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O Artista

O Artista

Acabo de sair do cinema, onde optei – entre tantos filmes em cartaz que gostaria de ver – assistir a O Artista, com direção e roteiro de Michel Hazanavicius: um filme mudo sobre filmes mudos. A obra estreou no Brasil no último dia 10 e conta com dez indicações ao Oscar (entre elas, Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante – Bérénice Bejo) já tendo abocanhado três Globos de Ouro (Melhor Comédia/Musical, Melhor Ator – Jean Dujardin e Melhor Trilha Sonora).

Já no letreiro de entrada uma viagem no tempo começa. Com as características letrinhas tremidas e barulhinho de filme de rolo, o filme é introduzido com a mágica nostalgia dos anos 20. Ambientado nessa década, o enredo tem como principal personagem George Valentin, um célebre ator de filmes mudos da época, interpretado excepcionalmente bem por Jean Dujardin. Casado, bem-sucedido e com grande aceitação do público, George Valentin contracena com Peppy Miller – interpretada por Bérénice Bejo – em um dos pontos altos de sua carreira artística. Com direito a muita dança, música e sorrisos, os atores interpretam seus papéis no melhor estilo cinema mudo: com movimentos afetados, expressões faciais exageradas e uma alegria quase que desesperada. Ao longo dos anos, porém, o cinema mudo sofre ameaças devido ao surgimento do novo cinema; o falado. Os diretores, pensando sempre em agradar ao público, rapidamente começam a trabalhar a fim de produzir novos filmes que seriam sucessos de bilheteria, enquanto os atores se veem obrigados a adaptar-se. Entretanto, para uns é mais fácil do que para outros. Enquanto Peppy Miller está sempre em ascensão profissional, George Valentin se recusa a participar desse novo futuro: se aquele era o futuro, que os outros ficassem com ele. A partir daí a história se desenrola com vários momentos de tensão, alegria, romance e um inteligente humor.

Com brilhantes atuações – incluindo a do cachorro – o filme trata com sensibilidade de um momento histórico, de inseguranças, de atitudes e emoções humanas e possibilita reflexões a respeito de situações similares pelas quais o mundo passou, está passando e ainda passará, pelo menos enquanto houver o avanço tecnológico. Os figurinos e cenografia trabalham para uma ambientação realista, enquanto a sonoplastia e fotografia são recursos usados de forma muito inteligente de acordo com o momento do enredo.

O fato de o filme ser mudo envolve o público de uma forma diferente; em certos pontos é possível escutar com maior facilidade o choro do senhor que se sentou à sua frente, o suspiro da mulher ao seu lado, ou o seu próprio leve riso de carinho por um personagem ou cena. Isso gera uma espécie de cumplicidade entre as pessoas presentes na sala e faz com que todos percebam o tipo de experiência que o cinema pode proporcionar.

Absolutamente impecável, O Artista vale cada centavo do ingresso, cada indicação ao Oscar, cada choro e riso que provoca na plateia. É um filme realmente mágico, capaz de entrar na alma do público, consequência do visível esforço de todos os envolvidos na sua produção. Com todo mérito que lhe cabe, eu parabenizo e agradeço a execução de O Artista, pois creio que enquanto existirem no mundo manifestações artísticas desse nível ele será um bom lugar para se viver.

Cinema - Laura Ammann