundo oculto a que teria acesso, por meio de todo um universo à margem dos sistemas literários centrais. Em Os Privilégios, o autor leva o leitor ao convívio com estranhas crenças, ao oculto e, principalmente, a um bizarro e irônico sentido do maravilhoso. Estratégia ou delírio? Acesse o livro na Loja Virtual
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Stendhal (Henri-Marie Beyle, 1783-1848), escritor francês conhecido pela fineza na análise dos sentimentos de seus personagens e por seu estilo seco, escreveu O Vermelho e o Negro e A Cartuxa de Parma, entre outras obras.
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A tradutora Jerusa Pires Ferreira é doutora e livre-docente pela Universidade de São Paulo, ensaísta e coordenadora do Centro de Estudos da Oralidade do COS / PUC-SP. É autora de inúmeros artigos além de professora de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC-SP. Pela Ateliê, é autora de Armadilha da Memória e Cultura das Bordas.
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Soalho de Tábua – Reinações sobre Adélia Prado

Soalho de Tábua, cujo subtítulo é Reinações sobre Adélia Prado, surgiu da ideia de trabalhar com o universo da poeta mineira. O autor partiu de versos da escritora para criar os textos, trazendo à forma narrativa um pouco da poesia do cotidiano construída por Adélia ao longo de sua trajetória literária. O projeto surgiu de um edital do Ministério da Educação que pedia textos para adultos recentemente alfabetizados, entendendo não haver livros para este crescente grupo de pessoas. A tentativa de aproximar a poesia da prosa tinha o duplo objetivo de criar histórias breves e apresentar Adélia Prado aos leitores. A partir de então, novos textos foram escritos, alguns em Portugal, no período em que o autor viveu naquele país, resultando no volume agora lançado.

No livro há a participação do artista plástico Enio Squeff, que ilustrou alguns contos, além de ter realizado uma aquarela para a capa, e um texto introdutório de Moacyr Scliar:

São contos curtos, esses. O conto normalmente deve ser curto, mas estas histórias chamam a atenção pelo minimalismo quase poético. O outro aspecto que as aproxima da poesia, sobretudo da poesia de Adélia Prado, é este: são narrativas tão importantes pelo que dizem como por aquilo que deixam subentendido; tão importantes pelas linhas, como pelas entrelinhas. Moacyr Godoy Moreira cria um território comum com o leitor onde este pode, ainda que sem escrever, exercer também seu poder de criação, respondendo aos desafios que estão na história, desafio este que nada tem a ver com o “Decifra-me ou te devoro”, da Esfinge, mas é antes um convite: decifra-te, e descobrirás coisas surpreendentes. (do prefácio de Moacyr Scliar)

No livro, Moacyr Godoy Moreira percorre o universo doméstico, com histórias como a que dá nome ao livro, nas quais reminiscências de infância surgem como retratos antigos, porém fundamentais na construção do hoje que se alimenta destes retalhos do passado. Há impressões sobre as mazelas e as alegrias deste planeta onde se chora mais que as águas denominadas mar, como descreve Adélia Prado. Há cotidianos imaginados e circunstâncias que poderiam fazer parte da biografia de qualquer um que se percebe sensível ao seu em torno, a nuances que por vezes parecem banais, porém que constroem a afetividade e delineiam as relações, como no fragmento abaixo, retirado do conto “Enquanto Ela Dorme”:

A lentidão da manhã espraia-se pelo horizonte que se espreguiça e se acomoda em cores e luzes suaves. A serenidade das águas na praia, que neste momento sequer marulham, sequer emitem qualquer sonido de exasperação, despeja-se do gesto quase imperceptível da mulher que, singela, doce, bailarina, ensaia um prenúncio de despertar, mas recua, luz sonâmbula a incidir por entre as frestas da persiana, carinho generoso da brisa, que antecede o mormaço das primeiras horas do dia neste verão que ilumina as gentes com a potência de mil sóis. (trecho do conto Enquanto Ela Dorme)

Moacyr Godoy Moreira é médico formado em 1997 pela Unifesp (Escola Paulista de Medicina), e atualmente aluno de doutorado em literatura brasileira na Universidade de São Paulo. O autor lançou anteriormente os livros Lâmina do Tempo (contos, 2002); República das Bicicletas (crônicas, 2003) e Ruídos Urbanos (contos, 2008), todos pela Ateliê Editorial.

R$ 27,00 | 120 páginas | 13,5 x 21 cm | ISBN: 978-85-7480-548-1

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Resenha: Refluxos, de Edson Valente

Livro Refluxos, de Edson ValenteFonte: ICnews

por Isabel Furini

O autor publica seu primeiro livro de contos, Refluxos (Ateliê editorial, 2010, 80 páginas), porém não se trata de um iniciante, pois Valente já tem seu estilo bem definido. É um estilo moderno, com colocações sutis e comentários irônicos.

O leitor de contos clássicos sentirá falta de alguns elementos descritivos como detalhes do cenário, retratos de personagens e nomes que identifiquem esses personagens. Talvez Valente escolheu essa forma narrativa porque vivemos numa época de massificação, onde os nomes não diferenciam as pessoas. Os seres humanos se unem ou se separam por gostos e desgostos, por situações (algumas fortuitas), por parâmetros, ideologias, costumes, hábitos, enfim, o homem contemporâneo é talvez o mais solitário, o mais incompreendido, e, ao mesmo tempo, aparentemente o mais semelhante aos semelhantes – o efeito colateral da tão desejada igualdade. E esse olhar da condição humana pode ser percebido no livro.

A ironia, a monotonia, o cansaço, o “abacaxi” que aparece em qualquer situação, são focados pelo escritor. Edson Valente não está preocupado em descrever o espaço, mas em mostrar aspectos da vida das pessoas. Ele tampouco cria tipos, mas assinala características da forma de viver e de ser do homem contemporâneo e o transforma como o personagem do excelente conto Plano de previdência, um daqueles contos que se lê várias vezes, e em cada leitura é possível encontrar novos detalhes interessantes. Na história o homem se transforma em um ventríloquo mudo. Magnífico oximoro! Vejamos um fragmento de Plano de previdência: “E, em um certo dia, o ventríloquo ficou mudo. De tanto fingir distanciamento, perdeu o movimento. Confundiu- se, parou de dirigir e de interpretar. Não se esforçou nem mesmo antes de se firmar na série, ser aclamado pelo público e, assim, tornar-se imprescindível para os produtores.”

Ficção Interrompida ganha o Prêmio APCA 2010 de Literatura

Livro Ficção Interrompida, de Diógenes Moura, ganhou o Prêmio APCA 2010 de literatura

Fonte: APCA

O livro Ficção Interrompida, de Diógenes Moura, ganhou o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2010 de Literatura, na categoria Contos/Crônicas. A eleição aconteceu no dia 13 de dezembro e a votação desta categoria foi feita por Dirce Lorimier Fernandes, Luiz Costa Pereira Jr., Sérgio Miguez e Ubiratan Brasil.

Diógenes Moura escreve a partir de fatos reais e fictícios e conduz seus personagens a uma narrativa repleta de questionamentos. São contos curtos, pequenos filmes, cenas inesperadas, epílogos dilacerados pela inquietação do autor em não ter encontrado respostas para o drama e o destino de cada um dos seus personagens, a grande maioria anônimos, identificados apenas pelas iniciais de seus nomes. Em alguns momentos do livro, um conto leva ao outro como num plano-sequência para em seguida a imagem se “desfazer” no universo inseguro que é a vida dos homens comuns.

Veja a lista completa dos melhores da APCA em 2010

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Marcelino Freire relembra seus dez anos de literatura

Marcelino Freire contou ao Suplemento Pernambuco dos seus dez anos de literatura e um pouco de sua trajetória desde quando saiu de Pernambuco para São Paulo.
[João Alexandre] foi a um encontro que eu e o escritor Evandro Affonso Ferreira organizávamos. “Vou ajudar você”, disse JAB
E ajudou.
Indicou-me para a Ateliê Editorial. Escreveu o prefácio do livro. Igualmente lembro: quando o telefone tocou. “Marcelino, é João Alexandre.” E, generosamente, leu o prefácio em primeira mão. Sim, ao telefone. Meu coração ouvindo, pulando, em silêncio. Publicou o mesmo prefácio na revista Cult.
Ave! Eternas saudades idem. Do grande João! Morto no ano de 2006. Inesquecível. Cada conselho que ele me deu. E outra alegria que ele me deu: a amizade que tenho até hoje com o editor Plínio Martins, da Ateliê. Parceiro pra valer. Plínio preparou a edição do Angu do jeito que eu havia imaginado. Com as fotos que o meu amigo Jobalo especialmente fez. Jobalo que, inclusive, me emprestou o título do livro.
Leia a matéria completa na versão digital do jornal abaixo: