Resenhas

Revista Veja sobre O Altar & o Trono: “Referência incontornável na bibliografia machadiana”

O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, é destaque na Revista Veja

(por Jerônimo Teixeira)

O escritor da moda

Uma análise renovadora de Machado de Assis mostra a importância de um jornal feminino para a composição de O Alienista.

Como muitos grandes escritores, Machado de Assis (1839-1908) tornou-se o centro de um culto – um culto laico, mas nem por isso desprovido de sua mitologia. A lenda machadiana, em sua versão mais corrente, fala de um homem dividido. Na face pública, era um discreto e acomodado funcionário público, fundador da Academia Brasileira de Letras, saudado por seus pares como o grande mestre das letras nacionais. Um verdadeiro “medalhão”, para usar o termo de um de seus contos. O escritor, porém, pairava além e acima desse figurino convencional: um demônio da crítica social, foi o flagelo da elite monárquica – que, tão perversa quanto estulta, jamais compreendeu a arte irônica e dissimulada contida em obras como Dom Casmurro.

Em O Altar & o Trono (Ateliê/Unicamp; 432 páginas; 79 reais), Ivan Teixeira, professor de literatura brasileira da Universidade do Texas, em Austin, procede a um minucioso exame de O Alienista, uma das obras mais conhecidas de Machado de Assis, e das circunstâncias de sua publicação em um jornal feminino do Rio de Janeiro (sim, o gênio imortal escrevia para uma folha de modas). Concluiu que Machado de Assis nunca foi o revolucionário escondido no armário que certos críticos criaram. Sua literatura, ao contrário, ecoava ideias de parte considerável da elite do tempo. Machado de Assis, o integrado: eis aí uma afirmação que soará como heresia naqueles meios acadêmicos dominados pela literatura ideológica de Machado, especialmente aquela proposta pelo crítico marxista Roberto Schwarz. Não é a única inovação de O Altar e o Trono, obra que desde já se destina a ser referência incontornável na bibliografia machadiana.

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Livro O Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, na Revista VejaO Altar & o Trono, de Ivan Teixeira, na Revista Veja

Cozinheiro Nacional – Coleção das Melhores Receitas das Cozinhas Brasileira e Europeias

(por Isabel Furini)

Cozinheiro Nacional – Coleção das Melhores Receitas das Cozinhas Brasileira e EuropéiasAlimentação é um assunto que, de alguma maneira, interessa a todos, seja pela procura de um sabor especial, seja pelo interesse em manter ou recuperar a saúde. Hoje continuaremos com o assunto gastronomia. Na semana anterior falamos do livro “Técnicas de Cozinha Internacional”, hoje falaremos de Cozinheiro Nacional – Coleção das Melhores Receitas das Cozinhas Brasileira e Europeias.

“Os animais pastam, os homens se nutrem, mas só o homem inteligente sabe comer.” Esse é um dos aforismos citados no livro “Cozinheiro Nacional”, prefaciado por Carlos Alberto Doria, revisão de Geraldo Gerson de Souza e Maria Cristina Marques.

No prefácio, Carlos Alberto Doria esclarece: “Trata-se de um livro que é, paradoxalmente, mais referido e citado do que lido. É quase um mito sobre a origem de nossa culinária que, inexplicavelmente, não teve qualquer edição integral depois de 1910, razão pela qual todo bibliófilo, estudante da alimentação, gourmet simples curioso deve saudar esta edição que Ateliê Editorial e Editora Senac São Paulo hoje oferecem…”

Cozinheiro Nacional (2009, 2º edição, 496 páginas) é um livro interessante para estudantes, profesores, profissionais da área de gastronomia. Também as pessoas que adoram cozinhar irão “curtir” as receitas e conselhos dessa obra.

“É um verdadeiro trabalho social da alimentação brasileira no século XIX, dando informações sobre o que as pessoas comiam na corte, nas províncias e no interior do país.

O livro dá receitas curiosas – algumas delas ainda bastante apreciadas em certas localidades do Brasil. Cozinheiro Nacional receitas da carne bovina e 104 de vitela. Começa pelo receituário das sopas. São 131 receitas, das quais 64 são de sopas gordas e magras, tendo por base algum caldo derivado de carne ou de fritura de gorduras. Posteriormente, 20 receitas de sopas tendo por base o vinho branco ou tinto, ou a cerveja. Em terceiro lugar, as sopas que derivam da cocção em leite (15 receitas) e, finalmente, as sopas de frutas (22 receitas).

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Historiador discute relações entre Adoniran e sua grande musa, São Paulo

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O centenário de Adoniran Barbosa – que se comemora em 6 de agosto – é uma excelente ocasião para conhecer Adoniran Barbosa – O Poeta da Cidade, estudo inovador do historiador Francisco Rocha sobre as relações entre o compositor e radialista e sua grande musa, a capital paulista.

Nas palavras do crítico Antonio Candido, Adoniran “inventou um certo jeito de ser paulistano”. Afirmou-se como intérprete, expressão e extensão de uma metrópole no momento em que ela passava por radicais transformações que acentuaram a desigualdade social. Com uma visada crítica, Adoniran modelou a sua visão de São Paulo com uma poética da denúncia e da rebeldia, cheia de cômica ironia e peculiar dicção.

A Arte De Argumentar – Gerenciando Razão e Emoção

(Resenha por Isabel F. Furini – Jornal Indústria & Comércio)

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Trabalhar em equipe é complicado? Entender os outros e se fazer entender é uma arte? Ser capaz de argumentar corretamente, de persuadir, é um sonho difícil de concretizar?

Estamos em um mundo onde os relacionamentos não são fáceis e o trabalho em equipe pode revelar e até aumentar alguns problemas interpessoais.

A arte de comunicar as ideias sem ferir os outros, de argumentar de maneira adequada adquire um valor especial quando se fazem trabalhos em equipe. Talvez por isso o livro de Antônio Suárez Abreu A Arte de Argumentar – Gerenciando Razão e Emoção ( Ateliê Editorial, 2009, 136 páginas) já está na 12º edição. O livro é um guia dirigido a todos aqueles que pretendem melhorar os relacionamentos por meio da criatividade e do trabalho em equipe.

Antônio Suárez Abreu tem pós-doutorado pela Unicamp e defendeu livre-docência pela USP. Atualmente, é professor titular da Unesp, campus Araraquara, onde orienta trabalhos de mestrado e doutorado. Seus escritos, frutos de sua experiência como docente e pesquisador, são plenamente acessíveis ao público em geral.

Jornal A Tarde entrevista tradutor da obra do poeta Shelley

Tradutor, junto com Alberto Marsicano, de Sementes aladas – Antologia poética de Percy Bysshe Shelley, John Milton nasceu em Birmingham, Inglaterra, e é professor associado de Língua Inglesa e Literaturas de Língua Inglesa da Universidade de São Paulo. É autor dos livros O poder da tradução (reeditado como Tradução: teoria e prática), O clube do livro e a tradução e Imagens de um mundo trêmulo, livro de viagens sobre o Japão. Milton também verteu para o inglês várias obras da literatura brasileira. Com Alberto Marsicano, traduziu também os livros Keats – Nas invisíveis asas da poesia e Wordsworth – O olho imóvel pela força da harmonia, pela Ateliê Editorial. Ele e Marsicano já trabalham na tradução de obras de Lord Byron.

Qual a importância da poesia de Percy Shelley no contexto do romantismo inglês?

Shelley é um dos poetas líricos mais importantes da literatura inglesa; ele cristalizou vários dos temas de Wordsworth, Coleridge e Keats: a importância da natureza; a liberdade do espírito; e a força da Imaginação. E a isso acrescentou radicalismo e militância políticos.

Qual o impacto de seus poemas na época em que ele viveu?

Relativamente pouco. Shelley teve muito mais influência nas gerações subsequentes, a partir da metade do século 19. Foi admirado por poetas vitorianos, como Robert Browning, Alfred Lord Tennyson, Dante Gabriel Rossetti, Algernon Charles Swinburne, e poetas posteriores, como Henry David Thoreau, William Butler Yeats e Edna St. Vincent Millay. Mais recentemente, sua poesia tem sido elogiada pelo crítico norte-americano Harold Bloom.

Resenha do Interior Via Satélite por Masé Lemos

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Entre subidas e decidas

(por Masé Lemos)

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Deslocamento, escala e deriva.

Marcos Siscar é um dos nomes mais importantes da poesia brasileira contemporânea. Sua singular forma poética é marcada pela perífrase, pela pontuação inusitada, que conduz o leitor à deriva, ao caminhar entre desvios e atalhos que acabam por perturbar o sentido. Esse tipo de escrita, que interessa também a uma certa filosofia, escava através de um trabalho irritado, nervoso e contrariado, a linguagem, visando sair da dialética. Mas se a dialética é o limite que se quer transgredido, porém nunca ultrapassável, a transgressão não é um triunfo, mas um trabalho incessante, como diz Foucault no célebre “Prefácio à transgressão” a propósito de Bataille. Ela surge como um relâmpago que “ilumina por dentro e de alto a baixo” dando a ver o obscuro, o dentro e o fora, aquilo que é interior ao exterior e vice-versa, num movimento contínuo de dobra e alisamento.

Em seu último livro, Interior Via Satélite (2010), é perceptível a continuidade deste trabalho com a escrita em constante deslocamento, espécie de propulsão que a faz crescer em redemoinho, em contorsões enervadas que instaura uma “crise de verso”, esse interior do qual não se quer, não se pode sair. O limite pode ser pensado aqui como a pele que nos envolve, que delimita o interior, enquanto que ferir a pele é o trabalho da escrita, o trabalho da transgressão. [Leia a resenha inteira]

Dica do Guia da Folha

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INTERIOR VIA SATÉLITE

O interior sempre esteve presente na poesia de Marcos Siscar, poeta nascido em Borborema e autor de Não se Diz e Metade da Arte, entre outros. No entanto, este tema se entrelaçava com outros, principalmente com a sua preocupação com o desgaste da palavra na poesia, e com as possibilidades da expressão, sempre tão escorregadia. Em Interior Via Satélite, seu quarto livro de poemas, o poeta explora as acepções da palavra “interior”, que é tanto um lugar à margem do grande centro quanto a subjetividade do poeta. Para isso, ele trabalha num jogo vertiginoso de aproximação e distanciamento, vendo as coisas de perto e de longe, de seu miolo e de sua casca.

A beleza do livro nasce desse enfoque com vários desfoques, ou dessa “discordância” do olho, como ele mesmo diz num poema. Algo que toca a estrutura dos poemas, ora em verso, ora em prosa, ora pontuado, ora correndo solto. Os temas do livro – a memória afetiva, a linguagem da poesia, o olhar para o mundo da mercadoria – são perpassados por este paradoxo. (HFM)

Resenha de Sérgio Medeiros do livro Escrito sobre Jade no Sibila

LI PO E MAO TSÉ-TUNG EM PORTUGUÊS
Sérgio Medeiros

O poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003) “reimaginou”, em língua portuguesa, a poesia clássica da China. Publicada originalmente em 1996, a antologia Escrito sobre Jade, acrescida de novas traduções de sua autoria, saiu em segunda edição apenas em 2010. A novidade, que comentarei, é a inclusão de poemas “clássicos” do líder revolucionário Mao Tsé-tung. Mas, a meu ver, os poemas de Li Po, que já constavam da primeira edição, ainda são o ponto culminante desse pequeno volume.

O lúcido e irrequieto Haroldo indaga, em um texto inserido quase no final desse volume (pena que, em edição tão cuidadosa, as letras das partes em prosa sejam incompreensivelmente miúdas): “Como fazer para que essa poesia, procedente de uma linguagem isolante, monossilábica, de sintaxe posicional, resulte eficaz em idiomas analítico-discursivos, mais lógicos do que analógicos, mais hipotáticos do que paratáticos?” (Campos, 2010, pp. 97-98).

Para obter, em português, versos poeticamente eficazes, que correspondessem ao seu exigente padrão de poesia, o tradutor recorreu, nessas versões, a um procedimento hiperpoundiano, que comentarei a seguir. Mas talvez seja necessário, antes de tudo, apresentar, em poucas linhas, o poema chinês clássico, ou, pelo menos, alguns nomes exponenciais do período literário em questão, destacando, a partir daí, certos temas e procedimentos recorrentes. [Resenha completa]

Resenha de Liberalismo e Natureza na ilustrada

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Formado em filosofia pela USP, Rodrigo Cintra investiga os fundamentos do discurso liberal moderno a partir das teorias políticas de John Locke (1632 – 1704). O livro mostra de que forma os conceitos estudados por Locke, como o da propriedade privada e da universalidade de direitos, tornaram-se fundamentos do capitalismo da sociedade atual. Cintra ainda revela contradições por trás dessas ideias que colocam em xeque temas como justiça e igualdade. [Release]

Resenhas na Edição 146 da Revista Cult

Ficção Interrompida

Diógenes Moura

Violência, amor, sexo, tormento e solidão nas grandes cidades brasileiras captados de maneira quase cinematográfica. Eis a explicação para o subtítulo deste livro de contos do pernambucano Diógenes Moura: “uma caixa de curtas”. Nas 41 pequenas narrativas que integram a obra, são expostos os questionamentos e o drama de homens comuns, identificados apenas com as iniciais de seus nomes. Por vezes, dá-se a impressão que passamos de um conto a outro como que num plano-sequência, a plasmar a fatalidade e a contingência dos personagens – recurso talvez explicado pelos conhecimentos de fotografia adquiridos pelo autor, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Post retirado da Revista Cult

Interior via Satélite

Marcos Siscar

Pode-se dizer que Marcos Siscar (1964) é uma de nossas vozes poéticas inovadoras. Seu percurso mostra um trabalho rigoroso e comprometido com a poesia, que se reflete na atividade como pesquisador e professor de teoria literária (hoje na Unicamp), em uma intensa atuação no que poderíamos chamar de “reflexão-prática” poética. O que vemos neste seu novo livro é um prosseguimento da busca por pensar e experimentar os impasses da poesia, suas possibilidades de acontecimento no contemporâneo, a partir da “crise de verso” (Mallarmé).

Se em Metade da Arte – publicado em 2003, mas reunindo sua produção desde 1990 – prevalece o poema escrito em versos, com cortes e enjambements, e em O Roubo do Silêncio (2006) temos um livro todo composto de poemas em prosa, neste Interior via Satélite, Siscar opta por uma oscilação entre essas “formas”, problematizando mais radicalmente a questão dos cortes e da pontuação no poema. E o jogo que se explicita aqui, logo no título paradoxal, é o próprio gesto poético de inverter e confrontar distâncias, propondo não apenas novos olhares, mas novos mundos: “o mar como um livro rigoroso” (da epígrafe Haroldo de Campos), o livro como um oceano, um planeta. Mas também um lugar (do) vazio: o poema como o “corte que dá forma ao vazio que quer dizer um mundo”.

Post retirado da Revista Cult