Trechos de Livros

Vídeo do livro Edição e Revolução: Leituras Comunistas no Brasil e na França

Marisa Midori Deaecto e Jean-Yves Mollier (orgs.)

Edição e Revolução: Leituras Comunistas no Brasil e na FrançaEdição e Revolução foi inspirado nos jovens leitores. Nesta nova geração que aprendeu rápido a lidar com diferentes mídias, sem, contudo, ignorar o poder deste objeto que nos seus mais de dois mil anos de existência foi alvo de censuras, fogueiras, rebeliões e revoluções. Bastando lembrar que ele mesmo, o livro, vivenciou suas próprias revoluções. A batalha do livro se situa, portanto, na luta pela renovação do próprio objeto e na manutenção de sua aura transformadora. Dupla missão que se delega às novas gerações, sem, contudo, olvidar o tempo que passou. Assim o amor aos livros, motor de tantas batalhas. Assista o vídeo:

Participe do lançamento em São Paulo, sábado, 26 de outubro

Leia o release do livro

Uma caixinha de surpresas

Revista Superpedido | Agosto/setembro 2013

Em Clichês Brasileiros, o designer e escritor Gustavo Piqueira segue desafiando as possibilidades do livro impresso – desta vez, em uma edição que não tem capa tradicional nem lombada 

Gustavo Piqueira, autor de "Clichês Brasileiros"Com um trabalho notável à frente da Casa Rex, seu estúdio com sedes em São Paulo e em Londres que conquistou centenas de prêmios de design gráfico em todo o mundo, Gustavo Piqueira é nome obrigatório em qualquer seleção de artistas visuais que se escale no país. Mas que ninguém tente restringir seu jogo para apenas uma fatia do gramado: ele é daquele tipo de atleta que gosta de atuar em todas. Apaixonado por livros, Piqueira encontrou no mercado editorial um campo ideal para dar vazão à sua fecunda criatividade. Seja como escritor, tradutor, ilustrador ou até mesmo organizador de coleções, este craque tem produzido um elenco de obras que, por mais heterogêneas que pareçam, tem como fio condutor uma sólida e marcante característica: o inesperado.

Responsável por títulos tão díspares como o fictício Marlon Brando Vida e Obra, o irônico Manual do Paulistano Moderno e Descolado e o juvenil A Vida sem Graça de Charllynho Peruca, entre outros, ele volta a inovar com Clichês Brasileiros, lançamento da Ateliê Editorial. Desta vez, utilizando-se somente de imagens de um antigo catálogo de clichês tipográficos – matrizes outrora usadas para impressão –, o autor criou uma narrativa visual única. Aproveitando o duplo sentido do termo, conta a história do Brasil por meio de nossos clichês – desde os mais antigos, como os estereótipos da chegada dos portugueses e da catequização dos índios, até os da atualidade, caso dos engarrafamentos nas cidades e os condomínios fechados (confira na página seguinte algumas dessas imagens).

Porém, não é apenas aí que o livro surpreende. Depois de fixar um espelho na capa de sua obra anterior, Iconografia Paulistana, Gustavo Piqueira concebeu um livro sem capa nos moldes tradicionais – há apenas uma lâmina de madeira impressa em serigrafia, afixada na guarda com uma fita adesiva personalizada. Além disso, a lombada tem a costura exposta. Delírio de designer? Nada disso. “A ideia é expandir as possibilidades de um livro impresso em sua dimensão de objeto, mas mantendo um conteúdo que se sobrepõe à forma”, explica o paulistano, revelando sua preocupação em não se deixar levar apenas pelo lado visual. “Muitas vezes esses ‘livros-objetos’ não primam pela riqueza do assunto abordado, de tão preocupados que estão com a exuberância visual em si.”

Para essas obras, Piqueira também busca soluções que possibilitem tiragens industriais, a fim de colocar o livro na prateleira das livrarias. Afinal, em sua opinião, ao contrário do que muitos vaticinam, a edição impressa ainda tem um longo papel a cumprir. “Não acho que o livro digital seja ‘o’ futuro do livro. É ‘um dos’ futuros, não dá para cair nesse fatalismo de que o impresso irá morrer. Meus trabalhos recentes, como Clichês brasileiros e lconografia Paulistana, por exemplo, não funcionariam em versão digital.” Independente de qualquer prognóstico, Gustavo Piqueira está fazendo sua parte: já finalizou mais uma obra, que deve ser impressa ainda neste ano, e se prepara para começar novos projetos. Os assuntos? Melhor aguardar. Afinal, ao menos quando se trata de livros, este palmeirense é uma verdadeira caixinha de surpresas.

Acesse o livro na loja virtual da Ateliê

Assista a entrevista com o autor durante o lançamento do livro

Ilustração do livro: "Clichês Brasileiros"

Ilustração do livro "Clichês Brasileiros"

Ilustrações de Sandro Botticelli na edição de luxo da Divina Comédia, de Dante Alighieri

Divina Comédia, de Dante Alighieri

Divina Comédia, de Dante Alighieri (1265-1321), é uma das obras-primas da literatura mundial. Além de trazer de volta a primorosa tradução do erudito italiano João Trentino Ziller – publicada originalmente em 1953, em Minas Gerais – a presente edição do poema, coeditada pela Ateliê Editorial e pela Editora da Unicamp, oferece algo inédito ao leitor brasileiro: as ilustrações de Sandro Botticelli, perdidas durante séculos e identificadas somente na década de 1980. Acesse o livro na loja virtual

Tradução e notas João Trentino Ziller
Apresentação João Adolfo Hansen
Notas à Comédia de Botticelli Henrique Xavier
Coedição Editora Unicamp

Ilustrações Sandro Botticelli

Veja abaixo algumas ilustrações de Sandro Botticelli presentes no livro

Inferno – Ilustração de Botticelli

Inferno

Inferno – Ilustração de Sandro Botticelli

Inferno

Purgatório – Ilustração de Sandro Botticelli

Purgatório

Paraíso – Ilustração de Sandro Botticelli

Paraíso

Paraíso – Ilustração de Sandro Botticelli

Paraíso

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo Da Vinci

Leonardo da Vinci

Antonio Gonçalves Filho | O Estado de S. Paulo | 4.3.2013

O físico vienense Fritjof Capra, conhecido pelo best-seller Ponto de Mutação, admite que não poderia ter avaliado os trabalhos científicos do gênio renascentista Leonardo Da Vinci (1452- 1519) sem a ajuda de colegas especializados em outras disciplinas. Ele faz a revelação logo no começo de seu livro A Alma de Leonardo Da Vinci, que a editora Cultrix colocou no mercado quase que simultaneamente ao lançamento de Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci, coedição luxuosa da Ateliê Editorial e a Editora Unicamp que reproduz 215 gravuras anatômicas do pintor. Capra fala também desses desenhos em seu livro. É possível, portanto, entender a razão de ter recorrido a colegas para empreender uma análise do pensamento científico de Da Vinci, definido por ele em entrevista exclusiva ao Estado, como a “síntese perfeita entre arte, ciência e tecnologia”.

A herança cultural deixada por Da Vinci é especialmente valiosa para nosso tempo, diz Capra, por ter sido o pintor um pesquisador sistêmico, “um observador da natureza que não teve influência direta sobre os cientistas que vieram logo depois dele – por não ter publicado suas descobertas -, mas que é fundamental para o século 21, quando problemas globais tendem a ser analisados segundo uma perspectiva interdisciplinar”.

A essência de sua “alma”, segundo Capra, é justamente “a conjunção de sua curiosidade intelectual com engenho experimental”. E coragem, faltou acrescentar. O livro Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci, por exemplo, traz 1200 desenhos que não seriam possíveis sem que desafiasse a bula papal, partindo para a dissecção de cadáveres, punida em sua época com a excomunhão. Se Da Vinci vivesse hoje, arrisca Capra, ele seria um cientista holístico, lutando pela sustentabilidade. “É difícil afirmar categoricamente que Leonardo teria seguido esse caminho quando se trata de um gênio de personalidade complexa, mas tudo indica que sim.” Só um artista que definiu a pintura como fruto da observação da natureza e estudou a correlação dos padrões botânicos e animais, de acordo com Capra, podia dizer que “entender um fenômeno é associá-lo a outros fenômenos”. Séculos antes das especulações futuristas do filme Matrix, Da Vinci já levava em conta a similaridade de padrões nos mundos animal e vegetal.

Curiosamente, para um homem tão sábio, segundo Capra, não se encontra nos cadernos de anotações de Da Vinci uma só linha sobre suas emoções. Ele analisou esses caóticos cadernos de notas, tentando seguir o método empírico do artista – basicamente apoiado na observação dos fenômenos naturais -, mas não descobriu em nenhuma das 6 mil páginas, dispersas entre bibliotecas e museus, uma mísera referência à vida privada de Da Vinci. “Há só uma nota em que ele registra a morte do pai, ainda assim de passagem.”

Os estudos sistêmicos de Da Vinci são fundamentalmente diferentes da ciência mecanicista de Galileu (1564-1642) e Newton (1643-1727). Nem tudo se explica pelas leis da mecânica. Essas são ideias do século 17 que Leonardo não aprovaria se tivesse nascido nele. Capra apresenta a ciência das formas orgânicas de Da Vinci como “radicalmente diversa” de seus seguidores. “Como cientista, ele coloca a vida no centro de tudo, mostrando que os fenômenos naturais são interdependentes e interligados.” Esta, observa Capra, é com certeza uma boa lição para a ciência atual. “Ele foi o primeiro anatomista moderno, um ecofilósofo e ecocientista que não viu o corpo humano apenas como uma máquina.”

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci

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O CORPO SEGUNDO O GÊNIO

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da VinciInéditos no Brasil, Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci, organizados por Charles D. O’Malley e John Bertrand de C.M. Saunders, reúnem 1200 desenhos anatômicos realizados por Da Vinci entre 1498 e 1513, dispostos em ordem cronológica e organizados em nove áreas de estudos, da anatomia comparada à embriologia. Traduzidos pela dupla Pedro Carlos Piantino Lemos e Maria Cristina Vilhena Carnevale, esses cadernos, aparentemente destinados a estudantes de Medicina, constituem mais que esboços dos sistemas anatomofuncionais. São obras artísticas de um gênio renascentista que viu no corpo mais que um instrumento para servir de modelo a pintores e escultores.

No tempo de Leonardo, os estudos anatômicos não tinham avançado muito em relação às pesquisas medievais baseadas na dissecação de animais, que, aliás, eram proibidas nos séculos 13 e 14 — primeiro por causa da influência da interdição árabe e, posteriormente, proibida pela bula papal. Por ter sido aluno de pintura de Verrocchio (1435-1488), Da Vinci dividia com o mestre o mesmo interesse científico – embora o instrutor não pintasse muitos nus e tivesse menos conhecimento de anatomia do que seria desejável para orientar um gênio.

Leonardo começou por observar e desenhar corpos de enforcados ainda em Florença. Ao se fixar em Milão, num esforço de esculpir uma estátua equestre de Francesco Sforza, dissecou um cavalo e fez belos desenhos.

Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci

O desenho anatômico mais antigo que se conhece de Leonardo é de 1487. O crânio visto acima é de 1489. Ele fornece ao observador informações sobre a oclusão dentária e anotações que remetem aos estudos de Avicena e Galeno. Os exemplares mais impressionantes dessa bela coleção de gravuras pertencem à série anatômica do “homem centenário” que ele dissecou em Florença, em que mostra a degeneração dos vasos sanguíneos dos idosos. Em outras palavras: a arteriosclerose.

Acesse o livro Os Cadernos Anatômicos de Leonardo da Vinci na loja virtual da Ateliê