Ateliê lança segundo livro da série Leituras Indispensáveis, de Aziz Ab’Sáber

O processo de construção do conhecimento é necessariamente pluridisciplinar, se faz no diálogo entre diferentes campos do saber. A série Leituras Indispensáveis, organizada pelo professor Aziz Ab’Sáber, foi concebida para apresentar aos estudantes universitários um conjunto de textos fundamentais para a formação de profissionais e cidadãos empenhados no compromisso com a ética e a democracia. O segundo volume da série, que chega às livrarias em junho, apresenta 15 textos – alguns inéditos e outros de difícil acesso – de destacados autores brasileiros e estrangeiros que refletem sobre diversos aspectos da nossa civilização. Os textos esboçam um panorama multifacetado e lançam várias questões importantes e atuais, do aquecimento global à cultura indígena.

O time de autores convocados por Ab’Sáber reúne nomes como o economista alemão Manfred Nitsch, que fala sobre o futuro da Amazônia; o sociólogo Francisco de Oliveira, que recorda sua trajetória intelectual e aponta os atuais desafios da disciplina; uma entrevista com o economista Wilson Cano sobre os ciclos da borracha e do café em 1900; o sociólogo José de Souza Martins analisa a complexidade étnica brasileira; o jornalista Washington Novaes discute a mudança climática na Convenção de Copenhague.

Além dos especialistas, Ab’Sáber incluiu textos de alguns escritores: Jamil Almansur Haddad traça um perfil do Marechal Cândido Rondon; Monteiro Lobato defende a literatura infantil como instrumento pedagógico e Euclides da Cunha, em um relato comovente, conta o ritual da malhação do Judas na Amazônia.

Escrito sobre Jade é sugestão de presente da Marie Claire

Ainda na dúvida sobre o que comprar para a sua namorada? Aí vai uma dica da Marie Claire para os homens…

“PARA ELA:
Mais que traduzir: transcriar, reimaginar. Essa é a proposta de Haroldo de Campos no belo “Escrito sobre Jade – Poesia Clássica Chinesa” (Ateliê Editorial, R$ 32, 152 págs.). Para compensar as características formais dos ideogramas, o autor se vale da concisão e da espacialização gráfica. Organizado por Trajano Vieira, o volume traz também um ensaio de Haroldo originalmente publicado na Folha de S.Paulo, seguido de sete outros poemas traduzidos do chinês. Um verdadeiro mimo para garotas à moda antiga.” [Leia a matéria]

Resenha de Liberalismo e Natureza na ilustrada

Ampliar

Formado em filosofia pela USP, Rodrigo Cintra investiga os fundamentos do discurso liberal moderno a partir das teorias políticas de John Locke (1632 – 1704). O livro mostra de que forma os conceitos estudados por Locke, como o da propriedade privada e da universalidade de direitos, tornaram-se fundamentos do capitalismo da sociedade atual. Cintra ainda revela contradições por trás dessas ideias que colocam em xeque temas como justiça e igualdade. [Release]

Bloomsday na Ateliê é comemorado com desconto nos volumes bilíngues de Finnegans Wake

Daqui uma semana será o Bloomsday, dia especial para os irlandeses. Acompanhando essa comemoração, a Ateliê inicia uma promoção especial para quem curte James Joyce. Na compra de qualquer volume do romance Finnegans Wake até o Bloosmday, você ganha 30% de desconto.
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O Bloomsday é um feriado comemorado na Irlanda em 16 de junho, dia dedicado à obra Ulisses, de James Joyce, muito conhecido pela sua literatura de vanguarda. Ulisses relata a odisséia do personagem Leopold Bloom durante 16 horas do dia 16 de junho de 1904. Esta data foi escolhida pelo autor por ter sido em 16 de junho a sua primeira relação sexual.
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Em São Paulo tem comemoração do Bloomsday no Finnegan’s Pub todos os anos. Na próxima quarta-feira haverá leitura de trechos dos livros de James Joyce e apresentações musicais. A programação começa a partir das 19h30. [Site do Finnegan’s Pub]
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O nome deste pub irlandes foi dado em homenagem ao último romance de Joyce, o Finnegans Wake. A edição brasileira desta obra foi publicada pela Ateliê Editorial. Trata-se da primeira tradução completa de Finnegans Wake para o português, o mais experimental e intrigante romance de James Joyce.
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A obra, escrita ao longo de 16 anos, levou árduos quatro anos de trabalho para ser traduzido por Donaldo Schüler. Acompanham o texto ainda belas imagens produzidas por Lena Bergstein e Hélio Vinci produzidas especialmente para a edição. O texto original, um fluxo único de 628 páginas, foi dividido com o passar do tempo em 17 capítulos, a fim de facilitar a leitura.
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James Joyce, a partir de um pequeno núcleo de personagens (o taverneiro Humphrey Earqwicker e sua família), tenta contar a história do mundo e da literatura, associando os mitos e ícones antigos e universais aos protagonistas do folclore e da história da Irlanda, terra natal do escritor e cenário deste que é o seu trabalho mais complexo e envolvente. Todos os volumes são bilíngues, sempre acompanhados de notas explicativas do pesquisador e tradutor Donaldo Schüler.

Senac promove pré-estreia de videodocumentário sobre fotojornalismo

O Senac promove a pré-estreia gratuita do videodocumentário Páginas Ilustradas, de Ana Raquel Merighi, Marion Dória e Nathália Cunha, dia 10 de junho no auditório da unidade Santana, às 19h. Após a sessão, haverá um debate aberto ao público sobre fotojornalismo. É necessário fazer inscrição antecipada na própria unidade ou pelo site www.sp.senac.br/santana.

Páginas ilustradas é uma produção inédita sobre os fotojornalistas de jornais impressos diários, que retrata o perfil do profissional ao mostrar a sua rotina, muitas vezes, imprevisível. O documentário não trata de questões técnicas, mas transmite uma visão humanizada dos fotojornalistas, pois destaca as particularidades de cada um dos quatro personagens principais, dois fotógrafos da Folha de S.Paulo e dois do Estadão, respectivamente, Mastrangelo Reino, Letícia Moreira, Paulo Pinto e J. F. Diório. A peça também traz reflexões sobre as tendências da profissão diante da democratização dos meios de produção de imagem. [Blog Páginas Ilustradas]

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Trilogia teórica de Boris Kossoy

O livro Os Tempos da Fotografia complementa a trilogia teórica de Boris Kossoy, iniciada respectivamente com Fotografia & História (1989, 2001) e Realidades e Ficções na Trama Fotográfica (1999, 2000, 2002), títulos esses desta mesma editora.

A desmontagem da informação é a meta a que o autor se propõe nos livros que compõem a sua trilogia. Retoma questões abordadas nos livros anteriores como a reconstituição do processo que deu origem ao documento fotográfico, com o objetivo de determinar a “ocorrência do fato e a gênese do documento”.

O efêmero e o perpétuo estão na base de suas reflexões sobre imagem e memória. Um constante exercício de rebatimentos entre a representação e o fato, o aparente e o oculto, o documento e a memória. Reflexões instigantes que vêm, certamente, contribuir para o debate sobre a fotografia. [Release]


"Não é preciso derrubar árvore", diz arquiteto Carlos Motta

(Matéria de MARIO CESAR CARVALHO – Ilustrada)

Marcelo Justo/Folhapress

Em 2001, o designer e arquiteto Carlos Motta recebeu um fax da Ikea, no qual a rede de móveis que tem lojas de Pequim a Nova York o consultava sobre a possibilidade de fornecer 1 milhão de cadeiras e 500 mil mesas.

Ele nem titubeou diante do negócio milionário: “Não dá para atender. Como dar garantia para o resto da vida para uma quantidade dessas?”.

A exposição que Motta, 58, abre amanhã no Museu da Casa Brasileira, onde também lança um livro, radicaliza mais o processo: todos os móveis são de madeira reciclada, ou “madeira de redescobrimento”, como prefere.

A ideia de dar garantia aos móveis e de reaproveitar tábuas que já foram ponte ou assoalho fazem parte de um mesmo conceito: o de que a madeira é material nobre, que não pode ser descartado.

“Não precisamos derrubar árvore nenhuma para criar móveis. Está tudo aí”, disse.

Motta é um dos principais designers do país. Tem móveis em lugares tão díspares quanto a Pinacoteca do Estado e a basílica de Aparecida.

“Na minha lista pessoal, ele está sempre nos primeiros lugares”, diz Sergio Rodrigues, 82, espécie de patrono do mobiliário brasileiro.

Irritação

Os móveis de madeira velha têm propósito ecológico e estético. O primeiro é óbvio. Ao segundo, acrescenta responsabilidade social. “Pessoas que trabalham nesses móveis têm de ganhar bem”.

O viés estético é um pouco mais complexo. Motta diz que sempre teve grande irritação com o mobiliário feito com madeira reciclada, consagrado em São Paulo pelos “móveis velhos” do Embu.

“Sempre me entristeceu como a madeira velha é usada no interior. É tudo baseado no colonial brasileiro, mas quem copia, copia mal.”

Motta parte de outra escola, a de Sergio Rodrigues e de Zanini Caldas (1919-2001).

Os móveis de madeira velha buscam a essência das coisas, diz ele: “Mexo menos na matéria-prima. Interessa-me muito o simples, o básico, o óbvio. Se sente frio, pegue um casaco. Tá cansado? Toma uma cadeira”.

O resultado dessa simplificação lembra a arquitetura brutalista de Paulo Mendes da Rocha, de quem ele foi estagiário, mas tem um quê oriental, segundo Motta. Muitos dos objetos lembram as linhas de um ideograma.

A curadora de design Adélia Borges diz que o uso de madeira velha põe em xeque a defesa dos materiais sintéticos em voga na Europa.

“Esse trabalho mostra que é bobagem esse discurso de que a madeira tem de ser abandonada. Há usos ecologicamente corretos dela.”

Para azar dos brasileiros, a nova linha de móveis caiu no gosto de europeus e americanos. Há um mês, Motta expôs em Paris e vendeu um cabideiro feito à mão por R$ 57,7 mil. Num leilão da Phillips de Pury, o lance mínimo de uma cadeira era de R$ 27,7 mil.

Um contraponto aos preços estratosféricos será mostrado na exposição. É uma cadeira feita para as Havaianas. Deve custar de R$ 600 a R$ 700, segundo o designer.

CARLOS MOTTA – MÓVEIS DE MADEIRA REUTILIZADA
Quando: de amanhã a 4/7, de ter. a dom., das 10h às 18h
Onde: Museu da Casa Brasileira, av. Brig. Faria Lima, 2.705, tel. 0/ xx/11/3032-3727
Quanto: R$ 2 e R$ 4; dom., grátis