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Por que editar os clássicos

Coleção Clássicos Ateliê

João Luiz Marques

O romance brasileiro Til, de José de Alencar, entrou para a lista do vestibular da Fuvest em 2012. Isto mobilizou muitas editoras a publicar a obra e atender a procura por esse livro, que, certamente, irá aumentar. Entretanto, a lista dos vestibulares e as indicações de leitura para os currículos escolares não são os únicos parâmetros que orientam as editoras para a publicação dos clássicos da literatura. Para Plinio Martins, editor da Edusp, “há inúmeras obras que o público praticamente não tem contato na escola, mas que são importantíssimas”. E acrescenta: “Os clássicos são obras que conseguem sintetizar condições humanas que transcendem seu tempo. Felizmente, muitas pessoas buscam ainda os clássicos mesmo depois de saírem da escola”.

Na pressa de publicar títulos, para responder ao mercado e a procura crescente por um clássico, algumas edições correm o risco de fazer uso de versões pouco confiáveis de uma obra – que passaram por atualizações equivocadas ou correções indevidas e, eventualmente, deturpado o texto original. O que deve ser feito, então, e que cuidados tomados para selecionar uma obra e fazer uma edição confiável? Ivan Teixeira, professor da USP e um dos coordenadores das coleções Clássicos Ateliê e Clássicos Comentados, da Ateliê Editorial, acredita que “para publicar uma edição confiável de um clássico devem ser contratados profissionais especialistas em cada obra, tanto para o estabelecimento do texto quanto para introduções ou traduções”. E acrescenta: “Cabe ao editor manter contato com bons profissionais. Sem eles, uma coleção de clássicos não seria possível”. Na Ateliê Editorial, a seleção para publicação de clássicos é feita seguindo os critérios da relevância e da oportunidade de encontrar esses profissionais.

O que é um clássico?

Para Ivan Teixeira, os clássicos têm a capacidade de apreender a essência dos grandes debates existenciais e culturais de seu tempo, manipulando a língua de modo imprevisto e criador. “Os clássicos resultam não só da força de um autor, mas também do vigor de sua cultura. Sendo confluência de momentos privilegiados tanto no indivíduo quanto na coletividade, as obras clássicas oferecem à história o que há de melhor na própria história. Por outro lado, a tradição cuida de preservar e divulgar os clássicos. Por essas razões, eles sobrevivem e persistem na função de oferecer modelos e alterar padrões.”

Clássicos que não devem faltar na livraria

Sobre os clássicos que não devem faltar em uma livraria, Plinio Martins diz ser tarefa difícil fazer uma seleção, mas acredita ser imprescindível ter toda a obra de Machado de Assis, Eça de Queirós, Shakespeare, a Divina Comédia, clássicos gregos como Ilíada e Odisseia, Os Sertões, Dom Quixote, Guimarães Rosa, Gabriel García Márquez… Para ele, “é impossível fazer uma lista fechada, mas certamente uma livraria deveria ter a maior quantidade de clássicos que puder, não apenas os best-sellers do momento”.

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Coleção Clássicos Ateliê

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